JORNADA NAS ESTRELAS

startrek

“O espaço: a fronteira final.

Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, pesquisar novas formas de vida e novas civilizações…

Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!”

Foi com essa introdução – hoje clássica – que, em 8 de setembro de 1966, ia ao ar uma das séries de TV mais icônicas da história da TV: Jornada nas Estrelas! Ou Star Trek no original em inglês e como a atual moda de globalização dos títulos exige.

As estrelas do show: Capitão Kirk, Sr. Spock e Dr. McCoy

As estrelas do show: Capitão Kirk, Sr. Spock e Dr. McCoy

A despeito da introdução, a série durou apenas três anos e foi cancelada devido aos baixos índices de audiência, em 3 de junho de 1969 depois de 79 episódios. Na época a audiência era medida apenas pelo número total de espectadores, bem diferente de hoje, quando outros fatores, a exemplo da qualificação demográfica por faixa de idade, ajudam a ter uma visão mais real do sucesso de um determinado programa. E se Jornada não impressionava nos números totais ela era um sucesso absoluto na população jovem entre 13 e 39 anos, justamente o público que mais interessava os anunciantes das redes de TV. Ou seja, era a série que conseguia o melhor resultado na NBC, apesar de estar na 52ª posição no quadro geral. Somente no ano seguinte esse sistema mudaria, infelizmente muito tarde para salvar a série.

Foi quando a série foi julgada morta e enterrada de uma vez por todas que algo incrível ocorreu. Sem alarde a série inexoravelmente começou a ser reprisada pelas pequenas estações de TV dos Estados Unidos, muito por causa dos fãs que, órfãos de sua série cancelada, não se cansavam de rever os antigos episódios e pelos novos fãs que a cada dia iam se multiplicando. Então de repente, praticamente todos estavam assistindo Jornada nas Estrelas: crianças teimavam com os pais para irem dormir mais tarde só para assistir mais uma reprise, jovens debatiam os episódios em animadas rodas de conversa nas universidades americanas, cientistas declaravam seu amor pela série.

O elenco da série com seu criador Gene Rodenberry (no centro, de marrom)

O elenco da série com seu criador Gene Roddenberry (no centro, de marrom)

O sucesso era tanto que, ao anunciar a construção de seu mais novo veículo espacial reutilizável (as naves conhecidas no Brasil como ônibus espaciais), a NASA foi inundada por uma multidão de cartas com solicitações para batizá-la com o nome Enterprise e não Columbia como se pretendia. E não deu outra! Em 1977 numa cerimônia cheia de pompa, era apresentado ao público o ônibus espacial Enterprise, contando com a presença do criador da série Gene Roddenberry e de parte do elenco.

A Paramount que detém os direitos da série, percebendo o potencial financeiro em suas mãos tratou de explorá-lo. Chamou Gene Roddenberry e depois de muita confusão, e projetos fracassados conseguiram levar Jornada para as telas dos cinemas, em especial devido ao sucesso dos filmes “Contatos Imediatos de 3º Grau” e, principalmente, “Guerra nas Estrelas”. Embora extremamente lento e enfadonho, “Jornada nas Estrelas – O Filme” foi um sucesso de bilheteria e marcou o início de uma bem sucedida franquia de 12 filmes, além de mais quatro séries baseadas na original e uma quase infinidade de livros, quadrinhos, jogos, bonecos, fanfics que ajudam a tornar o incrível universo de Jornada num dos mais ricos e interessantes da cultura pop do século XX.

Mas como explicar todo esse sucesso, todo esse fascínio? Muito já foi pensado, teorizado, escrito, definido e o que mais houver sobre essa questão. O fato de ser uma série otimista, onde o ser humano e sua sociedade conseguem vencer, avançar e melhorar cada vez mais, remando contra a maré de tudo que se via em termos de Ficção Científica na década de 60 quando tudo o que se esperava era uma guerra nuclear onde os mutantes sobreviventes dominariam o planeta. A visão de um futuro onde cada indivíduo seria respeitado independente de cor, gênero ou nacionalidade. Os conceitos científicos e a divulgação da ciência como algo acessível. Todos esses são fatores já foram apontados para explicar o sucesso da série.

A Nave Estelar Enterprise

A Nave Estelar Enterprise

Talvez não haja uma resposta correta. Talvez todas estejam corretas. Pessoalmente, prefiro acreditar que todo o sucesso e relevância que Jornada tem ainda hoje, se deu porque por trás de toda a tecnologia, sempre encontraremos um grande tema, como amor, confiança, ódio, ciúme, medo, traição, racismo, drogas etc. As grandes histórias de Jornada nas Estrelas não foram sobre phasers, tele transporte ou dobras-espaciais. Foram, isso sim, sobre dramas humanos, paixões, sentimentos e, talvez, seja esse o segredo do seriado: a embalagem tecnológica é ótima, mas o conteúdo emocional é marcante.

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2 comentários sobre “JORNADA NAS ESTRELAS

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