5 CANAIS DO YOUTUBE QUE SIGO E RECOMENDO

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No inicio do ano fiz uma postagem sobre cinco blogs que acompanho e recomendo. Já naquele post avisava sobre minha vontade de escrever, pelo menos, mais dois textos similares. Hoje, finalmente começo a pagar essa dívida.

Desde que descobri o Youtube, ele serviu principalmente como o lugar onde eu procurava videoclipes antigos, matava a saudade de algum desenho animado ou catava algum vídeo interessante para dar aquela animada nas minhas aulas de Geografia ou ainda nos temidos seminários na universidade. Até porque o próprio site ainda estava muito no começo e nem tinha tanto material assim, fosse ele interessante ou não.

Obviamente tudo isso mudaria com a compra do site pela gigante Skynet, digo, Google. Ganhando mais diversidade, o site cresceu não só na quantidade de vídeos postados, mas também em variedade, se tornando de fato uma versão em áudio e vídeo da internet tradicional. A especialização de determinados canais foi fundamental nesse quesito, ainda trazendo muito material bobinho e entretenimento passageiro e casual, mas com cada vez mais conteúdo interessante e instrutivo. Começava-se a descobrir o potencial do Youtube para os criadores de conteúdo.

De tutoriais sobre como consertar coisas e fazer maquiagens às dicas de moda, chegando aos canais de humor, cultura nerd e games, o Youtube hoje segue o exemplo de sua empresa mãe ao apresentar conteúdo sobre virtualmente qualquer coisa ou qualquer assunto. E assim como no caso dos blogs, tem muita coisa ruim e potencialmente perigosa, mas também tem muita coisa boa. Assim, procurei listar alguns desses canais que prezam por ser instrutivos e acessíveis, falando de ciências, história, música, audiovisual com uma qualidade técnica e um incrível conhecimento de causa.

Boa leitura!

1-Nerdologia

Nerdologia

“Sejam bem vindos ao Nerdologia”. Inicialmente um quadro do NerdOffice, no Jovem Nerd, é apresentado pelo Átila Iamarino, biólogo, pesquisador e trata de assuntos e temas científicos variados, sempre fazendo links com elementos da cultura nerd, com novos vídeos todas as quintas. A partir de 2016 o canal passou a contar com o segmento Nerdologia História, indo ao ar todas as terças, apresentado pelo Felipe Figueiredo, formado em História, colunista, podcaster, youtuber e professor, seguindo a mesma linha do programa original, mas com temas voltados para a história, além de um segmento voltado para tecnologia, o Nerdologia Tech, toda última quarta-feira de cada mês. É o canal mais conhecido da lista e um dos maiores do Brasil em se tratando de conteúdo científico e educativo com mais de um milhão de inscritos. Já o acompanho há muito tempo – sendo um dos primeiros canais no qual me inscreve no Youtube –, mantendo sempre a qualidade na maneira como trata dos assuntos, não raro melhorando até, como quando passou a inserir no final de cada vídeo um momento para responder comentários de vídeos anteriores ou corrigir alguma informação veiculada de maneira equivocada. Com quase 300 vídeos postados, é o canal que mais fortemente recomendo para você assinar e assistir.

2-Poligonautas

Poligonautas

“SCALOBALOBA!” Iniciando com o seu famoso bordão (retirado do que se acreditava ser o refrão da canção Boombastic, sucesso dos anos 90), o Schwarza apresenta o canal Poligonautas, que, no seu início, em parceria com o OOataHeLL, falava mais sobre o universo gamer. Atualmente, no entanto, se dedica a falar sobre ciência e filosofia com destaque especial aos temas relacionados à astronomia, tendo agora apenas o Schwarza a frente, com vídeos de segunda a sexta. Além de se dedicar na divulgação científica, o grande mérito do canal é o de desmitificar lendas e teorias conspiratórias populares na internet, através de explicações cientificas cheias de bom humor e muita clareza no segmento “Lenda ou Fato”. Você acredita em Nibiru, que a Terra é plana ou em aliens vivendo dentro do Sol? Então é melhor dá uma olhada no canal para entender porque tudo isso é conto da carochinha. Igualmente interessantes são os vídeos do segmento “5 Vídeos Sobre Ciência” que, como o próprio nome entrega, traz cinco breves vídeos atuais ou curiosos sobre ciência, sempre encerrando com uma análise mais filosófica, em geral com base em alguma imagem do espaço profundo capturada pelo telescópio espacial Hubble. É o canal que mais assisto, não só por ser praticamente diário, mas também pelo formato curto dos vídeos, quase nunca com mais de cinco minutos.

3-Ponto em Comum

Ponto em Comum

“Olá, criaturas da internet!” Apresentado pelo simpático Davi Calasans, o Ponto em Comum se destaca por tratar dos mais variados assuntos científicos com uma leveza e simplicidade sensacionais, contando sempre com a ajuda dos Hugobertos (talvez sejam parentes meus distantes) e dos comentários sempre pertinentes (sqn) de Miguel, o Tiranossauro. O canal tem uma pegada bem ao estilo do programa O Mundo de Beakman, tanto pelo visual como na maneira lúdica e descontraída de apresentar e explicar os temas de cada terça-feira. O próprio Miguel seria o equivalente ao rato Lester com suas observações baseadas no senso comum. Com toda essa leveza o canal é excelente para ser assistido por pessoas de qualquer faixa etária, sendo perfeito para uso em escolas.

4-República do KazaGastão – KZG

KazaGastão

Com o fim da MTV Brasil muitos de seus apresentadores e programas migram para o Youtube a exemplo do João Gordo e do grupo Hermes e Renato. Famoso por manter a pegada Rock’n’Roll na emissora com os programas Gás Total e Fúria Metal, o apresentador Gastão Moreira seguiu o mesmo caminho com a República do KazaGastão (apesar de ter saído da MTV em 1998 para apresentar o Musikaos na TV Cultura), apresentando vídeos com antigas entrevistas e reportagens não apenas da época de MTV, como atuais também, além do segmento que considero a melhor coisa do canal: o “Heavy Lero” contando com a presença de Clemente Nascimento, baixista da banda paulista de punk Inocentes. Nesse segmento, a dupla apresenta breves resumos de bandas, artistas e cenas musicais de maneira descontraída, mas com bastante propriedade e cheia de informações interessantes. O imenso conhecimento musical do Gastão ajuda a tornar o canal um dos melhores e mais informativos sobre música do Youtube. “Sensacional, Clemente!”

