AUTORAS/ES QUE ME INFLUENCIARAM

A querida Sybylla, capitã do Momentum Saga, me marcou em sua página do Facebook para responder esse desafio. As regras são bem simples: devo listar 20 autoras e autores que me influenciaram e que sempre ficarão comigo; devo listar os primeiros vinte nomes que me vierem a mente em mais ou menos 15 minutos e depois marcar mais 15 amigos (incluindo aí o amigo que me marcou para que possa ver minha lista).

Bom, por aí já deu pra ver que esse era pra ser um desafio a ser respondido lá mesmo nos domínios do titio Lex Luthor, digo, Mark Zuckerberg. Mas, aproveitando o período intenso de trabalho aqui na universidade a dificultar minha dedicação aos textos ainda a serem postados no Habeas, resolvi pegar a ideia e trazê-la para cá. Mantendo o espírito da primeira regra, listei os 20 primeiros nomes que vieram na minha mente. Procurei apenas tomar o cuidado de verificar se não fui lembrando apenas de nomes lidos recentemente e, portanto, ainda frescos na minha memória, mas sim nomes que, de fato, me influenciaram e que, acredito piamente, continuarão comigo.

Embora não fosse uma regra, procurei falar brevemente sobre cada um dos nomes citados. Sendo a lista um pouco extensa (20 nomes!), procurei ser o mais breve e direto possível nos comentários sobre cada.

E quanto a regra de marcar 15 amigos, prefiro marcar os leitores dessa postagem que façam suas listas e respondam aqui nos comentários ou em seus blogs, fanpages etc. E se der, coloquem os links nos comentários também para que possamos conhecer suas influências literárias.

1-Monteiro Lobato

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Foi com esse autor que iniciei o meu gosto pela leitura conforme já contei nesse post.

2-Silvia Cintra Franco

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Primeira autora da lista da série Vaga-Lume. Seus livros com protagonistas femininas fortes e interessantes sempre me encantaram. Foi no seu livro “A Barreira do Inferno” que fui apresentado ao termo “feminista” e a Simone Beauvoir.

3-Maria José Dupré

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Autora de um dos livros mais doídos que já li. “Éramos Seis” conta a sofrida história de Dona Lola. Também escreveu as deliciosas aventuras do Cachorrinho Samba e “A Ilha Perdida”, outro clássico da Vaga-Lume.

4-Agatha Christie

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Sou viciado nas histórias da Rainha do Crime, pelo modo como ela conduz as histórias, com tramas muito bem amarradas e instigantes.

5-Cecília Meireles

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Me encanta desde que li “Ou Isto Ou Aquilo”, numa longínqua 1ª série.

6-José Maviael Monteiro

José Maviael Monteiro

O sergipano da lista que me orgulha e encanta com seus livros na série Vaga-Lume “Os Barcos de Papel”, “O Outro Lado da Ilha” e “O Ninho dos Gaviões”.

7-Marcos Rey

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Outro autor bacana demais da Vaga-Lume e o que mais publicou para o pequeno Luminoso – nome do vaga-lume cheio de estilo e mascote da série.

8-Pedro Bandeira

Pedro Bandeira

“A Marca de Uma Lágrima”, versão adolescente do clássico “Cyrano de Bergerac”, é, ainda hoje, o meu livro preferido do autor. Pedro Bandeira é daqueles autores com jeito pra escrever para adolescentes.

9-J. J. Benítez

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Existem autores que nos mostram o que fazer e aqueles que nos ensinam o que devemos evitar. J. J. Benítez se encaixa na segunda opção.

10-J. K. Rowling

JK Rowling

Só fui ler sua obra mais famosa muito recentemente. Só uma coisa a dizer: Perfeita!

11-J. R. R. Tolkien

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A cativante história de uma jornada cheia de perigos e de detalhes, com personagens interessantes e um enredo maravilhoso. E depois de “O Hobbit” ele elevaria isso a enésima potência com “O Senhor dos Anéis”.

12-Maurício de Sousa

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Se há um responsável por eu adorar história em quadrinhos, esse é certamente Maurício de Souza e suas histórias da turminha do Limoeiro.

13-Chris Claremont

Chris Claremont

E se há um responsável por eu ser fanático pelos X-Men, esse certamente é Chris Claremont e sua fase dourada a frente dos Filhos do Átomo.

14-Ziraldo

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Só por ter escrito “Flicts”, que eu li quando tinha nove anos na biblioteca da escola, Ziraldo já merece estar nessa lista.

15-Will Eisner

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Gênio que me ensinou que quadrinhos também é arte e literatura das boas!

16-Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marques

Por encantar um adolescente com um curioso e instigante conto lido numa edição qualquer de uma Playboy qualquer. Um brinde da revista pelo lançamento de seu mais novo livro: “Doze Contos Peregrinos”.

