91-DOG MAN STAR

Suede Dog Man Star

Dog Man Star – Suede

Banda: Suede

Integrantes: Brett Anderson (vocais), Bernard Butler (guitarras), Simon Gilbert (bateria) e Mat Osman (contrabaixo).

Gravação: 22 Março a 26 Julho de 1994 no Master Rock Studios em Londres

Lançamento: 10 de Outubro de 1994

Duração: 57m50s

Produção: Ed Buller

Sobre o disco:

Em meados dos anos 90 o que fazia a cabeça da garotada que curtia rock era o movimento grunge. Isso nos EUA, pois do outro lado do Atlântico, nas terras de Sua Majestade, o sucesso atendia pelo nome de Britpop. Pulp, The Verve, Supergrass, Elastica, Sleeper, Blur e Oasis faziam um contraponto, em teoria, mais cabeça ao som que vinha da antiga colônia.

Sob a inspiração de bandas do quilate de The Smiths e, um pouco mais indiretamente, do glam rock de David Bowie, o Suede se destacava das demais graças as letras dúbias (de onde se origina o nome da banda, uma gíria londrina para dúbio) e um tanto ácidas do também vocalista Brett Anderson e da qualidade do guitarrista Bernard Butler, os grandes destaques e fundadores da banda. Depois de vários singles e de uma estreia de sucesso a mídia britânica exaltava o grupo e alçava Brett Anderson ao cargo de “salvador do orgulho britânico” frente à invasão do grunge.

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Todo esse sucesso e aceitação da crítica no entanto não livraram o Suede de enfrentar uma dura crise interna. Apesar de serem os fundadores da banda, Anderson e Butler não se entendiam, brigando e discutindo constantemente. Para completar os excessos com drogas e a polêmica ao redor do clip do single avulso “Stay Together” elevou as tensões ao máximo. Ao mesmo tempo que o britpop estourava revelando Oasis, Blur e outros, o Suede parecia fadado ao fim.

Com tudo isso em mente, Anderson se trancou numa mansão de onde só saiu após o consumo intenso de drogas e ter escrito todas as letras do álbum que viria a se tornar Dog Man Star. Renegando veementemente os títulos de salvador do que quer fosse atribuído pela mídia, o letrista deixou transparecer esse inconformismo nas letras ambientadas justamente no, digamos assim, território “inimigo”: os EUA, mais precisamente a Hollywood entre os anos 40 e 50. Glamour, decadência, cinismo, temas sombrios, tudo encaixado a perfeição nas letras dúbias.

Infelizmente toda qualidade e beleza soturna do material não impediu que as rusgas entre Anderson e Butler continuassem e mesmo se intensificassem quando a banda se reuniu para as gravações. Com pouco mais de um mês de gravações Butler não aguentou e saiu do grupo deixando a canção “The Power” inacabada, levando Anderson a gravar a guitarra nessa canção, embora os créditos de todas as guitarras do disco sejam dados a Butler.

A saída prematura de Butler não impediu um trabalho inspirado, entregando algumas das guitarras mais lindas não só do grupo, como de, provavelmente, todo o britpop, fazendo jus ao título de melhor guitarrista britânico desde Johhny Marr, também dado pela mídia britânica. O casamento entre o instrumental – com Gilbert e Osman fazendo bonito frente aos colegas mais talentosos – e as letras carregadas de androginia, cinismo, sarcasmo e ambiguidade seria ainda abrilhantado pelos lindos e competentes vocais de Anderson fazendo de Dog Man Star se não um dos melhores, muito provavelmente o mais interessante do movimento. Isso mesmo a despeito do desprezo de Anderson para com toda a vibe da mídia com o britpop.

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Assim que foi lançado a mídia especializada como era de se esperar rasgou elogios para o trabalho. Mas verdade seja dita, nada do que foi dito sobre esse disco foi exagerado ou imerecido. Trabalho primoroso cheio de belíssimas canções que entregam a perfeição todo um clima lúgubre, decadente e introspectivo, cheio de melancólicas reflexões a respeito das inquietações de Anderson, alcançando o ápice em “The Asphalt World”, um dos mais lindos e comoventes do disco.

Mas, se a crítica amou, o mesmo não aconteceu com o público que, ainda tendo em mente o álbum de estreia, estranhou a atmosfera sombria do disco dando a ele uma recepção morna, se comparada ao anterior. Mesmo assim teve uma vendagem razoável e hoje é indiscutivelmente considerado uma pequena obra-prima.

