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Automatic

Banda: The Jesus and Mary Chain

Integrantes: Jim Reid (vocais, guitarra, sintetizador, programação de baterias) e William Reid (vocais, guitarra, sintetizador, programação de baterias).

Gravação: 1989

Lançamento: 9 de outubro de 1989

Duração: 43m26s

Produção: Alan Moulder

Sobre o disco:

The Jesus and Mary Chain é uma das bandas mais interessantes a surgirem nos anos 80. Misturando as influências que iam de Velvet Underground a Beach Boys, passando por The Stooges e uma inconfundível atitude punk rock, os irmãos William e Jim Reid assombraram o mundo da música a partir de 1984 com o lançamento de inúmeros singles de sucesso como “Upside Down”, culminando com o lançamento do clássico inegável Psychocandy um ano depois.

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Os irmãos Reid

A recepção positiva desse disco por parte do público foi acompanhada pela crítica que logo tratou de marcar que os irmãos Reid tinham “reinventado o punk rock”. O impacto desse primeiro álbum é sentido até hoje com inúmeras bandas repetindo sua fórmula, nem sempre com os mesmos resultados, infelizmente. Com o sucesso banda começou então a excursionar pela Europa e também pelos Estados Unidos. Seus shows ficaram famosos por terem no máximo 35 minutos de duração onde reinava o caos, com os músicos vestidos totalmente de preto tocando de costas para o público na maior parte do tempo. Com os irmãos Reid subindo nos palcos invariavelmente bêbados e drogados era comum os shows terminarem com brigas entre eles. Músicos entravam e saíam constantemente e assim o grupo continuou até 1989 quando lançam seu terceiro trabalho, Automatic.

Apesar de seus últimos álbuns serem considerados por muitos como alguns dos melhores discos de estreia de uma banda de rock, o que pode ser visto nas relativamente boas vendas, Automatic não teve uma recepção positiva nem dos críticos e menos ainda dos público. Com uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores, mais eletrônico (um tanto devido ao uso de baterias eletrônicas e outro muito por conta do novo produtor, Alan Moulder, que reduziu significativamente as distorções características da banda), o disco revelou um The Jesus and Mary Chain bem menos inspirado. Com altos e baixos Automatic, apesar das boas faixas “Head On” e “Blues From a Gun”, era apenas uma sombra do que os Reid eram capazes de fazer.

Sendo assim, é muito natural nos perguntarmos: “Se Automatic não é essa maravilha toda, que diabos então esse disco está fazendo nessa lista?” Bem, a resposta mais sincera de minha parte é um enfático “não faço a menor ideia!”

Quando analisamos a lista completa de discos nessa lista fica fácil perceber os critérios utilizados por seus autores para escolher cada um. São álbuns que, de um modo ou de outro, mudaram a face do rock e, em alguns casos, da música como um todo (a exemplo de Nevermind ou Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, respectivamente). Trabalhos que, não apenas foram, mas ainda hoje são capazes de influenciar novos trabalhos e novos artistas (qualquer um dos discos de David Bowie). Obras que, ainda que tivessem sido um fracasso total quando lançados, acabaram tempos depois sendo reconhecidos como verdadeiras obras primas (melhor exemplo que vem à mente é Funhouse do The Stooges). E Automatic não é nada disso.

Sendo bem pragmático, mesmo quando analisado sem ter em mente o potencial das mesmas mentes criadoras de Psychocandy – esse sim um clássico incontestável – e Darklands (o segundo e muito bom álbum da dupla), esse é um disco apenas regular. The Jesus and Mary Chain é uma da grandes bandas a surgirem, mas definitivamente considero bastante equivocada a presença de Automatic nessa lista. Nada contra o álbum em si, que é até bem legalzinho, porém um tanto irregular, além de pouco inspirado e com certas incongruências. Primeiro: ele não me parece honrar o som feito pelo Jesus and Mary; segundo: as limitações de se usar uma bateria eletrônica e até mesmo algumas linhas do baixo feitas com o sintetizador; terceiro: tanto a crítica quanto o público não receberam bem esse álbum, sendo ainda hoje considerado um trabalho menor do grupo. Se os autores da lista queriam tanto colocar um outro trabalho dos caras aqui – além de Psychocandy –, que ao menos fosse em 100º, fechando a fila. Ou, melhor ainda, que pusessem em seu lugar Darklands, um álbum, se não emblemático, ao menos com uma melhor recepção tanto de crítica quanto de público.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage!

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OITO MULHERES SERGIPANAS PARA SE CONHECER NESSE 8 DE MARÇO

O dia Internacional da Mulher, comemorado todo dia 8 de março, foi instituído em memória das mulheres que, em uma série de lutas e reinvindicações por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos entre os séculos XIX e XX. Data para lembrar não apenas do muito conquistado com muitas lutas, mas principalmente do muito que ainda precisa ser alcançado.

Infelizmente não é raro que a história de lutas e conquistas de muitas mulheres ainda hoje sejam simplesmente relegadas ao esquecimento. Vítimas do desprezo e do preconceito, inúmeras histórias de mulheres talentosas e competentes são condenadas ao esquecimento apenas por serem consideradas mulheres.

Esse é o caso de muitas das principais personalidades femininas da história sergipana. Como já relatei em outros textos, Sergipe, mesmo com toda a riqueza de sua história e cultura, possui uma grave deficiência quando se trata de divulgar e valorizar toda essa riqueza. O quadro se agrava ainda mais quando se trata das mulheres sergipanas. Em sua grande maioria são totalmente desconhecidas no próprio estado onde nasceram e viveram, mesmo quando em muitos casos alcançam reconhecimento em outras partes do Brasil e até mesmo em outros países.

Por esse e outros motivos, decidi retomar esse texto que, originalmente, estava programado para o ano passado. Mas, como expliquei no texto sobre Maria Beatriz Nascimento, foi extremamente complicado encontrar informações a respeito das inúmeras mulheres que eu tinha listado. Felizmente, após um ano de algum esforço, consegui não apenas acesso a mais informações, como ainda ampliei a minha lista ao encontrar ainda mais nomes de sergipanas esquecidas a despeito de toda notoriedade por elas alcançadas.

Fica aqui inclusive um comprometimento comigo mesmo de continuar essa pesquisa, complementar as informações já conseguidas e persistir no esforço de tornar novamente conhecidas essas histórias infelizmente tão negligenciadas. Esse texto é apenas o primeiro passo.

Afinal, nas palavras da minha amiga Lady Sybylla: “Leia mulheres, conheça e divulgue nossos trabalhos, apoie e consuma nossa arte. Não apenas no Dia Internacional da Mulher, mas todos os dias, sempre.”