5-Entre Planos

Entre Planos

Sou fã de cinema desde muito pequeno. Mas depois de adolescente, comecei a me interessar pelos aspectos técnicos da sétima arte, a partir do meu interesse por fotografia. Desde então, sempre que tenho oportunidade, faço questão de consumir tudo sobre o tema. E foi assim que descobri o canal do Max Valarezo, um jovem estudante de Comunicação Social com um conhecimento invejável tanto sobre os aspectos técnicos como sobre a história do cinema. Aliás, conhecimentos esses muito bem utilizados nos vídeos postados. Apesar de todos os vídeos aqui listados serem impecáveis do ponto de vista técnico, considero o EntrePlanos, junto com o Nerdologia, o mais profissional de todos. E mesmo conhecendo o canal há pouco menos de dois meses já é um dos meus preferidos muito devido a essa qualidade. “Então é isso”: graças ao canal pude aprender de maneira muito didática vários conceitos, aspectos e técnicas cinematográficas, algumas delas eu até já conhecia, mas em artigos extremamente técnicos e complicados de se entender.

*  *  *

Assim como no caso dos blogs esses são apenas alguns dos canais que eu curto. No caso os que acompanho verdadeiramente. Existem outros ainda que são tão bons quanto mais que, por um motivo ou outro não tenho como acompanhar tão de perto. Esses deixarei para uma próxima postagem.

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Até mais!

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5 BONS FILMES RUINS

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A finada SET em sua clássica primeira edição

A finada revista SET (que Deus a tenha num bom lugar) manteve por algum tempo uma seção dedicada a falar de filmes muito ruins, mas que, por um motivo ou outro, todo mundo gosta. A seção chamava-se, adequadamente, Bom Filme Ruim. Os leitores enviavam para a revista o nome do seu filme ruim preferido explicando porque gostam tanto daquela porcaria… quer dizer… daquele filme… han… incompreendido…

Lembrei-me disso por esses dias, quando assistia um exemplar particularmente peculiar desse gênero cinematográfico e minha esposa perguntou como eu conseguia assistir um filme tão ruim. Percebi então o quanto adoro vários filmes que se encaixariam como uma luva nessa categoria.

Rabiscando, listei rapidinho 10 filmes que, de tão ruins, são bons. Tem de tudo um pouco, desde exemplares dos filmes testosteronas que inundaram os anos 80 e 90 a dramas que nos fazem bolar de rir e uma lenda viva das artes marciais (e dos memes na internet) pagando mico numa aventura paradona que também é uma comédia sem graça nenhuma. No entanto, ao preparar a postagem, percebi que uma lista de 10 ficaria muito extensa e enfadonha. Por isso, dividi a lista em duas partes distintas. A primeira sai hoje enquanto a segunda parte postarei em breve.

Boa leitura!

 ♦

5-Lua de Cristal (Tizuka Yamazaki-1990)

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Começamos com o maior clássico brasileiro no quesito Bom Filme Ruim! O filme é datado, cafona, exageradamente musical, além de ter a música tema mais chiclete já escrita e gravada da história do cinema nacional. Isso sem falar na canastrice do casal protagonista formado pela inocente e interiorana Maria das Graças (a própria Xuxa Meneghel) e seu príncipe encantado Bob (ninguém menos que Sérgio Mallandro – fico imaginando quem teve a brilhante ideia de colocar Sérgio Mallandro de príncipe encantado). O filme ainda conta com uma série de cenas repletas de humor involuntário, como quando Sérgio Mallandro dá uma cheiradinha apaixonada no tênis que a mocinha esqueceu (!) depois de ter sido atropelada pelo próprio (!!). E não podemos esquecer da belíssima cena quando nosso príncipe de plantão salva a mocinha que estava se afogando na parte rasa da praia, numa das cenas mais toscamente hilárias do filme! Apesar de tudo isso (ou por conta de tudo isso, vai saber), o filme foi o mais visto nos cinemas nacionais naquele ano, com mais de cinco milhões de expectadores e foi figurinha fácil nas intermináveis reprises da Sessão da Tarde. Simplesmente clássico!

4-Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China de John Carpenter-1986)

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Quem diria que um filme que era pra ser um western, dirigido pelo mestre do horror John Carpenter e que quase teve no papel principal do caminhoneiro Jack Burton as estrelas Jack Nicholson e Clint Eastwood (mas que ficou mesmo com Kurt Russel), se tornaria a mais divertida (e sem noção) aventura pseudo-mística de todos os tempos? O filme foi um fracasso nas bilheterias, mas acabou estourando nas locadoras de VHS e, como não poderia deixar de ser, nas infinitas reprises da Sessão da Tarde, onde a turminha muito louca de Jack Burton entra em divertidas e animadas confusões para resgatar sua noiva (vivida por Kim Catrall, a Valeris de Jornada nas Estrelas VI) e a do amigo chinês das garras do vilão de 2000 anos de idade, Lo Pan. Amaldiçoado por um antigo imperador chinês, Lo Pan precisa casar com uma moça de olhos verdes só para depois sacrifica-la para poder se livrar da maldição. Espertinho, o vilão sequestra e planeja casar não com uma, mas com duas moças de olhos verdes, uma para o sacrifício e a outra para viver com ele. Além de ser repleto de clichês dos filmes de aventura genéricos dos anos oitenta, a cena final do filme é um perfeito desfile de carnaval, cheio de pirotecnia num cenário que grita “Sou falso” a cada 24 frames por segundo. Ainda assim, o filme conta com uma galeria de personagens que caíram no gosto do público e de, ao menos, um monstro muito bem feito: o monstro cheio de olhos, espião de Lo Pan.

