92-JOURNEY TO THE CENTRE OF THE EARTH

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Journey To The Centre Of The Earth – Rick Wakeman

Artista: Rick Wakeman

Músicos Integrantes: Rick Wakeman (sintetizadores e teclados); Gary Pickford-Hopkins e Ashley Holt (vocais); David Hemmings (narrador); Mike Egan (guitarras); Roger Newell (baixo); Barney James (bateria); The London Symphony Orchestra; The English Chamber Choir; David Measham (maestro e condutor); Wil Malone e Danny Beckerman (arranjos para orquestra e coro)

Gravação: Royal Festival Hall, Londres, Inglaterra, 18 de janeiro de 1974

Lançamento: 18 de maio de 1974

Duração: 40m09s

Arranjos: Danny Beckerman e Wil Malone

Produção: David Hemmings

Sobre o disco:

Noite de 18 de janeiro de 1974. Na plateia do Royal Festival Hall de Londres o público ruidoso observava com certa curiosidade a Orquestra Sinfônica de Londres e o Coral de Câmara Inglês lado a lado com uma moderna banda com guitarras, baixos elétricos e bateria. No centro do palco, ao lado do maestro, um impressionante conjunto de teclados e sintetizadores parecia também aguardar. Havia uma certa expectativa dúbia no ar sobre o que sairia daquela mistura inusitada entre música clássica, rock progressivo e literatura.

De repente o burburinho muda de tom, parece ceder um pouco. É que entrou no palco a nada discreta figura de Rick Wakeman, os seus longos cabelos loiros caídos por cima da capa prateada que chega aos pés. Após agradecer com um breve galanteio os aplausos costumeiros, Wakeman assume seu lugar ao centro dos teclados. Seguindo a programação impressa num bem acabado livro entregue a todos na plateia, são executadas as peças “Sinfonia Nº 1 in D Minor – Opus 13”, de Rachmaninov, seguido pelas peças de autoria do próprio Wakeman (de seu disco solo anterior The Six Wives of Henry VIII) “Catherine Parr”, “Catherine Howard”, “Anne Boleyn” e dois improvisos, tem início a peça principal: The Journey To The Centre Of The Earth!

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Rick Wakeman e seu nada discreto modo de se vestir. Imagem do Daily Mail

Conhecido pela megalomania e por ser um dos egos mais inflados do rock (ou mesmo da música), Wakeman começou a idealizar o que viria a se tornar The Journey, após o Yes, banda na qual entrara em 1971 e ajudara na evolução de sua sonoridade, lançar em 1973 a obra Tales From Topographic Oceans. Praticamente uma obra exclusiva das mentes criativas de Steve Howe e Jon Anderson (respectivamente guitarrista e vocalista do Yes), a crítica se derretia em elogios aos dois, enquanto Wakeman se sentia preterido na banda. Mas, tendo uma boa recepção de seu trabalho solo, lançado também em 1973, The Six Wives of Henry VII, o talentoso tecladista de formação clássica começou a rascunhar um material ambicioso. Seu objetivo: mostrar que os elogios recebidos no trabalho solo não eram a toa e provar todo seu talento, muito maior que todo o Yes. Traduzindo: Wakeman queria uma mega massagem no seu já enorme ego ao mesmo tempo em que dava uma resposta aos seus colegas músicos!

A ideia original apresentada à gravadora era a de um disco duplo com uma única canção contando a história do clássico do autor francês Júlio Verne. A obra contaria com a participação de um coral e orquestra e o disco ainda traria um luxuoso livreto contendo gravuras e a letra da canção. No entanto a ideia foi vetada de cara, pois seu custo seria exorbitante. Depois de algumas idas e vindas, o projeto foi aprovado desde que fosse reduzido a um disco simples e com a gravação ocorrendo ao vivo, com a venda de ingressos para ajudar a pagar os custos, além de diminuir as horas de estúdio.