1-Maria Thetis Nunes

01-Maria Thetis Nunes

Nascida no município de Itabaiana em 06 de janeiro de 1925, Maria Thetis Nunes foi a primeira sergipana a ingressar no ensino superior, formando-se em História e Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, primeira mulher a lecionar no influente e prestigiado Colégio Atheneu Sergipense, onde cursara o secundário e também viria a se tornar a primeira diretora poucos anos depois. Após ter cursado a primeira turma do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), onde permaneu quatro anos como assistente da cadeira de História, dedicando-se à Pesquisa da História da Educação no Brasil, Maria Thetis foi nomeada pelo Ministério das Relações Exteriores a Diretora do Centro de Estudos Brasileiros na Argentina, onde permaneceu mais quatro anos, ao término dos quais retornou à Sergipe em 1968 para ocupar o cargo de professora titular de História do Brasil, História Contemporânea e Cultura Brasileira da recém criada Universidade Federal de Sergipe, onde, na qualidade de decana, foi por duas vezes Vice-Reitora e Professora Emérita ao se aposentar depois de 47 anos de serviços prestados ao magistério. De importância crucial para o ensino e magistério no estado de Sergipe, Maria Thetis não apenas deu a conhecer a história sergipana como se integrou a ela, ajudando a difundi-la ao mesmo tempo em que formava inúmeros intelectuais sergipanos.

2-Beatriz Góis Dantas

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Graduada em Geografia e História pela Faculdade Católica de Filosofia, em História pela Universidade Federal de Sergipe e Mestra em Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas, Beatriz Góis Dantas é a mais importante antropóloga e pesquisadora na área em Sergipe. Possui rica obra publicada em livros, capítulos de livros e artigos em revistas especializadas sobre as populações indígenas e religiões afro-brasileiras em Sergipe. Nascida em 1 de Dezembro de 1941 na cidade de Lagarto, essa pesquisadora incansável foi responsável por preencher uma lacuna histórica na bibliografia sobre o suposto “desaparecimento” dos índios sergipanos na segunda metade do século XIX, identificado na realidade como um processo de negação das identidades indígenas associada a expropriação de terras. Em 1970 assumiu a direção do Departamento de Cultura e Patrimônio Histórico onde permaneceu apenas oito meses, tempo suficiente para efetivar o mapeamento da situação dos monumentos tombados pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Sergipe, bem como o registro fotográfico das imagens e santos localizados na igreja e a reorganização e recuperação do Arquivo Público Estadual. Aposentou-se como Professora da Universidade Federal de Sergipe em 1991 estando atualmente a frente da Comissão Permanente de História do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

3-Terezinha Alves Oliva

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Terezinha Alves Oliva é autora do livro “Impasses do Federalismo no Brasil: Sergipe e a Revolta de Fausto Cardoso”, obra importante no entendimento dos primeiros anos da República em Sergipe. É a mais velha de dez irmãos, nascida na pequena Riachão do Dantas, no sul do estado. Mudou-se para a capital, Aracaju, em 1956 onde, por já saber ler com fluência, foi transferida do pré-primário para o Primeiro Ano. Cursou no Colégio Patrocínio São José os ensinos Primários e o Ginásio ingressando recém-criada Universidade Federal de Sergipe em 1968, graduando-se em História em 1971, finalizando o mestrado também em História pela Universidade Federal de Pernambuco em 1981 e o doutorado em Geociências (Geociências e Meio Ambiente) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho em 1998. Aluna de Beatriz Góis Dantas durante a graduação atuou junto à mestra, na qualidade de estagiária no fim do curso, no projeto de reorganização do Arquivo Público do Estado, órgão o qual dirigiu depois de formada. Foi também diretora do Museu do Homem Sergipano, vinculado à Universidade Federal de Sergipe, ocupou a chefia do Departamento de História e do Programa de Documentação e Pesquisa Histórica (PDPH), e atualmente é a oradora oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Seguindo os passos de Maria Thétis Nunes e Beatriz Góis Dantas, Terezinha Oliva foi peça fundamental na ampliação do conhecimento da história sergipana, seja através dos livros e artigos, frutos de extensa e minuciosa pesquisa, seja pelo comprometimento, seriedade e rigor a frente dos órgãos e departamentos onde atuou.

4-Ofenísia Soares Freire

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Professora, militante política e intelectual sergipana, Ofenísia Soares Freire é natural da cidade de Estância de onde saiu para estudar no Colégio Interno Senhora Santana em Aracaju em 1925. Retornou para Estância após se diplomar no magistério pela Escola Normal Rui Barbosa, onde se dedicou a docência com especial engajamento. Possui uma longa história na atividade docente, lecionando no Atheneu Sergipense onde ficou até sua aposentaria em 1966. Além do Atheneu, lecionou no Colégio Jackson de Figueiredo e no Colégio Tobias Barreto e, depois de sua aposentadoria continuou suas atividades, dando aulas em pré-vestibulares, ministrando cursos, participando da comissão julgadora de vários concursos literários. Foi ainda assessora do reitor na UFS, com o Cargo de Revisora de Textos no período de 1984-1988, membro do Conselho Estadual de Cultura, membro do Conselho Estadual de Educação, sócia do Instituto Histórico de Sergipe. Foi também militante política, especialmente nos duros anos da Ditadura Militar quando foi perseguida, teve seu mandato extinto como conselheira estadual da educação e foi afastada da cadeira no Atheneu Sergipense. Intelectual respeitada publicou inúmeros livros, com destaque para a obra “Presença Feminina em Os Lusíadas”, tendo sido a segunda mulher a assumir uma cadeira na Academia Sergipana de Letras. Faleceu em 24 de julho de 2007 aos 93 anos deixando um vasto legado intelectual para o estado de Sergipe.

