A VOLTA PARA CASA: CONSIDERAÇÕES SOBRE STAR TREK E DISCOVERY

startrekdiscoverycap2

Já tem algum tempo estreou a tão aguardada nova série da franquia Jornada nas Estrelas (Star Trek no original em inglês). E a recepção dos fãs foi – para se dizer o mínimo –, polêmica. Na tentativa de entender a divisão causada, com alguns fãs amando e outro odiando, faço aqui uma breve consideração sobre a franquia  e da nova série tendo por base os episódios lançados até o momento. E para quem não assistiu aos episódios já exibidos pode ler tranquilo que esse é um texto livre de spoilers.

Costumo encarar cada nova série ou filme da franquia, como um volta para casa. Um retorno para aquela específica porção do espaço da qual guardamos um sentimento de afeto e carinho especial, em geral por ter sido onde crescemos, onde fomos criados. Em suma, um cantinho cheio de lembranças e significados, de onde guardamos certo carinho e afetividade em virtude de sua relação com nossas vivências. Na Geografia esse é, grosso modo, o conceito de Lugar, uma das categorias de análise básicas usadas por essa ciência em seus estudos.

A cada novo filme ou série da franquia que assisto a sensação é a de voltar a esse hipotético lar após terem se passado vários anos. Quem já passou pela experiência entende a sensação. Apesar do local não ser mais exatamente o mesmo que conhecemos – afinal pode ser que o piso tenha sido trocado, as portas, janelas e algumas paredes tenham sido pintadas (ou mesmo derrubadas e fechadas com novas paredes levantadas ou portas e janelas abertas), – ainda assim reconhecemos ali o lugar onde passamos tantos momentos e lembranças marcantes. Alguns deles muito bons, outros nem tanto.

The Next Generation

A tripulação de A Nova Geração que gerou um intenso debate entre os fãs que afirmavam que a série não era Star Trek de verdade

Foi assim quando assisti pela primeira vez A Nova Geração. Embora diferente em vários aspectos, ainda era Jornada nas Estrelas. Mudanças estéticas e algumas estruturais foram feitas. Não apenas o visual das naves e uniformes está diferente, mas o próprio modo de contar as histórias também precisava ser diferente. Nem tanto na primeira e segunda temporada, ainda emulando a estética narrativa da Série Clássica, mas, a partir da terceira temporada cada vez mais distintas de sua predecessora. Mas, apesar dessas paredes pintadas e de alguns cômodos modificados (e de todo o choro dos fãs mais xiitas). Apesar de diferente, aquele ainda era um universo capaz de evocar todo o excelente material clássico, sem deixar de imprimir sua própria identidade. Esse processo, aliás, foi essencial em ampliar o background da franquia. Algo como se, ao voltarmos para a casa, percebêssemos que a reforma não só mudou alguns cômodos, mas também acrescentou outros tantos, valorizando-a.

E também foi assim a cada novo produto da franquia, filme ou série: a sensação era sempre esse mesmo misto de estranhamento e reencontro. Deep Space Nine, Voyager, Enterprise. Em graus diferentes, numas mais e noutras menos, conseguíamos nos identificar e identificar os elementos que dão alma e personalidade à franquia ainda que novos elementos fossem agregados.

tvs685aa-star-trek-voyager-crew

Voyager e sua tripulação eclética. Nenhuma outra série de Star Trek (até agora) ousou tanto em diversidade.

Tudo isso mudou com a chegada do aclamado reboot feito por J. J. Abrams. Se por um lado a atualização estética das naves, uniformes e demais apetrechos – num esforço consciente de deixá-los mais realistas – foi, de certa maneira, bem-vinda, o mesmo não se pode dizer da decisão de fazer um filme mais voltado para a ação genérica, deixando de lado os questionamentos filosóficos e/ou sociais. Embora a história tenha arranhado alguns desses questionamentos (as mudanças causadas na linha temporal devido a uma viagem no tempo, que, apesar de batida, quando bem executada rende boas histórias) o grande foco no filme foi de fato a ação e a aventura, aspectos esses que sempre estiveram ligados à franquia, é verdade, mas nunca antes como o destaque principal. Isso causou uma grande estranheza em boa parte dos fãs. De repente aquele lugar antes tão nosso, já não era mais assim tão familiar.

Vejam bem, não estou dizendo que o reboot de Abrams tenha sido um filme ruim. Ele funcionou enquanto um típico blockbuster genérico de ação, com muita correria e porrada, cada vez mais comuns por aí. Salvo alguns buracos no enredo, uma ou outra decisão equivocada (lens flare, alguém?) e uma atuação controversa (Simon Pegg estou falando contigo), Star Trek, foi um bom filme, dos melhores do ano de 2009, com uma direção e edição adequadas, além da boa atuação por boa parte do elenco – com destaque inegável para o Dr. McCoy de Karl Urban, uma das poucas unanimidades do filme. Mas, apesar de ser um bom filme, cumprindo com bastante louvor o objetivo de trazer novo folego e, principalmente, novos fãs consumidores para a franquia, não há como negar que, de algum modo, esse não é bem, bem um filme de Jornada nas Estrelas, daí o estranhamento por parte do fandom. Um estranhamento que só fez se aprofundar com o equivocado Star Trek Além da Escuridão de 2013 e o esforçado Star Trek Sem Fronteiras de 2016.

Reboot

Star Trek de 2009: o Reboot que desagradou os fãs, porém serviu de porta de entrada para toda uma nova geração de fãs

O anúncio de que uma nova série estava nos planos da CBS deixou novamente os fãs na expectativa, apesar de um tanto temerosos, conforme relatei nesse texto. E o temor só fez aumentar a cada nova informação. Colocar a trama da nova série se passando cronologicamente após Enterprise, mas antes da Série Clássica e o conceito visual muito mais próximo dos reboots que de qualquer outra série ou filme foram alguns dos principais motivos de polêmica entre os fãs. Mesmo com algumas novidades muito bem-vindas (a exemplo do elenco cheio de medalhões como Michelle Yeoh de O Tigre e o Dragão, Jason Isaacs da série Harry Potter, sem falar da quase novata, mas igualmente talentosa, Sonequa Martin-Green de The Walking Dead), o temor de que a série fosse uma continuação do reboot de Abrams, ou seguisse sua linha mais direcionada para a ação e menos para a reflexão, só fez crescer entre os fãs mais antigos.

A polêmica se acirrou com o lançamento do aguardado trailer da série. Apesar da belíssima produção, o tom altamente bélico apresentado além do já citado conceito visual remetendo muito mais para o Abramsverso, só serviram para reforçar o sentimento de estranheza de muitos fãs. Ainda mais quando se notou nas rápidas cenas uma tecnologia muito mais avançada do que a mostrada, não somente na Série Clássica, como em qualquer outra série ou filme da franquia, com a óbvia exceção do reboot. Mesmo com alguns fãs esperando a estreia para poder emitir uma opinião mais concreta, para uma parcela significativa do fandom, a volta ao lar já não parecia tão excitante assim.

Enterprise

A tripulação de Enterprise, o ponto fora da curva na franquia: muito potencial o qual sequer foi arranhado

Por fim a nova série estreou no dia 24 de setembro com os episódios “The Vulcan Hello” e “Battle At The Binary Stars” através do novo serviço de streaming da CBS, sendo liberada no dia seguinte pela Netflix. A estreia, conforme já mencionado, foi polêmica.

De maneira geral, as opiniões não foram muito diferentes do que já vinha sendo exposto anteriormente. Muitas reclamações a respeito da estética, da tecnologia apresentada ser anacronicamente muito mais avançada do que mostrada em outras séries (não apenas a Clássica) etc. Por outro lado, esses mesmos aspectos foram muito bem aceitos por uma parcela dos fãs menos apegadas aos ditames do chamado cânone, sendo que boa parte deles não é formada pelos fãs mais novos, os que conheceram a franquia através dos filmes do Reboot. Muitos fãs mais antigos, por assim dizer, abraçaram a nova série não apenas por se sentirem órfãos após quase uma década de Jornada fora da TV, mas principalmente por reconhecerem um esforço de toda a equipe de Discovery em entregar um produto de qualidade, nos moldes do que há de melhor sendo feito na TV norte-americana atualmente. O mix direção ágil e moderna aliada aos roteiros inteligentes e dinâmicos estão entre as características mais interessantes da nova série, embora tenhamos outro aspecto importante a se destacar: a dinâmica e tridimensionalidade dos personagens já em seus primeiros momentos (algo que em geral era uma falha nos primeiros episódios das séries anteriores, onde os personagens iam ganhando mais e mais camadas no decorrer dos episódios).

