TAG: COMO VOCÊ ERA NOS TEMPOS DE ESCOLA

Vi essa TAG no Momentum Saga, que, por sua vez, viu no Just Lia. Como já faz um tempinho que não respondo uma TAG assim novinha em folha, cá estou eu respondendo sobre como eu era nos meus saudosos tempos de escola.

Durante minha infância e adolescência eu estudei em várias escolas diferentes, alternando períodos em escolas públicas e outros em particulares. Para essa TAG vou privilegiar o período entre 1990 a 2001, correspondente a todo o ensino fundamental e médio. Nesse período estudei em três diferentes escolas, uma particular o Santa Fé (SF) e duas públicas, a Escola Estadual Professora Ofenísia Soares Freire (OSF) e a Escola de 1º e 2º Graus Governador João Alves Filho (JAF). Para facilitar a leitura, utilizei no texto as siglas que acompanham os nomes das escolas.

Em cada uma dessas três escolas eu vivi bons e maus momentos que me marcaram profundamente. Ao responder as perguntas da TAG irei identificando onde e quando ocorreu cada evento. Em algumas respostas relatei momentos ocorridos nas três, já em outras apenas uma ou duas delas.

  1. Quem era você na escola, como você era? E como era sua escola?

No OSF eu cursei da 1ª à 5ª série do fundamental. Nessa época eu era extremamente tímido e também extremamente dedicado aos estudos e por isso eu procurava sentar na frente. Essa também era uma tática para fugir dos colegas bagunceiros, que volta e meia me escolhiam como alvo de suas brincadeiras de mau gosto.

Já na época de SF, onde fiz a 6ª e 7ª série e do JAF, onde fiz todo o ensino médio, eu já estava mais desinibido e a vontade e por isso mesmo fui migrando aos poucos para as carteiras que ficavam no fundo da sala. Foi também nesse período onde comecei a refletir sobre o sistema de ensino e a desgostar daquele sistema que privilegiava a decoreba em detrimento ao raciocínio. Um pouco por causa disso e muito por causa da própria adolescência, passei a desinteressar um pouco dos estudos e a me tornar mais rebelde.

  1. Qual era sua tribo?

Nunca fui muito de integrar esse ou aquele rótulo. Tirando o período de OSF, eu era conhecido por conversar e ter amizades com todo mundo. E, sendo bem sincero, depois de anos onde a timidez me impedia de me aproximar e fazer amizades, eu realmente gostava de ser alguém capaz de fazer amizades com os mais diferentes tipos de colegas.

Foi somente na época de JAF que passei a ser identificado mais como roqueiro, pois passei a frequentar as aulas usando calças rasgadas e riscadas, um tênis super detonado, com grampos remendando os calcanhares rasgados (e que logo ganharia o apelido de Brutus), e nas aulas de reposição aos sábados ou aulas extra-classe – quando estávamos liberados da camisa do uniforme –, camisas de minhas bandas preferidas. Mas nem por isso deixei de ter amizade ou conversar com o pessoal que curtia pagode ou forró. Aliás a minha melhor amiga nessa época era uma forrozeira incorrigível.

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Eu e minha amiga irmã Dani no intervalo (pelo menos eu acho que era o intervalo)

  1. No recreio, onde era mais fácil te encontrar?

Quando no OSF brincando com dois amigos que também eram vizinhos e estudavam na mesma sala. Já no SF eu passava boa parte do tempo conversando com as meninas da sala ou de outras turmas. Por essa época eu não tinha muita paciência para as brincadeiras da moda nas escolas, em geral muito violentas. Ou então estava na cantina tentando descolar um rango grátis. A dona da cantina fazia supletivo à noite e em troca de lanche grátis eu a ajudava com as atividades e trabalhos de casa.

Finalmente quando estudei no JAF eu poderia ser facilmente encontrado pelos corredores em animados bate-papos com colegas e amigos que curtiam as mesmas coisas que eu. Pela primeira vez na vida eu encontrava pessoas que eram tão ou mais viciadas em leitura, curtiam o mesmo tipo de som e também adoravam escrever. Dalvinha, Aline, Tiago e eu formávamos uma espécie de grupo intelectual onde debatíamos de tudo, de Nietsche a livros de auto-ajuda, de Nirvana a Paulo Coelho. Debatíamos, trocávamos dicas de leituras, líamos os textos uns dos outros, combinávamos de ir ao cinema ou saraus de poesias. Pra falar a verdade, as vezes nem precisávamos estar no intervalo para ficar pelos corredores de papo.