5-Eufrozina Amélia “Zizinha” Guimarães

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Nascida no município sergipano de Laranjeiras, Eufrozina Amélia Guimarães, a Professora Zizinha, destacou-se em sua atuação comprometida como professora e artista numa época em que uma mulher e em especial a mulher negra dificilmente alcançava alguma posição de destaque. Infelizmente, mesmo com sua atuação decisiva no campo educacional de Laranjeiras, sabemos muito pouco sobre sua história. Acredita-se que tenha nascido em 26 de dezembro do ano de 1872. Teve acesso a educação tendo assim a oportunidade de demonstrar sua inteligência aguçada, talentos e habilidades. Afirma  a discente do curso de Museologia da Universidade Federal de Sergipe e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em História das Mulheres – GEPHIM, Lívia Borges Santana: “É inquestionável a importância da professora Zizinha para a formação da sociedade de Laranjeiras. Ela dedicou sua vida ao ofício de ensinar e contribuiu para o crescimento intelectual de várias gerações de sergipanos. Contudo, sua história está dispersa em páginas de trabalhos acadêmicos e em algumas publicações. Seus objetos pessoais estão espalhados nos mais diversos e inusitados acervos, fato que torna sua memória ameaçada pelo esquecimento. Diante de tudo isso, é necessário garantir a salvaguarda dessa memória, uma memória que conta de maneira surpreendente detalhes da vida de uma professora que é lembrada até hoje por seus ex-alunos como uma pessoa inteligente, elegante e amável.” Infelizmente, mesmo tendo se passado quase sete anos desde que essas palavras foram escritas, pouco foi feito no intuito de se mudar essa realidade de falta de reconhecimento sobre a história de uma das mais ilustres personalidade não apenas de Laranjeiras, mas de todo o estado.

6-Aglaé D’Ávila Fontes

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Professora, escritora, folclorista, historiadora, uma das maiores pesquisadoras do folclore do estado de Sergipe, diretora do Centro de Criatividade de Sergipe, sócia do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e integrante da Academia Sergipana de Letras. Chegou a ser secretária de Estado 3 vezes. Apresentadora e produtora do programa “Andanças do Folclore Sergipano” na TV Caju. Ajudou muito a ingressar na vida artística, com sua escolinha de música, por volta do ano de 1950. A incansável Aglaé D’Ávila Fontes nasceu na cidade Lagarto, mas morou em diversas cidades em virtude da profissão do pai, servidor público. Licenciada em Filosofia e pós-graduada em Educação Musical pela Universidade Federal de Sergipe, sua grande paixão sempre foi a licenciatura além da dedicação para com a cultura e tradição sergipana, tanto que, mesmo aposentada continua ativa, ensinando e preocupada com a conscientização dos sergipanos da importância de que as novas gerações tenham um referencial cultural.

7-Maria Rita Soares de Andrade

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Nascida em 03 de abril de 1904 em Aracaju, a filha de operários Maria Rita Soares de Andrade foi a primeira mulher nomeada Juíza Federal no Brasil. Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1926, apenas a terceira no estado a conseguir o feito, atuando como advogada tanto na capital baiana como em Aracaju. Foi membro do Ministério Público e do Conselho Penal e Penitenciário, professora de literatura no Colégio Atheneu Sergipense e de Direito Comercial na Escola do Comércio, além de ter funcionado ad hoc como Procurador da República e Procurador Geral do Estado. Teve atuação de destaque no movimento feminista ao lado de Bertha Lutz. Numa CPI para investigar a situação da mulher ocorrida na década de 70, ela falou de improviso citando pessoas, datas e narrando acontecimentos relacionados com a história da liberação da mulher brasileira com uma precisão que impressionou a todos (três senadores e três deputados, alguns jornalistas e curiosos) que assistiram ao seu depoimento. Ao final da palestra, quando o senador Heitor Dias (Arena-BA) afirmou que não havia mais discriminação contra a mulher, tanto que o homem geralmente a coloca “num altar”, Maria Rita interrompeu-o com um sonoro “discordo” esclarecendo que “é justamente esta história de colocar a mulher num altar, que vem nos desgraçando”. Faleceu em 1998 aos 94 anos de idade na cidade do Rio de Janeiro onde atuava como advogada após sua aposentadoria compulsória do cargo de Juíza Federal, exercendo a magistratura como titular da 4ª Vara Federal. Apesar do alto grau de renome e importância alcançado por ela na magistratura brasileira, infelizmente Maria Rita é mais uma de muitas ilustres desconhecidas em sua própria terra.

8-Alina Leite Paim

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Sergipana, escritora, comunista, silenciada e esquecida. Assim podemos resumir a vida e obra da sergipana nascida no município de Estância em 10 de outubro de 1919, cuja obra chegou a ser prefaciada e elogiada por Graciliano Ramos e Jorge Amado. Por ter perdido a mãe ainda pequena Alina Leite Paim foi criada na cidade de Simão Dias por três tias, com quem teve uma educação severa e rígida. Militante do Partido Comunista do Brasil e das causas feministas foi perseguida pelo regime militar, sofrendo perseguições e pressões de toda ordem inclusive processo judicial conforme relatado pelo pesquisador Gilfrancisco dos Santos. Além de contribuir com artigos em vários jornais, Alina escreveu dez romances e quatro livros infantis, tendo alguns deles editados na Rússia, China, Bulgária, e Alemanha. A Professora Ana Leal Cardoso, da Universidade Federal de Sergipe, destaca o fato de as obras de Alina Paim estarem “repletas de personagens femininas e feministas que lutam por um mundo mais justo. De ‘Estrada da Liberdade’ (1944) a ‘A Correnteza’ (1979), a luta da mulher por um espaço mais democrático e inclusivo está presente. Sua narrativa é construída por uma sensibilidade artística bem trabalhada, capaz de traçar caminhos que levam o (a) leitor (a) a diferentes ‘mundos’: do Nordeste rural à vida de mulheres trabalhadoras”. No artigo “Alina Paim, uma romancista esquecida nos labirintos do tempo”, a Professora Ana Leal explica o provável motivo do esquecimento de sua obra: “talvez pelo fato de ela ser comunista e suas obras estarem repletas de denso teor socialista (naquela época, um compromisso com o PCB) que reivindica direitos iguais para todos, o que não agradava nem ao governo e nem aos empresários do mundo editorial e artístico”. Alina Leite Paim faleceu no dia primeiro de março de 2011.

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Essa postagem é dedicada especialmente a minha esposa Geane Almeida e a minha irmã Dani Oliveira, mulheres especiais, talentosas, competentes e capazes de inspirar todos ao seu redor.

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5 CANAIS DO YOUTUBE QUE SIGO E RECOMENDO

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No inicio do ano fiz uma postagem sobre cinco blogs que acompanho e recomendo. Já naquele post avisava sobre minha vontade de escrever, pelo menos, mais dois textos similares. Hoje, finalmente começo a pagar essa dívida.

Desde que descobri o Youtube, ele serviu principalmente como o lugar onde eu procurava videoclipes antigos, matava a saudade de algum desenho animado ou catava algum vídeo interessante para dar aquela animada nas minhas aulas de Geografia ou ainda nos temidos seminários na universidade. Até porque o próprio site ainda estava muito no começo e nem tinha tanto material assim, fosse ele interessante ou não.