Deep Space Nine

Deep Space Nine: arcos de histórias e tons mais sombrios aspectos elogiados da série e curiosamente não tão admirados em Discovery (até agora)

Particularmente eu destaco como principal ponto positivo de Star Trek Discovery a coragem de quebrar paradigmas estabelecidos anteriormente, em especial na série clássica, inclusive aprofundando o tom mais sombrio explorado com mais força apenas em Deep Space Nine (curiosamente uma das séries mais elogiadas por muitos fãs, justo por flertar com esses tons em seus episódios). Com sua releitura mais moderna, não apenas nos moldes de produção, mas também de exibição, ao abraçar o sistema de streaming, mas sem deixar de lado elementos tão característicos e que fizeram e fazem a cabeça dos fãs de ontem e de hoje, Discovery vem se mostrando uma grata surpresa. Assim como suas antecessoras ela causa um certo estranhamento a primeira vista, mas também um inevitável fascínio. E a medida que os novos episódios vão sendo exibidos, cada vez mais aquela sensação de volta para casa vai se fortalecendo e, aos poucos, criando em nós aqueles sentimento de afeto e carinho especial, através dos novos momentos de encantamento, raiva, beleza, decepção.

*  *  *

Se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

Anúncios

O PRÍNCIPIO DA SMURFETTE NOS SERIADOS JAPONESES

maxresdefault

Já faz um tempão, a amiga Lady Sybylla compartilhou em sua página do Facebook um post do Blog A Maior Digressão do Mundo… falando sobre a Representação feminina: O princípio da Smurfette. No texto a autora do blog explica a diferença numérica entre personagens femininas e masculinas em desenhos e os clichês usados para representa-las. Na hora em que comecei a ler o texto não teve como não lembrar os seriados japoneses que eu tanto gostava de assistir quando criança. Flashman, Changeman, Jaspion, Jiraya e outros fizeram parte da infância de muita gente no final da década de 80, início da de 90. E eu era viciado!

Pra quem não lembra (!) ou pra quem simplesmente não viveu essa época, você pode encontrar aqui uma breve visão desses seriados.

No excelente texto da Gizelli, vemos que nos desenhos que assistíamos na infância, as mulheres eram sempre uma minoria e quase nunca assumiam um papel que não fosse a de coadjuvantes e/ou de namoradas dos personagens principais, sempre homens. Essa lógica funcionava nos seriados japoneses também.

anri-kyomi-tsukada

Kyomi Tsukada, a intérprete da androide Anri

Os Metal Heroes eram sempre homens, a maioria deles tendo uma assistente ou companheira feminina que os acompanhavam em suas aventuras. Na maior parte das vezes usada apenas como alívio cômico. Esse foi o caso da Anri em “O Fantástico Jaspion”, uma androide super avançada construída pelo mentor do herói, Edin, cujo propósito era acompanha-lo auxiliando-o na luta contra Satan Goss. No entanto, ela era usada mais costumeiramente utilizada nessas cenas de alívio cômico junto com o bicho-mascote-alienígena-colega Myia. Poucos foram os episódios centrados na Anri, nenhum deles muito relevante, com exceção talvez de dois deles (o 30 e 31) onde a sua participação foi decisiva pra salvar o herói em perigo.

Já o caso de outro Metal Hero, “Guerreiro Dimensional Spielvan” é interessante. Apesar da Manchete ter chamado a série de “Jaspion 2”, ela não tinha quase nada parecido com seu colega de armadura metalizada. Pra início de conversa o herói tem ao seu lado a Lady Diana, não como mera assistente mas sim como sua companheira de combates, uma guerreira igual a ele, algo muito interessante. Além disso, temos a irmã de Spielvan que, subjugada pelo Império Water, lutava contra os heróis até ser liberta e passar a ajuda-los utilizando o codinome Lady Hellen. Ambas protagonizaram vários episódios (9 ao todo) além de terem um papel destacado em vários outros. Um detalhe interessante de se notar, no entanto, é que nenhuma delas possuía um golpe final, usado para destruir os monstros mais poderosos. Essa atribuição do golpe final, aliás, se analisada atentamente é sempre uma atribuição masculina em qualquer seriado tokusatsu.

spielvan

Lady Diana, Spielvan e Lady Helen

Outro destaque de “Spielvan” é o número de vilãs femininas, embora essas sejam menos perigosas e relevantes que as vilãs de “Jaspion”, com exceção talvez da Rainha Pandora a verdadeira líder do Império Water. Em Jaspion esse papel de liderança era ocupado por Satan Goss e seu filho MacGaren. Já as vilãs femininas desse último além de mais perigosas e melhor trabalhadas, acabaram se tornando clássicas entre os fãs. Originalmente a série tinha como vilões recorrentes os asseclas de MacGaren, um grupo de mercenários intergalácticos chamado de Quadridemos, formados por Purima, Gyoru, Iki e Zampa, sendo que desde o início as integrantes femininas (Purima e Gyoru) se destacaram em relação a seus companheiros masculinos. Tanto que, logo cedo na série, esses encontraram seu fim na ponta da “Spadium Laser” o golpe final de Jaspion, enquanto Purima e Gyoru permaneceram até quase os episódios finais.

Ainda em Jaspion temos as irmãs e bruxas galácticas Kilza e Kilmaza, personagens maldosas e sem escrúpulos, que criaram os melhores momentos de toda série tornando-se um sucesso absoluto entre os fãs. O bordão mágico usado por Kilza, “Berebekan-Katabamda Kikerá!” é lembrado até hoje! Já as vilãs de “Spielvan” não tinham nada de especial, sendo muito caricatas e pouco convincentes como elementos perigosos, apesar de Lay, Shadow e Gash, ocuparem postos similares ao de Purima e Gyoru. Nesse quesito a grande vilã da série era realmente Herbaira, a versão maligna de Lady Hellen, ainda sobre o controle do Império Water.

Deixando os Metal Heroes de lado por um instante, vamos dar uma olhadinha em nossos representantes dos Super Sentais ou Super Esquadrões. Numa olhada geral todos os Sentais são formados por cinco jovens, sendo três homens e duas mulheres. Existem algumas variações entre um e outro seriado, mas no caso dos “Changeman” e “Flashman” aqui analisados essa foi a regra. Embora minoria, as moças aqui são tratadas como guerreiras de igual valor e tão competentes e fortes quanto seus companheiros, tendo inclusive a oportunidade de mostrar certa superioridade em episódios quase totalmente focados nelas. Foi assim com Mai e Sayaka em “Changeman” e com Lu e Sara nos “Flashman”, onde as garotas foram o destaque e peças fundamentais sem as quais os monstros não teriam sido derrotados em alguns episódios.

Vemos aqui que as mulheres nos Sentais parecem ter sido melhor representadas do que nos Metal Heroes? Não tão rápido! Notem que eu disse: “certa superioridade” e “quase totalmente focados”.

Apesar de bem representadas nas séries, as moças tiveram pouquíssimos episódios centrados nelas. Em Changeman, que contou um total de 55 episódios, 7 desses tiveram Mai como protagonista e apenas 5 com Sayaka, sendo que pelo menos 2 desses foram protagonizados pelas duas ao mesmo tempo e um Sayaka dividiu com Tsurugi, o líder do grupo. Ou seja, bem menos da metade dos episódios teve uma das moças a frente da história. Nos “Flashman” a situação não é muito diferente, pois numa série de 50 episódios temos 5 com a Sara de protagonista, 2 para a Lu e mais dois com ambas dividindo o protagonismo. Nesse caso específico temos dois pontos a se destacar: primeiro, que muitos foram os episódios centrados no grupo como um todo, sem destacar ninguém individualmente; segundo, Sara teve um episódio a menos que os colegas homens Dan e Go (que protagonizaram 6 cada um), embora se contarmos os dois episódios divididos com a colega Lu, na prática ela protagonizou 7 episódios, ou seja, um episódio a mais que seus dois colegas.

chageman_flashman

As representantes femininas dos Flashman e Changeman: Pink Flash e Yellow Flash e Change Mermaid e Change Phoenix

O que podemos perceber nessa salada de números? Apesar de terem algum destaque, as personagens femininas dos super sentai também eram facilmente esquecidas pelos roteiristas quanto ao protagonismo e destaque. Nas duas séries em questão os homens sempre tinham maior destaque, em especial o líder vermelho, que, não raro acabava tendo destaque mesmo nas histórias das heroínas. Um exemplo bem interessante é o episódio 19 de Changeman “A Fúria de Sayaka”, que, apesar do nome, tem no Change Dragon Tsurugi o verdadeiro protagonista da história, apenas por que os roteiristas quiseram assim.