Com Dog Man Star, o Suede, esses filhos não tão bastardos de David Bowie e de Morrissey e seu The Smiths, conseguiu a proeza de reverenciar suas influências e ainda assim fazer um som próprio com identidade. São um ótimo contraponto aos irmãos Gallagher do Oasis no que se refere ao cenário do britpop. Um álbum sólido, com qualidade inquestionável e ótima sonoridade, definitivamente o melhor do Suede.

A seguir você pode conferir a minha música preferida do álbum:

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92-JOURNEY TO THE CENTRE OF THE EARTH

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Journey To The Centre Of The Earth – Rick Wakeman

Artista: Rick Wakeman

Músicos Integrantes: Rick Wakeman (sintetizadores e teclados); Gary Pickford-Hopkins e Ashley Holt (vocais); David Hemmings (narrador); Mike Egan (guitarras); Roger Newell (baixo); Barney James (bateria); The London Symphony Orchestra; The English Chamber Choir; David Measham (maestro e condutor); Wil Malone e Danny Beckerman (arranjos para orquestra e coro)

Gravação: Royal Festival Hall, Londres, Inglaterra, 18 de janeiro de 1974

Lançamento: 18 de maio de 1974

Duração: 40m09s

Arranjos: Danny Beckerman e Wil Malone

Produção: David Hemmings

Sobre o disco:

Noite de 18 de janeiro de 1974. Na plateia do Royal Festival Hall de Londres o público ruidoso observava com certa curiosidade a Orquestra Sinfônica de Londres e o Coral de Câmara Inglês lado a lado com uma moderna banda com guitarras, baixos elétricos e bateria. No centro do palco, ao lado do maestro, um impressionante conjunto de teclados e sintetizadores parecia também aguardar. Havia uma certa expectativa dúbia no ar sobre o que sairia daquela mistura inusitada entre música clássica, rock progressivo e literatura.

De repente o burburinho muda de tom, parece ceder um pouco. É que entrou no palco a nada discreta figura de Rick Wakeman, os seus longos cabelos loiros caídos por cima da capa prateada que chega aos pés. Após agradecer com um breve galanteio os aplausos costumeiros, Wakeman assume seu lugar ao centro dos teclados. Seguindo a programação impressa num bem acabado livro entregue a todos na plateia, são executadas as peças “Sinfonia Nº 1 in D Minor – Opus 13”, de Rachmaninov, seguido pelas peças de autoria do próprio Wakeman (de seu disco solo anterior The Six Wives of Henry VIII) “Catherine Parr”, “Catherine Howard”, “Anne Boleyn” e dois improvisos, tem início a peça principal: The Journey To The Centre Of The Earth!

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Rick Wakeman e seu nada discreto modo de se vestir. Imagem do Daily Mail

Conhecido pela megalomania e por ser um dos egos mais inflados do rock (ou mesmo da música), Wakeman começou a idealizar o que viria a se tornar The Journey, após o Yes, banda na qual entrara em 1971 e ajudara na evolução de sua sonoridade, lançar em 1973 a obra Tales From Topographic Oceans. Praticamente uma obra exclusiva das mentes criativas de Steve Howe e Jon Anderson (respectivamente guitarrista e vocalista do Yes), a crítica se derretia em elogios aos dois, enquanto Wakeman se sentia preterido na banda. Mas, tendo uma boa recepção de seu trabalho solo, lançado também em 1973, The Six Wives of Henry VII, o talentoso tecladista de formação clássica começou a rascunhar um material ambicioso. Seu objetivo: mostrar que os elogios recebidos no trabalho solo não eram a toa e provar todo seu talento, muito maior que todo o Yes. Traduzindo: Wakeman queria uma mega massagem no seu já enorme ego ao mesmo tempo em que dava uma resposta aos seus colegas músicos!

A ideia original apresentada à gravadora era a de um disco duplo com uma única canção contando a história do clássico do autor francês Júlio Verne. A obra contaria com a participação de um coral e orquestra e o disco ainda traria um luxuoso livreto contendo gravuras e a letra da canção. No entanto a ideia foi vetada de cara, pois seu custo seria exorbitante. Depois de algumas idas e vindas, o projeto foi aprovado desde que fosse reduzido a um disco simples e com a gravação ocorrendo ao vivo, com a venda de ingressos para ajudar a pagar os custos, além de diminuir as horas de estúdio.