3-Aventureiros do Fogo (Firewalker de J. Lee Thompson-1986)

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Saimos dos Aventureiros do Bairro Proibido para os Aventureiros do Fogo: eu sempre tive um gosto peculiar para tudo na vida. Mas confesso ter me superado ao passar boa parte de minha infância e adolescência afirmando ser Aventureiros do Fogo o melhor filme que já assisti na vida! Sério: eu adorava assistir esse filme de aventura (sem aventura), que, na onda do sucesso de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, pôs Chuck Norris para viver um ex-fuzileiro ruim de tiro, mas bom de faca (e clone mais que genérico do Indiana Jones) ao lado de Louis Gosset Jr. vivendo o amigo alívio cômico (mas que não tem graça nenhuma), ajudando a mocinha Patricia Goodwin a descobrir um lendário tesouro asteca, ao mesmo tempo em que fogem de um terrível vilão (que não causa terror nenhum). Mais genérico e bobo impossível. Mesmo assim eu me amarrava nas tentativas frustradas da dupla, especialmente do Chuck Norris, em tentar fazer um filme de aventura leve, cheio de piadas e humor. Sempre achei a cena no trem, quando, disfarçados de religiosos, precisam dar a bênção a um soldado impressionado com um suposto milagre, a mais hilária do filme. Pois é, coisas da idade. Agora, será que alguém me explica como é que um ex-fuzileiro conseguia ser o pior atirador do mundo?

2-Guerreiros de Fogo (Red Sonja de Richard Fleischer-1985)

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Se Aventureiros do Fogo até foi um nome mais interessante que o original Firewalkers, o mesmo não podemos dizer da escolha Guerreiros de Fogo, para o título original Red Sonja. Esse é outro filme feito na esteira de sucessos anteriores  no caso Conan-O Bárbaro e Conan-O Destruidor. Guerreiros de Fogo adapta a história da guerreira Red Sonja das histórias em quadrinhos do mesmo universo do guerreiro cimério e, pra variar, não fez nem metade do sucesso esperado. Estrelado por Brigitte Nielsen, o filme é fraco, fraco, fraco até não poder mais, com cenas de lutas mal filmadas, mal coreografadas e  mal interpretadas, personagens bobos e desnecessários e um Arnold Schwarzenegger que aparece do nada interpretando um tal de Kalindor (que na verdade é próprio Conan com outro nome, pois um imbróglio com os direitos autorais impediu o uso do nome do guerreiro cimério, o que serviu apenas pra deixar a trama ainda mais sem noção). Não é tão cult quanto os demais da lista, mas não chega a ser um péssimo filme. Está mais na conta dos inofensivos. Tá na lista por que sempre curti a personagem Red Sonja nos quadrinhos e sempre achei que ela merece uma adaptação decente nas telonas (ou pelos menos numa série de tv). E até que a Brigitte Nielsen, mesmo não sendo nenhuma Meryl Streep, não fez feio no filme.

1-Stallone Cobra (Cobra de George Pan Cosmatos-1986)

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Olha vou te contar: a disputa do primeiro lugar foi ferrenha entre essa pequena obra prima de tudo o que há de ruim nos filmes dos anos oitenta e o concorrente mamão com açúcar igualmente estrelado pelo Garanhão Italiano Sylvester Stallone, Falcão – O Campeão dos Campeões. No fim, venceu a história total e completamente desmiolada vivida por Marion “Cobra” Cobretti (melhor nome de policial, machão, casca grossa, já criado na história da humanidade), por um único e simples critério: simplesmente não paro de rir um segundo sequer revendo essa pérola, que – cereja do bolo – conta ainda com o arsenal mais hilário de frases de efeito já imaginadas pelo ser humano. Vide a clássica “O crime é uma doença e eu sou a cura!” Eu adoro o primeiro Rocky, acho o primeiro Rambo um filme excelente, mas Stallone Cobra (santa falta de criatividade para um título adaptado) é, de longe, o melhor filme do gênero testosterona made in anos 80. E, como que para não deixar nenhuma dúvida, ao pesquisar o significado exato do termo canastrão, encontrei esse apropriado exemplo no verbete do Dicionário Informal: “Silvester Stallone no papel de Marion Cobretti, não teve medo de ser canastrão e acabou fazendo ali sua interpretação mais memorável!”

Concordo plenamente! O que, não necessariamente, signifique um elogio…

*   *   *

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Até mais!

10 FILMES QUE AMO COM CRIANÇAS OU ADOLESCENTES

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Dia das Crianças chegou e a internet, em especial nos domínios do titio Mark Zuckerberg, está lotada de imagens de crianças fofinhas e de lembranças saudosas da infância. Para lembrar a data me peguei fazendo uma lista de filmes marcantes cujas histórias tivessem crianças ou adolescentes como protagonistas. Para refinar um pouco procurei dentre os mais de vinte títulos lembrados, selecionar dez que não fossem figurinhas carimbadas nesse tipo de lista. Assim, filmes como Conta Comigo e Os Goonies ficaram de fora, apesar de amá-los muito. Outro critério usado foi deixar apenas filmes que tenham me marcado de alguma maneira na primeira vez em que os assisti, pois penso que isso ajuda a refletir sobre o tipo de adolescente que eu era, uma vez que, a maioria deles são filmes que assisti entre meus 12 e 18 anos.

O resultado final acabou sendo uma maravilhosa e eclética compilação de filmes que, de uma maneira ou de outra me marcaram profundamente. Tem de tudo um pouco: desde os já famosos clássicos da Sessão da Tarde, a filmes quase totalmente desconhecidos, além de filmes cult premiados e animações desprezadas quando do lançamento.

Importante frisar que essa lista não é dos melhores filmes com crianças já produzidos, mas sim uma lista dos filmes com crianças e/ou adolescentes que me marcaram de algum modo e ainda hoje fazem parte da minha vida. Alguns são filmes consagrados, outros nem tanto. Procurei ordena-los por ordem de preferência e gosto puramente pessoal e totalmente emocional, apresentado para cada um o seu trailer original, alguns dados técnicos, uma breve sinopse e o porquê me marcarem tanto. Boa leitura.

10-Ponte Para Terabítia

Data de lançamento e duração: 16 de março de 2007 (1h 34min)

Direção: Gabor Csupo

Elenco: Josh Hutcherson, Anna Sophia Robb, Zooey Deschanel

Gêneros: Fantasia, Aventura

Título Original: Bridge to Terabithia

Nacionalidade: EUA

Sinopse: Jess Aarons (Josh Hutcherson) durante todo o verão treinou para ser o garoto mais rápido da escola, mas seus planos são ameaçados por Leslie Burke (Anna Sophia Robb), que o vence numa corrida que deveria ser apenas para garotos. Logo Jess e Leslie tornam-se grandes amigos e, juntos, criam o reino secreto de Terabítia, um lugar mágico onde lutam contra Dark Master (Matt Gibbons) e suas criaturas, além de conspirar contra as brincadeiras de mau gosto que são feitas na escola.

