AS PLÊIADES MATEMÁTICAS

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As Plêiades, obra do artista americano Elihu Vedder de 1885

Na mitologia grega as Plêiades eram as sete filhas da oceânide Pleione com o titã Atlas. Segundo o relato mitológico, Órion, o Caçador encontrou e se enamorou pelas filhas de Pleione, quando elas passeavam pela Beócia na companhia de sua mãe. Obcecado pela beleza das irmãs, Órion iniciou uma perseguição que durou sete anos, levando uma desesperada Pleione a solicitar a intervenção de Zeus. A solução dada pelo Deus Supremo foi transforma-las em pombas e posteriormente em estrelas, as quais foram colocadas num relicário no firmamento, na forma das estrelas principais do aglomerado das Plêiades, sobre a proteção da Constelação do Touro.

Esse curioso e interessante conto foi a maneira encontrada pelos gregos antigos para explicar a origem do brilhante grupo de estrelas localizado na “cauda” da constelação do Touro. Extremamente brilhantes, as Plêiades são um aglomerado de mais de 3.000 estrelas, imersas em uma nuvem de poeira cósmica. São conhecidas também como As Sete Irmãs, embora, de fato, somente seis delas sejam visíveis a olho nu. Ainda segundo o mito grego, a estrela invisível era Mérope, a única das irmãs a relacionar-se com um mortal e, por esse motivo, condenada por Zeus a não ter seu brilho visto da Terra.

Introdução a História da Matemática

Capa do livro de Howard Eves: Altamente recomendável especialmente para quem não gosta de Matemática

Howard Eves, em sua obra “Introdução a História da Matemática” – livro excelente e que tive o prazer de ler no ano passado –, cita as Plêiades celestes para batizar um grupo de brilhantes e competentes matemáticas. Com seus trabalhos, estudos e descobertas, esse grupo formado por Hipátia de Alexandria, Maria Gaetana Agnesi, Marie-Sophie Germain, Mary Fairfax Somerville, Sonya Kovalevsky, Grace Chisholm Young e Amalie Emmy Noether, foi responsável não apenas por grandes descobertas na área, como também por inspirar e capacitar inúmeras outras mulheres a entrar para a Matemática.

Infelizmente, via de regra a história da Matemática não é ensinada nas escolas. E mesmo quando os professores abordam aspectos históricos da disciplina, não raro os nomes citados são de homens. Do célebre “Eureka!” do grego Arquimedes à conhecida fórmula do indiano Bhaskara; do pai da geometria Euclides chegando ao “geômetra divino” Newton, o pouco ensinado sobre a história da Matemática parece apontar para uma ciência aparentemente dominada pelo masculino, levando muitos a acreditar no mito da inaptidão das mulheres para o pensamento matemático ou ainda: que nenhuma mulher dedicou-se a seu estudo, nem deixou nada de relevante a ponto de ter seu nome registrado na história.

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Newton: O Geômetra Divino de William Blake. Seriam as mulheres incompatíveis com as ciências exatas?

Nada poderia estar mais longe da realidade. Assim como no caso das Plêiades celestes onde, das mais de 3.000 estrelas, apenas seis delas são visíveis da Terra a olho nu, também suas equivalentes matemáticas são o início para o conhecimento as tantas e variadas mulheres nas diferentes áreas das ciências exatas. Apesar de somente nos séculos XIX e XX as mulheres tenham começado a romper as barreiras sexistas, sendo aceitas em universidades, além de outras conquistas, isso não impediu que inúmeras mulheres, antes e depois, contribuíssem com relevantes descobertas e estudos matemáticos.

Foi em parte pensando nisso que, lendo sobre as Plêiades Matemáticas na obra de Eves, pensei em resgatar um pouco da história daquelas mulheres. Aproveitando a proximidade do dia Internacional da Mulher, me dispus a pesquisar e contar em textos breves um pouco sobre cada uma daquelas competentes e praticamente desconhecidas estudiosas. Longe de ser uma mera lista de curiosidades a intenção aqui, repetindo o objetivo de textos anteriores de fugir do lugar comum das declarações de sempre em suposta homenagem às mulheres, também é a de quebrar com a ideia falsa, apesar de amplamente difundida da inaptidão das mulheres para as ciências, especialmente as exatas. Um olhar sobre a vida dessas mulheres, ainda que breve, pode ser de suma importância ao inspirar mais e mais garotas nessas áreas.

A partir de amanhã até o dia 7 de março, postarei diariamente um texto sobre cada uma das Plêiades Matemáticas. No dia 8 de março, retomando a ideia abandonada do ano passado, a postagem será sobre oito mulheres sergipanas que se destacaram em diversas áreas do conhecimento e outras, num resgate histórico extremamente importante para a história das mulheres no meu pequeno Estado de Sergipe.

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7 comentários sobre “AS PLÊIADES MATEMÁTICAS

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