O PARTO E A ESCRITA

Conceptual image of pregnant belly with painted clock

Escrever para mim é como um parto. Às vezes o texto vem fácil, tranquilo e quando percebo o tenho completinho e terminado. É quando o parto foi fácil, natural, sem problemas. Outras vezes o processo é mais complicado, parece que a coisa vai, mas empaca, problemas, dificuldades, até que finalmente o texto vem à luz. Nesses casos o parto foi demorado e trabalhoso, não raro sendo necessária uma cesariana para facilitar o processo. E há ainda àqueles casos em que o texto precisa sair, mas eu não sei como dar continuidade. Nesses casos, meu amigo, minha amiga, não tem jeito: o fórceps entra em ação e trago o texto ao mundo à força!

Vários dos textos que já postei aqui no Habeas Mentem se encaixam em algum dessas características. “Guerra Justa Por Uma Ficção Científica Mais Humana” é um exemplo de texto/parto fácil e simples. Terminei de ler o livro, li a postagem da Sybylla no Momentum Saga, sentei no computador e pronto. Lá estava uma resenha prontinha e perfeitinha que necessitou de um ou dois pequenos ajustes.

Mas não vá pensando que, por minha primeira resenha ter sido essa moleza, que todo texto que escrevo vem assim fácil. Quem dera fosse assim! Na realidade a maioria dos meus textos – e essa é uma realidade de vários, para não dizer todos, escritores – necessitam de muito trabalho, suor e esforço. Boa parte são partos complicados, demorados e que só são finalizados depois de muita luta. “O Sonho da Sultana” é um excelente exemplo. Apesar de ter lido o conto em um dia e de já ter uma ideia interessante de como aborda-lo em minha resenha do conto antes mesmo de terminar a leitura, o processo de escrita foi extremamente truncado e demorado. Precisei reescrever várias partes que não tinham ficado ou muito claras, ou muito corretas ou ainda muito boas. Sem falar nos períodos de travamento onde nada saía. Só depois de muito esforço e de apelar para uma cesárea que pude finalmente declarar o texto como terminado/nascido.

EscreverBem

Quanto aos textos onde o processo está tão feio que é preciso ter o trabalho do fórceps, posso citar vários. Tanto textos já escritos e postado, como aqueles que ainda preciso finalizar e estão na fila aguardando minha atenção. Só para ficar num exemplo (que na realidade são vários) tenho uns sete textos resenhas sobre os 100 Melhores álbuns da História do Rock esperando pela atuação do fórceps para que possam ficar prontos. Não que esses textos sejam demasiados complicados ou que eu não tenha a mínima ideia de como ou o que escrever. Na realidade muitos deles já estão bem delineados na minha mente, porém por uma série de fatores, ainda não tive como me dedicar a eles.

Um desses fatores é o tempo. Ou a falta de, para ser mais preciso.

Eu trabalho no setor administrativo de uma universidade e esse trabalho consome muito do meu tempo. E textos como os do 100 Melhores Álbuns necessitam muita pesquisa e audições dos discos resenhados para sua redação. Além do trabalho de escrita propriamente dito.

Outros textos acabam travando em outros problemas. Estou no momento com um texto sobre a gravidez da Miss Marvel onde eu comecei com uma ideia e lá pela metade do trabalho já pronto, percebi que minha ideia inicial estava totalmente equivocada. Felizmente não precisei reescrever nada, mas fui obrigado a repensar toda a parte final do texto.

Finalmente, nesses últimos meses um fator muito importante tem me ocupado a atenção de tal jeito que precisei diminuir minha produção textual. Logo após o falecimento de minha mãe, eu e minha esposa, Geane, descobrimos que estávamos grávidos. Essa foi uma grata surpresa que nos deixou muito felizes especialmente por ter vindo num momento difícil de luto. Ficamos exultantes, mas também preocupados, pois, por Geane ser diabética, sua gestação deveria ser cercada de alguns cuidados extras na alimentação, nas dosagens de insulinas, exercícios etc.

Por nove meses nossa rotina diária sofreu algumas alterações de modo a não descuidarmos da saúde da mamãe e do bebê. Visitas regulares aos médicos se tornaram a nova rotina, pois além do acompanhamento já habitual de sua nutricionista, passamos naturalmente a ter o acompanhamento do obstetra em seu pré-natal. Nada obsessivo que se explique. Não visitávamos os médicos a cada dois dias, mas mesmo assim as visitas regulares junto à realização de exames e ultrassons, somados a alguns desgastes eventuais com o nosso plano de saúde, tomaram um pouco de nosso tempo e atenção.

Foi quando nos primeiros minutos do último dia treze de julho (e umas duas semanas antes do previsto, mas bem no dia do Rock!), veio ao mundo pesando saudáveis 3kg e 500g o pequeno Heitor, nosso filho. A escolha do nome foi uma forma de homenagear minha mãe, mas também a mãe de Geane, ambas Helena, nome o qual pretendíamos dar ao nosso bebê caso nascesse uma menina, isso bem antes do falecimento de minha mãe, conhecida entre os amigos mais próximos por Helena de Tróia. Mas sendo um menino, mantivemos a menção a Tróia, chamando-o Heitor, o príncipe troiano.

Com seu nascimento a nossa rotina mudou mais uma vez. Entre fraldas, noites insones e hora de mamar, Geane e eu quase não temos tempo pra mais nada. Principalmente tempo para me dedicar aos textos que posto aqui no Habeas Mentem. Mas nem penso em parar de escrever. Tenho encontrado na escrita no blog uma ferramenta maravilhosa de exercício de minha escrita, criatividade, senso crítico e acesso a informação e conhecimento com as pesquisas que realizo para determinados textos. Sem falar que com a enorme felicidade que é ter um filho e que aumenta a cada pequeno sorriso seu terei muitos motivos para escrever.

Um pai e marido feliz ao lado de sua esposa e filho

Um pai e marido feliz ao lado de sua esposa e filho

E algo me diz que nos próximos meses meu processo de escrita será ainda mais e mais parecido com um verdadeiro parto.

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Um comentário sobre “O PARTO E A ESCRITA

  1. Pingback: DOIS ANOS DE HABEAS MENTEM | habeas mentem

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