A apresentação foi um grande sucesso e Wakeman voltou às exigências: agora, além de novamente pedir novamente o livro de ilustrações, ele queria o disco lançado na forma quadrifônica. Como se não fosse o bastante passou a cogitar a hipóteses de excursionar levando todo o complexo conjunto de músicos envolvidos no projeto, algo extremamente caro e, obviamente vetado pela gravadora. Por essa época, Wakeman já tinha ganho um bom dinheiro com a turnê bem sucedida do disco Tales From Topographic Oceans ainda com o Yes. Encerrada a turnê, ele sai da banda e concentra todos os seus esforços no disco. Depois de apelar para o braço norte-americano da gravadora, Journey To The Centre Of The Earth foi lançado em maio de 1974 contendo apenas duas faixas no lado A (“Journey” e “Recolletion”) e duas no lado B (“The Battle” e “The Forrest”). Para alegria de Wakeman o disco acabou saindo em duas versões: uma de gravação normal e a outra na desejada forma quadrifônica, sendo essa última extremamente rara hoje em dia.

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Rick Wakeman em seu ambiente: cercado de teclados e sintetizadores

O sucesso da obra foi imediato alcançado o topo das paradas britânicas e norte-americanas vendendo ao todo até hoje mais de 14 milhões de cópias. Todo esse sucesso só serviu para alimentar a já bem nutrida megalomania de Wakeman, que passou a investir pesado na Journey Tour, iniciando pela América do Norte e passando pela Europa Ásia e Japão. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa turnê, em 1975 Journey foi apresentado em uma série de shows no Brasil, como parte do Projeto Aquarius promovido pelo O Globo. Para esse shows foram trazidos ao país cerca de 18 toneladas de equipamentos para os diversos e, até então, extraordinários efeitos sonoros e visuais, além de contar com uma equipe de 70 pessoas nos bastidores! Só a mesa de som utilizada trabalhava com 285 canais. O Maracanãzinho no Rio de Janeiro, o Ginásio da Portuguesa em São Paulo e o Gigantinho em Porto Alegre receberam cada qual mais de 50 mil expectadores.

Perfeccionista, Wakeman fazia questão de que seu público, independente de língua, pudesse ter uma apreciação plena da execução da obra. Assim sempre era contratado um narrador na língua local para as partes textuais. Orquestras locais também eram contratadas, pois ficaria ainda mais oneroso bancar os gastos de transporte, hospedagem de uma orquestra completa, mais os músicos da banda. No Brasil, os shows de São Paulo e Rio de Janeiro contaram com Orquestra Sinfônica Brasileira, enquanto no Rio Grande do Sul a Sinfônica de Porto Alegre foi a contratada, tendo sempre na regência o consagrado maestro Isaac Karabtchevsky, completados pelo Coral da Universidade Gama Filho.

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Durante o show no Maracanãzinho lotado em 1975. Imagem do O Globo

O Mago dos Teclados, como Wakeman é conhecido, lançou muita coisa boa depois de Journey, intercalando sua carreira em retornos ao Yes (lançando o excelente Going for the One em 1977) e trabalhos solos (com The Myths and Legends of KinG Arthur and the Knights of the Round Table de 1975, nos mesmos estilo de Journey, cuja turnê, ainda mais grandiosa, quase levou a gravadora a falência). Ainda assim, nenhum desses discos alcançou o sucesso alcançado aqui.

Journey To The Centre Of The Earth é dos discos que mais me surpreenderam positivamente nessa lista, sendo também um dos que mais escuto. Particularmente considero sua introdução uma das coisas mais bonitas que já ouvi na música. A ousadia do Mestre dos Teclados foi compensada com a excelência com que a obra é executada pelos competentes músicos, tanto os da The London Symphony Orchestra (como era de se esperar) como os de sua banda a English Rock Ensemble, refletida na excelente gravação ao vivo. O resultado é um dos discos mais interessantes, originais e bonitos da história do Rock, merecendo com honras sua nonagésima segunda posição.

Infelizmente não encontrei nenhum registro da apresentação original ocorrida em janeiro de 1974. Também achei muito difícil achar um bom vídeo mostrando Wakeman, banda, orquestra e narrador para ilustrar como deve ter sido aquela apresentação no Royal Festival Hall. No entanto acabei topando com esse vídeo abaixo de “The Battle”, que, apesar de estar sem data de quando ocorreu, claramente é bem próximo da data da execução original.

E quando já finalmente estava finalizando esse texto para sua publicação, acabei topando com essa gravação da parte inicial “Journey” em apresentação de 30 de março de 2014 no Royal Albert Hall. Embora seja amadora, a qualidade de som e imagem é excelente.

Gostou do texto? Está gostando do Habeas Mentem? Então fique a vontade para comentar, curtir e compartilhar! E não deixe de curtir também nossa fanpage! E se quiser conferir os outros textos da série clique no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock.

Até mais!

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