LIVROS 2018/2019

Finalmente consigo finalizar esse texto com as leituras do ano que passou e as que tenho planejado para o ano que inicia. Ou melhor, que iniciou há longínquos seis meses.

Planejado para ir ao ar no início do ano, as mudanças em minha vida nesse 2019 tomaram todo o meu tempo disponível, sobrando praticamente nada para outras atividades, como a leitura ou a escrita. Entre planejamentos de aulas, atividades pedagógicas e escolares, eu roubava alguns segundinhos da noite para a leitura e, quando sentava para escrever, a mente já estava completamente destruída de cansaço. Por isso, apenas duas postagens até o momento no blog.

Mas agora com a chegada do segundo semestre já estou me aclimatando as mudanças e principalmente as responsabilidades de meu novo emprego. Assim, espero retornar não apenas com as postagens mais regulares, mas também com as leituras que estão em passo de tartaruga.

O ano que passou, conforme contei no post anterior, foi de muita correria e mudanças que afetaram vários aspectos de minha vida. E, claro, também afetou as minhas metas de leituras. Não ao ponto de ficar muito abaixo da meta, mas o suficiente para ter um desempenho bem similar ao do ano anterior, no caso 2017, quando a ideia era supera-lo. De qualquer modo, esse foi um ano de leituras tão ou mais interessantes ainda, como as quatro abaixo, por exemplo.

Bora conferir o resultado final?

E aos interessados em acompanhar meu progresso nas leituras do ano, fique à vontade para me seguir lá no Skoob.

2018

  1. Um livro e um quadrinho que te surpreenderam em 2018?
Encarcerados

“Encarcerados”

O ano que passou foi um ano de leituras incríveis e muito surpreendentes. Acredito que poucas vezes na vida li histórias tão fascinantes. Imaginem então a dificuldade que tive para escolher aquele que mais me surpreendeu. Mas depois de pensar muito bem, decidi que a posição cabia com sobras para a essa inteligente trama sci-fi policial. Vítimas de uma epidemia viral, a Síndrome de Haden, temos 1% da população mundial, apesar de preservarem suas mentes e consciência ainda intactas e plenamente funcionais, tornam-se incapazes de comandar seus próprios corpos, sendo obrigados a lançar mão de corpos robóticos para poderem levar uma vida o mais normal possível. Flertando com o gênero cyperpunk e mesmos com as histórias de robôs de Asimov, John Scalzi entrega um livro com personagens interessantes, diálogos excepcionais e um enredo bem amarrado que nos prende do começo ao fim. Ainda assim, o melhor do livro é com certeza a intensa representatividade, fugindo totalmente do padrão clichê do personagem homem-branco-cis-hétero que salva a mocinha, prende o bandido e salva o dia praticamente sozinho. Scalzi nos apresenta um mundo diversificado, com uma rica variedade de tipos humanos: mulheres, homossexuais, negros, índios. Tudo muito fluído e natural, de modo que, ao avançarmos na leitura, não encontramos dificuldade em imaginar aquele mundo. E isso porque ele lembra bastante o nosso, principalmente ao tratar de preconceitos e acessibilidade.

Um agradecimento especial para a Sybylla por ter me presenteado com essa fantástica obra.

Gênesis

“Gênesis”

Quem conhece a obra de Robert Crumb sabe muito bem: esse é um autor famosos por seus quadrinhos underground com personagens promíscuos, muito sexo e drogas, representados num retrato mordaz da nossa realidade, mas especificamente a realidade da contracultura dos anos 60. Exatamente por isso, muitos ficaram surpresos quando o quadrinista resolveu adaptar o livro bíblico de Gênesis julgando que essa seria uma das adaptações mais sacrílegas de um texto sagrado em toda a história. Ironicamente, Crumb, a despeito de não acreditar que a Bíblia seja um livro escrito por Deus, mas sim pelos homens (algo que o próprio autor deixa claro na introdução de sua obra), realizou a adaptação mais fiel já feita de um texto bíblico. E isso, aliado ao impressionante trabalho de pesquisa e a recriação de figurinos, arquiteturas e paisagens, tornou-se o ponto alto desse quadrinho.