Obviamente tudo isso mudaria com a compra do site pela gigante Skynet, digo, Google. Ganhando mais diversidade, o site cresceu não só na quantidade de vídeos postados, mas também em variedade, se tornando de fato uma versão em áudio e vídeo da internet tradicional. A especialização de determinados canais foi fundamental nesse quesito, ainda trazendo muito material bobinho e entretenimento passageiro e casual, mas com cada vez mais conteúdo interessante e instrutivo. Começava-se a descobrir o potencial do Youtube para os criadores de conteúdo.

De tutoriais sobre como consertar coisas e fazer maquiagens às dicas de moda, chegando aos canais de humor, cultura nerd e games, o Youtube hoje segue o exemplo de sua empresa mãe ao apresentar conteúdo sobre virtualmente qualquer coisa ou qualquer assunto. E assim como no caso dos blogs, tem muita coisa ruim e potencialmente perigosa, mas também tem muita coisa boa. Assim, procurei listar alguns desses canais que prezam por ser instrutivos e acessíveis, falando de ciências, história, música, audiovisual com uma qualidade técnica e um incrível conhecimento de causa.

Boa leitura!

1-Nerdologia

Nerdologia

“Sejam bem vindos ao Nerdologia”. Inicialmente um quadro do NerdOffice, no Jovem Nerd, é apresentado pelo Átila Iamarino, biólogo, pesquisador e trata de assuntos e temas científicos variados, sempre fazendo links com elementos da cultura nerd, com novos vídeos todas as quintas. A partir de 2016 o canal passou a contar com o segmento Nerdologia História, indo ao ar todas as terças, apresentado pelo Felipe Figueiredo, formado em História, colunista, podcaster, youtuber e professor, seguindo a mesma linha do programa original, mas com temas voltados para a história, além de um segmento voltado para tecnologia, o Nerdologia Tech, toda última quarta-feira de cada mês. É o canal mais conhecido da lista e um dos maiores do Brasil em se tratando de conteúdo científico e educativo com mais de um milhão de inscritos. Já o acompanho há muito tempo – sendo um dos primeiros canais no qual me inscreve no Youtube –, mantendo sempre a qualidade na maneira como trata dos assuntos, não raro melhorando até, como quando passou a inserir no final de cada vídeo um momento para responder comentários de vídeos anteriores ou corrigir alguma informação veiculada de maneira equivocada. Com quase 300 vídeos postados, é o canal que mais fortemente recomendo para você assinar e assistir.

2-Poligonautas

Poligonautas

“SCALOBALOBA!” Iniciando com o seu famoso bordão (retirado do que se acreditava ser o refrão da canção Boombastic, sucesso dos anos 90), o Schwarza apresenta o canal Poligonautas, que, no seu início, em parceria com o OOataHeLL, falava mais sobre o universo gamer. Atualmente, no entanto, se dedica a falar sobre ciência e filosofia com destaque especial aos temas relacionados à astronomia, tendo agora apenas o Schwarza a frente, com vídeos de segunda a sexta. Além de se dedicar na divulgação científica, o grande mérito do canal é o de desmitificar lendas e teorias conspiratórias populares na internet, através de explicações cientificas cheias de bom humor e muita clareza no segmento “Lenda ou Fato”. Você acredita em Nibiru, que a Terra é plana ou em aliens vivendo dentro do Sol? Então é melhor dá uma olhada no canal para entender porque tudo isso é conto da carochinha. Igualmente interessantes são os vídeos do segmento “5 Vídeos Sobre Ciência” que, como o próprio nome entrega, traz cinco breves vídeos atuais ou curiosos sobre ciência, sempre encerrando com uma análise mais filosófica, em geral com base em alguma imagem do espaço profundo capturada pelo telescópio espacial Hubble. É o canal que mais assisto, não só por ser praticamente diário, mas também pelo formato curto dos vídeos, quase nunca com mais de cinco minutos.

3-Ponto em Comum

Ponto em Comum

“Olá, criaturas da internet!” Apresentado pelo simpático Davi Calasans, o Ponto em Comum se destaca por tratar dos mais variados assuntos científicos com uma leveza e simplicidade sensacionais, contando sempre com a ajuda dos Hugobertos (talvez sejam parentes meus distantes) e dos comentários sempre pertinentes (sqn) de Miguel, o Tiranossauro. O canal tem uma pegada bem ao estilo do programa O Mundo de Beakman, tanto pelo visual como na maneira lúdica e descontraída de apresentar e explicar os temas de cada terça-feira. O próprio Miguel seria o equivalente ao rato Lester com suas observações baseadas no senso comum. Com toda essa leveza o canal é excelente para ser assistido por pessoas de qualquer faixa etária, sendo perfeito para uso em escolas.

4-República do KazaGastão – KZG

KazaGastão

Com o fim da MTV Brasil muitos de seus apresentadores e programas migram para o Youtube a exemplo do João Gordo e do grupo Hermes e Renato. Famoso por manter a pegada Rock’n’Roll na emissora com os programas Gás Total e Fúria Metal, o apresentador Gastão Moreira seguiu o mesmo caminho com a República do KazaGastão (apesar de ter saído da MTV em 1998 para apresentar o Musikaos na TV Cultura), apresentando vídeos com antigas entrevistas e reportagens não apenas da época de MTV, como atuais também, além do segmento que considero a melhor coisa do canal: o “Heavy Lero” contando com a presença de Clemente Nascimento, baixista da banda paulista de punk Inocentes. Nesse segmento, a dupla apresenta breves resumos de bandas, artistas e cenas musicais de maneira descontraída, mas com bastante propriedade e cheia de informações interessantes. O imenso conhecimento musical do Gastão ajuda a tornar o canal um dos melhores e mais informativos sobre música do Youtube. “Sensacional, Clemente!”

5-Entre Planos

Entre Planos

Sou fã de cinema desde muito pequeno. Mas depois de adolescente, comecei a me interessar pelos aspectos técnicos da sétima arte, a partir do meu interesse por fotografia. Desde então, sempre que tenho oportunidade, faço questão de consumir tudo sobre o tema. E foi assim que descobri o canal do Max Valarezo, um jovem estudante de Comunicação Social com um conhecimento invejável tanto sobre os aspectos técnicos como sobre a história do cinema. Aliás, conhecimentos esses muito bem utilizados nos vídeos postados. Apesar de todos os vídeos aqui listados serem impecáveis do ponto de vista técnico, considero o EntrePlanos, junto com o Nerdologia, o mais profissional de todos. E mesmo conhecendo o canal há pouco menos de dois meses já é um dos meus preferidos muito devido a essa qualidade. “Então é isso”: graças ao canal pude aprender de maneira muito didática vários conceitos, aspectos e técnicas cinematográficas, algumas delas eu até já conhecia, mas em artigos extremamente técnicos e complicados de se entender.