Já no quesito vilãs, ambos eram um pouquinho menos desiguais: os Changeman apresentaram a Princesa Shima e mais para frente a perigosa Rainha Ahames, minoria num grupo que contava com três vilões masculinos, enquanto nos Flashman as vilãs são representadas por Néfer, Urk e Kirt, num grupo de 4 vilões masculinos. Apesar de carismática, Shima foi pouco explorada na série, enquanto Ahames teve um arco relativamente longo e interessante, além de ser utilizada com regularidade ao fim desse. Já nos Flashman, Néfer era a grande vilã tendo participado de inúmeros episódios de destaque, enquanto Urk e Kirt eram mais vilãs periféricas, de pouco destaque, embora aparecessem durante quase toda a série.

rainha-ahames_shima_nefer

As perigosas e carismáticas vilãs: Rainha Ahames e Princesa Shima nos Changemans e a mestre os disfarces Néfer em Flashman

Assim como os Metal Heroes, nos Super Sentais a participação feminina era mais marcante e, em determinados casos, melhor que a masculina somente no âmbito das vilãs. Apesar de serem guerreiras poderosas e competentes as heroínas foram em geral ignoradas e, algumas vezes, mal utilizadas ou utilizadas como alívio cômico ou ainda sendo mostradas como mais sensíveis e propensas a cederem às emoções do que seus colegas homens.

É claro não podemos esquecer que, apesar desses problemas, os tokusatsus foram, de certa maneira, bem mais representativos em termos de gênero do que outras produções equivalentes, em especial se comparados às produções norte-americanas. Para uma sociedade onde a representação feminina possui uma série de preconceitos machistas isso não pode passar despercebido. E, apesar dos aspectos negativos, a existência de tantas personagens femininas fortes, destemidas e independentes sempre foi uma bem vinda fonte de modelos e exemplos para as meninas, em geral acostumadas a verem as mocinhas serem salvas ao invés de se salvarem ou mesmo salvarem outros.

Com esse texto procurei fazer um recorte do que foi mostrado da representação feminina em quatro das séries que eu mais assisti, numa tentativa de análise de como se deu essa representação tanto do lado das heroínas como das vilãs. Obviamente num universo tão vasto quanto os dos tokusatsus é muito complicado se analisar tudo o que foi mostrado sobre o tema. Uma matéria que aborda um pouco mais extensivamente a participação feminina nos tokusatsus é essa do blog TokuFriends.

*  *  *

Se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

10 MELHORES ATORES E ATRIZES RECORRENTES DE JORNADA NAS ESTRELAS

Decal_30_1024x1024

Finalmente finalizo a série de listas dos melhores a trabalharem em Jornada nas Estrelas. Depois de listar os 10 Melhores Atores e Atrizes Convidados de Jornada Nas Estrelas e os 10 Melhores Atores e Atrizes de Jornada Nas Estrelas, hoje listo os 10 melhores atores e atrizes recorrentes, ou seja, aqueles que, apesar de não serem do elenco regular, volta e meia davam as caras na série.

E essa é uma listinha bem peculiar. Se nas demais havia um equilíbrio com astros de todas as franquias aparecendo com um número praticamente similar, aqui temos a compreensível ausência de nomes da Série Clássica. Por ter sido a mais fortemente episódica, a Série Clássica praticamente não teve atores recorrentes interpretando os mesmos personagens. Ao menos nas duas outras listas ela conseguiu garantir o topo do pódio.

Outra característica bem peculiar dessa lista é a forte presença de vilões e antagonistas. Dos dez nomes que cito abaixo, apenas um deles é claramente um mocinho (no caso mocinha) e três deles são aquilo que podemos chamar, na melhor das hipóteses de aliados de ocasião. Personagens que ou começaram vilões ou no decorrer da série se tornaram vilões, tendo ainda aqueles que acabaram por revelar sua verdadeira identidade vilanesca ou simplesmente abraçaram o lado sombrio do antagonismo. Destaque para Deep Sapce Nine que nos brinda com cinco nomes da lista (além de outros três nomes que deram as caras por lá), supremacia que não existiu em nenhuma das outras listas.

E nunca é demais lembrar: gostou? Não gostou? Concorda? Discorda? Fique a vontade para comentar, sempre respeitando nossa política de comentários. E boa leitura!

10-Michelle Forbes (Ro Laren em A Nova Geração)

Ro_Laren

Michelle Forbes interpretou a teimosa e durona Alferes Ro Laren em 8 episódios da Nova Geração. Mas ela garante mesmo sua presença nessa lista por sua excelente atuação no igualmente excelente episódio “Alferes Ro” da 5ª temporada, onde já chega dizendo a que veio logo em sua primeira aparição. Sua caracterização foi tão boa que serviu de base para criação da personagem da Major Kira Nerys em Deep Space Nine. Tanto que o penteado da personagem no episódio piloto “Emissário” é idêntico ao de Ro, além da atitude voluntariosa. Performance essa que ela repetiria em seu último episódio na série “Sem Provocações” da 7ª temporada. Uma pena que, apesar de ter aparecido em 8 episódios, apenas nesses dois o talento de Forbes foi muito bem aproveitado, pois nos demais invariavelmente ela era não muito mais que a oficial do leme coadjuvante do dia. Mesmo assim, não é qualquer uma que consegue lugar no coração dos fãs trekkers com tão poucos episódios e, de quebra, servir de base para uma das personagens mais legais e interessantes de toda a franquia. Merecido décimo lugar para Michelle Forbes.

09-Martha Hackett (Seska em Voyager)

Seska-Bajoran-cardassian

Martha Hackett já tinha aparecido em Jornada no papel da Romulana T’Rul no episódio duplo “A Busca”, que abre a terceira temporada de Deep Space Nine. Mas foi interpretando Seska em Voyager, que Hackett nos entregou uma excelente interpretação da espiã cardassiana disfarçada de bajoriana e que se alia aos Kazons, os vilões recorrentes da série nas duas primeiras temporadas da série. Em 13 episódios, onde desfilou cinismo e um indiscutível talento para a manipulação, Seska se tornaria numa das personagens recorrentes mais queridas de Voyager.

08-Kenneth Marshall (Tenente-Comandante Michael Eddington em Deep Space Nine)

Eddington_fires_phaser

Se tem um personagem que eu achava sem graça e pouco interessante enquanto ele era apenas o responsável pela segurança na Estação quanto aos assuntos da Frota Estelar (sempre em oposição ao Comissário Odo, o responsável original pela segurança), esse com certeza era o Comandante Eddignton. Mas a coisa muda de figura quando o certinho Eddington se revela um traidor Maqui no excelente “For the Cause” da 4ª temporada. É incrível a mudança que o ator canadense Kenneth Marshall consegue imprimir no personagem, dando um tom totalmente novo e mais interessante, envolvendo-o de um heroísmo que chega a nos fazer não só entender, mas também, de certo modo, torcer por sua causa. Aliás, como todo bom vilão. Nisso tudo o mais legal é que, ao rever os episódios anteriores à traição, passamos até a gostar mais do personagem. Ou, nesse caso, odiá-lo ainda mais por tanto cinismo. O Capitão Sisko que o diga!

07-John de Lancie (Q em A Nova Geração)

John de Lancie Q

Só pela deliciosa dinâmica com Patrick Stewart, John de Lancie já merecia estar nessa lista (dinâmica repetida com igual qualidade, mas infelizmente com menos tempo em tela, com Kate Mulgrew). Vivendo o impagável Q, o ser onipotente que, aparentemente, vive apenas para atormentar a vida de Picard por praticamente todas as sete temporadas de A Nova Geração (com exceção da 5ª). Desde sua primeira aparição no episódio piloto, até o episódio final, de Lancie sempre entrega excelentes e sólidas interpretações, mesmo quando os episódios em si não são lá essas coisas, como aconteceu no mediano “Hide and Q” (me recuso a usar o bobo nome desse episódio em português) da primeira temporada. Em compensação não decepcionava em episódios que acabaram se tornando clássicos, a exemplo de “Trama” da 6ª temporada e no duplo episódio final “Tudo o Que é Bom…”. Excelente ator a integrar a franquia e que estaria com certeza bem mais a frente na lista, não fosse as atuações destruidoras dos próximos listados.

06-Whoopi Goldberg (Guinan em A Nova Geração)

Guinan.png

Atriz consagrada do cinema, vencedora do Oscar por sua atuação impecável da charlatã Oda Mae Brown em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, indicada a melhor atriz vivendo Celie em “A Rosa Púrpura”, Caryn Elaine Johnson – verdadeiro nome da Whoopi Goldberg –, praticamente pediu pra fazer parte do elenco de A Nova Geração. E, olha, que bom que aceitaram! Vivendo a el auriana Guinan, barthender da nave, o Ten Forward, Whoopi (que também é dançarina, cantora, apresentadora, comediante e mais um monte de coisas) parece ter inspirado os roteiristas da série, que escreveram apenas falas perfeitas para sua personagem. Pode verificar: embora não apareça muito, sempre que Guinan dá as caras é com relevância para o andamento da história ou para a motivação personagens, com diálogos perfeitos, interpretados a maestria com aquele jeitão calmo e meio zombeteiro de quem tem mais de 500 anos de idade, da personagem. Ao lado do Q de John de Lancie, a Guinan de Whoopi Goldberg é aquela personagem sem a qual A Nova Geração até existiria, mas sem uma boa dose de charme, inteligência e qualidade. Só não vale fazer outro “Meu Parceiro é um Dinossauro”, né Whoopi?

