OITO MULHERES PARA SE CONHECER NESSE 8 DE MARÇO

O Oito de março está aí novamente e, novamente, a internet está tomada das declarações de sempre em homenagem às mulheres. Muitas delas copiadas daquela fanpage bacana que a galera curte, enquanto outras caem no lugar-comum de tecer elogios a sua  beleza e capacidade multitarefas de atuar como mãe, dona de casa e ainda trabalhar fora.

Preferindo fugir do mais do mesmo optei por relembrar oito mulheres  que, com seus exemplos em variadas áreas, nos lembram que, mais que homenagem num dia do ano, as mulheres merecem respeito. Lembram ainda que, embora muito se tenha avançado nesse sentido, ainda existe um longo caminho a percorrer. Nas palavras de Denise Rangel: “Enquanto houver violência doméstica e familiar, desigualdade salarial, estupro, machismo e sexismo, não há porque receber parabéns”.

1-Malala Yousafzai

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Malala Youzafzai é uma estudante paquistanesa de 16 anos. Conhecida mundialmente pelo ativismo a favor da educação das mulheres na sociedade islâmica, Malala foi fortemente estimulada pelo pai a estudar, apesar de viver numa região com forte influência do grupo radical talibã. Aos onze anos, Malala criou um blog sobre a vida em sua cidade, as tentativas de controle do talibã de sua região e seu ponto de vista a respeito da educação das mulheres. Quando um documentário sobre sua vida foi gravado pelo The New York Times, ela ganhou notoriedade, sendo nomeada ao Prêmio Internacional da Criança.

No entanto, em 9 de outubro de 2009, o ônibus escolar onde Malala voltava para casa foi atacado. Duas garotas foram feridas e Malala ficou entre a vida e a morte ao receber um tiro na cabeça. O grupo talibã assumiu a autoria do ataque.

Após uma semana lutando pela vida, Malala apresentou uma melhora em seu quadro clínico que lhe permitiu ser transferida para o Hospital Queen Elizabeth no Reino Unido. Três meses depois Malala pode finalmente deixar o hospital.

Aos 16 anos discursou perante a Assembleia da Juventude da ONU. Apesar do ataque, a garota paquistanesa continuou a apoiar a educação para mulheres. Sua principal mensagem nesse discurso foi: “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”.

2-Gabrielle Andersen-Scheiss

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A suíça Gabrielle Andersen-Scheiss não é uma heroína do esporte por um grande feito. Não venceu nenhuma competição importante, não conquistou nenhuma medalha olímpica, tampouco é considerada um nome vencedor do esporte suíço. Mas o status de heroína de Gabrielle aparece devido ao esforço e espírito esportivo.

A suíça participou da maratona feminina dos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles. Era a primeira vez que as mulheres disputavam a prova nas Olimpíadas e 37 atletas iniciaram a prova. Gabrielle, que tinha 39 anos na época, não vinha bem na prova. Não apenas com relação à sua colocação, mas fisicamente. Desidratada e sofrendo de hipertermia, a atleta recusava-se a receber ajuda médica, pois seria desclassificada. Perto do final entrou no Estádio Coliseum notavelmente debilitada. Restavam 400 metros para o fim do sacrifício. Incentivada pelos aplausos dos torcedores e recomendada pela equipe médica a desistir, Gabrielle percorreu os 400 metros finais mais acompanhados da história do atletismo. A suíça tinha dificuldades em manter-se de pé. Gabrielle tinha o rosto transfigurado pelo excessivo esforço e o andar arrastado devido às fortes câimbras. Ignorando a todo momento os médicos que a acompanhavam de perto e pediam para que ela desistisse, a atleta completou a prova na 37ª e última posição, com o tempo de 2h:48min:42s. Reconhecendo o esforço de Gabrielle, a IAAF criou o artigo “Andersen-Scheiss”, que permite que os atletas sejam atendidos pela equipe médica durante as competições sem serem desclassificados.