*  *  *

Assim como no caso dos blogs esses são apenas alguns dos canais que eu curto. No caso os que acompanho verdadeiramente. Existem outros ainda que são tão bons quanto mais que, por um motivo ou outro não tenho como acompanhar tão de perto. Esses deixarei para uma próxima postagem.

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MAIS 10 DOS MEUS CLIPES MUSICAIS PREFERIDOS

Video clipe

Quando criei a primeira lista com meus clipes musicais preferidos, eu já estava a mais de um mês sem postar nada no blog. Preso na imensa papelada de documentos que o final de ano me traz de presente, estava também sem nenhuma perspectiva de conseguir finalizar algum texto a tempo de publicar até a virada do ano. Para não ficar tanto tempo sem postar nada, saquei uma ideia antiga da mente e listei dez dos meus clipes musicais preferidos.

Pensando em dar continuidade à lista – até porque me lembrei de vários outros clipes igualmente legais – fui anotando meus preferidos para essa continuação. Novamente destaco que essa lista não tem a pretensão de listar os melhores videoclipes da música. Apenas vou citando aqueles que mais me agradam por uma série de razões, entre elas, a capacidade de dialogar em algum grau comigo ou por questões puramente técnicas e estéticas.

No primeiro texto, aliás, boa parte dos clipes listados me encanta principalmente por seu apelo visual ou esmero técnico. O belo uso do plano fechado nos vídeos de “Survivor” de Clarice Falcão e, especialmente, em “Nothing Compares 2U” de Sinéad O’Connor, a edição simples, porém eficiente de “Single Ladies” de Beyoncé ou ainda a beleza estilizada de “Busca Vida” do Paralamas do Sucesso são exemplos perfeitos disso. Ainda assim sobrou espaço para o encantador (e totalmente datado) “Lost in Love” do Air Supply, e todo seu visual de gosto meio duvidoso (ou por causa dele mesmo). Na atual lista, apesar de termos belíssimos exemplos do uso das técnicas de edição, filmagem, fotografia etc., acabei citando muito mais exemplos de clipes de puro encantamento visual. Apesar de também serem tecnicamente impecáveis, foi pensando mais no impacto emocional causado por eles que procurei pautar as escolhas.

O resultado você confere abaixo:

Perfeição – Legião Urbana

A Legião Urbana gravou poucos clipes e, para falar a verdade, a maioria deles são bem ruinzinhos. Foi somente no último que a banda conseguiu acertar, entregando um vídeo muito bonito e com uma produção caprichada. Sendo esse o clipe da segunda melhor música do disco só contou a favor.

Losing My Religion – R.E.M.

Eu estava na seção das televisões de uma loja qualquer de eletrodomésticos, quando, começou a passar esse clipe quando o assisti pela primeira. Apesar de não poder ouvir a música fiquei encantado com a bela fotografia do vídeo e com a sua forte simbologia (e isso numa época em que eu sequer sabia o que era simbologia). Somente anos depois, quando já escutava o R.E.M. fui descobrir que uma das minhas canções preferidas do grupo tinha esse vídeo como clipe musical.

Don’t Go Away ­– Oasis

Foi justamente com “Don’t Go Away” que conheci o Oasis, isso quando eles já se achavam a última coca-cola gelada do deserto ao meio dia. O irmão beatlemaníaco de um amigo me emprestou uma fita VHS com o filme “Yellow Submarine” e uma miríade de videoclipes diversos, dentre eles o dessa canção, que, ao lado de “Stand by Me” é a única coisa que presta do disco Be Here Now. No entanto, as belas imagens evocando as obras de Rene Magritte (pintor que eu já começava a conhecer) me pegaram de jeito na madrugada chuvosa em que o assisti pela primeira vez. O clipe de “Wonderwall” com suas imagens em preto e branco é até mais bonito, mas “Don’t Go Away” ainda hoje é o meu preferido filmado pelos malas sem alça dos irmãos Gallagher.

Bad – Michael Jackson

No post anterior comentei sobre aquela época em que ficávamos aguardando o mais novo clip da rainha ou do rei do pop no fim do Fantástico. Falei do meu clipe preferido da Madonna, mas esqueci de falar daquele que deve ser o dono dos clipes mais legais da história da música: Michael Jackson. Apesar de “Thriller” ser o mais famoso, meu preferido sempre foi “Bad”, pois foi o primeiro que assisti, justamente no final do jornalístico dominical da Globo. Lembro até hoje da reação espontânea (e espantada) de minha mãe ao assistir o vídeo: “Oxi! Michael Jackson é branco agora?!”

Minha Alma (A Paz Que Não Quero) – O Rappa

Um grupo de crianças reunindo-se na periferia de alguma grande cidade marcam uma saída para se divertir. Logo em seguida ouve-se os primeiros versos: “A minha alma está armada/ e apontada para a cara do sossego.” Pronto! Bastou isso para me impressionar com esse que é um dos mais belos e contundentes clipes já filmados no Brasil. E isso logo na sua estreia na MTV. Poucas vezes crítica e reflexão social foram tão bem casadas entre texto e imagem.

Bitter Sweet Symphony – The Verve

A canção por si só já é meio hipnótica com aquela melodia se repetindo do começo ao fim. Junte a isso um vídeo onde o vocalista da banda se põe a cantar enquanto caminha por uma rua qualquer de Londres sem se preocupar em desviar das pessoas, chegando a derrubar algumas inclusive, tudo isso gravado em apenas dois planos contínuos e quase sem cortes. O resultado: um dos clipes mais hipnóticos e clássicos da música. Agora, se as pessoas com quem o cantor esbarra na rua são atores de fato ou não, isso eu já não faço a menor ideia.

One of Us – Joan Osborne

A primeira vez que escutei essa baladinha nada romântica foi na coletânea Rock Ballads lá no já distante ano de 1998. Logo de cara a melodia e a voz de Joan Osborne me encantaram. Aí fui traduzir a letra e encontrei uma série de reflexões sobre Deus e a humanidade que me deram muito sobre o que pensar. Somente muito depois fui conhecer o clipe que, com seu desfile de figuras tão exoticamente normais – além dos planos fechados no rosto de Joan, falando pelo lado técnico que mais me atrai nos clipes –, serviu para selar em definitivo meu encanto pela canção.

