Sendo um Estado rico em intelectuais os mais variados, não seria surpresa nenhuma a existência de um rico e amplo acervo biográfico cuja temática fosse o próprio Sergipe. Pensando nisso, hoje apresento oito obras que se dedicam a contar um pouco sobre esse que, apesar de ser o menor Estado do país, possui uma riqueza histórica e cultural que não ficam a dever para nenhum outro.

Listei livros de cunho mais histórico além de, com exceção do item 5, eu já tenha lido. Longe de ser uma lista de melhores é uma lista de obras que ajudam a começar a entender esse Estado ainda tão pouco conhecido de seus próprios habitantes.

1-“A Pré-História Sergipana” de Fernando Lins de Carvalho

Ao contrário do que é comumente aceito, a, assim chamada por muitos, civilização não surgiu no continente americano com a chegada dos europeus. Tal pensamento ainda hoje é comum a despeito dos esforços dos professores de história. Em Sergipe não é diferente, ao ponto de, ao se estudar os aspectos históricos do Estado pouca ou nenhuma menção era feita aos povos pré-cabralinos que aqui viviam. Um dos primeiros esforços em tentar se mudar esse quadro veio com esse livro escrito pelo Professor Fernando Lins de Carvalho, o qual é totalmente dedicado, conforme entrega seu título, à Pré-História de Sergipe. Com uma escrita didática. A leitura da obra é acessível e auxiliada pelo rico uso de gravuras, fluxogramas e tabelas enriquecendo ainda mais o seu entendimento.

2-“Sergipe Colonial I e II” de Maria Thetis Nunes

Falei sobre Maria Thetis Nunes nesse texto, mas em resumo era formada em História e Geografia, sendo a primeira mulher a lecionar no prestigiado Atheneu Sergipense. Dona de uma vasta produção literária da qual destaco esses dois que bem poderiam ser apenas um, pois, apesar de serem plenamente entendidos isoladamente, a leitura do par acaba por enriquecer um a leitura do outro. Ao contrário do que se possa imaginar, dado o currículo da autora, são leituras igualmente acessíveis e didáticas, além de referências e ponto de partida para quem quiser conhecer a história de Sergipe. Foram minha principal fonte de pesquisa para escrita dos textos no blog onde abordei a temática.

3-“A Independência do Solo Que Habitamos: Poder, Autonomia e Cultura Política na Construção do Império Brasileiro – Sergipe (1750-1931)” de Edna Maria Matos Antônio

Essa obra de Edna Maria Matos Antônio se propõe a tentar entender o processo histórico que levou Dom João VI a conceder a almejada emancipação política de Sergipe em relação à Bahia, contrariando os interesses da elite da poderosa província, que, até bem pouco tempo antes, fora sede da capital da Colônia. Tomando como ponto de partida a Revolução Pernambucana de 1817 que exigia reformas na política joanina, a autora analisa os motivos que levaram ao apoio da elite sergipana ao monarca português, que, por sua vez, em reconhecimento concedeu a sonhada emancipação. Obra primordial para se entender todo o processo que levou ao 8 de Julho.

4-“Um Pé Calçado, Outro no Chão – Liberdade e Escravidão em Sergipe: Cotinguiba, 1860-1900” de Sharyse Piroupo do Amaral

Assim como a temática indígena e dos povos pré-cabralinos era pouco explorada, a história dos povos negros trazidos para o Brasil e forçados a trabalhar com escravos nas lavouras tinha poucos trabalhos que tratavam do tema. Felizmente esse quadro vem mudando e recentemente tive o prazer de ler alguns livros excelentes, doas quais destaco, com muito merecimento esse belíssimo exemplo de vasta pesquisa historiográfica das relações existentes entre os negros escravizados e a elite escravocrata no período que pré e pós abolição. Sua leitura é bem mais hermética que as anteriores citadas, porém acredito que, até certo ponto, acessível para a população fora dos círculos universitários. De qualquer modo é extremamente essencial para um melhor entendimento do que foi a escravidão em particular na então província de Sergipe.

5-“O Tenentismo em Sergipe: da Revolta de 1924 à Revolução de 1930” de José Ibarê Costa Dantas

Movimento político e militar realizado por jovens oficiais insatisfeitos com os rumos do sistema político brasileiro no período da Primeira República, o Tenentismo ou Revolução Tenentista levou a rebeliões em vários quartéis pelo Brasil, inclusive em Sergipe. Embora o autor Ibarê Dantas, sobre quem falei um pouco mais nesse texto, tenha dedicado parte de sua obra literária a outros temas voltados ao entendimento da política sergipana, indico essa obra por ser um tema pouco explorado e ainda menos estudado. O fato de estarmos às voltas com o fantasma de novas intervenções de militares (seja ela vinda do alto ou baixo oficialato) torna ainda mais urgente a leitura e entendimento dessa obra.

6-“Sergipe: Cultura e Diversidade” de Maria Lucia de Oliveira Falcón (org.)

Um belíssimo apanhado de toda riqueza e diversidade cultural encontrada em Sergipe, esse livro merece seu lugar nessa lista por fazer parte de um esforço que o governo do Estado de Sergipe principiou a fazer nesse novo século. Seu intuito é claro, simples, porém nem por isso menos necessário ou importante e está devidamente registrado na capa da obra em apenas três simples verbos: Conhecer, Reconhecer, Valorizar. Nada mais precisa ser dito.

7-“Sergipe Gastronômico: Guia Gastronômico dos Territórios Sergipanos”

Com ideia similar à da obra anterior, esse guia lista as delícias gastronômicas que fazem parte do dia a dia sergipano. Apresenta as receitas dividindo-as em aperitivos, petiscos, pratos principais, acompanhamentos, sobremesas e bebidas dos 8 territórios sergipanos, além de fazer um breve apanhado histórico da ocupação de Sergipe e da herança e apropriação cultural, finalizando com sugestões de roteiros gastronômicos. É outro belo exemplo de esforço do governo estadual de se divulgar os aspectos culturais sergipanos.

8-“Enciclopédia dos Municípios Sergipanos”

Terceira obra patrocinada pelo governo estadual, temos aqui uma excelente opção de livro a ser trabalhado nas escolas sergipanas pelo seu rico acervo de informações sobre cada um dos seus 75 municípios divididos em suas respectivas unidades territoriais. Didático, simples, acessível, com belo lay out, sua presença nessa lista é auto explicativa, uma vez que, se o intuito é conhecer, reconhecer e valorizar, nada melhor do que começar a partir do mais básico.

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Esse é o quinto texto das comemorações pelo bicentenário da Emancipação Política de Sergipe comemorado no dia 8 de Julho. Para saber quando são publicadas novas postagens ou para saber o que ando lendo, assistindo e ouvindo, curta também nossa fanpage!

Até amanhã com mais um texto da série!

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