DAVID BOWIE: O HOMEM DAS ESTRELAS

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Numa cena do filme Homens de Preto, o Agente J pergunta ao Agente K se ele sabe que Elvis morreu. O colega de imediato responde: “Não, Elvis não morreu! Ele só foi para casa!” Penso que podemos dizer o mesmo de David Bowie.

Hoje acordei com a notícia da morte de David Bowie. Não me lembro de ficar tão abalado e triste com a notícia do falecimento de um artista, como quanto eu fiquei hoje.

Quando Freddie Mercury morreu, eu ainda não conhecia o gênio musical líder do Queen. E apesar de já conhecer as músicas de Renato Russo, eu ainda não entendia plenamente sua importância para lamentar tão profundamente sua morte.

Mas mesmo conhecendo ou entendendo, penso que ainda assim a notícia da morte do Camaleão do Rock me afetaria do mesmo modo. Desde muito cedo sempre tive muitas lembranças que eram (embora eu não soubesse ainda) ligadas a ele. David Bowie é o artista do qual sou fã antes mesmo de sê-lo.

Porém só fui conhecer o artista por trás dessas lembranças muito tempo depois, ao me extasiar ouvindo The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. E a conexão se fez por completa ao descobrir em seus outros trabalhos evocações de memórias musicais e visuais: Ainda moleque já viajava na melodia de “O Astronauta de Mármore”, estranha adaptação do grupo Nenhum de Nós para o clássico “Starman”. Adolescente me encantava a rouca versão de Kurt Cobain para “The Man Who Sold the World” no disco MTV Unplugged In New York. E se perde em minhas memórias de onde conheço a bela “Heroes”. Isso sem falar na icônica capa de Aladdin Sane que figura em minha mente desde a sexta série, quando vi o referido álbum jogado numa pilha de discos jogados no lixo.

Sou fã antes de conhecer o ídolo.

Artista irrequieto, incapaz de se conformar com a normalidade das coisas, com a normal conformidade das pessoas, Bowie conseguia passar toda essa capacidade mutante em suas obras. Verdadeiro alienígena entre nós tão afeitos à imutabilidade. Além disso, o lirismo e inteligência de suas provocativas composições impactam ao mesmo tempo em que instigam uma viagem imaginativa.

Sempre se reinventando, Bowie trabalhou literalmente até o último momento. Seu último trabalho, “Blackstar” foi lançado em 08 de Janeiro, quando completou 69 anos, com muito de jazz em suas linhas. Na última faixa ele canta: “I can’t give everything away” (Não posso revelar tudo). Talvez uma última provocação do artista.

Para finalizar essa pequena homenagem à sua memória segue abaixo um link com a sua biografia, além da bela e inteligente homenagem feita pelos humoristas do Site Sensacionalista.

Whiplash.net

Sensacionalista

***

P.s.: Somente após terminar o texto percebi a injustiça em meu último Post ao não listar nenhum clip de Bowie. Por isso ilustrei esse texto com aqueles que considero seus mais belos clips. Aproveito também para pedir desculpas antecipadamente por não ter podido escrever um texto mais caprichado. Mas eu não podia deixar de fazer minha homenagem.

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2 comentários sobre “DAVID BOWIE: O HOMEM DAS ESTRELAS

  1. Meu primeiro contato com Bowie foi no filme labirinto e com a música As The World Falls Down. Mais um daqueles crushs não resolvidos na adolescência. :P

    Depois, como curtidora de música dos anos 80, fui colecionando as músicas e conhecendo o artista de inegável talento e a forma como ele impactou a ficção científica, a fantasia e a cultura pop em si. Madonna fugia de casa para assistir aos shows dele e até admitiu que ele teve grande influência em sua atuação nos palcos.

    David Bowie se juntou às estrelas, que é seu lugar de direito. <3

    • Depois que passei a ter contato com as letras e os álbuns de Bowie fiquei fascinado com a qualidade de composições. Ele conseguia ser provocativo, sentimental, rebelde, instigante, tudo de uma vez só ou um de cada vez. Sempre diferente, mas sempre interessante.
      Sortudas são as estrelas que passam a gozar de tão brilhante companhia.

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