100 – THE UNFORGETTABLE FIRE

The Unforgettable Fire - U2

The Unforgettable Fire – U2

Banda: U2

Integrantes: Bono Vox (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria)

Gravação: 7 de maio – 5 de agosto de 1984, no Slane Castle em County Meath e no Windmill Lane Studios, Dublin, ambos na Irlanda

Lançamento: 1 de outubro de 1984

Duração: 42m38s

Produção: Brian Eno e Daniel Lanois

Sobre o disco:

Conheci o U2 pra valer ainda adolescente, assistindo na MTV trechos dos incríveis shows que os caras fizeram por toda a década de 80. Eram shows maravilhosos onde se via a clara empatia entre o público e a banda no palco. Ainda que a telinha da tv e os anos me separassem daqueles momentos, ainda era possível sentir a energia e euforia que emanava de todos em especial durante a execução de músicas como “Bad”, “Pride (In The Name of Love)”, “With or Without You”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e, principalmente, “Sunday Bloody Sunday” (eu sonhava em ir a um show do U2, principalmente por causa de clips como esse aqui embaixo, que eu assistia a exaustão).

E era justamente assim que, até o início de 1983, – quando tinham apenas três discos gravados – os irlandeses eram conhecidos: como uma banda que mandava muito bem nos palcos, mas incapaz de produzir discos com a mesma qualidade vista ao vivo.

Depois da boa recepção do seu terceiro disco de estúdio War, do sucesso da turnê que se seguiu e do lançamento de Under a Blood Red Sky (mini LP ao vivo contendo oito faixas de três shows dessa turnê e que ajudou a aumentar a fama do U2 comU2 Waro uma banda de palco e não de estúdio), pela primeira vez Bono e companhia tinham dinheiro suficiente para poder definir os rumos de sua carreira. Sendo o momento extremamente favorável, seguir a trilha mais dura, crua e politizada de War parecia ser o caminho mais lógico. Menos para os integrantes da banda, que numa reunião decidiram que já era hora de mudar de ares. Com a ideia de criar algo mais sério e artístico, dispensaram o antigo produtor, Steve Lillywhite, e contrataram Brian Eno por influência do guitarrista The Edge, fã do Talking Heads, banda produzida por Eno.

A princípio Eno relutou em se juntar ao U2 alegando não conhecer a banda suficientemente e chegou a recomendar seu engenheiro de áudio, Daniel Lanois, para o serviço. Segundo contam, depois de um bate papo com o carismático Bono Vox, as dúvidas sumiram e tanto Eno como Lanois foram efetivados como seus novos produtores.

Integrantes do U2 com Daniel Lanois (imagem a esquerda) e com Brian Eno (imagem a esquerda)

Integrantes do U2 com Daniel Lanois (imagem a esquerda) e com Brian Eno (imagem a esquerda)

Apesar da desconfiança inicial dos chefões da Island Record com essa guinada no pensamento musical da banda, as primeiras gravações de The Unforgettable Fire tiveram inicio em maio de 1984 no Slane Castle, no interior da Irlanda, segundo os músicos o local com a atmosfera ideal para se encontrar esses novos ares que a banda queria empregar em seu novo trabalho. Atmosfera que podemos sentir já nos primeiros acordes da faixa inicial “A Sort Of Homecoming” onde temos um melhor equilíbrio dos instrumentos, especialmente a guitLive-Aidarra de Edge e a bateria de Larry Mullen mais suaves e cadenciadas, bem diferente da batida marcial da faixa inicial do disco anterior.

A faixa que vem a seguir tornou-se um dos seus maiores hits até então e, mesmo hoje, é presença obrigatória em qualquer coletânea da banda: “Pride (In The Name of Love)”. Escrita por Bono Vox, a canção é uma homenagem ao pacifista Martin Luther King. Aliás não só essa mas também “MLK”, canção minimalista que fecha o álbum. Na época da gravação do disco, Bono estava lendo um livro sobre o ativista o que explica as homenagens.

As demais faixas do disco tratam de temas diversos como o uso de drogas, tema em “Wire” e “Bad”, sendo essa última uma canção que tem suas qualidades mais destacadas em apresentações ao vivo, como no show do Live Aid, que você pode conferir a seguir. Um detalhe curioso sobre esse show: afirma-se que as duas garotas que Bono tira do público e com quem dança durante a apresentação da música estavam sendo esmagadas contra as grades de proteção pelo imenso público do evento. O cantor teria alertado os seguranças que não entenderam e por isso ele desceu do palco ajudando a tira-las do literal aperto.

A canção título por sua vez trata das vítimas da bomba atômica que foi lançada em Hiroshima pelos americanos ao fim da Segunda Guerra Mundial. Tanto a temática quanto o título da canção foram tirados de uma exposição de fotografias mostrando os horrores que se seguiram à explosão. É uma das letras com maior carga emocional no disco.

Há espaço para improvisações também. Além de MLK, a canção instrumental “4th of July” surgiu de um momento de descontração do baixista Adam Clayton durante um intervalo de gravação, no qual foi acompanhado pelo guitarrista. Brian Eno gostou tanto do que ouviu que começou a gravar sem que os músicos soubessem, finalizando a música posteriormente com o uso de sequenciadores.

“Elvis Presley in America” é outro momento de improvisação estimulada por Eno. Remetendo a queda de Elvis no cenário musical, pegou-se a faixa-base de “A Sort Of Homecoming” e Bono cantou de improviso logo na primeira tentativa em take único. “Promenade” também é claramente improvisada, sendo basicamente um jogo de palavras, onde o sentido fica em segundo plano. É a canção de menor destaque na obra.

O U2 em 1984

O U2 em 1984

As letras, aliás, são em minha opinião um ponto fraco do disco. Salvo em canções como “Pride (In The Name of Love)” ou “Bad”, temos letras com pouco sentido, a exemplo de “Indian Summer Sky”, canção que sobrevive devido a bela melodia. Muito por causa disso, críticos na época do lançamento consideram o disco com um ar de inacabado, o que em parte foi confirmado por Bono, que afirmou ter terminado algumas faixas muito em cima do prazo final para fazê-los. Curiosamente foram justamente as canções de maior sucesso (as já citadas “Pride (In The Name of Love)” e “Bad”) as canções mais inacabadas do disco, segundo Bono.

The Unforgettable Fire é um disco maravilhoso que funciona em muito pelo conjunto das canções, a excelente harmonia dos instrumentos e a bem dosada cota de experimentações, além obviamente de contar com dois hits instantâneos. Serviu para apontar novos caminhos para a banda e o amadurecimento do som feito por eles. Mas, definitivamente não é o melhor trabalho do U2. Esse título com certeza é do disco seguinte The Joshua Tree, de 1987, onde toda a experimentação e sonoridade do anterior alcançam sua máxima qualidade. Assim não concordo que a lista da Playboy marque The Unforgattable Fire como o centésimo melhor disco de Rock de todos os tempos. Por ser esse a única aparição dos irlandeses nessa lista a vaga deveria ser de fato do The Joshua Tree. Mas, como afirmei no post anterior, nenhuma lista está a salvo da subjetividade da opinião de seu autor.

A seguir você pode conferir a melhor música do álbum:

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

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