5 BONS FILMES RUINS

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A finada SET em sua clássica primeira edição

A finada revista SET (que Deus a tenha num bom lugar) manteve por algum tempo uma seção dedicada a falar de filmes muito ruins, mas que, por um motivo ou outro, todo mundo gosta. A seção chamava-se, adequadamente, Bom Filme Ruim. Os leitores enviavam para a revista o nome do seu filme ruim preferido explicando porque gostam tanto daquela porcaria… quer dizer… daquele filme… han… incompreendido…

Lembrei-me disso por esses dias, quando assistia um exemplar particularmente peculiar desse gênero cinematográfico e minha esposa perguntou como eu conseguia assistir um filme tão ruim. Percebi então o quanto adoro vários filmes que se encaixariam como uma luva nessa categoria.

Rabiscando, listei rapidinho 10 filmes que, de tão ruins, são bons. Tem de tudo um pouco, desde exemplares dos filmes testosteronas que inundaram os anos 80 e 90 a dramas que nos fazem bolar de rir e uma lenda viva das artes marciais (e dos memes na internet) pagando mico numa aventura paradona que também é uma comédia sem graça nenhuma. No entanto, ao preparar a postagem, percebi que uma lista de 10 ficaria muito extensa e enfadonha. Por isso, dividi a lista em duas partes distintas. A primeira sai hoje enquanto a segunda parte postarei em breve.

Boa leitura!

 ♦

5-Lua de Cristal (Tizuka Yamazaki-1990)

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Começamos com o maior clássico brasileiro no quesito Bom Filme Ruim! O filme é datado, cafona, exageradamente musical, além de ter a música tema mais chiclete já escrita e gravada da história do cinema nacional. Isso sem falar na canastrice do casal protagonista formado pela inocente e interiorana Maria das Graças (a própria Xuxa Meneghel) e seu príncipe encantado Bob (ninguém menos que Sérgio Mallandro – fico imaginando quem teve a brilhante ideia de colocar Sérgio Mallandro de príncipe encantado). O filme ainda conta com uma série de cenas repletas de humor involuntário, como quando Sérgio Mallandro dá uma cheiradinha apaixonada no tênis que a mocinha esqueceu (!) depois de ter sido atropelada pelo próprio (!!). E não podemos esquecer da belíssima cena quando nosso príncipe de plantão salva a mocinha que estava se afogando na parte rasa da praia, numa das cenas mais toscamente hilárias do filme! Apesar de tudo isso (ou por conta de tudo isso, vai saber), o filme foi o mais visto nos cinemas nacionais naquele ano, com mais de cinco milhões de expectadores e foi figurinha fácil nas intermináveis reprises da Sessão da Tarde. Simplesmente clássico!

4-Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China de John Carpenter-1986)

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Quem diria que um filme que era pra ser um western, dirigido pelo mestre do horror John Carpenter e que quase teve no papel principal do caminhoneiro Jack Burton as estrelas Jack Nicholson e Clint Eastwood (mas que ficou mesmo com Kurt Russel), se tornaria a mais divertida (e sem noção) aventura pseudo-mística de todos os tempos? O filme foi um fracasso nas bilheterias, mas acabou estourando nas locadoras de VHS e, como não poderia deixar de ser, nas infinitas reprises da Sessão da Tarde, onde a turminha muito louca de Jack Burton entra em divertidas e animadas confusões para resgatar sua noiva (vivida por Kim Catrall, a Valeris de Jornada nas Estrelas VI) e a do amigo chinês das garras do vilão de 2000 anos de idade, Lo Pan. Amaldiçoado por um antigo imperador chinês, Lo Pan precisa casar com uma moça de olhos verdes só para depois sacrifica-la para poder se livrar da maldição. Espertinho, o vilão sequestra e planeja casar não com uma, mas com duas moças de olhos verdes, uma para o sacrifício e a outra para viver com ele. Além de ser repleto de clichês dos filmes de aventura genéricos dos anos oitenta, a cena final do filme é um perfeito desfile de carnaval, cheio de pirotecnia num cenário que grita “Sou falso” a cada 24 frames por segundo. Ainda assim, o filme conta com uma galeria de personagens que caíram no gosto do público e de, ao menos, um monstro muito bem feito: o monstro cheio de olhos, espião de Lo Pan.