Após a recuperação, Gabrielle justificou seu esforço pelo fato de já estar com 39 anos, o que não daria a ela outra oportunidade de disputar uma Olimpíada e que queria honrar seu diploma de participação completando a prova.

3-Florence Nightingale

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Florence Nightingale era uma dama da aristocracia inglesa que, ao saber das condições inumanas a que estavam sujeitos os soldados feridos durante a Guerra da Criméia, decidiu cuidar deles quando ninguém mais o pretendia. Apesar dos conhecimentos sobre infecções causadas por micro-organismos ainda não existirem, Florence cuidava da higiene e limpeza dos hospitais de campanha com a maior atenção, assim como da ventilação. Perto dela nunca houve uma janela fechada! A taxa de mortes depois da chegada de Florence caiu de 50% para 2% apenas! Além de cuidar dos feridos nos hospitais ela ia até os campos de batalha dirigir pessoalmente o serviço de recolhimento dos feridos, para que não fossem maltratados. A noite percorria os campos com uma lâmpada acesa vindo daí a ser reconhecida entre os soldados como a Dama da Lâmpada. Com o fim da guerra, voltou para a Inglaterra onde fundou a primeira escola de enfermeira nos moldes modernos. É considerada a fundadora da enfermagem moderna!

4-Dorothy Counts

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Primeira mulher negra a ser aceita em uma universidade tipicamente branca, Dorothy Counts vinha de uma família que prezava os estudos. Seu pai era professor universitário em uma universidade majoritariamente negra e sua mãe, embora não atuasse, possuía diploma de nível superior. Durante quatro dias em que ela tentou acompanhara as aulas na Harry Harding ela aguentou todo tipo de humilhação: insultos, cuspidas, saques a seu armário. “Quando meu pai me levou naquela manhã, um de seus amigos da universidade, o doutor Thompson, nos acompanhou”, diz ela se referindo ao homem que a segue na foto. “A rua estava bloqueada e meu pai tinha ido procurar onde estacionar. Quando eu vi toda aquela gente, não pensei no que poderia acontecer. Eles tinham sabido pelo jornal que quatro estudantes (negros) tinham sido selecionados para escolas predominantemente brancas.”, conta ela. Quando começaram a fazer ameaças telefônicas seus pais entenderam que a vida de Dorothy poderia estar em risco e optaram por tira-la da universidade. Após e mudarem para a Pensilvânia ela passou a frequentar uma universidade mista.

Os quatro dias em que Dorothy tentou assistir as aulas foi extremamente importante para a consolidação do Movimento pelos Direitos Civis. Atualmente Dorothy é formada em Psicologia e tem uma importante atuação na luta pela igualdade racial.

5-Amelia Mary Earhart

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Amelia Mary Earhart nasceu em Atchison, Kansas e teve uma educação bem pouco convencional para a época. Durante toda a sua infância conturbada, Amelia manteve um álbum de recortes de jornal sobre mulheres de sucesso em carreiras predominantemente masculinas como: direção e produção de filmes, advocacia, publicidade, gerência e engenharia mecânica. Durante as férias de Natal em 1917, visitou sua irmã em Toronto, Ontário e revoltou-se ao ver o retorno dos soldados feridos na Primeira Guerra Mundial. Quando a pandemia de Gripe Espanhola chegou a Toronto, Earhart se manteve ocupada na dura tarefa de enfermeira. Acabou por contrair gripe, pneumonia e sinusite.