  1. Um livro e um quadrinho que te decepcionaram em 2018?
Quem Teme a Morte

“Quem Teme a Morte”

Comecei a leitura dessa obra da escritora estadunidense de ascendência nigeriana sem muita expectativa do que iria encontrar. E, olha, até que a história é muito interessante em seu início, com tramas pertinentes envolvendo temas pesados e polêmicos, como estupros, abuso sexual, castração feminina dentre outros, além de personagens bem desenvolvidos e interessantes. Entretanto a escrita da autora não envolve o tanto quanto a trama em si merecia. Vamos nos arrastando pela leitura mais pela curiosidade de entender os mistérios apresentados do que pela fluidez da narração em si. E é justamente aqui onde reside o maior problema de “Quem Teme a Morte”: Seu final acaba por não nos revelar quase nada dos mistérios apresentados, além da resolução final entre a protagonista Onyesonwu e seu pai, o grande vilão da obra (e responsável pelo estupro da mãe de Onyesonwu) não foi exatamente empolgante. Uma pena porque essa obra possui um potencial imenso, que, infelizmente, foi desperdiçado.

Isabel a Loba da França Vol. 2

“Isabel – A Loba da França vol. 2”

O primeiro volume foi irretocável ao mostrar uma jovem Isabel, princesa da França tornando-se a fria e calculista mulher rainha da Inglaterra ao contrair um matrimônio arranjado pelo pai. Infelizmente esse brilho se perde no segundo volume onde Isabel se torna uma personagem qualquer na trama, praticamente uma coadjuvante que vai se deixando levar pelos fatos sem protagonismo nenhum, em muito graças ao roteiro extremamente preguiçoso. Único ponto positivo são os desenhos e arte de Jaime Calderón que continuam perfeitos.

  1. A melhor adaptação que você viu em 2018?
Assassinato no Expresso do Oriente-Filme

“Assassinato no Expresso do Oriente”

Lembro de, com 15 anos, ler e me maravilhar com a história de “Assassinato no Expresso do Oriente”, uma das obras mais festejadas da autora britânica Agatha Christie, mundialmente conhecida como a Rainha do Crime. A trama era envolvente, o mistério do assassinato ficava cada vez mais intrigante a cada nova descoberta e o desfecho foi o mais surpreendente que alguém jamais poderia imaginar. Quando soube da adaptação para os cinemas pela mão de Kenneth Branagh fiquei bem mais curioso que ansioso. Apesar do elenco cheio de estrelas, o trailer não me empolgou muito. Felizmente, ao assistir o filme, me surpreenderam não apenas a lindíssima direção de arte e competente direção de Branagh (que também não faz feio na pele do excêntrico detetive belga Hercule Poirot), mas também as boas decisões do enredo ao adaptar a obra, que ajudaram a deixar a trama um pouco mais movimentada, mas sem aquela correria desenfreada tão comum nos filmes atuais. Não é nenhuma obra-prima, mas é uma excelente adaptação de um livro que eu sempre achei muito complicado de ser adaptado para o cinema.

Pantera Negra

“Pantera Negra”

Esse não é somente a melhor adaptação de um quadrinho que assisti no ano que passou. É de longe um dos melhores filmes, independente de gênero, feitos naquele ano. Um enredo bem redondo alinhado a uma direção competente e a uma direção de arte e figurinos extraordinárias, apesar de importantes como parte da receita de sucesso do filme, tais aspectos possuem um aspecto muito mais relevante: levar as telas uma história relevante protagonizada por um elenco majoritariamente composto de atores e atrizes negros, tocando em temas atuais com muito tato, sensibilidade e inteligência, e tudo isso sem sacrificar o lado pipoca da diversão de um bom filme de super-heróis, além de tocar em temas importantes de modo geral trazidos pelas motivações de Erik “Killmonger” Stevens, vivido com extrema competência pelo talentoso Michael B. Jordan, o qual arrisco dizer ser o melhor vilão da Marvel até o momento.

  1. Um livro e um quadrinho que não conseguiu terminar em 2017?
O Que é Lugar de Fala

“O que é Lugar de Fala?”

Não é apenas por se tratar de um tema extremamente atual, especialmente em virtude de toda a conjuntura um tanto distópica que estamos vivendo no mundo atualmente. E muito por ser o fruto de uma filósofa competente e militante, mulher e negra, falando sobre justamente sobre a questão do lugar de fala, de forma não apenas didática, mas também embasada.

Azul é a Cor Mais Quente

“Azul é a Cor Mais Quente”

Eu fiquei muito curioso com essa obra ao descobrir que o filme homônimo era uma adaptação de uma hq. E ao conhecer a bela arte de Julie Maroh, fiquei ainda mais encantado com a história! E por isso lamentei bastante não ter podido ler essa interessante história de amor.

  1. Quantos livros e quadrinhos você conseguiu ler em 2018?

Com uma meta de leitura estipulada em 80 obras (60 livros e 20 HQs) dos quais consegui ler 40 livros e 6 HQs somando um total de 14.997 páginas. Ou mais precisamente 2 livros a menos e 2 HQs a mais se comparado ao ano de 2017 quando somei 15.087, 90 páginas a mais, portanto. Para o ano de 2018 mantenho a mesma meta do ano passado de 60 livros e 20 HQs, mesmo sabendo das dificuldades que terei somente para repetir o resultado de 2018, por conta de minhas novas atividades como professor. Pois é, amiguinhos, ao contrário do pensamento corrente, professor trabalha e trabalha muito e não apenas em sala de aula.