Hey Brother – Avicii

Para não dizer que só gosto de clipes antigos, me encantei com esse belo vídeo sobre os laços de amizade e fraternidade que surgem no contexto da vida de veteranos de guerra. No vídeo vemos a relação de companheirismo de dois amigos que, à medida que o vídeo se desenrola percebemos serem filhos de dois combatentes. A história não deixa muito claro, mas aparentemente esses soldados foram mortos em batalha (ou ao menos um deles) e as famílias se aproximaram em virtude dessa tragédia. Apesar de ser uma estratégia manjada apelar para o sentimento patriótico em relação aos veteranos e suas famílias (isso nos EUA), o resultado final ficou realmente muito bonito.

A Estrada – Cidade Negra

Apesar de gostar muito desse clipe, na minha opinião ele teria ficado muito melhor se tivesse apenas as cenas em animação do astronauta (ou alien?) na Lua intercaladas com as cenas das crianças brincando. Ter colocado as imagens dos integrantes da banda ficou meio desnecessário para não dizer que, as cenas deles jogando bola num cenário que se propõem a imitar a baixa gravidade lunar, ficaram bem bobas. Mesmo assim gosto bastante desse clipe pela combinação bem sacada entre a solidão do ambiente lunar com a temática da solidão ao se percorrer uma estrada particularmente longa e difícil.

Stop In the Name of Love – The Hollies

Assisti esse clipe pela primeira vez lá naquela mesma fita VHS de “Don’t Go Away”. Infelizmente o vídeo não trazia as informações técnicas da canção (naquele padrão que ficou famoso com a MTV). Assim, fiquei anos sem saber quem cantava ou mesmo o nome daquela canção que, ajudado pelas imagens do clip, parecia ser repúdio a intolerância belicista de uma iminente hecatombe nuclear. Já perdia minhas esperanças de descobrir mais informações sobre o vídeo, quando, para minha surpresa, escuto a mesma canção, porém numa versão diferente, no filme X-Men Dias de um Futuro Esquecido! O resto foi moleza: uma googleada na trilha sonora do filme bastou para descobrir o nome da canção. Outra googleada e descobri que a versão do filme era a original gravada pela banda The Supremes em 1965, enquanto a do clipe que me intrigou era uma regravação feita em 1983 pela banda The Hollies que, como já comentado pesou a mão na mensagem pacifista do vídeo, isso numa canção cuja letra era só mais a falar de amor e abandono. Embora o vídeo de 83 seja exagerado, piegas e até meio cafona e bobo, fica aqui sua menção por ter permanecido um mistério para mim por quase vinte anos.

*  *  *

E vocês? Também curtem um bom vídeo clipe? Fiquem a vontade para comentar! Pode ser clipes carregado de simbolismo, filosóficos, políticos ou mesmo um mistério piegas e cafona de mais de 20 anos.

5 BONS FILMES RUINS

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A finada SET em sua clássica primeira edição

A finada revista SET (que Deus a tenha num bom lugar) manteve por algum tempo uma seção dedicada a falar de filmes muito ruins, mas que, por um motivo ou outro, todo mundo gosta. A seção chamava-se, adequadamente, Bom Filme Ruim. Os leitores enviavam para a revista o nome do seu filme ruim preferido explicando porque gostam tanto daquela porcaria… quer dizer… daquele filme… han… incompreendido…

Lembrei-me disso por esses dias, quando assistia um exemplar particularmente peculiar desse gênero cinematográfico e minha esposa perguntou como eu conseguia assistir um filme tão ruim. Percebi então o quanto adoro vários filmes que se encaixariam como uma luva nessa categoria.

Rabiscando, listei rapidinho 10 filmes que, de tão ruins, são bons. Tem de tudo um pouco, desde exemplares dos filmes testosteronas que inundaram os anos 80 e 90 a dramas que nos fazem bolar de rir e uma lenda viva das artes marciais (e dos memes na internet) pagando mico numa aventura paradona que também é uma comédia sem graça nenhuma. No entanto, ao preparar a postagem, percebi que uma lista de 10 ficaria muito extensa e enfadonha. Por isso, dividi a lista em duas partes distintas. A primeira sai hoje enquanto a segunda parte postarei em breve.

Boa leitura!

 ♦

5-Lua de Cristal (Tizuka Yamazaki-1990)

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Começamos com o maior clássico brasileiro no quesito Bom Filme Ruim! O filme é datado, cafona, exageradamente musical, além de ter a música tema mais chiclete já escrita e gravada da história do cinema nacional. Isso sem falar na canastrice do casal protagonista formado pela inocente e interiorana Maria das Graças (a própria Xuxa Meneghel) e seu príncipe encantado Bob (ninguém menos que Sérgio Mallandro – fico imaginando quem teve a brilhante ideia de colocar Sérgio Mallandro de príncipe encantado). O filme ainda conta com uma série de cenas repletas de humor involuntário, como quando Sérgio Mallandro dá uma cheiradinha apaixonada no tênis que a mocinha esqueceu (!) depois de ter sido atropelada pelo próprio (!!). E não podemos esquecer da belíssima cena quando nosso príncipe de plantão salva a mocinha que estava se afogando na parte rasa da praia, numa das cenas mais toscamente hilárias do filme! Apesar de tudo isso (ou por conta de tudo isso, vai saber), o filme foi o mais visto nos cinemas nacionais naquele ano, com mais de cinco milhões de expectadores e foi figurinha fácil nas intermináveis reprises da Sessão da Tarde. Simplesmente clássico!

4-Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China de John Carpenter-1986)

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Quem diria que um filme que era pra ser um western, dirigido pelo mestre do horror John Carpenter e que quase teve no papel principal do caminhoneiro Jack Burton as estrelas Jack Nicholson e Clint Eastwood (mas que ficou mesmo com Kurt Russel), se tornaria a mais divertida (e sem noção) aventura pseudo-mística de todos os tempos? O filme foi um fracasso nas bilheterias, mas acabou estourando nas locadoras de VHS e, como não poderia deixar de ser, nas infinitas reprises da Sessão da Tarde, onde a turminha muito louca de Jack Burton entra em divertidas e animadas confusões para resgatar sua noiva (vivida por Kim Catrall, a Valeris de Jornada nas Estrelas VI) e a do amigo chinês das garras do vilão de 2000 anos de idade, Lo Pan. Amaldiçoado por um antigo imperador chinês, Lo Pan precisa casar com uma moça de olhos verdes só para depois sacrifica-la para poder se livrar da maldição. Espertinho, o vilão sequestra e planeja casar não com uma, mas com duas moças de olhos verdes, uma para o sacrifício e a outra para viver com ele. Além de ser repleto de clichês dos filmes de aventura genéricos dos anos oitenta, a cena final do filme é um perfeito desfile de carnaval, cheio de pirotecnia num cenário que grita “Sou falso” a cada 24 frames por segundo. Ainda assim, o filme conta com uma galeria de personagens que caíram no gosto do público e de, ao menos, um monstro muito bem feito: o monstro cheio de olhos, espião de Lo Pan.