Por essa época, Earhart visitou, com uma jovem amiga, uma feira aérea que acontecia conjuntamente com a Exposição Nacional do Canadá em Toronto. Um dos destaques do dia foi a exibição aérea de um “ás” da Primeira Guerra Mundial. O piloto avistou do ar Earhart e a amiga, que estavam observando de uma clareira isolada abaixo dele, e mergulhou na direção delas. Quando a aeronave se aproximou, algo dentro dela despertou. Trabalhando em vários empregos, como fotógrafa, motorista de caminhão e estenógrafa na companhia telefônica da cidade, conseguiu juntar $1,000 para aulas de voo. Para chegar até à base aérea, Amelia pegava um ônibus até o ponto final e ainda andava cerca de 6,5 km. Sua professora foi Anita “Neta” Snook, uma das mulheres pioneiras da aviação. Em 22 de outubro de 1922, Earhart voou a uma altitude de 1.4000 pés, batendo um recorde mundial para aviadoras. Em 15 de maio de 1923, Earhart torna-se a 16.ª mulher a conseguir uma licença de voo da Fédération Aéronautique Internationale (FAI).

Earhart manteve seu interesse na aviação, tornando-se membro da “American Aeronautical Society” de Boston, sendo eleita vice-presidente posteriormente. Escreveu para o jornal local promovendo a aviação, e iniciando o projeto de uma organização para pilotos femininos. Em 1928 Amelia tornou-se a primeira mulher a travessar o Atlântico, mas como passageira num voo por instrumentos e tornou-se a primeira mulher a efetuar um voo solo de ida e volta através do continente norte-americano. Em 1930, tornou-se oficial da “National Aeronautic Association” onde trabalhou ativamente para estabelecer a separação dos recordes femininos. Amelia advogou vigorosamente pelas mulheres-piloto e, quando em 1934 a corrida “Bendix Trophy” baniu as mulheres, ela recusou-se a voar com a atriz Mary Pickford para abertura da corrida em Cleveland. Aos 34 anos, na manhã de 20 de maio de 1932, Earhart partiu de Harbour Grace, Terra Nova para Paris no seu Lockheed Vega 5b, replicando assim o voo solo de Charles Lindbergh. Após um voo de 14 horas e 56 minutos durante o qual ela enfrentou fortes ventos do norte, gelo e problemas mecânicos, Earhart pousou num pasto em Culmore, norte de Derry, Irlanda do Norte. O local é agora sede de um pequeno museu, o “Amelia Earhart Centre”. Como a primeira mulher a efetuar um voo solo sem escalas através do Atlântico, Earhart recebeu a “Distinguished Flying Cross” do Congresso dos Estados Unidos, a “Cruz de Cavaleiro” da Legião de Honra do governo francês e a “Medalha de Ouro” da National Geographic Society das mãos do presidente Herbert Hoover.

Em 1937, Amelia tentou por duas vezes o seu famoso voo mundial. Na terceira tentativa o Electra pilotado por Amelia desapareceu após decolar da Nova Guiné no Pacífico. Buscas intensas foram realizadas, mas nada se encontrou o que deu margem a uma série de teorias conspiratórias. Muitas dessas afirmavam que ela foi abatida pelos japoneses por ser na realidade espiã americana, enquanto as mais famosas (e fascinantes) são as que envolvem a abdução de seu avião por discos-voadores, teorias que foram desenvolvidas no excelente episódio “The 37’s” da segunda temporada de Jornada nas Estrelas Voyager. Amelia Earhart foi uma celebridade internacionalmente conhecida durante sua vida. Sua timidez carismática, independência, persistência, frieza sob pressão, coragem e objetivos profissionais definidos somando-se as circunstâncias de seu desaparecimento ainda jovem, fizeram sua fama na cultura popular. Centenas de artigos e livros foram escritos sobre sua vida e frequentemente é citada como estímulo motivacional, especialmente para mulheres, sendo normalmente lembrada como um ícone feminista.