A apresentação foi um grande sucesso e Wakeman voltou às exigências: agora, além de novamente pedir novamente o livro de ilustrações, ele queria o disco lançado na forma quadrifônica. Como se não fosse o bastante passou a cogitar a hipóteses de excursionar levando todo o complexo conjunto de músicos envolvidos no projeto, algo extremamente caro e, obviamente vetado pela gravadora. Por essa época, Wakeman já tinha ganho um bom dinheiro com a turnê bem sucedida do disco Tales From Topographic Oceans ainda com o Yes. Encerrada a turnê, ele sai da banda e concentra todos os seus esforços no disco. Depois de apelar para o braço norte-americano da gravadora, Journey To The Centre Of The Earth foi lançado em maio de 1974 contendo apenas duas faixas no lado A (“Journey” e “Recolletion”) e duas no lado B (“The Battle” e “The Forrest”). Para alegria de Wakeman o disco acabou saindo em duas versões: uma de gravação normal e a outra na desejada forma quadrifônica, sendo essa última extremamente rara hoje em dia.

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Rick Wakeman em seu ambiente: cercado de teclados e sintetizadores

O sucesso da obra foi imediato alcançado o topo das paradas britânicas e norte-americanas vendendo ao todo até hoje mais de 14 milhões de cópias. Todo esse sucesso só serviu para alimentar a já bem nutrida megalomania de Wakeman, que passou a investir pesado na Journey Tour, iniciando pela América do Norte e passando pela Europa Ásia e Japão. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa turnê, em 1975 Journey foi apresentado em uma série de shows no Brasil, como parte do Projeto Aquarius promovido pelo O Globo. Para esse shows foram trazidos ao país cerca de 18 toneladas de equipamentos para os diversos e, até então, extraordinários efeitos sonoros e visuais, além de contar com uma equipe de 70 pessoas nos bastidores! Só a mesa de som utilizada trabalhava com 285 canais. O Maracanãzinho no Rio de Janeiro, o Ginásio da Portuguesa em São Paulo e o Gigantinho em Porto Alegre receberam cada qual mais de 50 mil expectadores.

Perfeccionista, Wakeman fazia questão de que seu público, independente de língua, pudesse ter uma apreciação plena da execução da obra. Assim sempre era contratado um narrador na língua local para as partes textuais. Orquestras locais também eram contratadas, pois ficaria ainda mais oneroso bancar os gastos de transporte, hospedagem de uma orquestra completa, mais os músicos da banda. No Brasil, os shows de São Paulo e Rio de Janeiro contaram com Orquestra Sinfônica Brasileira, enquanto no Rio Grande do Sul a Sinfônica de Porto Alegre foi a contratada, tendo sempre na regência o consagrado maestro Isaac Karabtchevsky, completados pelo Coral da Universidade Gama Filho.

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Durante o show no Maracanãzinho lotado em 1975. Imagem do O Globo

O Mago dos Teclados, como Wakeman é conhecido, lançou muita coisa boa depois de Journey, intercalando sua carreira em retornos ao Yes (lançando o excelente Going for the One em 1977) e trabalhos solos (com The Myths and Legends of KinG Arthur and the Knights of the Round Table de 1975, nos mesmos estilo de Journey, cuja turnê, ainda mais grandiosa, quase levou a gravadora a falência). Ainda assim, nenhum desses discos alcançou o sucesso alcançado aqui.

Journey To The Centre Of The Earth é dos discos que mais me surpreenderam positivamente nessa lista, sendo também um dos que mais escuto. Particularmente considero sua introdução uma das coisas mais bonitas que já ouvi na música. A ousadia do Mestre dos Teclados foi compensada com a excelência com que a obra é executada pelos competentes músicos, tanto os da The London Symphony Orchestra (como era de se esperar) como os de sua banda a English Rock Ensemble, refletida na excelente gravação ao vivo. O resultado é um dos discos mais interessantes, originais e bonitos da história do Rock, merecendo com honras sua nonagésima segunda posição.

Infelizmente não encontrei nenhum registro da apresentação original ocorrida em janeiro de 1974. Também achei muito difícil achar um bom vídeo mostrando Wakeman, banda, orquestra e narrador para ilustrar como deve ter sido aquela apresentação no Royal Festival Hall. No entanto acabei topando com esse vídeo abaixo de “The Battle”, que, apesar de estar sem data de quando ocorreu, claramente é bem próximo da data da execução original.

E quando já finalmente estava finalizando esse texto para sua publicação, acabei topando com essa gravação da parte inicial “Journey” em apresentação de 30 de março de 2014 no Royal Albert Hall. Embora seja amadora, a qualidade de som e imagem é excelente.

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Até mais!