Assisti esse filme numa particularmente tediosa tarde de sábado. Confesso não ter me empolgado logo de início com ele, mas tudo mudou com seu final. Adoro finais tristes e, apesar de ter achado o filme todo meio clichezão, seu final me pegou de jeito. Dos filmes dessa lista é dos poucos que não assisti na adolescência. Apesar dos critérios relatados acima decidi deixar ele aqui apenas para mostrar o quanto esse filme me marcou.

9-Meu Primeiro Amor

Data de lançamento e duração: 27 de Novembro de 1991 (1h 45min)

Direção: Howard Zieff

Elenco: Anna Chlumsky, Macaulay Culkin, Dan Aykroyd, Jamie Lee Curtis

Gêneros: Romance, Drama

Título original: My Girl

Nacionalidade: EUA

Sinopse: Vada Sultenfuss (Anna Chlumsky), é obcecada com a morte, pois sua mãe morreu e seu pai, Harry Sultenfuss (Dan Aykroyd), é um agente funerário que não lhe dá a devida atenção. Vada é apaixonada por Jake Bixler (Griffin Dunne), seu professor de inglês, e no verão faz parte de uma classe de poesia só para impressioná-lo. Paralelamente é muito amiga de Thomas J. Sennett (Macaulay Culkin), um garoto que é alérgico a tudo. Quando Harry contrata Shelly DeVoto (Jamie Lee Curtis), uma maquiadora para os funerais, e se apaixona por ela, Vada se sente ultrajada e quer fazer qualquer coisa que estiver em seu poder para separá-los.

Quando o assisti na sua estreia na TV aberta, Macauly Culkin estava no auge da carreira por conta de Esqueceram de Mim. Por isso mesmo esperava um filme de comédia, mas com algumas doses de romance. Felizmente ele não era nada disso e assim fui apresentado a um dos filmes mais lindamente doloridos que já assisti. Seu final não foi nada do que eu esperava e, de verdade, foi aqui que iniciou minha predileção por histórias com finais tristes.

8-Viagem Ao Mundo dos Sonhos

Data de lançamento e duração: 5 de junho de 1986 (1h 49min)

Direção: Joe Dante

Elenco: Robert Picardo, James Cromwell, Dana Ivey

Gêneros: Fantasia, Aventura

Título original: Explorers

Nacionalidade: EUA

Sinopse: Tudo com o que Ben Crandall (Ethan Hawke) sempre sonhou torna-se real quando, com a ajuda de seus amigos Wolfgang Müller (River Phoenix) e Darren Woods (Jason Presson), ele se lança na criação de uma nave espacial em seu laboratório. Os três jovens garotos veem então cada vez mais próxima a oportunidade de fazer a viagem interplanetária que sempre desejaram.

Clássico da Sessão da Tarde, esse filme era tudo o que sempre sonhei na minha infância. A possibilidade de construir uma nave espacial no quintal de casa e viajar pelos cosmos! Lembro de até ter escrito uma redação no colégio com tema praticamente idêntico, isso muito antes de tê-lo assistido. Um filme com um dedinho na ficção, mas onde a fantasia reina solta deixando nossa imaginação voar livre.

7-A Volta de Roxy Carmichael

Data de lançamento e duração: 1990 (89min)

Direção: Jim Abrahams

Elenco: Winona Ryder, Jeff Daniels, Carla Gugino

Gênero: Comédia dramática

Título original: Welcome Home, Roxy Carmichael

Nacionalidade: EUA

Sinopse: Após 15 anos em uma pequena cidade de Ohio, Roxy Carmichael (Ava Fabian), uma celebridade, vai retornar à sua cidade natal. Tal acontecimento provoca uma certa excitação em grande parte dos habitantes, incluindo Denton Webb (Jeff Daniels), seu ex-marido. Mas é Dinky Bossetti (Winona Ryder), uma adolescente que foi adotada e que é ignorada pela maioria dos seus colegas, que é a mais afetada por tal fato, pois ela acredita ser a filha secreta de Roxy.

Existe apenas um único motivo para eu ter assistido esse filme: Winona Ryder. Por ter assistido filmes como Os Fantasmas Se Divertem e Edward Mãos de Tesoura eu era completamente apaixonado pela futura mãe do pequeno Will Byers. Ou seja, foi ver seu nome na chamada e já preparei o cantinho no sofá para assistir a instigante história da cidadezinha que vira de cabeça pra baixo com a notícia do retorno da filha ilustre. O filme é tão interessante que, por muito pouco esqueço de Winona e da própria Roxy Carmichael. Felizmente também aqui minha queridinha Garota Interrompida nos entrega um bom trabalho na pele da deslocada e estranha Dinky Bossetti, que acreditava ser a filha abandonada da tal Roxy. Personagem com a qual me identifiquei totalmente diga-se de passagem.

6-O Jardim Secreto

Data de lançamento e duração: 1993 (1h 42min)

Direção: Agnieszka Holland

Elenco: Irène Jacob, Kate Maberly, Maggie Smith

Gêneros: Drama, Família, Fantasia

Título original: The Secret Garden

Nacionalidade: EUA

Sinopse: No início do século XX, Mary Lennox (Kate Maberly) vivia na Índia com seus pais, mas, após a morte deles é obrigada a viver em Liverpool, na Inglaterra, com seu tio Lorde Archibald Craven (John Lynch), na antiga e cheia de segredos mansão Misselthwaite administrada pela rigorosa e fria governanta Sra. Medlock (Maggie Smith). Lorde Craven perdeu a mulher há dez anos e nunca mais conseguiu superar a tragédia e Colin Craven (Heydon Prowse), seu filho, também sobre de extrema apatia, sempre recolhido no seu quarto. Mas, uma vez negligenciada, Mary passa a explorar a propriedade e descobre um jardim abandonado. Entusiasmada decide restaurar o lugar com a ajuda do filho de um dos serviçais da casa, conquistando assim a atenção do primo doente. Juntos eles desafiam as regras da casa e o velho jardim se transforma em um lugar mágico, cheio de flores, surpresas e alegria.