17-Máximo Gorki

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Novamente um conto instigante lido por um adolescente ávido por novas leituras num velho calhamaço intitulado Titãs do Amor. O começo de um amor platônico com a literatura russa.

18-Clarice Lispector

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Antes de virar celebridade de textos que nunca escreveu no Facebook, li (e me apaixonei por) seu conto “O Banho”. Encanto com seus textos densos que sempre exigem uma releitura, um novo olhar.

19-Alan Moore

Alan Moore

Maurício de Souza iniciou a paixão, Chris Claremont e Will Eisner consolidaram, mas quem mostrou mesmo o quão maravilhoso, fascinante, denso e cheio de possibilidades é o mundo das HQs, este, certamente, foi o britânico mago barbudo.

20-George Orwell

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O autor de “A Revolução dos Bichos” e “1984”. Livros que já conheci adulto, mas mesmo assim me influenciaram como poucos.

*  *  *

Finalmente, enquanto ainda no processo de criação da lista, acabei sendo marcado novamente, desta vez pela amiga Izabela, uma das madrinhas do Habeas Mentem. Taí, Iza! Desafio respondido!

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BLOGAGEM COLETIVA: LIVROS QUE INSPIRARAM SUA INFÂNCIA

Depois de ter sido convidado pela Samantha para escrever uma guestpost sobre por que escolhi a Geografia, dessa vez fui convidado pela minha querida amiga Lady Sybylla a participar dessa Blogagem Coletiva falando sobre os livros que inspiraram minha infância.

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Para mim é relativamente fácil apontar tais livros. Afinal, muito do meu gosto pela literatura se deu através da leitura dos livros da coleção do Sítio do Pica-Pau Amarelo, do Monteiro Lobato. Ainda antes de ter aprendido a ler, as coloridas capas da coleção que minha mãe tinha já chamavam minha atenção do alto da estante de nossa sala. Essa era uma coleção de luxo contendo todos os 23 livros do Sítio divididos em oito volumes, todos de capa dura e ricamente ilustrados. As vezes minha mãe me deixava ver os livros e então era hora de me encantar com as lindas gravuras de Manoel Victor Filho. Quando finalmente aprendi a ler, lá pelos meus sete anos, era a hora de descobrir aquele fantástico mundo encantado do Sítio.

A Linda Coleção de 8 Volumes do Sítio que minha mãe tinha lá em casa. Essa imagem foi tirada da internet, mas é incrível que os estado seja similar ao que deixei os livros depois de uma infância de leitura.

A Linda Coleção de 8 Volumes do Sítio que minha mãe tinha lá em casa

Igual a inúmeros outras crianças brasileiras, passei boa parte de minha infância na companhia de Pedrinho, Narizinho, Emília, Dona Benta, Tia Nastácia. Momentos onde a leitura se mesclava ao gosto pelo conhecimento à medida que ia aprendendo sobre astronomia, mitologia, história, geografia e demais ciências. Os livros do Sítio do Picapau Amarelo não foram somente minhas primeiras leituras, mas também as primeiras a me inspirarem.

Pedrinho e o Saci

Pedrinho e o Saci num acalorado debate sobre a civilidade dos seres humanos. Ilustração de Manoel Victor Filho.

Ainda hoje tenho um carinho enorme por essa coleção e volta e meia estou relendo algum trecho, quando não todo o livro.  Todos os livros são excelentes fontes de informação e entretenimento mais que recomendadas para as crianças, porém alguns foram especialmente marcantes para mim.

“O Saci” é de todos o livro que mais me encanta. Primeiro porque o li todo em apenas uma tarde, algo que me deixou extasiado. Segundo porque era o tipo de aventura que eu mesmo adoraria ter vivido: capturar um saci e com ele viver uma noite de aventuras e experiências fascinantes na mata fechada, descobrindo e aprendendo todo um mundo novo e fascinante. Terceiro porque foi nesse livro que tive minhas primeiras aulas de filosofia e sociologia, através de um saci que ousava pôr em dúvida a inteira sociedade humana cheia de egoísmo e pensamentos belicosos. Foi com esse livro que, muito mais que o gosto pela leitura, aprendi o gosto pelo pensar no porquê das coisas!