93-GET THE KNACK

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Get The Knack – The Knack

Banda: The Knack

Integrantes: Berton Averre (guitarra, vocal), Prescott Niles (Baixo, vocal), Doug Fieger (vocal, guitarra), Bruce Gary (Bateria, percussão)

Gravação: Abril de 1979

Lançamento: 11 de junho de 1979

Duração: 40:58

Produção: Mike Chapman

Sobre o disco:

Em um dia qualquer de 1978, o jovem Doug Fieger entrou numa loja de roupas de Los Angeles onde encontra uma jovem balconista de 17 anos por quem se apaixonou imediatamente. “Foi como ser atingido na cabeça com um taco de beisebol, eu me apaixonei por ela instantaneamente, e quando isso aconteceu, ela provocou alguma coisa dentro de mim e eu comecei a escrever um monte de músicas febrilmente em um curto espaço de tempo”, diria ele tempos depois. Desse começo prosaico acabaria nascendo um dos hits mais grudentos do final dos anos 70, “My Sharona”.

A canção foi o carro chefe do disco lançado no ano seguinte do arrebatador Get The Knack. Apesar de ser um excelente disco com boas canções, o imenso sucesso alcançado se deu em grande parte devido a “My Sharona” que simplesmente não parava de tocar nas rádios e, mesmo competindo com a moda da Disco Music, conseguira conquistar o topo da billboard naquele ano, numa inusitada primeira posição a frente de “Bad Girls” de Donna Summer e “Le Freak” do grupo Chic. O resultado: um dos discos de estreia mais arrebatadores até então.

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A pouco comportada (para o final dos anos 70) capa do single

Apesar dessa nada pequena ajuda, não foi apenas devido ao sucesso da little pretty one “My Sharona” os bons resultados alcançados pelo disco. A inteligente, embora arriscada, estratégia de marketing da gravadora – vendendo a banda como os Beatles dos anos 80 – teve sua parcela de responsabilidade. Do título e capa aludindo ao Meet The Beatles à produção das canções, quase todo o álbum remete ao quarteto inglês. O próprio clip de, novamente, “My Sharona” não nos deixa esquecer isso, tendo uma bateria com o nome da banda gravado numa fonte muita similar a da batera de Ringo e o estilo mais social dos integrantes do grupo, usando terninhos, ainda que bem mais casual e a vontade. Afinal, os Beatles dos anos 80 não podiam desfilar por aí com terninhos bem comportados. Era preciso um pouco mais de rebeldia.

Com canções muito bem pensadas, produzidas e, especialmente, bem tocadas, tem-se no instrumental um dos pontos mais fortes do álbum. Apesar de ter duas canções chicletes (“Oh, Tara”, além da onipresente “My Sharona”), essas nunca soam chatas ou cansativas, o que também ajuda a explicar o sucesso de ambas. O bom equilíbrio entre rock e pop do começo ao fim ajudam na harmonia geral da obra, que é dançante e alegre, mesmo em faixas um pouco mais destoantes, a exemplo de “(She’s So) Selfish”, um dos instrumentais mais interessantes do álbum, ou de “Maybe Tonight” calma e melódica.

Entretanto, se pelo lado instrumental o disco é impecável, é importante frisar o conteúdo francamente misógino de suas letras. Há vários exemplos, por todo o álbum, como “Lucinda”, canção onde a garota título é retratada como uma destruidora de corações, mentirosa e cínica. Há ainda a já citada “(She’s So) Selfish”, cujo título entrega de cara a ideia de mulher expressa na canção (algo como “(Ela é Assim) Egoísta”, numa tradução livre). De maneira geral as letras de Get The Knack falam de homens cujas vidas foram ou são, de certo modo, estragadas por causa de uma mulher. Dissimuladas, cruéis, levianas. Essa era a visão feminina apresentada pela banda. E, diga-se de passagem, nada incomum ou algo novo no rock, um universo dominado por homens, com músicas (“Under My Thumb” dos Rolling Stones) e atitudes machistas (qualquer banda em relação as suas groupies nos idos dos anos 60 e 70), conforme relatei no texto sobre Jagged Little Pill de Alanis Morissette.

Get The Knack é um excelente disco que peca na sua visão preconceituosa das mulheres. Por todo o impacto que causou no fim dos anos 70 e início dos anos 80, influenciando inclusive muito do que viria a ser produzido dali em diante, como o power pop e o new wave, explica-se sua presença nessa lista. Particularmente considero um trabalho muito bem produzido, mas nada de tão memorável, além do estouro de “My Sharona” e os belos arranjos de suas canções. Beatles dos nãos 80? Com certeza não.

Depois do início avassalador, The Knack nunca mais conseguiu repetir ou mesmo chegar perto de tanto sucesso. Era encarada pela mídia como uma banda de atitude artificial e arrogante, principalmente depois que casos como o da revista Scene ter se recusado a publicar um artigo devido as “tentativas de censura” da banda começarem a surgir. Ainda lançariam mais dois álbuns que sequer passaram perto do sucesso do primeiro, culminando com a dissolução do quarteto em 1981.