No início de minha adolescência, lá pelos distantes idos de 1994, passei a sofrer de constantes crises de insônia. Por mais que tentasse o sono só vinha lá pelas quatro ou cinco da manhã. Depois de um período de vãs tentativas rolando na cama sem o sono chegar, desisti e me acostumei a passar esses períodos assistindo as sessões de cinema da madrugada. Para minha sorte acabei encontrando um número incrível de produções cinematográficas maravilhosas que me marcaram profundamente, dos quais todos a seguir (com exceção do número 2) fazem parte, além de muitos outros. Esse O Jardim Secreto foi o primeiro deles. Não sei bem porque ele me marcou tanto na época, mas o fato é que mesmo hoje a história me encanta por sua simplicidade e inocência. Talvez seja saturação de tantas explosões, CGI e 3D que tomou conta das produções mainstream atuais. Reencontrar uma história tão singela é quase como um alívio. Outra coisa que adoro nesse filme é que encontro ecos dele em muitas outras obras diversas, sendo a mais marcante de todas a primeira parte do quadrinho Origens, onde conhecemos a infância e juventude do Wolverine. A história aqui é praticamente a mesma, com direito a jardim e tudo.

5-O Profissional

Data de lançamento e duração: 17 de fevereiro de 1995 (1h 43min)

Direção: Luc Besson

Elenco: Jean Reno, Gary Oldman, Natalie Portman

Gêneros: Policial, Drama, Suspense, Ação

Título original: Léon

Nacionalidade: França

Sinopse: Em Nova York o assassino profissional Leon (Jean Reno) passa a cuidar e proteger a jovem Mathilda (Natalie Portman), uma menina de 12 anos que é a única sobrevivente de sua família morta por policiais envolvidos com o tráfico de drogas e deseja se tornar uma assassina, para poder vingar a morte do seu irmão de 4 anos. Enquanto ela cuida da casa e ensina o pistoleiro a ler e a escrever, ele lhe ensina o básico de como manejar uma arma.

Esse filme foi uma porrada na minha adolescência. Primeiro por ter um estilo bem diferente das produções norte-americanas. Segundo por apresentar um herói que é o bandido e um bandido que é o policial, numa certeira mostra dos variados tons de cinza existentes na suposta dicotomia entre bem e mal. Terceiro pelo talento do trio principal de atores, com um destaque para a sobrenatural e soberba atuação de Gary Oldman. E para variar mais um final triste para a lista!

4-Bem-Vindo à Casa de Bonecas

Data de lançamento: 22 de março de 1996 (1h 27min)

Direção: Todd Solondz

Elenco: Heather Matarazzo, Matthew Faber, Bill Buell

Gênero: Comédia dramática

Título original: Welcome to the Dollhouse

Nacionalidade: Eua

Sinopse: Dawn Weiner (Heather Matarazzo) não tem motivos para gostar da escola, na qual estuda na sétima série. Ela é uma adolescente complexada e há motivos para isto. No seu colégio é ridicularizada pelos colegas, que a chamam de “Salsicha”, e seu relacionamento com sua família não é dos melhores. Ela deseja ser aceita de qualquer jeito e para isto planeja namorar um rapaz mais velho, que é muito popular, apesar disto ser totalmente improvável.

E por falar em porrada, Bem-Vindo à Casa de Bonecas é uma verdadeira surra. Um filme dolorido, cruel até, mas extremamente necessário de se assistir. Uma pequena obra-prima mais do que nunca necessária para se discutir a maneira como lidamos e tratamos nossas crianças e jovens hoje em dia, seja na realidade norte-americana, seja na nossa realidade brasileira, que, quer gostemos ou não, cada vez mais emula aquele comportamento.

3-A Guerra dos Botões

Data de lançamento: Desconhecida (1h e 34 min)

Direção: John Roberts

Elenco: Brendan McNamara, Colm Meaney, Darag Naughton, Gerard Kearney, Gregg Fitzgerald, John Coffey, Paul Batt

Gênero: Comédia

Título original: The War of Buttons

Nacionalidade: Reino Unido, França, Japão

Sinopse: Gangues rivais de crianças irlandesas em Ballydowse e Carrickdowse participam constantemente de batalhas onde são cortados os botões, os cordões dos sapatos e a roupa interior dos adversários capturados. Enquanto os enfrentamentos causam, obviamente, problemas na comunidade, os dois líderes desenvolvem uma involuntária admiração um pelo outro, e criam uma estranha amizade.

Esse é fácil, fácil um dos meus filmes preferidos. Impossível não se cativar com a história dos grupos de crianças de vilarejos rivais que passam a se digladiar em divertidos e inusitados combates numa guerra que, como diz a frase no cartaz, ao contrário da maioria que dura anos, essa precisa terminar antes do jantar. Aliás, mas que se cativar, impossível não se identificar com a história, já que poucos foram os grupos de crianças que não rivalizaram com o grupo diferente que vivia na rua ou bairro vizinhos ou mesmo numa escola diferente. Uma pena que o filme seja tão difícil de encontrar atualmente, seja física, seja digitalmente.

2-O Gigante de Ferro

Data de lançamento: 1999 (1h 25min)

Direção: Brad Bird

Elenco: Jennifer Aniston, Harry Connick Jr, Vin Diesel

Gêneros: Animação, Ação, Aventura, Ficção científica

Título original: The Iron Giant

Nacionalidade: EUA

Sinopse: Em plenos anos 50, vive no Maine o jovem Hogarth. Quando ele repentinamente encontra um gigantesco robô de origem desconhecida, logo um forte laço de amizade se forma entre os dois. Porém, assim que a existência do robô é revelada, um agente do governo parte em seu encalço, no intuito de destruí-lo.

Antes de fazer sucesso com Os Incríveis e Ratatouille, Brad Bird me encantou com essa linda e comovente história recheada de referências a quadrinhos. Uma história simples naquele espírito digno das mais brilhantes histórias infantis: nem sofisticada demais para as crianças e nem simplória demais para os adultos. Ao lado de Bem-Vindo à Casa de Bonecas é o filme mais recomendado dessa lista.

