91-DOG MAN STAR

Suede Dog Man Star

Dog Man Star – Suede

Banda: Suede

Integrantes: Brett Anderson (vocais), Bernard Butler (guitarras), Simon Gilbert (bateria) e Mat Osman (contrabaixo).

Gravação: 22 Março a 26 Julho de 1994 no Master Rock Studios em Londres

Lançamento: 10 de Outubro de 1994

Duração: 57m50s

Produção: Ed Buller

Sobre o disco:

Em meados dos anos 90 o que fazia a cabeça da garotada que curtia rock era o movimento grunge. Isso nos EUA, pois do outro lado do Atlântico, nas terras de Sua Majestade, o sucesso atendia pelo nome de Britpop. Pulp, The Verve, Supergrass, Elastica, Sleeper, Blur e Oasis faziam um contraponto, em teoria, mais cabeça ao som que vinha da antiga colônia.

Sob a inspiração de bandas do quilate de The Smiths e, um pouco mais indiretamente, do glam rock de David Bowie, o Suede se destacava das demais graças as letras dúbias (de onde se origina o nome da banda, uma gíria londrina para dúbio) e um tanto ácidas do também vocalista Brett Anderson e da qualidade do guitarrista Bernard Butler, os grandes destaques e fundadores da banda. Depois de vários singles e de uma estreia de sucesso a mídia britânica exaltava o grupo e alçava Brett Anderson ao cargo de “salvador do orgulho britânico” frente à invasão do grunge.

007 001

Todo esse sucesso e aceitação da crítica no entanto não livraram o Suede de enfrentar uma dura crise interna. Apesar de serem os fundadores da banda, Anderson e Butler não se entendiam, brigando e discutindo constantemente. Para completar os excessos com drogas e a polêmica ao redor do clip do single avulso “Stay Together” elevou as tensões ao máximo. Ao mesmo tempo que o britpop estourava revelando Oasis, Blur e outros, o Suede parecia fadado ao fim.

Com tudo isso em mente, Anderson se trancou numa mansão de onde só saiu após o consumo intenso de drogas e ter escrito todas as letras do álbum que viria a se tornar Dog Man Star. Renegando veementemente os títulos de salvador do que quer fosse atribuído pela mídia, o letrista deixou transparecer esse inconformismo nas letras ambientadas justamente no, digamos assim, território “inimigo”: os EUA, mais precisamente a Hollywood entre os anos 40 e 50. Glamour, decadência, cinismo, temas sombrios, tudo encaixado a perfeição nas letras dúbias.

Infelizmente toda qualidade e beleza soturna do material não impediu que as rusgas entre Anderson e Butler continuassem e mesmo se intensificassem quando a banda se reuniu para as gravações. Com pouco mais de um mês de gravações Butler não aguentou e saiu do grupo deixando a canção “The Power” inacabada, levando Anderson a gravar a guitarra nessa canção, embora os créditos de todas as guitarras do disco sejam dados a Butler.

A saída prematura de Butler não impediu um trabalho inspirado, entregando algumas das guitarras mais lindas não só do grupo, como de, provavelmente, todo o britpop, fazendo jus ao título de melhor guitarrista britânico desde Johhny Marr, também dado pela mídia britânica. O casamento entre o instrumental – com Gilbert e Osman fazendo bonito frente aos colegas mais talentosos – e as letras carregadas de androginia, cinismo, sarcasmo e ambiguidade seria ainda abrilhantado pelos lindos e competentes vocais de Anderson fazendo de Dog Man Star se não um dos melhores, muito provavelmente o mais interessante do movimento. Isso mesmo a despeito do desprezo de Anderson para com toda a vibe da mídia com o britpop.

maxresdefault

Assim que foi lançado a mídia especializada como era de se esperar rasgou elogios para o trabalho. Mas verdade seja dita, nada do que foi dito sobre esse disco foi exagerado ou imerecido. Trabalho primoroso cheio de belíssimas canções que entregam a perfeição todo um clima lúgubre, decadente e introspectivo, cheio de melancólicas reflexões a respeito das inquietações de Anderson, alcançando o ápice em “The Asphalt World”, um dos mais lindos e comoventes do disco.

Mas, se a crítica amou, o mesmo não aconteceu com o público que, ainda tendo em mente o álbum de estreia, estranhou a atmosfera sombria do disco dando a ele uma recepção morna, se comparada ao anterior. Mesmo assim teve uma vendagem razoável e hoje é indiscutivelmente considerado uma pequena obra-prima.

Com Dog Man Star, o Suede, esses filhos não tão bastardos de David Bowie e de Morrissey e seu The Smiths, conseguiu a proeza de reverenciar suas influências e ainda assim fazer um som próprio com identidade. São um ótimo contraponto aos irmãos Gallagher do Oasis no que se refere ao cenário do britpop. Um álbum sólido, com qualidade inquestionável e ótima sonoridade, definitivamente o melhor do Suede.

A seguir você pode conferir a minha música preferida do álbum:

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s