Apesar de ser um disco bem executado, com belas melodias – ainda que o tom machista das letras seja algo a ser notado –, não tem para onde escapar: “My Sharona” foi, e ainda é, o hit pelo qual se lembra de Get The Knack. Doug Fieger e Sharona Alperin (a jovem balconista que inspirara a canção) namoraram por quatro anos. Posou para a capa do single inclusive. A canção foi composta em cerca de 15 minutos. Um relacionamento meteórico que levou a uma composição meteórica, assim como foi o sucesso do quarteto. De tudo ficaram apenas o álbum, as lembranças e “My Sharona”…

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Doug Fieger e Sharona Alperin

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94-BREAKFAST IN AMERICA

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Breakfast in America – Supertramp

Banda: Supertramp

Integrantes: Rick Davies (teclado, vocais e harmônica), John Helliwell (saxofone, vocais e instrumentos de sopro), Roger Hodgson (guitarra, teclado e vocais), Bob Siebenberg (bateria) e Dougie Thomson (baixo)

Gravação: 1978 no estúdio B da Village Recorder em Los Angeles

Lançamento: 29 de março de 1979

Duração: 46:06

Produção: Peter Henderson, Supertramp

Sobre o disco:

Em 1979 chegava às lojas o sexto e melhor álbum da banda inglesa, mas radicada nos EUA, Supertramp. Na capa uma simpática garçonete empunhando um copo de suco de laranja substitui a Estátua da Liberdade, tendo ao fundo uma Nova York de caixas de cereais, xícaras, pratos e talheres, evocando o título do álbum: Breakfast in America. Deixando o Rock Progressivo dos primeiros álbuns de lado e abraçando uma sonoridade mais pop, o álbum fez sucesso imediato, alcançando o topo da Billboard e vendendo 9 milhões de cópias apenas nos EUA.

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Kate Murtagh, atriz que encarna a simpática garçonete da capa de Breakfast in America

Formado inicialmente por Rick Davies, em parceria com Roger Hodgson e contando com o apoio (leia-se o dinheiro) de um milionário holandês, o grupo fracassou em seus dois primeiros lançamentos. Com isso o homem do dinheiro pulou fora e a banda se dissolveu, sendo retomado pela dupla Davies/Hdgson em 1973, quando foram integrados John A. Helliwell nos sopros, Dougie Thompson no baixo e Bob Sienbenberg na bateria.

Em 1975 lançam Crime Of The Century conseguindo um relativo sucesso no Reino Unido, especialmente com o single “Dreamer”. Por essa época todo o grupo se muda para os EUA, visando o milionário mercado fonográfico americano. Embora tenham lançado dois álbuns regulares que renderam um certo sucesso, o estouro só ocorreu mesmo com o lançamento de Breakfast in America.

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Dougie Thomson, Bob Sienbenberg, John Helliwell, Roger Hodgson and Rick Davies

Conciliando com qualidade a sofisticação instrumental característica do grupo às melodias contagiantes, o disco foge um pouco do estilo progressivo, tornando-se mais pop, mas sem se render as soluções fáceis. Isso, aliado às letras inteligente e levemente irônicas das canções (que combinam perfeitamente com os vocais mais graves de Davies e os agudos de Hogdson), ajudam a explicar o grande sucesso que o disco atingiu naquele ano de 1979, emplacando logo de cara 4 hits entre os mais tocados nas rádios: “Goodbye Stranger”, “Breakfast in America”, “Take The Long Way Home” e “The Logical Song”.

Apesar de todo o sucesso alcançado, a gravação do álbum não foi livre de problemas. Apesar de serem, por assim dizer, os membros fundadores, vocalistas e responsáveis pelas letras, Rick Davies e Roger Hodgson não eram muito de se entender. Foram várias as discussões entre os dois durante as gravações e pós-produção. Avesso às grandes produções e adepto de um estilo de vida mais simples, Hogdson procurava imprimir essas características nas suas canções, o exato oposto de Davies que preferia arranjos mais trabalhados e complexos. Afirma-se que as canções “Child of Vision” e “Casual Conversations” foram escritas por Hogdson e Davies, respectivamente, onde ambos expõem essas diferenças, o que faz algum sentido quando analisamos a letras de perto.

Depois de entendimentos e novos desentendimentos, Roger Hogdson finalmente deixaria a banda em 1983, após o lançamento de mais um disco e de uma mega turnê internacional. O Supertramp continuou assim mesmo. Lançaram mais cinco álbuns, nenhum alcançando nem sombra do sucesso de Breakfast in America. Nos shows evitavam cantar os sucessos de autoria de Hogdson, numa tentativa de afirmação da identidade da banda a parte do ex-integrante.

