LIVROS 2018/2019

Finalmente consigo finalizar esse texto com as leituras do ano que passou e as que tenho planejado para o ano que inicia. Ou melhor, que iniciou há longínquos seis meses.

Planejado para ir ao ar no início do ano, as mudanças em minha vida nesse 2019 tomaram todo o meu tempo disponível, sobrando praticamente nada para outras atividades, como a leitura ou a escrita. Entre planejamentos de aulas, atividades pedagógicas e escolares, eu roubava alguns segundinhos da noite para a leitura e, quando sentava para escrever, a mente já estava completamente destruída de cansaço. Por isso, apenas duas postagens até o momento no blog.

Mas agora com a chegada do segundo semestre já estou me aclimatando as mudanças e principalmente as responsabilidades de meu novo emprego. Assim, espero retornar não apenas com as postagens mais regulares, mas também com as leituras que estão em passo de tartaruga.

O ano que passou, conforme contei no post anterior, foi de muita correria e mudanças que afetaram vários aspectos de minha vida. E, claro, também afetou as minhas metas de leituras. Não ao ponto de ficar muito abaixo da meta, mas o suficiente para ter um desempenho bem similar ao do ano anterior, no caso 2017, quando a ideia era supera-lo. De qualquer modo, esse foi um ano de leituras tão ou mais interessantes ainda, como as quatro abaixo, por exemplo.

Bora conferir o resultado final?

E aos interessados em acompanhar meu progresso nas leituras do ano, fique à vontade para me seguir lá no Skoob.

2018

  1. Um livro e um quadrinho que te surpreenderam em 2018?
Encarcerados

“Encarcerados”

O ano que passou foi um ano de leituras incríveis e muito surpreendentes. Acredito que poucas vezes na vida li histórias tão fascinantes. Imaginem então a dificuldade que tive para escolher aquele que mais me surpreendeu. Mas depois de pensar muito bem, decidi que a posição cabia com sobras para a essa inteligente trama sci-fi policial. Vítimas de uma epidemia viral, a Síndrome de Haden, temos 1% da população mundial, apesar de preservarem suas mentes e consciência ainda intactas e plenamente funcionais, tornam-se incapazes de comandar seus próprios corpos, sendo obrigados a lançar mão de corpos robóticos para poderem levar uma vida o mais normal possível. Flertando com o gênero cyperpunk e mesmos com as histórias de robôs de Asimov, John Scalzi entrega um livro com personagens interessantes, diálogos excepcionais e um enredo bem amarrado que nos prende do começo ao fim. Ainda assim, o melhor do livro é com certeza a intensa representatividade, fugindo totalmente do padrão clichê do personagem homem-branco-cis-hétero que salva a mocinha, prende o bandido e salva o dia praticamente sozinho. Scalzi nos apresenta um mundo diversificado, com uma rica variedade de tipos humanos: mulheres, homossexuais, negros, índios. Tudo muito fluído e natural, de modo que, ao avançarmos na leitura, não encontramos dificuldade em imaginar aquele mundo. E isso porque ele lembra bastante o nosso, principalmente ao tratar de preconceitos e acessibilidade.

Um agradecimento especial para a Sybylla por ter me presenteado com essa fantástica obra.

Gênesis

“Gênesis”

Quem conhece a obra de Robert Crumb sabe muito bem: esse é um autor famosos por seus quadrinhos underground com personagens promíscuos, muito sexo e drogas, representados num retrato mordaz da nossa realidade, mas especificamente a realidade da contracultura dos anos 60. Exatamente por isso, muitos ficaram surpresos quando o quadrinista resolveu adaptar o livro bíblico de Gênesis julgando que essa seria uma das adaptações mais sacrílegas de um texto sagrado em toda a história. Ironicamente, Crumb, a despeito de não acreditar que a Bíblia seja um livro escrito por Deus, mas sim pelos homens (algo que o próprio autor deixa claro na introdução de sua obra), realizou a adaptação mais fiel já feita de um texto bíblico. E isso, aliado ao impressionante trabalho de pesquisa e a recriação de figurinos, arquiteturas e paisagens, tornou-se o ponto alto desse quadrinho.