Na imagem acima coloquei quatro dos livros lidos e os quais recomendo fortemente a leitura.

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2019

  1. Um livro e um quadrinho que está ansioso pela leitura em 2019?
E Se Eu Fosse Puta

“E Se Eu Fosse Puta”

Uma das melhores coisas de ter lido mais mulheres no ano passado, foi justamente o fato de ter lido histórias que me tiraram da minha zona de conforto. E isso deixou um gostinho de quero mais. Muito mais na verdade. Assim, a leitura de “E Se Eu Fosse Puta” da estreante Amaira Moira travesti que se descobre escritora ao tentar ser puta e puta ao bancar a escritora, com diz em sua descrição no Skoob, é a pedida mais salutar para continuar fora dessa zona de conforto, além do contínuo exercício em se conhecer para respeitar o diferente.

Angola Janga

“Angola Janga”

Tenho em minhas memórias a lembrança de um texto num livro de português qualquer da sexta série, intitulado Angola Janga. A história do reino da Pequena Angola e seu rei Zumbi se gravou de tal maneira em minha mente que, assim que dele tomei conhecimento, não teve como não querer ler esse quadrinho de Marcelo D’Salete, que, além de lindamente ilustrado, é super elogiado pela crítica e leitores.

  1. Um (ou mais) desafio que se dispôs a participar em 2019?

No ano que passou tomei como desafio a leitura de 52 livros escritos por mulheres. Somei a eles vários títulos que não tinha conseguido finalizar a leitura no ano de 2017. Para esse ano decidi continuar priorizando as leituras de autoras mulheres, mas também de histórias sobre mulheres. Além disso, resolvi diversificar ao máximo os estilos literários, procurando ler de tudo um pouco: livros científicos, biográficos, ficções, clássicos da literatura nacional e por aí vai. A maior parte deles escrito por mulheres ou com mulheres no protagonismo. E pra variar, novamente, mais uma vez, ad aeternum tentar ler as vinte HQs de minha lista.

  1. A adaptação mais aguardada por você em 2019?
O Ódio Que Você Semeia

“O Ódio Que Você Semeia”

Esse foi um dos livros mais impactantes que já li. A história é atual e conta a história da jovem Starr, uma garota negra vivendo numa realidade cercada de ódio e preconceito, com uma linguagem acessível e cheio de referências a cultura pop recente. Tais características o tornam um livro mais do que indicado como incentivo à leitura de adolescentes. Motivos mais que suficientes para ficar curioso com essa adaptação que estreou no fim do ano passado.

Capitã Marvel

“Capitã Marvel”

O filme já estreou e já saiu de cartaz, mas como não tive a oportunidade de assistir nas telonas estou aqui todo ansioso para conferir a adaptação da heroína mais poderosa do universo Marvel. As críticas positivas me deixam ainda mais animado e, como nos últimos anos não tenho me decepcionado com as adaptações dos quadrinhos, minha expectativa com essa obra está nas alturas.

  1. Uma leitura que pretende retomar em 2019?
Os Sertões

“Os Sertões”

Penso não existir um único nordestino que não conheça a clássica frase escrita há mais de 100 anos atrás pelo jornalista Euclides da Cunha: “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Que se pese o flagrante racismo do contexto em que a frase foi escrita, bem como grande parte do arcabouço científico já há tempos desacreditados tais como o determinismo racial, penso ser essa uma obra essencial, não apenas como mais uma peça no entendimento da formação do povo brasileiro – o nordestino em particular – mas também de como o próprio brasileiro se vê e entende não apenas hoje, mas no decorrer de nossa própria formação. O fato de estar morando a pouco mais de 100 quilômetros de distância do palco do conflito é muito mais que um ótimo motivo para retomar uma leitura parada desde minha adolescência.

Incal Integral

“Incal – Integral”.

Vendido como um dos principais quadrinhos da Ficção Científica mundial, esse volume reúne os seis livros onde Alejandro Jodorowsky com os desenhos de Moebius contam a história do detetive particular John Difool ao encontrar o artefato místico/tecnológico conhecido como Incal Branco. A partir daí começa uma corrida pelo universo através de conflitos intergalácticos e seres os mais curiosos e diferentes possíveis. A obra é um deleite maravilhoso especialmente devido a arte magistral de Moebius. No entanto eu achei a trama muito confusa o que deixou sua leitura bem cansativa. Cheguei bem perto de terminara sua leitura antes do final do ano, mas sem sucesso. Assim, termina-la é agora uma questão de honra, mesmo não tendo gostado tanto quanto imaginaria.

