97 – BEAUTY AND THE BEAT

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Beauty and the Beat – The Go-Go’s

Banda: The Go-Go’s

Integrantes: Belinda Carlisle (vocal), Charlotte Caffey (guitarra e teclado), Jane Wiedlin (guitarra), Kathy Valentine (baixo) e Gina Schock (bateria)

Gravação: Penny Lane Studios, Record Plant Studios and Sound Mixers Studios, New York City, 1980–1981

Lançamento: Julho de 1981

Duração: 32m17s

Produção: Rob Freeman e Richard Gottehrer

Sobre o disco:

No final dos anos 70 e início dos 80 praticamente toda banda de rock queria ser punk. Mesmo não admitindo, o fato é que ser punk estava na moda. Basta darmos uma olhadinha no visual predominante da época, de maquiagem carregada, com muito preto e tachinhas para termos uma ideia de como a moda da época foi fortemente influenciada pelo movimento.

Ou assistir esse filme da Madonna

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Dentre as inúmeras bandas, The Go-Go’s chamava a atenção, tanto pelo som que faziam quanto pelo fato de ser formada apenas por mulheres. Berlinda Carlisle, Charlotte Caffey, Jane Wiedlin, Kathy Valentine e Gina Schock tocavam uma mistura de punk, new wave e power pop que começava a chamar a atenção do público. E também das gravadoras.

Em abril de 1981 assinam com a I.R.S. e lançam meses depois o disco, que entraria para a história da música como sendo o primeiro disco de uma banda formada só por mulheres, tocando seus próprios instrumentos, escrevendo suas próprias letras e agenciada também por uma mulher a chegar ao topo das paradas após seis semanas. Beauty and the Beat marcou os anos 80 por tudo isso e também pela capa polêmica (para a época, claro).

Assim que comecei a pesquisar sobre as Go-Go’s o que mais me chamou a minha atenção foi a atitude ousada das integrantes. Elas literalmente viviam no maior clima de sexo, drogas e rock’n’roll, transando com seus groupies, ficando doidonas e brigando o tempo todo. Ou, nas palavras da guitarrista Jane Wiedlin: “Éramos meigas e fofas. E também éramos loucas, viciadas em drogas e ninfomaníacas”. Apesar de ser uma atitude comum entre os roqueiros homens (e de certo modo considerada normal), essa era uma atitude até certo ponto inovadora em se tratando de mulheres roqueiras.

The Go-Gos a contar da esquerda: Charlotte Caffey, Jane Weidlin, Belinda Carlisle, Kathy Valentine, Gina Schock. Image by © Lynn Goldsmith/Corbis

The Go-Gos a contar da esquerda: Charlotte Caffey, Jane Weidlin, Belinda Carlisle, Kathy Valentine, Gina Schock.
Image by © Lynn Goldsmith/Corbis

A mistura bem dosada de ritmos desse disco de estreia agradou em cheio o público, vendendo mais de três milhões de cópias. Da noite para o dia The Go-Go’s viraram celebridades, sendo convidadas para apresentações em programas de TV e saindo em turnê.

As letras falam de temas diversos, indo das fofocas sobre as celebridades na faixa de abertura a fins de relacionamento, sempre com um tom crítico para com a sociedade e instituições, ainda reflexos da vontade de ser uma banda punk. Apesar de simples, são letras questionadoras e algumas bem instigantes, sendo as minhas preferidas “Automatic” e “This Town”.

Beauty and the Beat é um dos discos mais legais e bacanas da história do Rock e, com certeza, merece a presença nessa lista. Não só por ter vendido milhões, ou pelo feito de ser um grupo formado só por mulheres, mas pela qualidade mesmo do álbum. Além das letras, a técnica das garotas é muito boa. E, mesmo o disco não sendo, obviamente, um trabalho puramente punk, o espírito do movimento tá lá. Um pouco diluído é verdade pela batida mais leve e o ritmo dançante, mas ainda assim presente. É só procurar direitinho.

Apesar de tudo isso, acho injusta sua posição à frente do muito superior Jagged Little Pill de Alanis Morissette (disco que, como deixei claro em seu próprio texto, merecia estar uma dez posições a frente da 98ª). Mesmo sendo um álbum regular, com boas canções, esse é um trabalho que nem se compara a profundidade e qualidade ao disco de Alanis.

Que fique claro: não estou desmerecendo Beauty and the Beat, tampouco The Go-Go’s. Apenas aponto que, em termos de qualidade como um todo Alanis teve um resultado mais apurado e profundo. Mas ambos os discos são excelentes musicalmente falando, além de terem sido, cada qual na sua época, exemplos de que o rock não é um clube do Bolinha onde as garotas servem apenas para babar e correr atrás dos astros masculinos. Elas podem e sabem fazer um som de qualidade inegável.

The Go-Go’s marcou profundamente os anos 80 com seu ritmo dançante e suas atitudes ousadas. Ainda hoje essas garotas que queriam ser punks são lembradas, tendo sido regravadas por cantoras teens (Hillary Duff regravou “Our Lips Are Sealed”) e usadas em trilhas de filmes que, de algum modo, remetam a década perdida como De Repente Trinta (no caso uma faixa do terceiro álbum “Head Over Heels”).

Pena que, assim como vários outros exemplos de boas bandas, tenham acabado em brigas e confusões entre si mesmas e com a gravadora.

Para terminar uma curiosidade para os Trekkers: a guitarrista Jane Wiedlin despois da separação da banda tentou carreira de atriz, tendo participado do divertido Jornada nas Estrelas IV – A Volta Para Casa. No filme ela faz uma oficial de comunicações numa breve cena na central de operações da Frota Estelar, chamada Oficial Trillya.

Jane como Oficial Trillya

Jane como Oficial Trillya

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

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