6-Maria Sklodowska (Madame Marie Curie)

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Nascida Maria Sklodowska, tornou-se mundialmente conhecida como Madame Marie Curie. Polaca de nascimento, precisou fugir pra Cracóvia quando jovem. Estudou na Sorbonne licenciando-se em Matemática e Física. Em 1894 conheceu Pierre Curie, professor na Faculdade de Física, com quem no ano seguinte se casou. Ele ajudou em seus estudos para descobrir elementos químicos como o radio, o polônio, e a radioatividade. Tornou-se a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prêmio Nobel. Faleceu em 1934 de leucemia, muito provavelmente adquirida devido as incessantes horas de trabalho em seu laboratório. Fez descobertas no campo da radioatividade (quando essa ainda possuía ares de magia) e descobriu os elementos rádio e polônio. Um dos mais brilhantes nomes femininos da ciência!

7-Cecília Helena Payne-Gaposchkin

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Cecília Payne-Gaposchkin nasceu na Inglaterra em 10 de maio de 1900, mudando-se depois para os Estados Unidos. Ainda na Inglaterra ela estudou química, física e botânica em Cambridge. Na época as mulheres podiam cursar uma universidade, mas não recebiam um diploma de graduação ao fim do curso. Isso motivou Cecília a ir para os Estados Unidos onde recebera uma bolsa no observatório de Harvard. Lá, incentivada pelo diretor do observatório, ela escreveu sua tese de doutorado “Atmosferas Estelares, Uma Contribuição para o Estudo da Observação da Alta Temperatura nas Camadas de Inversão das Estrelas” (Stellar Atmospheres, A Contribution to the Observational Study of High Temperature in the Reversing Layers of Stars) em 1925. Foi graças também a essa tese que se estabeleceu que o hidrogênio é o principal componente do Sol, numa época em que se acreditava que sua composição era similar a da Terra. A tese de Cecília também ajudou a comprovar a Teoria do Big Bang. Primeira tese de doutorado de Harvard, ela foi considerada pelo astrônomo Otto Struve como: “indubitavelmente a tese de doutoramento mais brilhante jamais escrita em astronomia”. Apesar de continuar ativamente trabalhando em astronomia em Harvard, foi somente em 1938 que lhe foi outorgado oficialmente o título de Astrônoma e somente em 1956 ocupou uma cátedra em seu departamento, sendo a primeira mulher a ocupar essa posição.

Cecília Payne-Gaposchkin faleceu em 1975.

8-Maria Goeppert-Mayer

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Maria Göppert-Mayer nasceu na cidade de Kattowitz, na época pertencente a Alemanha (e atualmente Katowice na Polônia). Foi uma notável pesquisadora sobre a estrutura do átomo e uma das poucas mulheres a receber o Nobel de Física (1963), tendo dividido o prêmio com outros dois cientistas com projetos distintos. Foi educada na Universidade de Göttingen, onde seu pai era professor de pediatria, doutorou-se, casou com o físico-químico americano Joseph E. Mayer  e foi morar nos Estados Unidos, passando a ensinar na Johns Hopkins University por nove anos, tornando-se cidadã americana em 1933. Ensinou no Sarah Lawrence College (1939) e na Columbia University (1939-1945), onde demonstrou que o núcleo atômico tinha uma estrutura de prótons-nêutrons encapsulados e mantidos juntos por uma força de natureza complexa e trabalhou na separação de isótopos de urânio para construção da bomba atômica no Manhattan Project. Continuou suas pesquisas no Institute for Nuclear Studies da Universidade de Chicago (1945) e no Argonne National Laboratory (1946-1960) e publicou a obra Elementoary Teory of NuclearShell Structure em 1955. Após sofrer um derrame cerebral em 1960 que a deixou parcialmente paralítica, trabalhou para a Universidade da Califórnia, em San Diego (1960-1972) onde morreu em 1972.

Obviamente muitas outras mulheres importantes ficaram de fora dessa lista a qual é apenas um recorte de uma lista muito maior. Nomes importantes, cujas histórias merecem, e devem, ser conhecidas e compartilhadas, nos ajudando sempre a não apenas homenagear num dia específico mas a respeitar todas as mulheres todos os dias.

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3 comentários sobre “OITO MULHERES PARA SE CONHECER NESSE 8 DE MARÇO

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