93-GET THE KNACK

GetTheKnack

Get The Knack – The Knack

Banda: The Knack

Integrantes: Berton Averre (guitarra, vocal), Prescott Niles (Baixo, vocal), Doug Fieger (vocal, guitarra), Bruce Gary (Bateria, percussão)

Gravação: Abril de 1979

Lançamento: 11 de junho de 1979

Duração: 40:58

Produção: Mike Chapman

Sobre o disco:

Em um dia qualquer de 1978, o jovem Doug Fieger entrou numa loja de roupas de Los Angeles onde encontra uma jovem balconista de 17 anos por quem se apaixonou imediatamente. “Foi como ser atingido na cabeça com um taco de beisebol, eu me apaixonei por ela instantaneamente, e quando isso aconteceu, ela provocou alguma coisa dentro de mim e eu comecei a escrever um monte de músicas febrilmente em um curto espaço de tempo”, diria ele tempos depois. Desse começo prosaico acabaria nascendo um dos hits mais grudentos do final dos anos 70, “My Sharona”.

A canção foi o carro chefe do disco lançado no ano seguinte do arrebatador Get The Knack. Apesar de ser um excelente disco com boas canções, o imenso sucesso alcançado se deu em grande parte devido a “My Sharona” que simplesmente não parava de tocar nas rádios e, mesmo competindo com a moda da Disco Music, conseguira conquistar o topo da billboard naquele ano, numa inusitada primeira posição a frente de “Bad Girls” de Donna Summer e “Le Freak” do grupo Chic. O resultado: um dos discos de estreia mais arrebatadores até então.

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A pouco comportada (para o final dos anos 70) capa do single

Apesar dessa nada pequena ajuda, não foi apenas devido ao sucesso da little pretty one “My Sharona” os bons resultados alcançados pelo disco. A inteligente, embora arriscada, estratégia de marketing da gravadora – vendendo a banda como os Beatles dos anos 80 – teve sua parcela de responsabilidade. Do título e capa aludindo ao Meet The Beatles à produção das canções, quase todo o álbum remete ao quarteto inglês. O próprio clip de, novamente, “My Sharona” não nos deixa esquecer isso, tendo uma bateria com o nome da banda gravado numa fonte muita similar a da batera de Ringo e o estilo mais social dos integrantes do grupo, usando terninhos, ainda que bem mais casual e a vontade. Afinal, os Beatles dos anos 80 não podiam desfilar por aí com terninhos bem comportados. Era preciso um pouco mais de rebeldia.

Com canções muito bem pensadas, produzidas e, especialmente, bem tocadas, tem-se no instrumental um dos pontos mais fortes do álbum. Apesar de ter duas canções chicletes (“Oh, Tara”, além da onipresente “My Sharona”), essas nunca soam chatas ou cansativas, o que também ajuda a explicar o sucesso de ambas. O bom equilíbrio entre rock e pop do começo ao fim ajudam na harmonia geral da obra, que é dançante e alegre, mesmo em faixas um pouco mais destoantes, a exemplo de “(She’s So) Selfish”, um dos instrumentais mais interessantes do álbum, ou de “Maybe Tonight” calma e melódica.

Entretanto, se pelo lado instrumental o disco é impecável, é importante frisar o conteúdo francamente misógino de suas letras. Há vários exemplos, por todo o álbum, como “Lucinda”, canção onde a garota título é retratada como uma destruidora de corações, mentirosa e cínica. Há ainda a já citada “(She’s So) Selfish”, cujo título entrega de cara a ideia de mulher expressa na canção (algo como “(Ela é Assim) Egoísta”, numa tradução livre). De maneira geral as letras de Get The Knack falam de homens cujas vidas foram ou são, de certo modo, estragadas por causa de uma mulher. Dissimuladas, cruéis, levianas. Essa era a visão feminina apresentada pela banda. E, diga-se de passagem, nada incomum ou algo novo no rock, um universo dominado por homens, com músicas (“Under My Thumb” dos Rolling Stones) e atitudes machistas (qualquer banda em relação as suas groupies nos idos dos anos 60 e 70), conforme relatei no texto sobre Jagged Little Pill de Alanis Morissette.

Get The Knack é um excelente disco que peca na sua visão preconceituosa das mulheres. Por todo o impacto que causou no fim dos anos 70 e início dos anos 80, influenciando inclusive muito do que viria a ser produzido dali em diante, como o power pop e o new wave, explica-se sua presença nessa lista. Particularmente considero um trabalho muito bem produzido, mas nada de tão memorável, além do estouro de “My Sharona” e os belos arranjos de suas canções. Beatles dos nãos 80? Com certeza não.

Depois do início avassalador, The Knack nunca mais conseguiu repetir ou mesmo chegar perto de tanto sucesso. Era encarada pela mídia como uma banda de atitude artificial e arrogante, principalmente depois que casos como o da revista Scene ter se recusado a publicar um artigo devido as “tentativas de censura” da banda começarem a surgir. Ainda lançariam mais dois álbuns que sequer passaram perto do sucesso do primeiro, culminando com a dissolução do quarteto em 1981.

Apesar de ser um disco bem executado, com belas melodias – ainda que o tom machista das letras seja algo a ser notado –, não tem para onde escapar: “My Sharona” foi, e ainda é, o hit pelo qual se lembra de Get The Knack. Doug Fieger e Sharona Alperin (a jovem balconista que inspirara a canção) namoraram por quatro anos. Posou para a capa do single inclusive. A canção foi composta em cerca de 15 minutos. Um relacionamento meteórico que levou a uma composição meteórica, assim como foi o sucesso do quarteto. De tudo ficaram apenas o álbum, as lembranças e “My Sharona”…

Paul Fieger e sharona alperin

Doug Fieger e Sharona Alperin

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

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