GRACE CHISHOLM YOUNG

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A universidade de Göttingen na Alemanha é famosa não apenas pelo número de grandes intelectuais e cientistas que por ela passaram ou estudaram, mas também por ser uma das primeiras instituições a reconhecer o trabalho de mulheres nas áreas acadêmicas, especialmente na Matemática. Nessa série de textos sobre as Plêiades Matemáticas já vimos os nomes de Marie-Sophie Germain e de Sonja Kovalevsky reconhecidos pela instituição com o título de Doutor.

Infelizmente, Marie-Sophie Germain receberia o título somente após a sua morte, enquanto Sonja Kovalevsky o recebeu in absentia, ou seja, sem a obrigação de prestar o exame oral (embora, nesse caso o motivo real da liberação tenha sido a excelência do artigo apresentado). A primeira mulher a receber o doutorado em Göttingen foi a inglesa Grace Chisholm Young, já que as universidades na Grã-Bretanha insistiam em não aceitar mulheres em seus cursos de pós-graduação.

Nascida Grace Emily Chisholm numa família consideravelmente abastada em 15 de março de 1868, optou pelo estudo da matemática quando seus pais a impediram de cursar medicina. Graduou-se em primeiro lugar na turma de 1892 de Matemática da Girton College, em Cambridge, quando decidiu continuar seus estudos em Göttingen onde uma turma para mulheres tinha sido recentemente aberta. Após a defesa de sua tese sobre os grupos algébricos de trigonometria esférica, que lhe valeu o doutorado, Chisholm decidiu retornar para a Inglaterra para cuidar dos pais idosos. Acabaria casando com seu antigo tutor da época do Girton College, William Young e, algum tempo depois voltariam a morar em Göttingen.

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Mesmo não sendo um pesquisador, Grace Chisholm convenceu o marido a acompanha-la nessa carreira. Juntos acabariam publicando uma vasta obra, incluindo trabalhos e artigos científicos, além de livros voltados a introduzir as crianças no saber matemático. Infelizmente, mais uma vez o machismo e preconceitos não permitiam que o gênio matemático de Grace fosse devidamente reconhecido, uma vez que as obras eram publicadas em conjunto com o nome do marido, muito embora ele mesmo reconhecesse que boa parte do mérito das obras cabia à sua esposa, conforme verificado em algumas de suas correspondências.

Durante os anos da Primeira Guerra Mundial, Grace Chisholm e a família se viram obrigados a mudar para Suíça onde continuou em seus trabalhos de pesquisa matemática. Por essa época conseguiu finalmente publicar uma trabalho sobre as bases de cálculo sob seu próprio nome além de escreve um ensaio sobre derivadas infinitas, que ganhou o Prêmio Gamble Girton College em 1915. Infelizmente foi também nessa época que o seu filho mais velho, que era aviador, acabou morrendo em combate. Essa tragédia acabaria por minar a saúde da pesquisadora, interrompendo sua brilhante carreira.

Grace Chisholm Young ainda viveria para ver novamente outra guerra de proporções mundiais se abater sobre a Europa. Com o início dos combates o casal Young foi obrigado a se separa com Grace indo viver na Inglaterra e William ficando na Suiça. Deprimidos com a distância, William morreria em 1942 e Grace em 1944.

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Capa de um dos inúmeros trabalhos acadêmicos escritos por Grace Chisholm Young

No mito das Plêiades, conta-se que Mérope foi a única das sete irmãs a não ter seu brilho vislumbrado da Terra, uma vez ter ousado casar com um mortal ao contrário de suas irmãs. É triste notar também esse paralelo com relação a vida da Matemática e Pesquisadora Grace Chisholm que teve boa parte de seu talento, por assim dizer, encobertos pelo nome do marido, em virtude da imposição de uma sociedade que não via com bons olhos uma mulher assumindo notoriedade em uma área supostamente mais adequada aos homens.

Igualmente triste é saber que a universidade de Göttingen, referência no mundo da Matemática e também por seu pioneirismo em quebrar as barreiras impostas às mulheres, tenha tido um triste fim ao ser praticamente destruída nas mãos do totalitarismo e discriminação racial e de gênero do governo nazista de Adolph Hitler. Um lembrete válido do quanto pode ser perdido e se regredir quando permitimos que supostos salvadores da pátria com soluções fáceis e dedos acusadores tomem o poder e solapem todas os pequenos avanços conquistados a duras penas.

Grace Chisholm Young é o sexto texto de uma série de sete sobre as Plêiades Matemáticas. Se você gostou não deixe de acompanhar os demais textos da série. Também não deixe de curtir, comentar e compartilhar. E para ser informado de novas postagens ou para saber o que ando lendo, assistindo e ouvindo, curta também nossa fanpage!

Até mais!

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