05-Salome Jens (Transmorfa em Deep Space Nine)

Salome Jens fundadora

Atriz experiente do cinema americano, Salome Jens já tinha aparecido no episódio “A Busca” da 6ª Temporada da Nova Geração, interpretando uma personagem muito parecida, esteticamente falando, com a personagem que renderia sua fama entre os trekkers: a Transmorfa líder do Dominion. Tendo agradado no papel da humanoide no episódio da Nova Geração, Jens deu um show como a Fundadora principal, sempre entregando boas atuações apesar da maquiagem, de modo muito idêntico ao colega Rene Auberjonois (que também já deu as caras nessa série de listas vivendo o igualmente transmorfo Odo), com quem teve momentos perfeitos de atuação. Fugindo do estereótipo da vilã que quer dominar o mundo (no caso o Quadrante Alfa), Jens interpretou uma vilã com múltiplas camadas, daquelas que nos levam a entender seus motivos e de vez em quando torcer por eles. Mas só de vez em quando.

04-Louise Fletcher (Vedek Winn em Deep Space Nine)

Louise Fletcher Kai Winn

Estelle Louise Fletcher é outra atriz oscarizada a integrar o elenco de Jornada nas estrelas, tendo ganhado sua estatueta (além do Bafta e do Globo de Ouro) ao dar vida a Enfermeira Ratched no clássico “Um Estranho no Ninho”, onde contracenou com Jack Nicholson. Mas, se esse foi seu papel mais famoso na telona seu papel, para os trekkers ela é conhecida mesmo como a cínica, dissimulada e maquiavélica vilã Vedek Win, que tanto infernizou o pessoal da Estação Nove. Com atuações emblemáticas, Fletcher entregou umas das maiores vilãs da franquia, daquelas que nos contorcemos de ódio, loucos para estrangular a infeliz, principalmente nas temporadas finais da série, onde se tornaram mais comuns as dobradinhas com o próximo nome da lista.

Antes de passar adiante, uma curiosidade bacana: ao receber seu Oscar, Louise Fletcher fez seu discurso em língua de sinais para homenagear seus pais que são surdos.

03-Marc Alaimo (Gul Dukat em Deep Space Nine)

gul_dukat_by_pakpolaris-d37vcm0

Apesar de ter atuado em várias séries de TV e na primeira versão de “O Vingador do Futuro”, Marc Alaimo é  mais conhecido mesmo como Gul Dukat, um dos, se não, o mais odiado vilão de toda a franquia. Praticamente um ator regular da série, Alaimo esteve presente em todos as temporadas de Deep Space, nos deliciando com suas vilanias, ora aporrinhando a pobre da Major Kira, ora tramando (e enrolando) sua comparsa Vedek Win, entregando um verdadeiro caminhão de momentos antológicos. É outro ator com muita bagagem de Jornada, tendo vivido um capitão romulano em “A Zona Neutra”, último episódio da 1ª temporada da Nova Geração, além de dar vida ao primeiro cardassiano a aparecer em tela, Gul Macet, no excelente episódio “Feridas” da 4ª temporada também de A Nova Geração, além de outras aparições menores. Merecida medalha de bronze para o intérprete do maquiavélico cardassiano.

02-Andrew Robinson (Elim Garak em Deep Space Nine)

garak1

Aqui temos um ator cujo trabalho admiro demais. Tendo vivido no cinema o serial killer Scorpio no filme “Dirty Harry” e Larry Cotton em “Hellraiser”, Robinson é um especialista em personagem problemáticos, como o sempre dissimulado Elim Garak, o cardassiano exilado na Estação 9, cujo passado enigmático sabemos apenas algumas suspeitas, muitos rumores e quase nada de concreto. Situação essa sempre administrada à perfeição por seu intérprete, que, no decorrer da série parece ter desenvolvido um gosto sádico em enrolar, não apenas o pobre doutor Bashir, mas todos nós em sua teia de meias-verdades, verdades e possíveis mentiras. Capaz de entregar uma gama incrível de nuances debaixo da pesada maquiagem cardassiana (e da falsa cara simpática – ou não – e sonsa), Robinson leva uma mais que merecida medalha de prata.

01-Jeffrey Combs (vários, mas especialmente Shran em Enterprise)

COerF9qUAAADjqz

De longe o melhor recorrente que Jornada nas Estrelas já teve. Não apenas por ser um excelente ator, mas por ter dado vida a vários personagens recorrentes, e, principalmente, por ter interpretado um dos melhores personagens da Série Enterprise: o desconfiado e belicoso Comandante andoriano Shran. Além dele, Combs ainda interpretou o vorta Weyon e o ferengi Brunt em Deep Space Nine, além de Tiron na bomba chamada “Meridian” da 3ª temporada também de Deep Space Nine, Penk, em “Tsunkatse” da 6ª Temporada de Voyager e Krem, outro ferengi, desta vez em Enterprise no episódio da 1ª Temporada “Acquisition”. Sua principal qualidade é justamente ter vivido tantos e tão diferentes personagens, imprimindo em cada um deles personalidades completamente distintas. Tendo sobrevivido ao sofrível episódio de estreia em Jornada (o já citado “Meridian”), Combs teve a chance de retornar para cativar os fãs com suas interpretações de Weyon e Shran, sendo esse último, na minha opinião, sua melhor e mais consistente interpretação na franquia. Aqui ele pôs a prova sua capacidade de criar personas diversas, fazendo do andoriano uma referência para os demais que interpretassem a raça de pele azul. E não sei até onde isso é qualidade do ator ou do operador mecatrônico das antenas do personagem, mas sempre achei muito interessante a maneira como ele atua interagindo com os movimentos da antena. Pegue qualquer episódio em que Shran apareça e você vai ver que há uma íntima relação entre suas expressões faciais e a movimentação das antenas que lhe dão ainda mais personalidade. Enfim, medalha de ouro com louvor para o múltiplas faces Jeffrey Combs.

*  *  *

Se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, não deixe de curtir também nossa fanpage! Até mais!

O QUE ESPERAR DA NOVA SÉRIE DE JORNADA NAS ESTRELAS?

Star_Trek_USS_Enterprise_Insignia_freecomputerdesktopwallpaper_1600

Após anos de muitos rumores e especulações a CBS anunciou há pouco mais de duas semanas que está produzindo uma nova série de Jornada nas Estrelas (Star Trek no original em inglês), com estreia planejada para 2017. A notícia logo viralizou pelas redes sociais deixando os fãs em verdadeiro frenesi. E não é para menos. Lá se vão dez anos desde que a última série da franquia, Enterprise, foi cancelada deixando um gostinho amargo com suas muitas escolhas equivocadas. E apesar do sucesso de crítica e bilheteria da reimaginação de J. J. Abrams, os novos filmes não foram uma unanimidade para o fandom.

Por isso a notícia da produção dessa nova série foi recebida com um misto de alegria e desconfiança. Alegria, obviamente, pela possibilidade de se assistir novas histórias e conhecer novos personagens. Desconfiança porque, falando francamente, a CBS/Paramount sempre demonstrou uma total inabilidade – junto a pouca boa vontade – em entender e agradar os fãs da franquia.

E a presença de Alex Kurtzman como produtor, tendo sido ele um dos responsáveis pelo reboot para os cinemas como roteirista, ao lado de Bob Orci, não foi exatamente motivo para alegria. Mas se sua presença preocupa, ao menos a promessa em abordar temas atuais e relevantes ajuda a afastar a desconfiança. Muitos alimentam a esperança da série retornar o caminho do debate sobre o que ocorre no mundo através de uma excelente embalagem tecnológica. Caminho esse que foi se diluindo um pouco a cada nova série.

STSC-Adoro Cinema

Desde antes de sua estreia em 1966, que o criador do programa, Gene Roddenberry, se propunha a levar o público episódios que divertiam ao mesmo tempo que levantavam profundos questionamentos. O primeiro piloto da série “The Cage”, foi acusado de ser cerebral demais pelos executivos da NBC por, dentre outras coisas, tratar dos perigos de uma iminente guerra nuclear e, principalmente, por colocar uma mulher como a segunda oficial mais importante da nave. Apesar desse piloto não ter sido aprovado, outro foi encomendando e, a despeito do que pensavam os executivos, a série jamais deixou de abordar os assuntos mais espinhosos e cerebrais da época. Temas como eugenia (A Semente do Espaço), política internacional (A Caminho de Babel) e mesmo a Guerra do Vietnã (Uma Guerra Particular) eram debatidos toda semana na Série Clássica. Tradição que se manteria nas séries posteriores.