  1. Já namorou ou ficou com alguém da escola? Foi dentro ou fora da escola?

Namorar, namorar alguém da escola propriamente falando, nunca namorei. Mas ao cursar o terceiro ano do ensino médio passei por um período de popularidade no JAF, que o garotinho tímido do OSF jamais sonharia ter, nem mesmo em seus devaneios mais loucos. Nessa época fiquei com uma garota que conheci nas escadarias da escola. Aliás, hoje faz exatamente 15 anos que ficamos pela primeira vez. Lembro, pois era o dia do meu aniversário e acabamos flagrados aos beijos e abraços pela Professora de Química e vários amigos de turma que me zuaram muito depois.

Pouco tempo depois durante a gincana do colégio fiquei com uma menina extremamente bonita, que me gerou muitas críticas e advertências por parte de alguns colegas e amigos, pois ela tinha fama de ser “rodada”. Não dei ouvidos e continuei ficando com ela de vez em quando.

Finalmente, já no finalzinho do ano acabei ficando com a mesma Aline do grupinho citado no tópico acima. Embora tenhamos nos entendido super bem desde o dia em que nos conhecemos, uma série de encontros e desencontros dignos de uma novela mexicana, impediu que ficássemos antes. Isso gerou muitas coisas boas, mas também muitas ruins, que, quem sabe um dia eu conto por aqui.

  1. Já fez alguma coisa escondida ou contra as regras? Já cabulou aula?

Até entrar no JAF eu era muito certinho e não gostava de cabular (ou gazear aula, como dizemos aqui). Tudo isso mudou obviamente ao passar a estudar no JAF, na época reconhecidamente um dos colégios, senão o mais, violento do estado. Gazear aula era uma prática comum entre os alunos. Várias vezes passei pelo vão aberto por nós mesmos na grade dos fundos da escola, para atividades triviais como assistir cinema no shopping próximo, ou outras bem menos ortodoxas, como ir até o Calçadão da 13 de Julho para beber vinho barato, que comprávamos através de uma cotinha entre os gazeadores, ao som de muito rock.

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Visão atual da Escola João Alves Filho e da grade pela qual fugíamos para gazear as aulas

  1. Se lembra modinha que você seguiu?

Nunca gostei de modinhas e não lembro de ter participado de nenhuma. Na verdade sempre tive pavor de moda ou qualquer coisa similar. Mas lembro que fui eu e alguns amigos que costumavam assistir televisão lá em casa, que viciamos a galera da escola em vários programas que passavam na TV Cultura. Doug, O Mundo de Beakman são alguns exemplos. Isso na época do SF.

  1. Qual foi o melhor e o pior dia?

O melhor dia foi no segundo ano do ensino médio quando ganhamos a gincana escolar. Era o ano 2000 e todas as atividades da gincana deveriam ser cumpridas utilizando temas brasileiros. Por puro desleixo minha turma simplesmente deixou o barco andar e quando demos por nós, já era véspera da gincana e não tínhamos nada pronto. No desespero fizemos uma reunião de emergência onde minha amiga-irmã Dani nos estimulou a correr atrás do prejuízo usando o argumento de que não poderíamos passar a vergonha de não apresentar nada. Do nada nos mobilizamos e, sem pensar em vitória, cumprimos cada uma das tarefas preocupando-nos apenas em nos divertir e não passar a dita vergonha. O resultado final foi tão leve, espontâneo e brasileiro (éramos uma turma muito ufanista, muito ligada as coisas do Brasil e do próprio estado de Sergipe), que acabamos por ganhar a gincana com uma gigantesca vantagem em relação a segunda colocada. Nem a gente acreditou!

Tive vários momentos ruins em toda minha vida escolar. Mas aquele que mais me marcou foi quando reprovei a 6ª Série no SF e precisei contar para minha mãe. Sua expressão de decepção ficou permanentemente gravada em minha mente e coração.

  1. Se envolveu em algum tipo de briga ou movimento/protesto?

Foi no JAF onde aprendi a importância da militância política e onde desenvolvi uma postura que eu poderia chamar de esquerdo-anárquica. Não muito fã de cumprir normas que eu julgava autoritárias, incoerentes ou simplesmente imbecis, tendo lido livros como 1984 e fã de punk rock, eu costumava ter alguns embates homéricos com a diretora da escola, por conta de determinadas regras que visavam moralizar a escola. Estando bem popular na época do terceiro ano, cheguei a ser convidado a participar do Grêmio Estudantil, mas recusei, explicando que poderiam contar comigo para ajudar no que fosse preciso, mas não queria me ver preso a nenhum grupo, para poder continuar tendo a liberdade de criticar o que quer que estivesse errado, fosse de onde fosse.