Breakfast in America é um excelente disco com uma mistura excelente entre o pop e o progressivo. É um dos discos que mais gosto de ouvir dessa lista, não só pelos melodiosos arranjos, mas principalmente pela sutil ironia em suas letras. Sua posição na lista é mais do que adequada.

Para finalizar uma curiosidade: os integrantes do Supertramp sempre foram, de modo geral, pouco interessados na fama, evitando dar entrevistas ou colocar seus rostos nas capas dos discos. Nos vários shows da banda, era muito comum passearem pelo público sem serem reconhecidos ou notados. Certa vez, enquanto passeavam perto do palco uma hora antes do início do show, um rapaz perguntou se aqueles caras eram tão bons ao vivo como eram no estúdio. Reconhecidamente o mais brincalhão do grupo, John Helliwell respondeu: “Sei lá! Na verdade nem gosto muito deles!”

Abaixo vocês podem conferir um clip aparentemente caseiro de um dos grandes sucessos da banda: “The Logical Song”.

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95-SECOS & MOLHADOS

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Secos & Molhados

Banda: Secos & Molhados

Integrantes: João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão)

Gravação: 23 de maio a 7 de junho de 1973 no Estúdio Prova, em São Paulo

Lançamento: Agosto de 1973

Duração: 30min 54s

Produção: Moracy do Val

Sobre o disco:

Início da década de 70. Em plena Ditadura Militar, com a censura e repressão correndo solta, surge um grupo abusando da maquiagem, figurinos exóticos, letras marcantes (algumas provocativas e sugestivas) e um rebolativo cantor de voz afinadíssima. Esses são os Secos & Molhados, único representante brasileiro a constar nessa lista.

Mesclando canções do folclore português com tradições brasileiras e poemas de Vinicius de Morais e Manuel Bandeira, o disco é constante do início ao fim, não apresentando queda de qualidade em nenhuma faixa. Mesmo as mais complexas ou de difícil entendimento conseguem encantar graças a bem dosada harmonia entre letra e música.

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O disco foi um sucesso imediato de vendas, que surpreendeu a todos. A gravadora Continental tinha produzido apenas 1.500 cópias, mas graças a uma aparição do grupo na estreia do Fantástico, gerou uma expectativa no público. Resultado: as 1.500 cópias rapidamente se esgotaram levando a gravadora, segundo conta Ney Matogrosso, a derreter os discos que não vendiam para produzir mais cópias de Secos & Molhados.

Tendo como influências os Beatles e o florescente tropicalismo, de onde o grupo tirou muito de suas, para a época, ousadas performances ao vivo, o disco está recheados de hits, que ainda hoje fazem sucesso, sendo “Rosa de Hiroshima” e “O Vira” os maiores sucessos. A maior virtude do ábum, no entanto, é sua capacidade de agradar um grande espectro de públicos, segundo Antonio Carlos Morari, no livro Secos & Molhados da editora Nórdica: “Primavera nos Dentes” e “Mulher Barriguda” para os engajados, “Rosa de Hiroshima” tornou-se hino dos pacifistas, “Prece Cósmica” para hippies e místicos, “Rondó do Capitão” embalava o público infantil, “O Vira” fazia a alegria do público massivo das rádios e, por fim, os poemas musicados davam o tom erudito (sem parecer pomposo) para ouvintes mais letrados.

Existe certa controvérsia se esse disco é ou não um disco de rock. Os próprios integrantes da banda já afirmaram terem se surpreendido com críticas que classificavam o trabalho como rock. Ao tomar conhecimento da lista estranhei é bem verdade que estranhei sua presença. O disco em si possui elementos que fazem parte da origem do próprio rock, a exemplo do folk, além da psicodelia e do glam rock que fizeram muito sucesso nos anos 1960 e 70. Também são vários os críticos que consideram esse primeiro trabalho dos Secos & Molhados um disco de glam rock, com todas as características que fizeram esse sub-gênero tão marcante tanto na caracterização como na sonoridade. Assim, considero esse debate se o disco é rock não meio desnecessário, uma vez que são vários os elementos que confirmam a veia roqueira desse disco.

Na realidade, vejo nesse suposto debate uma forma de preconceito velado em relação a banda, por parte de uma parcela de ditos roqueiros. Pesquisando sobre o álbum para esse texto, encontrei muitas críticas a sua presença nessa lista. Críticas vazias onde se nota um intenso machismo para com o disco. Para alguns dos autores dessas críticas, o rock parece se resumir aos subgêneros mais pesados, tais como o punk e o heavy metal, não permitindo ou aceitando versões – que em suas mentes preconceituosas – são menos másculas.