A Nova Geração  apesar do começo irregular das duas primeiras temporadas encontrou seu ritmo a partir da terceira, quando nos brindou com excelentes reflexões sobre os problemas do nosso cotidiano no futuro. Deep Space Nine deu prosseguimento mostrando os diversos tons de cinza de uma Federação em guerra com um inimigo particularmente ardiloso, sendo, inegavelmente, a série mais sombria (mas também um das mais queridas) da franquia.

Star-Trek-TNG-Cast-Desktop-Wallpaper

Já em Voyager, apesar de ser a série com a premissa mais interessante e de contar com a tripulação mais inclusiva de todas as Jornadas (uma capitã, um descendente de índios, um vulcano negro, uma meio humana meio klingon), sofreu com muitas ideias pra lá de equivocadas dos produtores. Mal esse que seria herdado por sua sucessora, Enterprise, que contava com o elenco mais talentoso até então reunido. Sexualização das personagens femininas (Sete de Nove em Voyager e T’Pol em Enterprise), episódios lamentáveis de tão ruins (“Limiar” da segunda temporada de Voyager e “A Night in Sickbay” também da segunda temporada de Enterprise, só para citar um exemplo de cada) e o total descaso pela continuidade da primeira e as tentativas canhestras de imprimir uma continuidade na segunda dessas séries, foram alguns dos vários motivos que levaram a uma falta de interesse pelo público pela franquia. Como consequência: baixos índices de audiência e uma longa ausência da TV, onde reinou por 28 anos ininterruptos.

É claro que episódios ruins e a sexualização das personagens não foi um problema exclusivo de Enterprise e Voyager. Tanto A Nova Geração como Deep Space Nine e mesmo a Série Clássica sofreram desses males. E sim, tivemos episódios vencedores em Voyager e Enterprise. Infelizmente todo o potencial que ambas possuíam não foi plenamente aproveitado por seus produtores.

O que nos traz de volta para a nova série prometida pela CBS. Apesar da desconfiança de parte do fãs, o que não falta são motivos para termos esperanças. Embora o gênero Sci-Fi esteja meio em baixa ultimamente, estamos vivendo um período particularmente excepcional no que se refere às séries americanas, sejam elas transmitidas pela TV, sejam pelo sistema de streaming. Com qualidade de roteiros e produção antes só vistas nas telas dos cinemas, as séries esbanjam criatividade, inteligência e sensibilidade em histórias que vão de intrigas políticas (House of Cards), uso de drogas e narcotráfico (Breaking Bad e Narcos), terrorismo e política internacional (Homeland), até os dramas pessoais de adolescentes (Glee) e as dificuldades de se viver num mundo apocalíptico (The Walking Dead), caminhando pelos mais diferentes gêneros: fantasia (Game of Thrones), terror (American Horror History), humor (Fargo), super heróis (Gotham, Daredevil, Flash) e, até mesmo Sci-Fi (Sense8, The 100, além da veterana Dr. Who e do retorno de Arquivo X). Exemplos de qualidade e inteligência em boas séries não faltam.

Séries

E é bom mesmo que se olhem para essas novas séries, pois elas representam aquilo que o público mais quer ver na atualidade. E podemos resumir isso em 3 aspectos intimamente ligados entre si: subtramas instigantes, foco nos personagens e continuidade. Todas as séries de Jornada sempre se focaram demais na tripulação principal dando pouco espaço para o surgimento de subtramas ligadas a personagens recorrentes. Somente Deep Space Nine e Enterprise obtiveram algum êxito nesse aspecto nos brindando com personagens não regulares maravilhosos, tais como Gul Dukat e Shran.

O segundo aspecto sempre foi bem trabalhado em Jornada, porém, novamente em Voyager tivemos uma quantidade enorme de episódios baseados somente na tecnobaboseira (aquele papo mole pseudocientífico que só serve pra encher linguiça, sobre o qual você pode aprender mais nesse podcast). Isso levou a um desenvolvimento próximo a zero de vários personagens, sendo Kes e Harry Kim os que mais sofreram com isso.

E, finalmente o terceiro aspecto, a meu ver, é o requisito básico a ser considerado por qualquer série que queira ter sucesso atualmente. Se olharmos os exemplos das séries citadas mais acima, percebemos que todas elas prezam pela continuidade.

No que se refere a Jornada esse é um ponto importante. Durante os anos 60, período em que a Série Clássica foi exibida, as séries tinham caráter episódico. Continuidade era algo raro e a série refletia isso com histórias fechadas em si mesmo. A Nova Geração manteve esse padrão durante os anos 80, mas já flertava com a continuidade. Foi somente em Deep Space Nine que a continuidade passou a ter importância em especial a partir da terceira temporada quando da introdução da Guerra contra o Dominium, gerando bons resultados. Por essa época (início dos anos 90) as séries ainda mantinham o caráter episódico, porém a continuidade já começava a despontar. Infelizmente esse caráter se perdeu quase por completo em Voyager e foi mostrada de forma totalmente ineficiente em Enterprise nas duas primeiras temporadas e equivocada na terceira.

3974664-star_trek_captains

É importante ressaltar que, mesmo observando todos esses aspectos, os produtores não podem esquecer que estão desenvolvendo uma série de Jornada nas Estrelas. Existe uma história de quase 50 anos além de um verdadeiro cânone que merece e, acima disso, deve ser respeitado. Mesmo olhando para os exemplos de fora, deve-se, antes de mais nada, olhar para os exemplos de dentro da própria franquia. São, como já dito, quase 50 anos, mais de 700 episódios divididos em cinco séries, além de 10 filmes para cinema (descontando as duas releituras de Abrams). É um rico acervo de muitos acertos e de alguns erros também.

Existem outros fatores importantes que podem garantir um retorno de sucesso para a série a exemplo do interesse do público pela franquia reavivado com os filmes de J. J. Abrams e a fidelidade dos fãs etc. Mas esse debate fica para outra hora, em virtude do tamanho dessa postagem e mesmo porque não foi minha intenção esgotar o assunto. Apenas procurei levantar algumas considerações que considero válidas. Por hora podemos concluir que, felizmente, Jornada tem muito mais pontos a favor do que contra para voltar a fazer sucesso.

Fiquem a vontade para comentar, concordando ou não, mas sempre com respeito e educação. E se você curte o Habeas Mentem não deixe de curtir também nossa fanpage.

Vida Longa e Próspera a todos.

10 MELHORES ATORES E ATRIZES CONVIDADOS DE JORNADA NAS ESTRELAS

USSEnterprise-Command

Há algumas semanas postei uma lista com os 10 melhores atores e atrizes de Jornada nas Estrelas em minha singela opinião. Na ocasião deixei avisado que, devido ao tamanho enorme que a lista estava tomando, optei por dividi-la em três. Na primeira lista vimos os astros principais. Agora chegou a vez de listar os 10 melhores atores e atrizes convidados a atuarem em um único episódio destacando-se com maravilhosas interpretações. Em breve teremos os melhores recorrentes.

Lembrando sempre que essa é uma lista pessoal. Você pode concordar ou não com ela e, de fato, o incentivo a expor sua opinião respeitosamente e com educação, observando sempre a nossa política de comentários.

10-Jerry Hardin (Mark Twain na Nova Geração)

Jerry_Hardin_trekCore_Youtube

Nascido em Dallas em 20 de Novembro de 1920, Jerry Hardin participou do episódio duplo “Em Algum Lugar do Passado” da Nova Geração interpretando um hilário Mark Twain, que em nada ficaria a dever ao verdadeiro. Hardin deu vida a um Samuel Clemens (nome verdadeiro do autor de “As Aventuras de Huckleberry Finn”) bem enxerido, mas deliciosamente engraçado. Sua atuação inspirada é a cereja do bolo nas duas partes de um episódio muito bem escrito e executado.

09- Gary Lockwood (Tenente Gary Mitchell na Série Clássica)

Gary_Lockwood_memory_alpha

Esse ator californiano tem no currículo nada menos que a interpretação do Dr. Frank Poole no clássico da Ficção Científica “2001: Uma Odisseia no Espaço”. E também teve o privilégio de interpretar o primeiro grande vilão de Jornada no piloto “Onde Nenhum Homem Jamais Esteve”. Com muita propriedade e talento, Lockwood mostrou a escalada dos poderes do Tenente-Comandante Gary Mitchell, que passa de simpático e competente oficial a um ser que mata sem remorsos ou piedade apenas porque pode fazê-lo. Um vilão incrível, que inauguraria uma galeria de vilões magistrais.