  1. Um livro e um quadrinho que te decepcionaram em 2018?
Quem Teme a Morte

“Quem Teme a Morte”

Comecei a leitura dessa obra da escritora estadunidense de ascendência nigeriana sem muita expectativa do que iria encontrar. E, olha, até que a história é muito interessante em seu início, com tramas pertinentes envolvendo temas pesados e polêmicos, como estupros, abuso sexual, castração feminina dentre outros, além de personagens bem desenvolvidos e interessantes. Entretanto a escrita da autora não envolve o tanto quanto a trama em si merecia. Vamos nos arrastando pela leitura mais pela curiosidade de entender os mistérios apresentados do que pela fluidez da narração em si. E é justamente aqui onde reside o maior problema de “Quem Teme a Morte”: Seu final acaba por não nos revelar quase nada dos mistérios apresentados, além da resolução final entre a protagonista Onyesonwu e seu pai, o grande vilão da obra (e responsável pelo estupro da mãe de Onyesonwu) não foi exatamente empolgante. Uma pena porque essa obra possui um potencial imenso, que, infelizmente, foi desperdiçado.

Isabel a Loba da França Vol. 2

“Isabel – A Loba da França vol. 2”

O primeiro volume foi irretocável ao mostrar uma jovem Isabel, princesa da França tornando-se a fria e calculista mulher rainha da Inglaterra ao contrair um matrimônio arranjado pelo pai. Infelizmente esse brilho se perde no segundo volume onde Isabel se torna uma personagem qualquer na trama, praticamente uma coadjuvante que vai se deixando levar pelos fatos sem protagonismo nenhum, em muito graças ao roteiro extremamente preguiçoso. Único ponto positivo são os desenhos e arte de Jaime Calderón que continuam perfeitos.

  1. A melhor adaptação que você viu em 2018?
Assassinato no Expresso do Oriente-Filme

“Assassinato no Expresso do Oriente”

Lembro de, com 15 anos, ler e me maravilhar com a história de “Assassinato no Expresso do Oriente”, uma das obras mais festejadas da autora britânica Agatha Christie, mundialmente conhecida como a Rainha do Crime. A trama era envolvente, o mistério do assassinato ficava cada vez mais intrigante a cada nova descoberta e o desfecho foi o mais surpreendente que alguém jamais poderia imaginar. Quando soube da adaptação para os cinemas pela mão de Kenneth Branagh fiquei bem mais curioso que ansioso. Apesar do elenco cheio de estrelas, o trailer não me empolgou muito. Felizmente, ao assistir o filme, me surpreenderam não apenas a lindíssima direção de arte e competente direção de Branagh (que também não faz feio na pele do excêntrico detetive belga Hercule Poirot), mas também as boas decisões do enredo ao adaptar a obra, que ajudaram a deixar a trama um pouco mais movimentada, mas sem aquela correria desenfreada tão comum nos filmes atuais. Não é nenhuma obra-prima, mas é uma excelente adaptação de um livro que eu sempre achei muito complicado de ser adaptado para o cinema.

Pantera Negra

“Pantera Negra”

Esse não é somente a melhor adaptação de um quadrinho que assisti no ano que passou. É de longe um dos melhores filmes, independente de gênero, feitos naquele ano. Um enredo bem redondo alinhado a uma direção competente e a uma direção de arte e figurinos extraordinárias, apesar de importantes como parte da receita de sucesso do filme, tais aspectos possuem um aspecto muito mais relevante: levar as telas uma história relevante protagonizada por um elenco majoritariamente composto de atores e atrizes negros, tocando em temas atuais com muito tato, sensibilidade e inteligência, e tudo isso sem sacrificar o lado pipoca da diversão de um bom filme de super-heróis, além de tocar em temas importantes de modo geral trazidos pelas motivações de Erik “Killmonger” Stevens, vivido com extrema competência pelo talentoso Michael B. Jordan, o qual arrisco dizer ser o melhor vilão da Marvel até o momento.

  1. Um livro e um quadrinho que não conseguiu terminar em 2017?
O Que é Lugar de Fala

“O que é Lugar de Fala?”

