SONJA KOVALEVSKY

Sofia_Kovalevskaya

A decoração era a mais inusitada que poderia se imaginar para um quarto de crianças. Por todas as paredes inúmeras e variadas folhas de papel repleto de cálculos integrais e diferenciais. Fascinada, uma jovem nascida no seio da nobreza russa já estava ali por horas e horas tentando decifrar e dar alguma ordem àquele emaranhado de números, anotações feitas por seu pai quando ainda estudante de matemática. Impressionada, jurou que um ainda entenderia plenamente toda aquela complexa simbologia.

Nascida Sofia Korvin-Krukovsky Kovalevskaya em Moscou a 15 de janeiro de 1850, aquela jovem seria conhecida posteriormente pelo nome de Sonja Kovalevsky e, ainda hoje é considerada a maior matemática da história da Rúsia. Tal era seu talento e obstinação que, aos 14 anos, querendo entender um tratado sobre ótica em um livro de física escrito pelo seu vizinho, Kovalevsky simplesmente ensinou trigonometria a si mesma. Nas palavras do autor do livro: “Ela criou todo aquele ramo da ciência – a trigonometria – uma segunda vez”. Para se ter uma noção do feito, quando Isaac Newton deparara-se com situação similar, ele foi estudar os Elementos de Euclides.

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Sonja Kovalevsky

Apesar de todo seu talento, Kovalevsky não escapou do preconceito reinante em relação a mulheres estudando matemática. Impedida de matricular-se na universidade de São Petersburgo precisou de um preceptor particular para continuar os estudos de cálculo. Insatisfeita com essa situação, realizou um casamento de conveniência com o paleontologista Vladimir Kovalevsky, livrando-se assim das objeções familiares sobre estudar no exterior. O casal mudou-se para Heidelberg na Alemanha, onde a jovem matemática manifestou o desejo de estudar com o célebre matemático da época, Karl Weiertrass, após assistir palestras entusiasmadas de um antigo discípulo, Leo Königsberger. Infelizmente o preconceito novamente impediu Kovalevsky de se matricular na universidade onde Weiertrass lecionava por ser mulher. Mas Königsberger fez recomendações tão calorosas, que Weiertrass aceitou-a como aluna particular. Logo ela se tornaria a sua discípula predileta, com quem estudou por quatro anos. Nesse período ela cobriu todo um curso universitário de matemática, além de escrever três importantes artigos, um sobre a teoria das equações diferenciais parciais (pelo qual seria consagrada com o título de Doutor in absentia pela universidade de Göttingen anos depois), um sobre a redução de integrais abelianas de terceira espécie e uma suplementação da pesquisa de Laplace sobre os anéis de Saturno.

Apesar de toda sua qualificação, a dificuldade para encontrar emprego obrigou-a a retornar para casa. No período que passou na Rússia quase não produziu nada relativo à matemática, priorizando atividades literárias, escrevendo ficção, críticas teatrais artigos científicos para um jornal. No entanto, após o suicídio de seu marido em 1883 decidiu voltar a dedicar-se novamente aos estudos matemáticos com ainda mais afinco, retornando para Berlim. Foi a maneira que encontrou para lidar com a tristeza. Ficaria pouco tempo na capital alemã: um ex-aluno de Weiertrass a convidou para lecionar temporariamente na Universidade de Estocolmo, não demorando para assumir em definitivo o emprego, aí permanecendo até sua morte em 1891, vítima de gripe.

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Pensando na imensa genialidade e capacidade matemática demonstradas por Sonja Kovalevsky, sua morte precoce com apenas 41 anos de idade torna esse fato ainda mais lamentável e triste. No auge de sua carreira e no apogeu de suas capacidades, um dos seus últimos feitos notáveis foi o de conquistar o prestigioso Prêmio Bordin da Academia Francesa com o trabalho “Sobre o Problema da Rotação de um Corpo Sólido em Torno de um Ponto Fixo”, concorrendo com 15 outros trabalhos. Seu artigo foi considerado tão impecável e de tão alto nível que a organização do evento aumentou o prêmio de 3000 para 5000 francos.

Howard Eves afirma que seu lema era: “Diga o que você sabe, faça o que deve, conclua o que puder”. Um lema apropriado para a notável matemática que, mesmo em um período de vida tão curto, foi capaz de aprender, fazer e concluir tanto.

Sonja Kovalevsky é o quinto texto de uma série de sete sobre as Plêiades Matemáticas. Se você gostou não deixe de acompanhar os demais textos da série. Também não deixe de curtir, comentar e compartilhar. E para ser informado de novas postagens ou para saber o que ando lendo, assistindo e ouvindo, curta também nossa fanpage!

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