If You're Feeling Sinister
If You’re Feeling Sinister – Belle & Sebastian

Banda: Belle & Sebastian

Integrantes: Stuart Murdoch (guitarra, vocal), Stuart David (Baixo), Isobel Campbell (violoncelo), Chris Geddes (teclados, piano), Richard Colburn (bateria), Stevie Jackson (guitarra), Sarah Martin (violin), Mick Cooke (trompete)

Gravação: Jeepster Records

Lançamento: 18 de novembro de 1996

Duração: 41min 17seg

Produção: Tony Doogan

Sobre o disco:

Belle & Sebastian é uma banda escocesa, formada em Glasgow, quando o professor de música do Stow College, Pilar Duplack, se impressionou com algumas músicas gravadas pelos amigos Stuart Murdoch e Stuart David para seu trabalho de conclusão de curso. O grupo foi escolhido pela gravadora da escola para a gravação de um single, mas como já possuíam várias canções que deixaram o selo impressionado, foram autorizados a lançar um álbum completo. Após três dias de gravações, mil cópias foram produzidas de Tigermilk, e um relativo sucesso ajudou a dupla a levar adiante o projeto recrutando os músicos Stevie Jackson (guitarra e voz), Isobel Campbell (violoncelo e voz), Chris Geddes (teclados) e Richard Colburn (bateria). O Belle & Sebastian, nome tirado de um popular livro infantil, estava pronto para lançar seu segundo, e verdadeiramente profissional álbum em 1996, apenas seis meses depois: If You’re Feeling Sinister.

Stuart Murdoch-Monkeybuzz
Stuart Murdoch, responsável pelas letras do grupo

E foi justamente na época da escola, lá no já incrivelmente distante ano de 2001, quando conheci o grupo escocês e era cool ouvir suas melodias de som leve, baixo, calmos como só eles. A bem da verdade esse estilo dos escoceses não me agradou muito no princípio. Muito desse repúdio na verdade se deu por ter sido apresentado primeiramente ao álbum Fold Your Hands Child, You Walk Like a Peasant, lançado apenas um ano antes e que não era uma das melhores coisas já gravadas pelo grupo. Muito da minha surpresa ao encontrar If You’re Feeling Sinister ocupando a 88ª posição nessa lista e bem na frente de um clássico do porte de Hunky Dory vem daí. Mas, após várias audições, pude entender melhor o porquê da presença desse segundo álbum do grupo na lista.

Um dos motivos é bem simples: todos os integrantes tocam muito e isso ajuda a dar vida a belíssimas melodias, ainda que de arranjos simples, que flertam a todo momento com indie rock (com forte influência dos The Smiths), e isso sem falar das letras do, então, jovem e tímido Stuart Murdoch que são de uma beleza como poucas vezes vi, além do fato de carregarem uma sutil, porém mordaz, ironia, dentre outras coisas, como um certo humor negro. Um belíssimo exemplo é a canção título onde o refrão cinicamente diz “Mas se você está se sentindo sinistra/ Saia e vá ver um padre/ Ele tentará, em vão, curar/ Sua dor te convertendo” à uma jovem com tendências suicidas por nunca saber como se comportar ou o que dizer. Tudo isso embalada por uma das mais belas e joviais melodias do disco.

E esse casamento entre melodia atraentes e positivas e as melancólicas letras acabam por criar canções perfeitas, dessas para se escutar em momentos tão diferentes como durante uma viagem entediante ou num dia calmo e sereno. Ou quando nós mesmos estamos nos sentindo melancólicos e para baixo, ou porque adoramos estudar ou ler algo ouvindo uma boa música. Ou ainda durante uma quarentena de pandemia, por que não? Em outras palavras, um disco perfeito para se ouvir sempre e mais e mais.

E aqui reside outra das grandes forças desse álbum, pois, quanto mais o escutamos, mais acabamos gostando dele. É como se a cada nova audição fossemos entendendo melhor as variadas histórias contadas em cada canção. Os versos tomam novas percepções a medida que vamos nos aprofundando na psiquê de Murdoch, nesse que é o seu trabalho, pelo menos até o momento, mais intimista e revelador. Embora sejam vários os personagens, cada qual com suas dores e angústias próprias, todos são Stuart Murdoch num contínuo exercício de auto entendimento e percepção. O que nos leva a outra imensa qualidade desse belo trabalho.

Nascido no hiato deixado pelo estouro do grunge, quando a tendência no cenário musical era a ascensão do Britpop e o lento, porém constante, crescimento do Hip Hop, o Belle & Sebastian nadou contra a maré entregando, primeiro com Tigermilk e depois com If You’re Feeling Sinister e finalmente com The boy with the arab strap, seu terceiro disco, obras intimistas e com bastante carga emocional, embaladas numa suave, jovial e tranquila sonoridade. Talvez, mais que uma representação, uma reflexão sobre as ansiedades e questionamentos de uma geração, ainda que essa percepção só possa ser melhor entendida agora, passados cerca de vinte anos de seus lançamentos. E, dos três primeiros discos do grupo, If You’re Feeling Sinister é o exemplo mais perfeito de tudo isso.

Ou, como muito bem define um de seus versos de uma das mais belas canções do disco “The Boy Done Wrong Again”: “All that I wanted was to sing the saddest songs, and if you would sing along I will be happy now”. Em bom português: Tudo o que eu queria era cantar as músicas mais tristes, e se você cantar junto eu ficarei feliz agora.

Mais Belle & Sebastian impossível.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

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