Não é apenas por se tratar de um tema extremamente atual, especialmente em virtude de toda a conjuntura um tanto distópica que estamos vivendo no mundo atualmente. E muito por ser o fruto de uma filósofa competente e militante, mulher e negra, falando sobre justamente sobre a questão do lugar de fala, de forma não apenas didática, mas também embasada.

Azul é a Cor Mais Quente

“Azul é a Cor Mais Quente”

Eu fiquei muito curioso com essa obra ao descobrir que o filme homônimo era uma adaptação de uma hq. E ao conhecer a bela arte de Julie Maroh, fiquei ainda mais encantado com a história! E por isso lamentei bastante não ter podido ler essa interessante história de amor.

  1. Quantos livros e quadrinhos você conseguiu ler em 2018?

Com uma meta de leitura estipulada em 80 obras (60 livros e 20 HQs) dos quais consegui ler 40 livros e 6 HQs somando um total de 14.997 páginas. Ou mais precisamente 2 livros a menos e 2 HQs a mais se comparado ao ano de 2017 quando somei 15.087, 90 páginas a mais, portanto. Para o ano de 2018 mantenho a mesma meta do ano passado de 60 livros e 20 HQs, mesmo sabendo das dificuldades que terei somente para repetir o resultado de 2018, por conta de minhas novas atividades como professor. Pois é, amiguinhos, ao contrário do pensamento corrente, professor trabalha e trabalha muito e não apenas em sala de aula.

Na imagem acima coloquei quatro dos livros lidos e os quais recomendo fortemente a leitura.

♦♦

2019

  1. Um livro e um quadrinho que está ansioso pela leitura em 2019?
E Se Eu Fosse Puta

“E Se Eu Fosse Puta”

Uma das melhores coisas de ter lido mais mulheres no ano passado, foi justamente o fato de ter lido histórias que me tiraram da minha zona de conforto. E isso deixou um gostinho de quero mais. Muito mais na verdade. Assim, a leitura de “E Se Eu Fosse Puta” da estreante Amaira Moira travesti que se descobre escritora ao tentar ser puta e puta ao bancar a escritora, com diz em sua descrição no Skoob, é a pedida mais salutar para continuar fora dessa zona de conforto, além do contínuo exercício em se conhecer para respeitar o diferente.

Angola Janga

“Angola Janga”

Tenho em minhas memórias a lembrança de um texto num livro de português qualquer da sexta série, intitulado Angola Janga. A história do reino da Pequena Angola e seu rei Zumbi se gravou de tal maneira em minha mente que, assim que dele tomei conhecimento, não teve como não querer ler esse quadrinho de Marcelo D’Salete, que, além de lindamente ilustrado, é super elogiado pela crítica e leitores.

  1. Um (ou mais) desafio que se dispôs a participar em 2019?

No ano que passou tomei como desafio a leitura de 52 livros escritos por mulheres. Somei a eles vários títulos que não tinha conseguido finalizar a leitura no ano de 2017. Para esse ano decidi continuar priorizando as leituras de autoras mulheres, mas também de histórias sobre mulheres. Além disso, resolvi diversificar ao máximo os estilos literários, procurando ler de tudo um pouco: livros científicos, biográficos, ficções, clássicos da literatura nacional e por aí vai. A maior parte deles escrito por mulheres ou com mulheres no protagonismo. E pra variar, novamente, mais uma vez, ad aeternum tentar ler as vinte HQs de minha lista.

  1. A adaptação mais aguardada por você em 2019?
O Ódio Que Você Semeia

“O Ódio Que Você Semeia”

Esse foi um dos livros mais impactantes que já li. A história é atual e conta a história da jovem Starr, uma garota negra vivendo numa realidade cercada de ódio e preconceito, com uma linguagem acessível e cheio de referências a cultura pop recente. Tais características o tornam um livro mais do que indicado como incentivo à leitura de adolescentes. Motivos mais que suficientes para ficar curioso com essa adaptação que estreou no fim do ano passado.

Capitã Marvel

“Capitã Marvel”

O filme já estreou e já saiu de cartaz, mas como não tive a oportunidade de assistir nas telonas estou aqui todo ansioso para conferir a adaptação da heroína mais poderosa do universo Marvel. As críticas positivas me deixam ainda mais animado e, como nos últimos anos não tenho me decepcionado com as adaptações dos quadrinhos, minha expectativa com essa obra está nas alturas.