Num desses sites, aliás, o autor se propôs a comentar todos os discos, cinco por post (ideia interessante), onde destilou muito ódio a roqueiras mulheres (chamando inclusive The Go-Go’s de periguetes, muito provavelmente porque elas ousavam fazer tudo aquilo que roqueiros homens faziam desde sempre, ou seja, sexo casual e uso de drogas) e bandas mais populares a exemplo do U2. O autor ainda menosprezou as bandas que procuravam inovar saindo do lugar comum do gênero, desqualificando os excelentes trabalhos do New Order, Foo Fighters e Supertramp (banda a qual ele sequer comentou de fato), questionando se tais trabalhos eram mesmo rock, apenas porque não se enquadram aos seus padrões, os quais ele jamais explica quais são, diga-se de passagem. Nos posts seguintes (ele parou na 79ª posição da lista), ele se divide em elogiar o que gosta – David Bowie, Kiss, AC/DC etc. – e continuara a malhar o que não gosta. Chega ao cúmulo de dizer que prefere ver Scheila Carvalho rebolando no É o Tchan a escutar Garbage. Por aí já se tira o nível do rapaz.

E, ao tratar dos Secos & Molhados, ele simplesmente vocifera: “Preciso comentar algo?! EU PRECISO REALMENTE COMENTAR ALGO SOBRE ISSO?!” Precisa sim, amigão, precisa e muito.

Não gostar de determinado ritmo, gênero, subgênero ou tendência é algo normal. Anormal é tentar usar nosso gosto pessoal pra tentar desmerecer ou não determinada banda, disco, música, qualquer coisa, aliás. Quando me propus a falar um pouco sobre cada um dos cem discos da lista da Playboy, não foi porque a considero A LISTA. Na realidade eu poderia ter usado qualquer uma das zilhões de listas existentes mundo a fora, algumas (opinião minha) melhores outras piores. Por que essa então? Por ter sido com ela a primeira vez que eu tomava conhecimento pra valer de nomes que admiro e escuto bastante. David Bowie, The Who, Iggy Pop e sim, The Go-Go’s e Alanis (que podem não ter feito nada de bom depois, mas Beauty and Beat e Jagged Little Pill são sim excelentes trabalhos). Como eu disse no primeiro post, não considero nenhuma lista como sendo perfeita, mas são boas oportunidades para se aprender mais. E, ao escrever sobre cada um dos discos dessa lista, tenho tentado a muito custo deixar de lado minha opinião, e analisar cada um deles com o máximo de isenção possível.

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Secos & Molhados é rock sim, mas também é MPB, poesia, crítica social, engajamento político e muito mais. Tenho um carinho especial por esse disco, pois em minha casa existia uma cópia em vinil do ano de seu lançamento. Cresci ouvindo os sucessos do grupo e considero esse um dos mais belos discos já gravados em nosso país.

Para finalizar, duas curiosidades: o grupo ficou tão famoso no Brasil na época do lançamento desse disco que acabou dando origem ao mito de que os integrantes do Kiss teriam se inspirado nos brasileiros para compor suas maquiagens. E a curiosa capa do disco é considerada uma das mais icônicas da história da música brasileira e tem uma história bem bacana que vale a pena conferir aqui nesse link.

Abaixo vocês conferem a belíssima interpretação de Ney Matogrosso para Rosa de Hiroshima ao vivo no Maracanazinho

Para conferir os outros textos é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock

96-THERE IS NOTHING LEFT TO LOSE

There Is Nothing Left to Lose

There Is Nothing Left To Lose – Foo Fighters

Banda: Foo-Fighters

Integrantes: Dave Grohl (vocal e guitarras), Nate Mendel (baixo) e Taylor Hawkins (bateria)

Gravação: Estúdio 606, Alexandria, Virginia e Conway Recording Studios, em Los Angeles, Califórnia, Março a junho de 1999

Lançamento: 2 de Novembro de 1999

Duração: 46min 24s

Produção: Foo Fighters e Adam Kasper

Sobre o disco:

Lá pela segunda metade dos anos 90 a grande moda entre boa parte dos adolescentes em Aracaju era assistir os clipes de suas bandas preferidas na MTV, através da TV a cabo, que chegara bem pouco tempo antes na cidade. Depois nos reuníamos em rodinhas animadas, na escola ou num dos dois shoppings da cidade naquela época, para uma animada conversa sobre essa ou aquela banda, música ou cantor.