3-Aventureiros do Fogo (Firewalker de J. Lee Thompson-1986)

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Saimos dos Aventureiros do Bairro Proibido para os Aventureiros do Fogo: eu sempre tive um gosto peculiar para tudo na vida. Mas confesso ter me superado ao passar boa parte de minha infância e adolescência afirmando ser Aventureiros do Fogo o melhor filme que já assisti na vida! Sério: eu adorava assistir esse filme de aventura (sem aventura), que, na onda do sucesso de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, pôs Chuck Norris para viver um ex-fuzileiro ruim de tiro, mas bom de faca (e clone mais que genérico do Indiana Jones) ao lado de Louis Gosset Jr. vivendo o amigo alívio cômico (mas que não tem graça nenhuma), ajudando a mocinha Patricia Goodwin a descobrir um lendário tesouro asteca, ao mesmo tempo em que fogem de um terrível vilão (que não causa terror nenhum). Mais genérico e bobo impossível. Mesmo assim eu me amarrava nas tentativas frustradas da dupla, especialmente do Chuck Norris, em tentar fazer um filme de aventura leve, cheio de piadas e humor. Sempre achei a cena no trem, quando, disfarçados de religiosos, precisam dar a bênção a um soldado impressionado com um suposto milagre, a mais hilária do filme. Pois é, coisas da idade. Agora, será que alguém me explica como é que um ex-fuzileiro conseguia ser o pior atirador do mundo?

2-Guerreiros de Fogo (Red Sonja de Richard Fleischer-1985)

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Se Aventureiros do Fogo até foi um nome mais interessante que o original Firewalkers, o mesmo não podemos dizer da escolha Guerreiros de Fogo, para o título original Red Sonja. Esse é outro filme feito na esteira de sucessos anteriores  no caso Conan-O Bárbaro e Conan-O Destruidor. Guerreiros de Fogo adapta a história da guerreira Red Sonja das histórias em quadrinhos do mesmo universo do guerreiro cimério e, pra variar, não fez nem metade do sucesso esperado. Estrelado por Brigitte Nielsen, o filme é fraco, fraco, fraco até não poder mais, com cenas de lutas mal filmadas, mal coreografadas e  mal interpretadas, personagens bobos e desnecessários e um Arnold Schwarzenegger que aparece do nada interpretando um tal de Kalindor (que na verdade é próprio Conan com outro nome, pois um imbróglio com os direitos autorais impediu o uso do nome do guerreiro cimério, o que serviu apenas pra deixar a trama ainda mais sem noção). Não é tão cult quanto os demais da lista, mas não chega a ser um péssimo filme. Está mais na conta dos inofensivos. Tá na lista por que sempre curti a personagem Red Sonja nos quadrinhos e sempre achei que ela merece uma adaptação decente nas telonas (ou pelos menos numa série de tv). E até que a Brigitte Nielsen, mesmo não sendo nenhuma Meryl Streep, não fez feio no filme.

1-Stallone Cobra (Cobra de George Pan Cosmatos-1986)

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Olha vou te contar: a disputa do primeiro lugar foi ferrenha entre essa pequena obra prima de tudo o que há de ruim nos filmes dos anos oitenta e o concorrente mamão com açúcar igualmente estrelado pelo Garanhão Italiano Sylvester Stallone, Falcão – O Campeão dos Campeões. No fim, venceu a história total e completamente desmiolada vivida por Marion “Cobra” Cobretti (melhor nome de policial, machão, casca grossa, já criado na história da humanidade), por um único e simples critério: simplesmente não paro de rir um segundo sequer revendo essa pérola, que – cereja do bolo – conta ainda com o arsenal mais hilário de frases de efeito já imaginadas pelo ser humano. Vide a clássica “O crime é uma doença e eu sou a cura!” Eu adoro o primeiro Rocky, acho o primeiro Rambo um filme excelente, mas Stallone Cobra (santa falta de criatividade para um título adaptado) é, de longe, o melhor filme do gênero testosterona made in anos 80. E, como que para não deixar nenhuma dúvida, ao pesquisar o significado exato do termo canastrão, encontrei esse apropriado exemplo no verbete do Dicionário Informal: “Silvester Stallone no papel de Marion Cobretti, não teve medo de ser canastrão e acabou fazendo ali sua interpretação mais memorável!”

Concordo plenamente! O que, não necessariamente, signifique um elogio…

*   *   *

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Até mais!

5 BLOGS QUE SIGO E RECOMENDO

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Um amigo costuma dizer que, se você não encontrar algo na internet é porque esse algo não existe. De fato, hoje em dia, não existe virtualmente nada que não seja possível encontrarmos na grande rede. Eu mesmo encontrei na internet um literal universo de coisas que antes eu apenas sonhava um dia poder ser rico o suficiente para poder ter acesso. Coisas como ter a discografia completa do David Bowie ou poder assistir de novo aquele filme bacana que passou uma vez no InterCine e depois nunca mais outra vez. Ou ainda: poder ler todas as revistas dos X-Men (e da Mulher-Maravilha também) e aqueles gibis europeus que jamais seriam lançadas no Brasil.

Com a internet tudo isso se tornou possível graças a sua capacidade de tornar acessíveis os mais diversos e diferentes tipos de conteúdo. Já se tornou um clichê a afirmação de que nunca antes o conhecimento se tornou tão acessível quanto atualmente. Mas isso não a torna menos verdadeira. Infelizmente, o fato de toda essa informação e conteúdo estar disponível não significa necessariamente que só temos material interessante e de qualidade a disposição. Páginas, blogs, canais no Youtube e perfis em redes sociais destilando ódio, machismo, misoginia, preconceito, racismo e todo tipo de coisa similar, sob a falsa imagem da brincadeira e humor ou da hipócrita máscara da liberdade de opinião é o que não falta. E gente acessando esse tipo de lixo também não.

Pensando nisso, decidi compartilhar com vocês um pouco daquilo que costumo ler e acompanhar pela internet. São espaços onde todo esse ódio e raiva não prevalecem. Ao contrário, invés de ódio irracional e desinformação variada, procuram difundir conhecimento e informações relevantes, além de promover boas iniciativas, sempre abertas a debaterem temas importantes de maneira racional. Em suma, conteúdo edificante e instrutivo de maneira a mais acessível, simples e ampla possível.