3-Aventureiros do Fogo (Firewalker de J. Lee Thompson-1986)

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Saimos dos Aventureiros do Bairro Proibido para os Aventureiros do Fogo: eu sempre tive um gosto peculiar para tudo na vida. Mas confesso ter me superado ao passar boa parte de minha infância e adolescência afirmando ser Aventureiros do Fogo o melhor filme que já assisti na vida! Sério: eu adorava assistir esse filme de aventura (sem aventura), que, na onda do sucesso de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, pôs Chuck Norris para viver um ex-fuzileiro ruim de tiro, mas bom de faca (e clone mais que genérico do Indiana Jones) ao lado de Louis Gosset Jr. vivendo o amigo alívio cômico (mas que não tem graça nenhuma), ajudando a mocinha Patricia Goodwin a descobrir um lendário tesouro asteca, ao mesmo tempo em que fogem de um terrível vilão (que não causa terror nenhum). Mais genérico e bobo impossível. Mesmo assim eu me amarrava nas tentativas frustradas da dupla, especialmente do Chuck Norris, em tentar fazer um filme de aventura leve, cheio de piadas e humor. Sempre achei a cena no trem, quando, disfarçados de religiosos, precisam dar a bênção a um soldado impressionado com um suposto milagre, a mais hilária do filme. Pois é, coisas da idade. Agora, será que alguém me explica como é que um ex-fuzileiro conseguia ser o pior atirador do mundo?

2-Guerreiros de Fogo (Red Sonja de Richard Fleischer-1985)

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Se Aventureiros do Fogo até foi um nome mais interessante que o original Firewalkers, o mesmo não podemos dizer da escolha Guerreiros de Fogo, para o título original Red Sonja. Esse é outro filme feito na esteira de sucessos anteriores  no caso Conan-O Bárbaro e Conan-O Destruidor. Guerreiros de Fogo adapta a história da guerreira Red Sonja das histórias em quadrinhos do mesmo universo do guerreiro cimério e, pra variar, não fez nem metade do sucesso esperado. Estrelado por Brigitte Nielsen, o filme é fraco, fraco, fraco até não poder mais, com cenas de lutas mal filmadas, mal coreografadas e  mal interpretadas, personagens bobos e desnecessários e um Arnold Schwarzenegger que aparece do nada interpretando um tal de Kalindor (que na verdade é próprio Conan com outro nome, pois um imbróglio com os direitos autorais impediu o uso do nome do guerreiro cimério, o que serviu apenas pra deixar a trama ainda mais sem noção). Não é tão cult quanto os demais da lista, mas não chega a ser um péssimo filme. Está mais na conta dos inofensivos. Tá na lista por que sempre curti a personagem Red Sonja nos quadrinhos e sempre achei que ela merece uma adaptação decente nas telonas (ou pelos menos numa série de tv). E até que a Brigitte Nielsen, mesmo não sendo nenhuma Meryl Streep, não fez feio no filme.

1-Stallone Cobra (Cobra de George Pan Cosmatos-1986)

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Olha vou te contar: a disputa do primeiro lugar foi ferrenha entre essa pequena obra prima de tudo o que há de ruim nos filmes dos anos oitenta e o concorrente mamão com açúcar igualmente estrelado pelo Garanhão Italiano Sylvester Stallone, Falcão – O Campeão dos Campeões. No fim, venceu a história total e completamente desmiolada vivida por Marion “Cobra” Cobretti (melhor nome de policial, machão, casca grossa, já criado na história da humanidade), por um único e simples critério: simplesmente não paro de rir um segundo sequer revendo essa pérola, que – cereja do bolo – conta ainda com o arsenal mais hilário de frases de efeito já imaginadas pelo ser humano. Vide a clássica “O crime é uma doença e eu sou a cura!” Eu adoro o primeiro Rocky, acho o primeiro Rambo um filme excelente, mas Stallone Cobra (santa falta de criatividade para um título adaptado) é, de longe, o melhor filme do gênero testosterona made in anos 80. E, como que para não deixar nenhuma dúvida, ao pesquisar o significado exato do termo canastrão, encontrei esse apropriado exemplo no verbete do Dicionário Informal: “Silvester Stallone no papel de Marion Cobretti, não teve medo de ser canastrão e acabou fazendo ali sua interpretação mais memorável!”

Concordo plenamente! O que, não necessariamente, signifique um elogio…

*   *   *

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Até mais!

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