99 – POWER, CORRUPTION & LIES

pCAL_1370285793

Power, Corruption & Lies – New Order

Banda: New Order

Integrantes: Bernard Summer, Peter Hook, Stephen Morris e Gilian Gilbert

Lançamento: 2 de maio de 1983

Duração: 57m21s

Produção: New Order

Sobre o disco:

Quando eu comecei a fuçar a internet a procura dos discos da lista da Playboy, eu sabia que teria algumas dificuldades em encontrar determinados álbuns ou bandas. Eu tinha dúvidas se conseguiria encontrar todos eles e mesmo se todo o esforço valeria a pena. Afinal, apesar de a lista conter alguns discos e músicos consagrados, muitos dos quais eu já curtia – a exemplo do Pink Floyd, Rolling Stones e Beatles –, a grande maioria do que via ali eram trabalhos bem obscuros (ao menos para mim). Bandas como The Stones Roses e Television ou os álbuns In The Court Of The Crimson King e Fun House eram verdadeiras incógnitas. A despeito do pomposo título melhores álbuns do Rock da história, a inclusão desses álbuns poderia muito bem ter se dado por puro gosto pessoal do autor. Sendo bem franco: eu temia perder tempo procurando e baixando discos que se revelariam não ser nada de mais ou mesmo ruins.

Mas com certeza esse não foi o caso do segundo disco dos ingleses do New Order: Power, Corruption & Lies, um disco que me impressionou positivamente logo na primeira audição, em especial por ser bem diferente de tudo o que eu esperava encontrar quando iniciei essa jornada.

O New Order encontrou sua gênese após o suicídio de Ian Curtis, o vocalista da depressiva e melancólica Joy Division, em 1980. Apesar da tragédia, os membros remanescentes, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris, decidiram continuar a trabalhar juntos, mas sob um novo nome. Com a ideia de mudança e renascimento em mente o novo nome foi sugerido pelo produtor Rob Gretton. E com a entrada da nova integrante Gillian Gilbert (namorada de Morris) o New Order reiniciam os trabalhos.

ian-7f64

Ian Curtis, o atormentado vocalista da Joy Division

Apesar dos novos direcionamentos sugeridos pelo novo nome, o primeiro álbum do grupo ainda carregava a pesada atmosfera depressiva da época do Joy Division. Após várias experimentações mesclando o pós-punk com a música eletrônica (claramente influenciados pelos alemães do Kraftwerk), em singles como “Everything’s Gone Green”, “Temptation” e especialmente “Blue Monday” (single de 12 polegadas mais vendido de todos os tempos), O New Order lança em 1983 (apenas dois dias antes do meu nascimento) Power, Corruption & Lies com sua icônica capa com design de Peter Saville trazendo a bela pintura “A Basket Roses” do artista francês Henri Fantin-Latour.

O álbum mostra toda sua nova identidade já nos primeiros e dançantes acordes de “Age of Consent”. Escutar, assim de cara, essa faixa me impressionou. O que era aquilo: Rock? Dance? Eu ainda não sabia, mas já dava pra perceber que vinha coisa boa daquele bolachão digital.

De fato, nesse novo trabalho o New Order já estava a meio caminho de tornar-se uma banda mais voltada para um pop mais elétrico e menos rock’n’roll, assumindo de vez uma identidade distinta apesar de ainda influenciada pelo Joy Division. As músicas alternavam entre temas dançantes com outros mais sombrios, mas sempre com a batida eletrônica (a popular bate-estaca) marcando o ritmo.

neworder350b

New Order pela época do lançamento de Power, Corruption & Lies

Essa batida eletrônica, conforme já foi comentado, é forte influência dos alemães do Kraftwerk e se faz sentir por todo o álbum, embora seja em “Blue Monday” e em “Your Silent Face”, que essa influência é mais perceptível. Por sua vez, Power, Corruption & Lies serviu de influência para inúmeras bandas que vieram depois, tanto do Rock, como da nascente Dance Music, ritmo que tinha sua gênese no Disco dos anos 70, mas que encontraria força mesmo nas batidas eletrônicas, que ainda daria origem ao Techno.

Uma curiosidade sobre “Blue Monday”: essa faixa não fazia originalmente parte do disco. Era um costume da banda não inserir singles, mesmo os de sucesso nos álbuns posteriores. Porém, quando do lançamento da versão americana a faixa foi inclusa o que gera muita confusão ainda hoje. A primeira vez que o escutei foi na versão americana. Depois procurei escuta-lo na versão original. Para mim o álbum é incrível em ambas versões, mas a inclusão de Blue Monday deixou ele ainda melhor. Alguém pode argumentar que isso seria lógico uma vez que a música fez muito sucesso, mas não é bem o que ocorre sempre. Às vezes uma música de muito sucesso simplesmente não encaixa muito bem num certo álbum e isso pode prejudicar a obra como um todo. Felizmente não foi o que aconteceu nesse caso.

O novo disco não rompeu definitivamente com o depressivo tom, dos tempos de Ian Curtis, mas lhe deu uma nova roupagem, um novo colorido por assim dizer. É o sombrio visto por uma ótica mais otimista. Conhecer e escutar Power, Corruption & Lies, merece a posição que alcançou. E minha primeira grata surpresa ao vasculhar a net atrás dessas maravilhas do Rock.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s