1-Aquela Noite

Data de lançamento: 1992 (1h e 29min)

Direção: Craig Bolotin

Elenco: C. Thomas Howell, Eliza Dushku, Helen Shaver, Juliette Lewis, Katherine Heigl

Gêneros: Romance

Título original: That Night

Nacionalidade: Eua

Sinopse: Na década de 60, Alice (Eliza Dushku) admira sua vizinha adolescente, Sheryl (Juliette Lewis), que muda de namorado toda semana. A menina chega a usar o mesmo perfume e compra os mesmos discos que a vizinha. Quando Sheryl começa a sair com Rick (C. Thomas Howell), todos desaprovam o romance, exceto Alice que, ao se juntar ao casal, vive uma noite inesquecível.

Me preparando para mais uma noite de insônia, eis que o finado Inter-Cine (lembra?), revela os candidatos para o público escolher: O Exterminador do Futuro II, Aquela Noite e um terceiro candidato qualquer facilmente esquecível. Achando ser uma barbada, mal acreditei quando titio Swarza perdeu na escolha do público para a história da menina que sonhava ser como a vizinha mais velha. No dia seguinte, mesmo sendo uma das raras noites em que dona insônia não dava as caras, fiquei até tarde assistindo o filme para saber o que ele tinha de tão especial. E acabei encontrando uma singela e bela história que me encantou de tal maneira que, ainda hoje, passados pouco menos de vinte anos, é meu filme predileto. Não é nenhuma obra-prima do cinema, não possui um roteiro extremamente inteligente e cativante, nem mesmo tem atuações excepcionais. Mas é um filme tão sincero, tão gostoso de assistir, que foi impossível não me apaixonar. E para meu desespero, é outro filme difícil de encontrar, mas que, felizmente, tem no Netflix, abençoado seja!

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09 FILMES CLÁSSICOS (QUE NÃO SÃO) DA SESSÃO DA TARDE

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Se existe algo extremamente comum na internet, são blogs listando os chamados “Clássicos da Sessão da Tarde”. Praticamente todo blog possui uma versão dessa lista. Eu mesmo pensei em fazer minha versão, afinal, além de cinéfilo e tendo assistido bastante a Sessão da Tarde e outras sessões, todo mundo já sabe o quanto gosto de listas. Mas acabei desistindo da ideia.

Desisti justamente por ser uma ideia extremante difundida e cheia de clichês os quais eu repetiria de uma maneira ou de outra. Ou alguém duvida que meu filme número 1 não fosse “Curtindo a Vida Adoidado” ou “Conta Comigo”?

Mas vendo com atenção as zilhões de listas pela net, percebi que muitos dos filmes listados não foram exibidos originalmente na Sessão da Tarde. Mesmo que hoje em dia, alguns deles façam parte do setlist da dita sessão, determinados filmes fizeram sucesso, ou, mais especificamente no meu caso, lembro de tê-los assistidos em outras sessões televisivas de cinema. Foi daí que tive a ideia de listar alguns filmes que, apesar da galera nessas listas dizer que era da Sessão da Tarde, na realidade passaram (e foram devidamente reprisados) em outras sessões. Ou pelo menos que eu tenha assistido em alguma dessas outras sessões.

Então, senta no sofá, pega a pipoca e bora acompanhar comigo essa Sessão Nostalgia:

SESSÃO DAS DEZ

Além de ser uma música bacana do Raul Seixas, a Sessão das Dez era uma sessão de filmes do SBT que sempre exibia seus clássicos às dez horas dos domingos. Fez muito sucesso nas décadas de 80 e 90 e na minha memória se destacou por ter sido a sessão onde assisti alguns dos filmes de cenas mais impactantes. Confira abaixo o vídeo com sua abertura mais conhecida e relembre três filmes por ela exibidos.

Mad Max

A abertura aí em cima não me deixa mentir: o primeiro filme da saga de Max Rockatansky foi bastante exibida aqui e, até onde lembro, jamais na irmã global da tarde. Duas cenas me marcariam nesse filme: o choque da motocicleta do vilão da história de frente com um caminhão e o sapatinho do filho de Max rolando pela pista após ser atropelado com a mãe pela gangue de motoqueiros. Essas duas cenas fizeram parte dos meus pesadelos por boa parte de minha infância.

Ainda hoje essa cena me dá calafrios (Imagem do www.pipocagigante.com.br)

Ainda hoje essa cena me dá calafrios
(Imagem do http://www.pipocagigante.com.br)

Alligator

Esse clássico meio trash dá vida a uma das lendas urbanas mais persistentes lá dos USA: a de que jacarés vivem nos esgotos das grandes cidades. No filme o bichinho cresce descomunalmente depois de comer carcaças de animais que sofreram tratamento com hormônios e parte pra destruição da cidade. Foi talvez com esse filme que entendi o significado da expressão “humor involuntário”, pois, apesar da estrela que dá nome ao filme ser muito bem feito, em várias cenas eu sempre ria muito, quando deveria, em teoria, morrer de medo. Melhor exemplo disso é a cena em que o bichão invade uma festa de casamento e logo de cara devora uma empregada que tolamente se deixa devorar pelo lento animal. Isso e as reações dos convidados em pânico mal coreografado me fazem rir até hoje.

Sério, moça: Era só correr!

Sério, moça: Era só correr!

O Ataque dos Vermes Malditos

Um dos filmes mais recentes dessa lista. A primeira vez que o assisti, ironicamente, não foi na Sessão das Dez, mas no Cinema em Casa. Então, por que diabos o coloquei aqui? Porque quando o filme passou na Sessão das Dez eu estava de castigo e fui obrigado por minha mãe a ir dormir mais cedo. Com raiva, não consegui pegar no sono e acabei acompanhando todo o filme apenas pelos diálogos e efeitos sonoros, enquanto tentava imaginar em minha mente o que se passava na telinha que eu não podia ver. Tempos depois quando o filme foi reexibido no Cinema em Casa, o reconheci de imediato justamente por causa dos diálogos e sons. E nenhuma cena era igual às por mim imaginadas no castigo. Mas o filme é legal e, como curiosidade, tem no elenco Kevin Bacon e Bibi Besch astros que já participaram de dois filmes de Jornada nas Estrelas.

Pense num bichinho feio

Pense num bichinho feio

CINEMA EM CASA

Essa série estreou no dia 17 de agosto de 1988 (e eu acompanhei a primeira exibição). Era uma espécie de Sessão da Tarde do SBT, que, no melhor estilo SBT de ser, podia ser exibido em qualquer horário. São inúmeros os clássicos dessa sessão que são atribuídos a irmã global. Na verdade ambas exibiram muitos dos mesmos filmes ou uma acabava por exibir continuações dos filmes que passavam na outra. Exemplos são inúmeros tais como “Olha Quem Está Falando” e “A Lagoa Azul” só para ficar nos mais famosos. Confira abaixo sua vinheta e meus filmes preferidos exibido nela.