08- David Warner (Gul Madred na Nova Geração)

David_Warner_httpimgkid_com

David Warner é um recorrente em Jornada nas Estrelas. Interpretou o Embaixador Terrestre St. John Talbot em Jornada V e o Chanceler Klingon Gorkon em Jornada VI, só para ficar em dois exemplos. Mas, na minha humilde opinião, Warner nunca foi tão brilhante como ao dar vida ao terrível inquisidor cardassiano Gul Madred, na impactante segunda parte do episódio “Cadeia de Comando” da 6ª Temporada da Nova Geração. Aqui ele só não é o grande destaque porque dividiu a cena com um mais que inspirado Patrick Stewart, o que, para nossa deleite, gerou uma das mais perfeitas interações da história da franquia. Gul Madred é a perfeita personificação do agente do sistema que acredita piamente que suas ações, por mais torpes que sejam, são justificadas para se atingir o objetivo. E Warner, apesar de toda a pesada maquiagem, consegue transmitir cada grama dessa personificação numa interpretação magnífica.

07-Joan Collins (Edith Keeler na Série Clássica)

Edith_Keeler_memory_alpha

Joan Collins já era uma estrela do cinema quando foi convidada para viver Edith Keeler no Clássico maior da Série Clássica “Cidade à Beira da Eternidade”. Collins nos mostra uma Edith Keeler sonhadora e gentil, mas ainda assim firme e decidida e soube transitar muito bem entre esses dois espectros de sua personagem. Atuação sensível e discreta, mas que consegue nos encantar desde o seu primeiro momento até a fatídica cena final. Se o episódio merece o título de um dos melhores dentre todos os outros da franquia, uma boa parte disso se deve a Joan Collins, que, com brilhantismo viveu a alma de Jornada nas Estrelas, como tão perfeitamente a definiu Carlos Santos no site Trekbrasilis.

06- Arnold Moss (Anton Karidian/Kodos na Série Clássica)

Anton Karidian_Kodos_Memory_beta

Outro ator consagrado a integrar o elenco convidado da Série Clássica, o shakespeariano ator participou do instigante “A Consciência do Rei”, episódio da primeira temporada que inaugura a relação entre a franquia e o bardo inglês. Tendo em mãos um personagem profundo, com várias camadas, Moss as vai revelando paulatinamente sem nunca se perder ou equivocar, numa aula de atuação. Para a história, Kodos foi o cruel governante que ordenou a execução de 4.000 pessoas, mas Karidian (persona que ele assume posteriormente) vê a si mesmo como um herói que precisou tomar uma atitude difícil quando ninguém mais teve coragem. E o faz com tanta propriedade que, por um momento, chegamos a sentir simpatia pelo carrasco. Tudo fruto da competente atuação de Arnold Moss.

05-Elizabeth Dennehy (Comandante Shelby na Nova Geração)

Shelby_Elezabeth_Dennehy

Como se não bastasse ter participado de um dos melhores episódios da Nova Geração, a atriz norte-americana Elizabeth Dennehy viveu uma das personagens mais queridas dos fãs de Jornada. Ponto para a atriz que soube interpretar a oficial arrogante e meio esnobe especialista em borgs, que pretendia ocupar o cargo de Imediato da Enterprise, com um carisma e competência maravilhosos. Apesar de ser meio mala no início, Shelby conquistou os fãs por sua determinação e impetuosidade (um tanto irresponsável é verdade), na interpretação firme e segura de Dennehy. Tanto que, ao final do episódio duplo, minha vontade é a de Riker assumir mesmo o comando de uma nave, deixando o caminho livre pra Shelby como a número um de Picard. Pena que não rolou.

04-Tony Todd (Jake Sisko num futuro alternativo em Deep Space Nine)

Jake_Sisko_startrek_com

Famoso por interpretar o assassino sobrenatural de “O Mistério de Candyman”, esse gigante de 1,96 e de voz profunda é outra figurinha comum na franquia. Foi o irmão de Worf, Kurn, em a Nova Geração e em Deep Space Nine e um Hirogen Alfa em Voayger. Mas, sem dúvidas, o papel mais lembrado pelos fãs é o de Adulto Jake Sisko, no extremamente lindo episódio “O Visitante” da 4ª Temporada de Deep Space Nine. Poucas vezes na história da franquia, somos levados a mergulhar nas emoções de um personagem, sofrendo junto e gerando tanta empatia, como quando vemos Todd vivendo um Jake amargurado e perseguido pelo fantasma da morte do pai. Uma atuação daquelas que falam mais à alma do que a qualquer outra coisa.

Para mais informações sobre esse episódio lindo e a inspirada interpretação de Tony Todd, clique aqui para ler a resenha de Luiz Castanheira no TrekBrasilis.

03-Harris Yulin (Aamin Marritza/Gul Darheel em Deep Space Nine)

Aamin_Marritza_letswatchstartrek_com

Por vários motivos, Deep Space Nine é minha série preferida de toda a franquia. E um desses motivos é a sobrenatural interpretação de Harris Yulin nesse mais que inspirado conto sobre o preconceito que é o episódio da primeira temporada “Dueto”. Transitando entre o dissimulado arquivista Aamin Maritza e o sanguinário Açougueiro de Gallitep, Gul Darheel, Yulin cospe ferocidade e desprezo de um modo único, fazendo com que não apenas a Major Kira sinta nojo por aquele ser desprezível: todos nós somos atingidos pelo mesmo asco quando ele vocifera “O que você chama de genocídio, eu chamo de um dia de trabalho.” Apesar de ter uma história incrível, o episódio se sustenta graças a interpretação de Yulin que consegue proeza de eclipsar uma brilhante Nana Visitor, naquela que considero a sua melhor atuação. Simplesmente perfeito.

Nesse link você confere mais algumas informações sobre esse show de interpretação em artigo de Luis Castanheira.

02-Ricardo Montalban (Khan Noonien Singh na Série Clássica e em Jornada nas Estrelas II-A Ira de Khan)

khan_singh_http_classictvps_blogspot_com_br

Ricardo Montalban entrou no coração de todos os trekkers ao interpretar o super homem geneticamente melhorado Khan Noonien Singh no episódio “A Semente do Espaço”, o qual reprisaria magistralmente naquele que é considerado o melhor filme de toda a franquia: A Ira de Khan. Emanando charme, arrogância e um carisma irresistíveis, Montalban deu vida ao maior vilão da história de Jornada numa história que remete aos receios sobre o inexorável progresso da ciência. Khan é o fruto de uma ciência capaz de melhorar o ser humano, mas também capaz de revelar sua face mais horrenda. E Montalban viveu as duas faces dessa moeda de maneira única e genial. E, de quebra, ainda repetiu o feito no filme.

Carlos Santos destrincha a atuação de Ricardo Montalban e o episódio como um todo nesse texto.

01-Mark Lenard (Comandante Romulano e Sarek na Série Clássica)

Mark Lenard

Mark Lenard conseguiu a proeza de marcar seu nome na franquia com duas grandes interpretações. Na primeira temporada viveu um Comandante Romulano envolvido num embate repleto de astutas estratégias e muita argúcia com a Enterprise de Kirk. Foi no episódio “O Equilíbrio do Terror”, onde o maniqueísmo predominante na TV americana dos anos 60 é completamente destroçado num belo exercício de reflexão sobre o preconceito para com o diferente, que Lenard encantou a todos com sua atuação. Encanto que levaria o ator a voltar na segunda temporada vivendo ninguém menos que o pai de Spock no episódio “A Caminho de Babel”. Tendo como pano de fundo um cenário de mistério durante os preparativos para negociações da intrincada política interplanetária da Federação, Lenard encarna o embaixador vulcano com a mesma maestria que Nimoy interpretando Spock. E aqui se revela a grandeza do ator, pois, mesmo dando vida a um personagem com muitos pontos em comum com o anteriormente vivido na série, Lenard sutilmente constrói um personagem diametralmente diferente do Comandante Romulano. De fato, considero essa a melhor interpretação de um vulcano feita até hoje, perdendo apenas e obviamente para Leonard Nimoy, o que sequer é justo de se comparar, visto que Spock aparece em todos os 77 episódios da série clássica tendo muito mais espaço para seu intérprete mostrar todo seu talento. Por outro lado, se pensarmos que Lenard teve apenas um episódio para fazê-lo notamos o quão magistral ele foi.

E clicando no link você confere mais informações sobre o episódio “Balanço do Terror” e nesse sobre “A Caminho de Babel”. O primeiro escrito por Salvador Nogueira e o segundo por Carlos Santos para o TrekBrasilis.

*   *   *

E então? Concorda? Discorda? Então é só deixar registrado nos comentários sua opinião respeitosa.

E se você gosta do blog, não deixe de curtir nossa página do Facebook.

10 MELHORES ATORES E ATRIZES DE JORNADA NAS ESTRELAS

trek001

Enquanto trabalhava em alguns textos para o blog, me peguei pensando sobre os excelentes atores e atrizes que atuaram nas séries da franquia Jornada nas Estrelas (ou Star Trek para os mais globalizados). E, como não poderia deixar de ser, tratei logo de criar uma lista com os atores e atrizes que considero os melhores a já terem atuado nas 5 séries. Como a lista foi ficando enorme (é muita gente boa), tive a ideia de dividir a coisa em três listas distintas as quais irei postar nas próximas semanas.