  1. Uma leitura que pretende retomar em 2019?
Os Sertões

“Os Sertões”

Penso não existir um único nordestino que não conheça a clássica frase escrita há mais de 100 anos atrás pelo jornalista Euclides da Cunha: “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Que se pese o flagrante racismo do contexto em que a frase foi escrita, bem como grande parte do arcabouço científico já há tempos desacreditados tais como o determinismo racial, penso ser essa uma obra essencial, não apenas como mais uma peça no entendimento da formação do povo brasileiro – o nordestino em particular – mas também de como o próprio brasileiro se vê e entende não apenas hoje, mas no decorrer de nossa própria formação. O fato de estar morando a pouco mais de 100 quilômetros de distância do palco do conflito é muito mais que um ótimo motivo para retomar uma leitura parada desde minha adolescência.

Incal Integral

“Incal – Integral”.

Vendido como um dos principais quadrinhos da Ficção Científica mundial, esse volume reúne os seis livros onde Alejandro Jodorowsky com os desenhos de Moebius contam a história do detetive particular John Difool ao encontrar o artefato místico/tecnológico conhecido como Incal Branco. A partir daí começa uma corrida pelo universo através de conflitos intergalácticos e seres os mais curiosos e diferentes possíveis. A obra é um deleite maravilhoso especialmente devido a arte magistral de Moebius. No entanto eu achei a trama muito confusa o que deixou sua leitura bem cansativa. Cheguei bem perto de terminara sua leitura antes do final do ano, mas sem sucesso. Assim, termina-la é agora uma questão de honra, mesmo não tendo gostado tanto quanto imaginaria.

  1. Três livros e três quadrinhos da sua meta para 2019?

1-O Livro do Juízo Final de Connie Willis. No ano que passou li “Interferências” da mesma autora e gostei bastante do seu estilo de escrita. E como todas as críticas dizem que esse é muito melhor, já tô ansioso pela leitura.

2-O Mundo Assombrado pelos Demônios de Carl Sagan. Para alguém que gosta tanto de ciências como eu é quase um insulto eu nunca ter lido nenhum livro de Carl Sagan. Não consigo imaginar um momento mais propício para sanar essa dívida e nem um título mais adequado.

3-Helena de Tróia de Margaret George. Uma amiga me emprestou esse livro e na hora que eu vi a quantidade de páginas não pude deixar de pensar como uma das principais figuras da Guerra de Troia é também aquela sobre quem quase nada se fala. Tirando o fato dela ser a mulher mais bonita do mundo na sua época, casada com o rei espartano Menelau, a quem traiu com Páris, com quem fugiu para Troia dando início ao famoso conflito. Verdadeira coadjuvante de luxo da história onde se pretendia protagonista. Ou seja, a curiosidade bateu na hora.

1-“Olympe de Gouges” de José-Louis Bocquet e Catel Muller. Olympe de Gouges escreveu em 1789 a obra “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” em resposta à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” criada no mesmo ano e que sequer mencionava as mulheres, ainda pouco alfabetizadas e com quase nenhuma participação política. Um bom motivo para se querer ler e aprender mais sobre essa mulher que se viu mãe e viúva com apenas 18 anos, num período de efervescência política sem igual na França onde vivia. Um bom motivo, mas muito longe de ser o único.

2-“Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço” de Germana Viana. Elas são piratas. Elas navegam pelo espaço. Precisa explicar mais? Essa é a descrição da HQ. Sinceramente acho que não. Quero ler e muito essa HQ nonsense da autora brasileira Germana Viana.

3-“Mulher Maravilha: Sangue” de Brian Azzarello, Cliff Chiang e Tony Akins. Fiquei bem impressionado com as críticas positivas sobre a revista da Mulher Maravilha nessa nova reformulação da DC Comics para toda sua linha de super-heróis. E como estou devendo uma vista d’olhos nos personagens da Distinta Concorrência, nada melhor que seja com a Princesa das Amazonas.

*   *   *

Gostou das recomendações? Está gostando do Habeas Mentem? Não deixe de comentar, curtir e compartilhar! E não deixe de visitar e curtir também nossa fanpage!

Até o próximo texto!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s