Rambo – Programado para Matar

Esse foi o primeiro filme a ser exibido pelo Cinema em Casa e, como eu disse, assisti esse début. E foi também uma grata surpresa a história do soldado com traumas de guerra, que praticamente destrói uma cidadezinha por não conseguir se adequar mais a sociedade. Longe de ser a pancadaria, tiroteio e explosões sem sentido dos filmes-testosteronas prolíficos nos anos 80 e 90, considero esse um dos melhores filmes de Stallone, ao lado, óbvio, de “Rocky, um Lutador”. É outro exemplo de filme cujas continuações fizeram sucesso na concorrente (apesar que nesse caso as continuações são horríveis!).

Minha cena preferida do filme

Minha cena preferida do filme

Exterminador do Futuro

Saindo de um brutamontes para outro. Foi no Cinema em Casa que passei a acompanhar as desventuras de Sarah Connor com o exterminador enviado do futuro para mata-la antes que pudesse dar à luz ao futuro líder da resistência humana contra as máquinas. Acho que até hoje é o filme que mais vezes assisti graças as inúmeras reprises do SBT. Apesar da cena em que Arnold tira com uma faquinha o olho defeituoso ter me dado muitos pesadelos na época (anos 80, galera, eu nem tinha dez anos ainda), essa sempre foi minha cena preferida do filme.

Férias Frustradas

Esse filme já me rendeu uma bela de uma discussão com um colega, pois ele tinha certeza que o filme foi exibido na Sessão da Tarde. Ele não aceitou de jeito nenhum que, na realidade, o filme exibido era na realidade a continuação. Esse aqui (que inclusive vai receber uma refilmagem) foi exibido no Cinema em Casa, onde foi igualmente exibido à exaustão! Eu gostava de assistir as desventuras de Chevy Chase nesse filme, mas confesso que não gostava nada do final. Nem me perguntem por quê. Talvez porque eu tenha ficado realmente chocado com a cena do cachorro preso no para-choque do carro. Ou talvez porque quando o assisti eu já estava amadurecendo. Talvez os dois.

Mesmo criança não curti muito esse filme

Mesmo criança não curtia a cena da morte do cachorro

SESSÃO DE SÁBADO

Talvez a mais desconhecidas dessas sessões, a Sessão de Sábado era tipo um quebra-galho da Globo quando acabavam os campeonatos estaduais e o brasileiro de futebol (que na época eram exibidos principalmente aos sábados). E também era uma das minhas preferidas, por exibir praticamente os mesmos filmes, um mais surreal e interessante que o outro.

A Revolta dos Brinquedos

Esse filme não é nem de longe o melhor filme de Robin Williams. Mas é com certeza um dos filmes que eu mais curtia assistir nos sábados. Curiosamente – e lembro bem disso – o assisti três vezes, sempre na Sessão de Sábado. Adorava acompanhar os perrengues do herdeiro de uma fábrica de brinquedos ao lidar com seu tio que pretendia militarizar a produção criando armas disfarçadas de brinquedos. Além de uma divertida crítica aos brinquedos militarizados facilmente encontrados em qualquer loja, o filme é de uma produção deliciosamente surreal, a começar pelo cartaz do filme claramente inspirado na pintura de Rene Magritte.

Um agradecimento a Samantha do Meteorópole por me ajudar a lembrar do nome do Rene Magritte.

O belo pôster do filme (Saudade Robin Williams)

O belo pôster do filme
(Saudade Robin Williams)

Predador

Antes que me digam que já cansaram de assistir “Predador” (o primeiro, aquele com tio Arnold mandando bala pra todo lado), em várias outras sessões já vou avisando que sim, esse filme passou na Sessão da Tarde, Domingo Maior etc., etc., etc. Porém por uma espécie de maldição (ou quase nada para se fazer aos sábados a tarde), das três vezes que me lembro de ter assistido esse clássico da ficção, todas as três vezes foram na Sessão de Sábado. Aliás, lembro muito bem da primeira vez, quando já peguei o filme no final, bem na cena em que começa a luta entre Arnold e o Predador. Não por acaso, minha cena favorita do filme até hoje.

RAAARRRGGGGHHHH!!!

RAAARRRGGGGHHHH!!!

As Bruxas de Eastwick

Mesmo sendo um filme com Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer e Jack Nicholson em seu elenco e de ter sido dirigido por George Miller, diretor da série Mad Max, isso era tudo o que eu lembrava a seu respeito: três mulheres entediadas que acabam se envolvendo com um misterioso forasteiro. Pesquisando um pouco mais fui lembrando outros detalhes dessa interessante obra. Baseado no livro de mesmo nome de um tal John Updike, aparentemente a história era para ser pró-feminista, mas tenho cá minhas dúvidas se ele conseguiu. Lembrei também que o filme é bastante desbocado, tendo até uma cena bem proibida para menores de 18 anos onde as três moças transam com o forasteiro. E, se me lembro disso, é porque muito provavelmente a Globo botou a cena no ar. No sábado e a tarde!

Ah os anos 90…

As Bruxas em ação

As Bruxas em ação

Para terminar, eu não poderia deixar de falar do clássico mor não só da Sessão da Tarde como de todas as Sessões: “A Lagoa Azul”! Mas, pera lá: “A Lagoa Azul” ou “De Volta a Lagoa Azul”? Então, muita gente se confunde quando fala da história do jovem casal que descobre o amor e o perigo numa ilha deserta (adoraria saber quem escreve essas chamadas). Na verdade o filme “A Lagoa Azul” é o primeiro filme, sendo estrelado por Brooke Shields e Christopher Atkins e era reprisado ad nauseam nas sessões do SBT, especialmente no Cinema em Casa. Já a sua continuação – sim porque “De Volta a Lagoa Azul” é a continuação do primeiro filme – (re)conta a história do filho do casal Shields e Atkins e uma garotinha (vividos por Brian Krause e Milla Jovovich, respectivamente, quando adultos) que vão parar na mesma ilha do primeiro filme. Essa continuação, por sua vez, era muito reprisada na Globo na nossa sessão famosa, sendo talvez o filme mais reprisado da história da tv nacional.