Mesmo tendo morrido uns seis anos antes (ou por causa disso), Kurt Cobain e o Nirvana ainda eram os grandes nomes do Rock para muitos de nós. Nevermind e Unplugged in New York eram itens obrigatórios e geravam debates acalorados entre os fãs que idolatravam a banda e aqueles que a consideravam apenas como uma banda muito legal, porém nada mais que isso.

Foi quando o clip de “Learn to Fly” estourou na MTV. Houve um burburinho imenso entre a roda de amigos e conhecidos a respeito do cantor da banda cujo nome ainda brigávamos para aprender a pronúncia: Foo Fighters. Afinal, aquele era ou não era o baterista do Nirvana nos vocais?

Independente dessa questão nada importante, “Learn to Fly” foi um sucesso imediato, tendo sido reprisada a exaustão na MTV. Muito desse sucesso, apesar da música em si ser bem interessante, se deu por conta do tom humorístico do clip. O disco acompanhou o sucesso, sendo considerado ainda hoje como um dos melhores discos lançados nos anos 90, tendo como hits, além de “Learn to Fly”, “Stacked Actors”, “Breackout” (parte da trilha do filme “Eu, Eu Mesmo e Irene”) e “Generator”, ganhando no processo o Grammy de Melhor Álbum de Rock.

O sucesso, após o fraco disco anterior The Colour And The Shape, ajudou a consolidar o Foo Fighters como uma banda de primeiro escalão, afastando a desconfiança de muitos. Foi também fundamental para Dave Grohl deixar de ser visto apenas como o ex-baterista do Nirvana, deixando o peso da antiga banda para trás.

Muito bem produzido, There Is Nothing Left To Lose conta com canções de letras interessantes, tocadas com muita técnica e qualidade pelos integrantes. O próprio Grohl se destaca nos vocais. O resultado final é um disco dinâmico, harmonioso, sem altos e baixos e de qualidade indiscutível.

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Apesar de todas as qualidades do disco, alguns o criticam – crítica essa geralmente estendida à banda – de ser um disco tecnicamente muito bom, mas incapaz de gerar em quem o escuta a sensação de um trem passando há alguns centímetros de nós, como quando ao ouvir Pantera com “Cowboys From Hell”, ou Pink Floyd com “Another Brick in the Wall”, U2 com “Where the Streets Have no Name”, Queen com “Radio Ga Ga” e Dire Straits com “Money for Nothing”, como dito nessa análise de Jean Carlo B. Santi no Whiplash.

Discordo em parte dessa análise. Apesar desse terceiro disco da banda ser sim tecnicamente muito bem gravado e executado, isso não significa necessariamente que ninguém vá ter a tal sensação de um trem passando há alguns centímetros de nós, apenas por que o autor da análise não sentiu isso. Das músicas citadas por ele, por exemplo, só senti tal impacto ao ouvir “Another Brick in The Wall”. E, embora já tivesse escutado várias vezes “Radio Ga Ga”, foi ao assistir o vídeo do show do Queen no Rock in Rio em 1985 que tive, não a sensação de que um trem passando perto, mas a certeza de ter sido atropelado pelo tal trem.

O Foo Fighters é uma das bandas mais bacanas a surgirem nos anos 90 e foram capazes de criar uma base sólida de fãs, mesmo entre aqueles que já curtem e ouvem rock há muito tempo e não apenas de jovenzinhos que, supostamente, não sabem nada de rock, como alguns detratores acusam de vez em quando. Impossível acreditar que nenhum desses fãs não tenha sentido alguma vez um baque imenso ao escutar uma ou outra música. Afinal essa sensação, esse impacto, é uma conexão muito pessoal entre a obra produzida e aquele que a consome. Eu nunca senti nada disso ouvindo o som do Foo Fighters. Mas tenho certeza que meu sobrinho (esse sim um fã), deva ter sentido. Do mesmo modo, meu sobrinho jamais gostou de “Iron Man” ou “Paranoid” do Black Sabbath e, no entanto, quase teve um troço ao ouvir “Smell Like Teen Spirit” pela primeira vez. Igual ao tio, aliás.

Detalhe, que, jamais, nem eu e nem meu sobrinho, discordamos que as músicas citadas acima não sejam de fato muito boas. Apenas umas nos impactaram mais do que as outras.

Particularmente não sou muito fã do som do Foo Fighters, embora reconheça que a banda do Dave Ghrol seja sim excepcional. Sendo bem sincero, acho até um certo exagero que There Is Nothing Left To Lose esteja nessa lista, apesar de sua inegável qualidade. Mas como toda lista é – de uma forma ou de outra – um reflexo daquele que a elaborou, muito provavelmente seu autor tenha sim sentido o tal trem passando a centímetros dele nesse caso.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!