“Viagem ao Céu” é outra aventura deliciosa. O pessoal do Sítio depois de algumas aulas de astronomia resolvem visitar e ver pessoalmente tudo quanto tinham aprendido. Uma verdadeira visita técnica pelo Sistema Solar. O livro inteiro é uma deliciosa aventura envolvendo ciência pura (ciência dos anos 30, quando o livro foi escrito e publicado) com pitadas generosas e imaginação e fantasia. Encontramos na Lua São Jorge (que depois de séculos de luta com o Dragão acaba por desenvolver uma relação de camaradagem com o bicho), muitos perigos ao encontrar uma civilização marciana invisível, passeios de deslizar pelos anéis de Saturno e até mesmo o encontro com um Saturnino simpático que resolvera dar as boas-vindas aos visitantes inesperados. Houve tempo até para encontrar um anjinho de asa quebrada na Via Láctea! Em resumo: um show de imaginação que me encantava, mas que também instruía. Foi nesse livro que aprendi o nome dos (então) nove planetas do Sistema Solar e de vários de seus satélites naturais, bem como a história de ilustres astrônomos como Giordano Bruno e Galileu Galilei.

Um fato curioso dessa obra é que em plena década de 30 Monteiro Lobato meio que adivinhou que existia um pouco de água na Lua no fundo de crateras, quando, num diálogo, São Jorge faz a revelação à turminha do Sítio. Pois os cientistas descobriram gelo no fundo de algumas crateras mais de 70 anos depois disso ter sido escrito!

“A Chave do Tamanho” divide com “O Saci” o posto de meu livro preferido de toda coleção. A história se passa no auge da Segunda Guerra Mundial, quando Emília decide que ela precisa dar um jeito de acabar com aquela guerra sem sentido. Assim ela viaja usando o pó de pirlimpimpim até a distante e misteriosa Casa das Chaves, um lugar onde supostamente existiam as chaves reguladoras de tudo no mundo. Um tipo de central de controle como aquelas de energia. Pela lógica emiliana, deveria existir uma chave que regulava a guerra e essa tinha sido ligada por alguém. Cabia então a própria Emília desliga-la. Mas como as chaves não possuíam identificação de nenhum tipo, a chave desligada foi a do Tamanho levando a uma instantânea miniaturização de toda a humanidade. A partir daí o livro narra as aventuras de Emília retornando ao Sítio e verificando como a miniaturização trouxe profundas modificações no modo de viver da humanidade. Se por um lado a guerra acabara, pela simples impossibilidade das tropas inimigas poderem manejar suas modernas máquinas de matar, por outro milhares de pessoas morreram frente a novos e letais inimigos: ratos, aranhas, baratas, passarinhos, que vinham na humanidade “apequenenada” uma nova e suculenta fonte de alimentação.

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O Pôr-do-Sol de Trombeta. Ilustração de Manoel Victor Filho.

Esse livro de Lobato sempre me encantou pelos profundos questionamentos que ele lança sobre a suposta superioridade intelectual do ser humano enquanto espécie dominante do planeta. Assim como no “O Saci”, aqui a humanidade é retratada como uma espécie capaz de prodígios incríveis como a invenção do avião, ao mesmo tempo em que pega esses incríveis prodígios para usá-los para matar pessoas. É também um modo sútil do autor pôr nas crianças suas esperanças na humanidade. Lobato deixa claro que a humanidade grande (os adultos) são capazes de monstruosidades como a guerra, enquanto a humanidade pequena (as crianças) tem outras preocupações menos mortíferas.

“A Chave do Tamanho” é um livro riquíssimo cheio de questionamentos e reflexões sobre guerra, morte, sociedade humana e muito mais. Tudo isso sem ser chato ou enfadonho. Muito pelo contrário, é um livro de leitura fácil, agradável e prazerosa. Apesar de maior que “O Saci”, eu sempre o lia em poucas horas. É o livro de Lobato que mais fortemente indico a qualquer um. Como curiosidade, é desse livro uma das ideias mais lindas de Lobato: a ideia do Pôr-do-Sol de Trombeta que você pode conferir aqui.

Monteiro Lobato tinha um jeito especial de escrever para as crianças. Ao encarar as crianças como seres inteligentes, Lobato conseguia algo raro mesmo hoje. Ele era capaz de dialogar com a criança, interagir com ela. Não os tratava como seres inferiores, mas como pessoas que ainda não tinham adquirido a carga de conhecimento e experiência dos adultos.

O QUE PERCEBI COM A BLOGAGEM COLETIVA:

Quando aprendi a ler criei um verdadeiro vício pela leitura. Eu lia de tudo. Mas nessa fase foram realmente os livros do Sítio que mais me marcaram. Foi com eles que aprendi a ter gosto pelo aprendizado em si, pela sede de saber as coisas, assim como pela leitura obviamente. Muitos outros livros viriam a me marcar depois, mas foram esses os quais guardo com carinho dessa época. E, embora já gostasse de quadrinhos, tenho comigo a vívida impressão que os belos desenhos que ilustravam a obra ajudou e muito a aumentar o meu gosto pela assim chamada nona arte.