96-THERE IS NOTHING LEFT TO LOSE

There Is Nothing Left to Lose

There Is Nothing Left To Lose – Foo Fighters

Banda: Foo-Fighters

Integrantes: Dave Grohl (vocal e guitarras), Nate Mendel (baixo) e Taylor Hawkins (bateria)

Gravação: Estúdio 606, Alexandria, Virginia e Conway Recording Studios, em Los Angeles, Califórnia, Março a junho de 1999

Lançamento: 2 de Novembro de 1999

Duração: 46min 24s

Produção: Foo Fighters e Adam Kasper

Sobre o disco:

Lá pela segunda metade dos anos 90 a grande moda entre boa parte dos adolescentes em Aracaju era assistir os clipes de suas bandas preferidas na MTV, através da TV a cabo, que chegara bem pouco tempo antes na cidade. Depois nos reuníamos em rodinhas animadas, na escola ou num dos dois shoppings da cidade naquela época, para uma animada conversa sobre essa ou aquela banda, música ou cantor.

Mesmo tendo morrido uns seis anos antes (ou por causa disso), Kurt Cobain e o Nirvana ainda eram os grandes nomes do Rock para muitos de nós. Nevermind e Unplugged in New York eram itens obrigatórios e geravam debates acalorados entre os fãs que idolatravam a banda e aqueles que a consideravam apenas como uma banda muito legal, porém nada mais que isso.

Foi quando o clip de “Learn to Fly” estourou na MTV. Houve um burburinho imenso entre a roda de amigos e conhecidos a respeito do cantor da banda cujo nome ainda brigávamos para aprender a pronúncia: Foo Fighters. Afinal, aquele era ou não era o baterista do Nirvana nos vocais?

Independente dessa questão nada importante, “Learn to Fly” foi um sucesso imediato, tendo sido reprisada a exaustão na MTV. Muito desse sucesso, apesar da música em si ser bem interessante, se deu por conta do tom humorístico do clip. O disco acompanhou o sucesso, sendo considerado ainda hoje como um dos melhores discos lançados nos anos 90, tendo como hits, além de “Learn to Fly”, “Stacked Actors”, “Breackout” (parte da trilha do filme “Eu, Eu Mesmo e Irene”) e “Generator”, ganhando no processo o Grammy de Melhor Álbum de Rock.

O sucesso, após o fraco disco anterior The Colour And The Shape, ajudou a consolidar o Foo Fighters como uma banda de primeiro escalão, afastando a desconfiança de muitos. Foi também fundamental para Dave Grohl deixar de ser visto apenas como o ex-baterista do Nirvana, deixando o peso da antiga banda para trás.

Muito bem produzido, There Is Nothing Left To Lose conta com canções de letras interessantes, tocadas com muita técnica e qualidade pelos integrantes. O próprio Grohl se destaca nos vocais. O resultado final é um disco dinâmico, harmonioso, sem altos e baixos e de qualidade indiscutível.

202

Apesar de todas as qualidades do disco, alguns o criticam – crítica essa geralmente estendida à banda – de ser um disco tecnicamente muito bom, mas incapaz de gerar em quem o escuta a sensação de um trem passando há alguns centímetros de nós, como quando ao ouvir Pantera com “Cowboys From Hell”, ou Pink Floyd com “Another Brick in the Wall”, U2 com “Where the Streets Have no Name”, Queen com “Radio Ga Ga” e Dire Straits com “Money for Nothing”, como dito nessa análise de Jean Carlo B. Santi no Whiplash.

Discordo em parte dessa análise. Apesar desse terceiro disco da banda ser sim tecnicamente muito bem gravado e executado, isso não significa necessariamente que ninguém vá ter a tal sensação de um trem passando há alguns centímetros de nós, apenas por que o autor da análise não sentiu isso. Das músicas citadas por ele, por exemplo, só senti tal impacto ao ouvir “Another Brick in The Wall”. E, embora já tivesse escutado várias vezes “Radio Ga Ga”, foi ao assistir o vídeo do show do Queen no Rock in Rio em 1985 que tive, não a sensação de que um trem passando perto, mas a certeza de ter sido atropelado pelo tal trem.

O Foo Fighters é uma das bandas mais bacanas a surgirem nos anos 90 e foram capazes de criar uma base sólida de fãs, mesmo entre aqueles que já curtem e ouvem rock há muito tempo e não apenas de jovenzinhos que, supostamente, não sabem nada de rock, como alguns detratores acusam de vez em quando. Impossível acreditar que nenhum desses fãs não tenha sentido alguma vez um baque imenso ao escutar uma ou outra música. Afinal essa sensação, esse impacto, é uma conexão muito pessoal entre a obra produzida e aquele que a consome. Eu nunca senti nada disso ouvindo o som do Foo Fighters. Mas tenho certeza que meu sobrinho (esse sim um fã), deva ter sentido. Do mesmo modo, meu sobrinho jamais gostou de “Iron Man” ou “Paranoid” do Black Sabbath e, no entanto, quase teve um troço ao ouvir “Smell Like Teen Spirit” pela primeira vez. Igual ao tio, aliás.

Detalhe, que, jamais, nem eu e nem meu sobrinho, discordamos que as músicas citadas acima não sejam de fato muito boas. Apenas umas nos impactaram mais do que as outras.

Particularmente não sou muito fã do som do Foo Fighters, embora reconheça que a banda do Dave Ghrol seja sim excepcional. Sendo bem sincero, acho até um certo exagero que There Is Nothing Left To Lose esteja nessa lista, apesar de sua inegável qualidade. Mas como toda lista é – de uma forma ou de outra – um reflexo daquele que a elaborou, muito provavelmente seu autor tenha sim sentido o tal trem passando a centímetros dele nesse caso.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

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