Pra começar, resolvi listar os melhores atores e atrizes principais da franquia. Com o tempo irei postar as listas com os melhores recorrentes e convidados. Como bem sabemos todos os personagens principais de Jornada são carismáticos e profundos ao ponto de terem seu espaço de carinho e amor reservado em nossos corações (sim, até mesmo a Kes). Mas é inegável que alguns atores e atrizes se destacaram pelo modo como deram vida a seus personagens nos levando  com isso a uma gama enorme de emoções e sentimentos.

Foi justamente esse modo de nos emocionar, o que mais levei em consideração na hora de fazer tanto essa quanto as demais listas.

Mas já vou avisando: essa lista reflete a minha opinião. Lógico que alguém pode discordar desse ou daquele ator ou da ordem em que foram listados. Nada mais natural! Tão natural que incentivo a quem tenha uma opinião divergente que possa expô-la nos comentários sempre com educação e seguindo a nossa política de comentários.

10-Connor Trinneer-Comandante Charles “Trip” Tucker III (Enterprise)

Star_Trek_Trip_Tucker_freecomputerdesktopwallpaper_1600

De todas as séries de Jornada a que eu mais criei expectativas foi com certeza Enterprise. Infelizmente os produtores resolveram ser completamente antiquados e, ao invés de aproveitar o excelente elenco principal, nos entregaram a série mais quadrada e chata de todas as Jornadas. Uma pena, pois desperdiçaram um material humano fantástico, a exemplo de Connor Trinneer, que deu vida de maneira muito competente ao esquentado Comandante Charles Tucker III, ou simplesmente Trip. Apesar de nem sempre ter seu talento bem aproveitado pelos os, via de regra, roteiros ruins da série, Trinneer era sempre muito competente em sua interpretação do engenheiro chefe da Enterprise. Sua interação com os demais era sempre muito boa, mas particularmente especial com Scott Bakula (Capitão Jonathan Archer), Dominic Keating (Tenente Malcolm Reed) e Jolene Blalock (T’Pol), sendo que a química entre ele e essa última era perfeita, apesar de muitas vezes pessimamente utilizada pelos redatores e produtores da série. Ainda assim tivemos excelentes momentos em tela dos dois. Meu momento preferido do ator é no episódio “Similitude” da terceira temporada, onde temos uma mostra dessa interação com o trio. Curiosamente aqui Trinneer, na maior parte do tempo, dá vida (e se relaciona com os demais) como Sim, um clone criado para salvar a vida de Trip, o que acaba contando ainda mais a favor do seu intérprete.

9-Jolene Blalock-T’Pol (Enterprise)

Star_Trek_Tpol4_2014_freecomputerdesktopwallpaper_1920

Não escondo de ninguém que, em minha opinião, o elenco de Enterprise é o mais talentoso já escalado para uma série de Jornada. E, como deixei claro acima, o mais mal explorado também. Um bom exemplo é justamente o de Jolene Blalock, que, se no início não me convenceu como uma vulcana, com o tempo – a partir da terceira temporada precisamente – passou a se sentir mais a vontade no papel e a receber roteiros um pouco menos ruins também (dizer melhores seria forçar um pouco a barra). Especialmente no tenebroso arco Xindi da terceira temporada, a atriz cresceu em meu conceito, primeiro por mostrar com muita propriedade as dificuldades da vulcana em lidar com seus sentimentos reprimidos. Segundo por segurar bem a onda e nos presentear com belíssimas atuações em episódios realmente bons, onde uma interpretação ruim poderia por tudo a perder. No já citado “Similitude” temos um exemplo disso e o vemos mais nitidamente em “Twilight”, meu momento preferido da atriz na série.

Uma pequena observação: tenho notado que, em se tratando de Enterprise, os fãs tendem a gostarem mais das atuações de Dominic Keating e de John Billingsley (o Dr. Phlox). Não tiro o mérito deles como atores e também os acho incríveis, mas escolhi Connor Trinneer e Jolene Blalock por achar que eles pegaram uma barra mais complicada, não raro recebendo textos e/ou caracterizações ruins, mas ainda assim nos entregando sempre interpretações muito boas e coerentes de seus personagens, especialmente nas duas primeiras temporadas, melhorando nas duas últimas. Já seus colegas acima citados, desde os primeiros episódios recebiam um material melhor (pouco material, é verdade, mas ainda assim melhor), tornando suas vidas menos complicadas por assim dizer. Um exemplo bem claro no caso de T’Pol foi a insistência num forçada relação romântica da personagem com Archer (quando o foco mudou para Trip a coisa fluiu muito mais naturalmente), e outro é o lamentável episódio de isolamento do engenheiro-chefe da segunda temporada “Precious Cargo”, no caso de Trip.

8-Robert Picardo-Doutor (Voyager)

Star_Trek_Robert_Picardo_The_Doctor_freecomputerdesktopwallpaper_1600

Jornada nas Estrelas tem um histórico de brilhantes e carismáticos doutores. Começando com o icônico Dr. Leonard “Magro” McCoy de DeForet Kelley até o surpreendente Dr. Phlox, os médicos sempre são um atrativo a parte (até mesmo Bashir, o, com certeza, mais mala de todos). No entanto, nenhum deles, incluso aí o cultuado McCoy, conseguiu ser tão carismaticamente rabugento e encantador como o Doutor da U.S.S. Voyager, vivido por Robert Picardo. Podem me chamar de herético por isso, mas a verdade é que Picardo conseguiu a proeza única de não ser ruim em nenhum episódio do qual ele tenha participado. E olha que houve uns episódios da série bem ruinzinhos, viu. Mas mesmo nesses a presença do Doutor era sempre muito bem vinda graças às interpretações sempre inspiradas do ator. E para quem pensa que tudo que seu personagem fazia eram tiradas sarcásticas provocando riso (no que, diga-se de passagem, ele fazia perfeitamente), sua atuação em episódios mais dramáticos, por assim dizer, sempre foram muito boas. Como no episódio “Lifesigns” da segunda temporada onde o Doutor se apaixona por uma de suas pacientes.

E, claro, as tiradas sarcásticas do Doutor executadas com perfeição por Picardo, são mais do que uma justa e valiosa homenagem àquele que inaugurou a bem sucedida linhagem de Doutores de Jornada: DeForest Kelley.

7-Brent Spiner-Comandante Data (A Nova Geração)

Star_Trek_Data2014_freecomputerdesktopwallpaper_1920

Data é, ao lado de Spock, um dos personagens mais icônicos da franquia. E muito disso se deve a excelente caracterização dada ao personagem pelo talentoso Brent Spiner, que conseguiu a proeza de dar a um personagem sem alma, e, portanto, à priori, frio, uma humanidade raras vezes vistas. Na realidade, Jornada é pródiga em personagens inumanos que acabam por revelar uma humanidade incrível, muito devido às brilhantes atuações de seus intérpretes. Mas não apenas isso, Brent ainda nos presenteia dando vida a inúmeros outros personagens, sempre com a mesma qualidade: ele foi o velho Dr. Noonien Soong, criador/pai do androide no episódio “Brothers” da 4ª temporada e reprisou o papel vivendo um jovem Soong em sonho no episódio “Direito de Nascença” da 6ª temporada, sendo que no primeiro ele ainda deu vida a Lore, o irmão malvado de Data. O ator ainda deu vida a três personagens distintos, além de um Data com defeito, no excelente “Por Um Punhado de Datas” também da 6ª temporada. Nenhum outro ator ou atriz deu vida a tantos personagens diferentes num único episódio.

Apesar de seu talento para viver vários personagens, meus momentos preferidos do ator vivendo o androide com complexo de Pinóquio são todos eles bem prosaicos, como quando ele resolveu aprender a dançar no excepcional “Data’s Day” da 4ª Temporada. Um momento hilário e ao mesmo tempo muito humano, graças a boa atuação de Spiner e de sua colega de cena Gates McFadeen.

6-Rene Auberjonois-Comissário Odo (Deep Space Nine)

Star_Trek_DS9_Security_Chief_Odo_freecomputerdesktopwallpaper_1280

A alegoria do ser desprovido de sentimentos a procura de sua humanidade é um tema recorrente em Jornada, como pudemos ver no tópico acima. De todos os personagens, foi o vivido pelo brilhante Rene Auberjonois, o Comissário Odo de Deep Space Nine o mais interessante. Diferente de seus colegas (e a despeito da premissa do personagem), Odo não é necessariamente um ser à procura de sua humanidade. Na realidade sua busca se dá por saber quem realmente é, visto que, nas primeiras temporadas ele não sabia nada sobre sua espécie. Ao descobrir, porém que faz parte de uma raça extremamente xenófoba que vive da conquista ou aniquilação de outros povos por ela considerada inferiores, Odo entra num conflito interno entre a alegria de finalmente descobrir suas raízes – e efetivamente quem ele é – e sua repulsa para com o modo de vida de seus iguais. E ao percorrer esse caminho de autoconhecimento, somos brindados com questões que, mais que iluminar o próprio personagem, nos leva a entender mais sobre nós mesmos, os humanos. Momentos como os vistos em “Children of Time” onde o personagem sacrifica (em tese) toda uma civilização para que sua amada Kira não morresse.