Quanto as brigas literais, de murro e pontapés nunca briguei na escola. Quando mais novo por medo da surra dupla que levaria em casa (de minha mãe e do meu pai), e mais velho por consciência de que minha mãe já se desgastava demais num emprego cansativo para ainda ter que ir na escola pra ouvir reclamação do filho brigão.

  1. Sua escola tinha alguma lenda, tipo loira do banheiro? Você tinha algum medo na escola?

Quando estudei no OSF muitos garotos costumavam subir até a enorme caixa d’água da escola para nadar lá dentro. Outros costumavam jogar as carteiras quebradas lá dentro, por sabe-se lá qual motivo. Isso acabou gerando a lenda de que um garoto teria morrido lá dentro ao se cortar nas ferragens das carteiras velhas que lentamente enferrujavam dentro da caixa d’água.

A história do garoto era lenda, mas um garoto realmente quase morreu afogado certa vez e água que saía dos bebedouros tinha um forte gosto de ferrugem.

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A entrada do Ofenísia Soares Freire atualmente fechada para reformas

  1. Sofreu ou causou Bullying em alguém?

Principalmente na época de OSF eu sofri uma certa quantidade bullying, principalmente dos garotos mais velhos. Muito calado, muito estudioso e com gostos e costumes meio estranhos, os valentões adoravam me zuar. Particularmente não guardo mágoa, pois tudo isso me ajudou a me defender e a ter uma atitude mais positiva sobre mim mesmo.

Até onde lembre, jamais causei bullying. Mas como é mais fácil lembrar de nossa própria dor e não da causada por nós…

  1. Como era a sua performance em apresentações da escola? Curtia?

Eu só fui participar de apresentações já na época do JAF, quando já dominava quase totalmente minha timidez. E eu adorava participar de apresentações de seminários, gincanas e feiras literárias. É por causa da apresentação de uma versão moderna do Auto da Barca do Inferno do autor português Gil Vicente (que entraria pra história do JAF), onde interpretei um pastor que roubava os fiéis, que alguns amigos dessa época ainda hoje me chamam de pastor!

  1. Do que você mais lembra desse tempo? Quais as coisas que mais te trazem lembranças?

Lembro de muitas, mas muitas coisas mesmo da época de OSF, SF e JAF. Mesmo com os problemas e momentos ruins foram os momentos mais felizes da minha vida. Especialmente o último ano de OSF, o último do SF e o último no JAF (particularmente esse último) foram anos marcantes para mim, que me deixaram uma gama enorme de boas lembranças.

  1. Teve algum professor(a) ou funcionário(a) que te marcou?

A Professora Malvina de Geografia na 5ª Série no OSF. Durona, ninguém andava fora da linha em sua aula. Mas era também extremamente competente. A Professora Adalgisa de Biologia e Leila de Química do ensino médio no JAF também me marcaram pelo comprometimento. Enquanto muitos professores fingiam que davam aula e nos fingíamos que estudávamos, elas jamais deixaram de passar um conteúdo sequer de sua matéria e nem de tentar enfiar em nossas cabeças teimosas a importância do estudo.

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Turma (ou parte dela) do 3º Ano D. Essa foto é especial pois foi tirada poucos dias depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001

  1. Se você pudesse voltar no tempo, o que você diria pra você mesmo naquela época?

Esse é um ponto sobre o qual já refleti muito na minha vida. E nos últimos tempos, tenho chegado a conclusão de que não diria nada. Deixar-me-ia seguir o curso que segui, pois, mesmos que alguns tenham sido muito dolorosos, me deixaram como legado ensinamentos profundos e importantes em minha vida atual.

Pensando bem, diria algo sim. Um breve, porém caloroso: “Viva intensamente essa vida! Você não vai se arrepender!”

E tenho certeza de que seria atendido.

Gostou das respostas? Pois então fique a vontade para responder também. Pode ser aqui nos comentários ou no seu blog. Só não esqueça de mandar o link.

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2 comentários sobre “TAG: COMO VOCÊ ERA NOS TEMPOS DE ESCOLA

  1. Temos muitas semelhanças! Adorei ler sobre suas experiências. Sei bem como é sofrer por ser quieta demais, vai ver foi por isso que me revoltei na adolescência, passei pro lado metal roqueiro e isso intimidava um pouco as pessoas! :D

    • :D Quando virei roqueiro, por assim dizer, adorava o choque que meu visual causava nas pessoas! Hoje percebo que eu adorava ser percebido como alguém capaz de intimidar e não apenas como o garotinho que poderia ser intimidado!
      Viva o lado Roqueiro da Força!!!

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