Pretendo publicar dois ou três posts nessa linha. Hoje apresento cinco blogs os quais sempre estou lendo, visitando e onde ­– posso afirmar sem medo nenhum –, aprendo muito mais do que em anos de escola e de universidade (embora com isso eu não esteja dizendo que você deva deixar a escola de lado ou desistir de fazer uma graduação). Quem curte a página do Habeas Mentem no Facebook, vai perceber que, volta e meia, estou compartilhando material desses blogs. Aqui, além de apresenta-los brevemente, e aos seus respectivos donos e donas, explico porque gosto tanto deles.

Boa leitura!

1-Momentum Saga

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Eu não faço a mínima ideia de como conheci o Momentum Saga. Tudo o que lembro é que, assim de repente, era esse o blog que eu estava sempre acessando e lendo. Por tratar de um monte de coisas que me interessam, a exemplo de Ficção Científica, literatura, ciência, Jornada nas Estrelas e Geografia, além das resenhas de livros e filmes, não é difícil entender o motivo de gostar tanto do Saga, capitaneado pela Lady Sybylla (Geógrafa, Professora, escritora e Mestra em Paleontologia). Isso e o fato da escrita da Sybylla ser excelente, sempre muito bem embasada, além de sua coragem em encarar e se posicionar firmemente sobre temas tidos como controversos ou polêmicos. Foi no Saga onde aprendi sobre feminismo, questões de gênero e um monte de temas relevantes. De longe é um dos melhores blogs brasileiros e, com certeza, o melhor sobre Ficção Científica e aquilo que se conveniou chamar de cultura nerd. Hoje, além de leitura obrigatória, tenho o orgulho de dizer que sou amigo da Sybylla por quem tenho um carinho e admiração imensos.

2-Meteorópole

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E foi por intermédio do Momentum Saga, do qual é parceiro, que conheci o Meteorópole. Comandado pela incrível Samantha Martins (Bacharel em Meteorologia e Mestra na área de modelagem da atmosfera), fala principalmente sobre meteorologia, explicando conceitos, tirando dúvidas, mas trata também de um monte de outros temas bacanas e interessantes. Aliás, essa é uma das grandes qualidades do blog: a diversidade de temas e assuntos tratados, sempre com muita qualidade e clareza. A Sam, que também se tornou uma querida amiga, tem uma escrita super agradável aliada a uma capacidade quase infinita de transformar qualquer assunto, por mais complicado que seja, em textos extremamente simples e de fácil entendimento. E, assim como a Sybylla, não tem medo de se posicionar e também já escreveu vários textos muito pertinentes (e informativos, como não poderia deixar de ser) sobre feminismo.

3-Cabaré das Ideias

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Outro blog fantástico que conheci através do Saga. Comandado pelo sábio Mestre Ben Hazrael (Licenciado e Bacharel em História, Mestre e Doutor em Ciência Política – e também um Mestre Jedi), o Cabaré das Ideias fala de muitos dos mesmos temas do Saga e do Meteorópole com idêntica qualidade e propriedade. Mas o que me encanta mesmo aqui – não apenas por serem muito lúcidas e coerentes, mas também por tratarem de material pouco conhecido, em geral fora do mercado mainstream americano ­– são as resenhas das HQs feitas pelo Ben, uma paixão que dividimos (e assunto sobre o qual quase não falei ainda aqui no blog, mas que prometo mudar). Excelentes também são suas resenhas sobre filmes, séries e livros, invariavelmente apresentando salutares e bem vindas novidades nessas áreas. O blog andou um tempo meio parado devido a outras responsabilidades do Mestre Ben, mas aos poucos ele tá retomando o ritmo com postagens regulares. Nem preciso dizer que esse é outro blogueiro o qual tenho uma relação muito boa, além de ter o prazer de, volta e meia me bater com ele pelos corredores da Universidade onde trabalho, na qual, por feliz coincidência, ele ministra aulas na Pós-Graduação. Se você gosta de textos sobre produções inteligentes da cultura pop seu lugar é no Cabaré das Ideias.

4-Quadrinheiros

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E, já que o assunto é quadrinhos, não posso deixar esse pessoal fora da lista.  Sob o comando do Nerdbully (Bruno Andreotti, Historiador e Mestre em Ciências Sociais), Picareta Psíquico (Mauricio Zanolini, graduado em Design e pós-graduado em Pedagogia), Sidekick (Iberê Moreno, graduado em Relações Internacionais e Mestre em Comunicação Social e História), Quotista (Filipe Makoto Yamakami, Historiador e Professor) e do Velho Quadrinheiro (Adriano Marangoni, Historiador e Mestre em Ciências Sociais), além da participação de blogueiros convidados – os RedShirts – cada postagem no blog vale por um verdadeiro minicurso de história, antropologia, sociologia, design e outros. Recentemente juntaram-se ao time Goes Murdock e John Holland que escrevem principalmente sobre a linha Vertigo e a Mochi que lança um olhar sobre o mundo dos Mangás e Animes. Sob o lema Diversão e Rigor, já criaram um canal no Youtube, realizaram cursos e mais recentemente publicaram um livro, onde analisam a construção narrativa do épico Guerra Civil da Marvel, além do seu enredo, contexto editorial e histórico, seus criadores, as narrativas paralelas e as consequências para todo o Universo Marvel. Um dos mais, se não o mais completo blog sobre quadrinhos no Brasil.

5-HQRock

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Ainda falando em quadrinhos, outro blog bastante completo sobre o tema é o HQRock, que, como o próprio nome entrega também fala (e com muita propriedade) de Rock, quadrinhos, além dos filmes que tratem dessas duas temáticas, além de notícias relacionadas e resenhas. Comandado pelo enciclopédico Irapuan Peixoto (Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador), o HQRock tem como principal qualidade justamente esse caráter enciclopédico de seu autor. O Irapuan sabe muita, mas muita coisa mesmo sobre quadrinhos e rock e costuma postar dossiês riquíssimos sobre bandas, discografias, super-heróis e cronologias. Quer saber tudo sobre o Led Zeppelin? Lá tem! Quer entender a complicada cronologia dos X-Men? O Irapuan explica! Conheci o blog quando pesquisava justamente sobre a cronologia dos heróis mutantes e me encantei com um dossiê muito mais do que completo dos heróis. E logo virou minha referência, principalmente quando preciso de alguma informação ao escrever sobre o tema quadrinhos e rock aqui no blog.

*  *  *

Existem muitos outros blogs que eu leio, curto bastante e acompanho. Procurei aqui citar os meus preferidos e que estão atuantes, com postagens regulares. Numa outra ocasião postarei mais alguns blogs, além de canais do Youtube que também valem uma conferida.

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