5-Kate Mulgrew-Capitã/Almirante Kaytlin Janeway (Voyager)

Star_Trek_USS_Voyager_Captain_Kathryn_Janeway_freecomputerdesktopwallpaper_1600

Voyager é outra série de Jornada que contou com muita má aceitação por parte dos fãs. Mas se em Enterprise a culpa podia ser em muito jogada em cima dos produtores e redatores, aqui o motivo é, na maioria dos casos, é mesmo o machismo de boa parte do fandom. E muito desse machismo se revertia justamente na figura da capitã Kaytlin Janeway, vivida pela excelente atriz Kate Mulgrew. Injustamente, diga-se de passagem. Kate nos entrega uma capitã digna, interessante e que, assim como o Capitão Sisko, se viu forçada a tomar algumas das decisões mais controversas e complicadas da história da franquia, no intuito de cumprir a promessa de levar sua nave e tripulação de volta ao quadrante Alfa, sem descumprir a Primeira Diretriz. E, apesar de nem sempre os roteiros terem ajudado, a atuação de Kate sempre foi sólida e coerente, mostrando uma das capitãs mais decididas e fortes já mostradas em tela. O sucesso da atriz na série “Orange is the New Black” do Netflix só vem corroborar seu incrível talento. Adoro o episódio duplo “The Killing Games” da quarta temporada onde a tripulação se encontra presa numa simulação de Holodeck criada por Hirogens. Aqui a capitã dá lugar a uma cativante dona de casa noturna atuando secretamente como líder da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Como não assisti ainda todos os episódios de Voyager, provavelmente há outros momentos dela em tela bem marcantes, mas esse por enquanto é o meu preferido.

4-Jeri Ryan-Sete de Nove (Voyager)

Star_Trek_Voyager_SevenOfNine_JerryRyan_desktopwallpaper_1280

Jeri Ryan é uma das mais talentosas atrizes da TV americana. E, de longe, a ideia dos produtores de trazê-la a bordo da Voyager a partir da 4ª temporada, substituindo a personagem Kes, foi a mais acertada. Nada contra sua interprete Jennifer Lien, mas nunca se explorou a personagem Kes de maneira adequada, o que levou a personagem a um poço sem fim criativo. Com a chegada da Borg Sete de Nove, não somente a série ganha vida nova com uma personagem mais interessante, como somos brindados com as sempre excelentes atuações de Jeri, em especial quando interagindo com Kate Mulgrew. E só para variar a borg é outra da longa lista de personagens que nos remete a busca da humanidade que já rendeu a essa lista Data, Odo e, ao seu modo, T’Pol, iniciada lá na série Clássica com Spock. E Jeri dá conta do recado apresentando com muita qualidade a redescoberta da humanidade perdida de Anika Hansen, assimilada na coletividade borg ainda criança, quando teve qualquer traço de sua individualidade arrancada e obrigada a viver uma vida a qual ela nunca teve opção de escolha. Único ponto negativo (que pode ser igualmente aplicado a T’Pol): Jeri poderia ter mostrado seu talento com um figurino diferente, como lembrou sabiamente o Daniel Sasaki do TrekBrasilis. Meus momentos favoritos da atriz na série são os mostrados no, já citado, “The Killing Games” e o excelente “Dark Frontier” da 6ª Temporada. Valem cada minuto de sua atuação.

3-Nana Visitor-Major/Coronel Kira (Deep Space Nine)

Star_Trek_DS9_KiraNerys_freecomputerdesktopwallpaper_1920

Eu me apaixonei por Nana Visitor e sua interpretação da Major Kira Nerys no excepcional episódio “Dueto” da Primeira Temporada de Deep Sapce Nine. Impossível não ama-la depois de ver quase quarenta minutos de um show de interpretação da atriz contracenando com o igualmente perfeito Harris Yulin. Daí pra frente foi só sentar e assistir episódio após episódio Nana quebrando tudo (as vezes literalmente) na pele da ex-terrorista/rebelde que tenta a todo custo restabelecer a sociedade de seu planeta natal após anos de violenta ocupação de uma força estrangeira, os vis Cardassianos, numa alegoria muito bem pensada e salutar dos horrores da Segunda Guerra Mundial, em particular a ocupação nazista da Polônia e o holocausto. Suas atuações são sempre acima da média durante toda série e não há um único colega com quem ela não tenha uma química maravilhosa, mas com um destaque incrível para quando contracena com Avery Brooks e Rene Auberjonois. Nana tem um verdadeiro caminhão de lindas cenas, mas eu sempre me emociono pra valer mesmo é com “Dueto” onde suas cenas com o Açougueiro de Gallitep são qualquer coisa de genial.

2-Patrick Stewart-Capitão Jean-Luc Picard (A Nova Geração)Star_Trek_The_Next_Generation_JeanLuc_Picard_freecomputerdesktopwallpaper_1600

Sir Patrick Stewart é de longe um dos atores mais consagrados de toda a franquia, tendo uma sólida carreira de ator-shakespeariano por mais de uma década na Royal Shakespeare Company, antes de assumir a cadeira de Capitão da Enterprise. Ator competente, dono de uma voz poderosa e versátil, Stewart deu vida a um capitão incrivelmente humano e ainda assim maior do que a vida, como pretendia o criador da série Gene Roddenberry. É incrível como o ator conseguiu ao longo da série fazer a transição de um Picard rabugento e inacessível para um mais simpático e amistoso sem descaracterizar em nada o personagem. E não foram poucas as verdadeiras aulas de atuação com as quais ele nos brindou em episódios memoráveis, tais como em “Family” da 4ª Temporada, “Tapestry” da 5ª Temporada (onde temos uma já consagrada dobradinha deliciosa de ver com o igualmente talentoso John de Lancie) e o clássico dos clássicos da Nova Geração “The Inner Light” também da 5ª Temporada, onde vemos aquela que considero uma das melhores atuações não só de Jornada como da TV. Por tudo isso e muito mais, devemos ser eternamente gratos por Roddenberry ter mudado de ideia e contratado o “ator careca” que ele não queria como capitão da Enterprise.

E apesar de achar “The Inner Light” lindo, meu momento preferido do personagem é, com certeza, ao final do forte e maravilhoso episódio “Chain of Command” da 6ª Temporada, onde um exaurido e faminto Picard berra para seu atônito captor Gul Madred: “Há quatro lâmpadas!” Nunca um capitão foi tão forte apesar de praticamente esgotado.

1-Leonard Nimoy-Spock (Série Clássica)

Star_Trek_Spock2014_freecomputerdesktopwallpaper_1920

Não sei se é lugar-comum dizer que Leonard Nimoy é, com sobras, o melhor ator a já ter participado da franquia, não apenas dos regulares, mas de todos, fossem convidados ou recorrentes. Clichè ou não é um fato. Nimoy não apenas é, ainda hoje, o parâmetro para se interpretar um vulcano, como conseguiu ter atuações sempre acima da média em todos os episódios e filmes da franquia dos quais participou, incluso aí suas participações na segunda parte de “Unification” da 5ª Temporada da Nova Geração (e onde contracena com Patrick Stewart) e os novos filmes de J.J. Abrams. Até mesmo no episódio que é considerado o pior dos episódios da série clássica (e um dos piores de toda franquia) “O Cérebro de Spock”, ele está lá concentrado, procurando fazer bem seu trabalho, apesar do nonsense da situação de andar catatônico pelos cenários fingindo estar sem cérebro, sendo controlado por uma geringonça em sua cabeça. Nas mãos de um ator menos talentoso a situação teria descambado para uma cena de profunda vergonha alheia. Nimoy tem tantos momentos antológicos na série, que por si só renderiam uma lista até maior. Mas eu sempre me surpreendo mesmo nas cenas em que Spock conseguia transmitir a sensação de alegria e divertimento sem jamais rir. Ou quando o fez escancaradamente no clássico “Amok Time” da segunda temporada. Tudo isso sem descaracterizar o Vulcano Spock. Algo que nenhum outro ator a interpretar um Vulcano ainda conseguiu como ele.

*   *   *

Concorda com minha lista? Não? Então é só deixar registrado nos comentários sua opinião respeitosa.

E se você gosta do blog, não deixe de curtir nossa página do Facebook.

Todas as imagens usadas nessa postagem, com exceção do Logo da Frota Estelar foram retiradas do site startrekdesktopwallpaper.com.