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E vocês? Tem algum filme “clássico da Sessão da Tarde SQN” preferido ou que tenha marcado sua infância? Conta aí pra gente!

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TAG: O QUE VOCÊ MOSTRARIA AOS ETs CASO TIVESSE QUE INTRODUZI-LOS À MUSICA, LITERATURA E CINEMA HUMANOS?

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A ideia dessa TAG surgiu lá no sempre excelente Cabaré das Ideias sabiamente capitaneado pelo querido Mestre Ben Hazrael. E parte de uma premissa muito simples, mas ainda assim genial: os ETs chegaram e você precisa apresenta-lo à Música, Literatura e Cinema humanos. E agora? Quais seriam suas escolhas?

Não satisfeito em responder essa questão, o Ben ainda convidou quem quisesse a se juntar nesse exercício bacana de imaginação. Então, me pus no lugar do próprio Zefram Cochrane recepcionando os Vulcanos como mostrado em Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato e preparei uma listinha bacana do que ouvir, ler e assistir para nossos novos amigos do espaço. Portanto pegue sua Cerveja Romulana e confira minha seleção:

Toca aqui, amizade!

Toca aqui, amizade!

MÚSICA

Igual ao Zefram eu apresentaria aos nossos colegas interplanetários uma boa dose do melhor rock’n’rool. Uma boa seleção do Led Zeppelin com o melhor de seus quatro primeiros álbuns seria um bom início. Daria continuidade com “Jagged Little Pill” de Alanis Morissette e “Horses” de Patti Smith. E por que não algumas doses de Black Sabbath e Pink Floyd? “Paranoid” e “Dark Side on The Moon” são ótimas pedidas. E mantendo o espírito espacial poderíamos finalizar o momento Rock com “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars” do camaleônico (e meio alien também) David Bowie.

Led Zeppelin vestidos a caráter

Led Zeppelin vestidos a caráter

Lógico que teremos música clássica também. Além do óbvio três “Bs”, Brahms, Bach e Beethoven, ouviríamos muito Tchaikovsky e Mozart. Faria questão que ouvissem ainda “No Antro do Rei da Montanha”, da peça Peer Gynt do Norueguês Henrik Ibsen, pois é uma música que adoro e faz parte da minha infância graças a abertura do Inspetor Bugiganga. E, logicamente, Heitor Villa-Lobos não poderia faltar, não apenas por ser brasileiro, mas por ser igualmente excepcional!

E já que falamos de música brasileira, claro que vou apresentar muito de nossa música, em especial dois ritmos bem característicos nossos. Primeiro um bom samba com as lindas composições de Cartola e Dona Ivone Lara, para então botar os aliens pra dançar um bom forró ao som de uma boa seleção de Luiz Gonzaga e Dominguinhos (imagino-os tentando compreender todas as particularidades de “A Triste Partida” do genial Patativa do Assaré).

LITERATURA

Não tem para onde correr. Na literatura eu tenho que mostrar H. G. Wells e seu “A Guerra dos Mundos”, bem como Júlio Verne e “Da Terra à Lua”. Na realidade eu apresentaria boa parte da obra de ficção científica produzida, mas com um destaque especial para a obra de Isaac Asimov sobre os robôs. Acredito que os aliens ficarão muito interessados em nosso fascínio por essas máquinas.

Imagem do brasileiro Henrique Alvim Corrêa para uma edição belga de

Imagem do brasileiro Henrique Alvim Corrêa para uma edição belga de “A Guerra dos Mundos” (Imagem: Wikimedia)

E nossas motivações e emoções? Com certeza isso seria de muito interesse! Acredito que um pouco de Kafka cairia muito bem, assim como os russos Maximo Gorki, Liev Tolstói e Fiódor Dostoiévski.

Teria muito gosto ainda de apresentar um pouco do que tenho lido recentemente e de alguns que ainda quero ler. “Universo Desconstruído” está na lista com certeza. Outro livro certo nessa lista é “Americanah” de Chimamanda Ngozi Adichie. São obras que refletem muito bem a atual situação de nossa sociedade humana.

Algo que eu gostaria de apresentar aos aliens seria nossa religiosidade. Por isso apresentaria a eles os chamados livros sagrados. Não apenas a Bíblia, obviamente, mas também o Tripitaka do budismo, os Vedas do hinduísmo, o al-Qurʾān do islamismo dentre outros. Penso que esse seria um rico material para um entendimento mais pleno dos seres humanos, com todas as nossas contradições.

Um mundo rico em religiosidade

Um mundo rico em religiosidade

CINEMA

E se a questão é mostrar nossa capacidade para o melhor e para o pior, o cinema é perfeito para essa missão. Uma seleção de bons filmes sobre a Segunda Guerra Mundial é a pedida mais que obrigatória nesse caso. Filmes como A Lista de Schindler, A Vida é Bela, O Resgate do Soldado Ryan, O Grande Ditador, A Ponte do Rio Kway, Cartas de Iwo Jima, A Queda: As Últimas Horas de Hitler etc.

Mas nem só de guerras são feitos os seres humanos. Também somos capazes de rir. Por isso boas comédias precisam constar do cardápio. Nada dessas comédias besteirol. Prefiro aqui tratar de bons filmes que sabem rir sem forçar a barra e nesse quesito considero os filmes da Pixar como sendo simplesmente perfeitos. Wall-E e Up-Altas Aventuras são a pedida salutar.

Finalmente a nossa admiração pelos mistérios do espaço, do tempo e do desconhecido é bela e desafiadoramente revelada em longas como 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interestelar, O Segredo do Abismo, Gravidade, O Planeta dos Macacos (1968), O Enigma do Horizonte, Apolo 13: Do Desastre ao Triunfo, De Volta Para o Futuro e Contato. E, claro, fechando o ciclo, todos os filmes da série Jornada nas Estrelas não poderiam faltar aqui, afinal, eles tratam de todos os outros temas acima citados.

E vocês, o que vocês mostrariam para os visitantes do espaço a respeito da humanidade nesses três campos. Responde aí, pode ser nos comentário, pode ser no seu blog. Fique a vontade! Não nos deixe de contar!

Para ver quem já respondeu, é só clicar:

Cabaré das Ideias

Momentum Saga

Meteorópole