  1. Três livros e três quadrinhos da sua meta para 2019?

1-O Livro do Juízo Final de Connie Willis. No ano que passou li “Interferências” da mesma autora e gostei bastante do seu estilo de escrita. E como todas as críticas dizem que esse é muito melhor, já tô ansioso pela leitura.

2-O Mundo Assombrado pelos Demônios de Carl Sagan. Para alguém que gosta tanto de ciências como eu é quase um insulto eu nunca ter lido nenhum livro de Carl Sagan. Não consigo imaginar um momento mais propício para sanar essa dívida e nem um título mais adequado.

3-Helena de Tróia de Margaret George. Uma amiga me emprestou esse livro e na hora que eu vi a quantidade de páginas não pude deixar de pensar como uma das principais figuras da Guerra de Troia é também aquela sobre quem quase nada se fala. Tirando o fato dela ser a mulher mais bonita do mundo na sua época, casada com o rei espartano Menelau, a quem traiu com Páris, com quem fugiu para Troia dando início ao famoso conflito. Verdadeira coadjuvante de luxo da história onde se pretendia protagonista. Ou seja, a curiosidade bateu na hora.

1-“Olympe de Gouges” de José-Louis Bocquet e Catel Muller. Olympe de Gouges escreveu em 1789 a obra “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” em resposta à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” criada no mesmo ano e que sequer mencionava as mulheres, ainda pouco alfabetizadas e com quase nenhuma participação política. Um bom motivo para se querer ler e aprender mais sobre essa mulher que se viu mãe e viúva com apenas 18 anos, num período de efervescência política sem igual na França onde vivia. Um bom motivo, mas muito longe de ser o único.

2-“Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço” de Germana Viana. Elas são piratas. Elas navegam pelo espaço. Precisa explicar mais? Essa é a descrição da HQ. Sinceramente acho que não. Quero ler e muito essa HQ nonsense da autora brasileira Germana Viana.

3-“Mulher Maravilha: Sangue” de Brian Azzarello, Cliff Chiang e Tony Akins. Fiquei bem impressionado com as críticas positivas sobre a revista da Mulher Maravilha nessa nova reformulação da DC Comics para toda sua linha de super-heróis. E como estou devendo uma vista d’olhos nos personagens da Distinta Concorrência, nada melhor que seja com a Princesa das Amazonas.

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Até o próximo texto!

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FOI O MELHOR DOS TEMPOS…

O ano de 2017 corria muito bem para mim. Em casa, meu filho crescia saudável e inteligente. No trabalho, apesar de alguns reveses, tudo tranquilo e minha esposa conseguia turmas com mais frequência (ela é professora de turismo no sistema S). Até aqui no blog, as coisas iam bem. Pela primeira vez conseguia imprimir uma certa regularidade, com postagens a cada 15 dias, e isso apesar de toda a atenção que uma criança com quase dois anos de idade requer dos pais, não importando a hora, o momento ou cansaço. Especialmente cansaço.

Mas ainda assim, algumas coisas começavam a me incomodar. Mesmo estando num emprego relativamente estável, numa das maiores instituições de ensino particulares do Norte e Nordeste do Brasil, eu não me sentia plenamente satisfeito por uma série de motivos. Dos que mais me incomodavam a citada relativa estabilidade era, com certeza, o primeiro da lista. A possibilidade de perder o emprego (ainda mais com a conjuntura política e econômica em nosso país degringolando a olhos vistos), seria um golpe considerável na economia doméstica, mesmo com o salário considerável de minha esposa.

Eu comecei a trabalhar na Universidade Tiradentes (Unit) no início de 2012, para exercer o cargo de Assistente Acadêmico do curso de Design de Interiores. Por essa época eu ainda ensinava Geografia em uma escola particular em Aracaju e pude conciliar as duas atividades, pois minhas aulas se concentravam nas manhãs de quinta e sexta, enquanto o trabalho na Unit era de uma jornada de 4 horas no turno da noite de segunda a sexta e nas manhãs de sábado. Quase um ano depois, eu acabaria assumindo a Assistência Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo onde cumpriria uma jornada de 8 horas diárias, nos turnos matutino e noturno. Com isso não houve como continuar a dar aulas.

Danilo Oliver UNIT

Prédio da Reitoria da Universidade Tiradentes (Unit) em foto de Danilo Oliver

A medida que o tempo ia passando eu ia me convencendo de duas coisas: primeira, que, apesar do salário razoável a relativa estabilidade naquele emprego não era o suficiente para deixar meu sono mais tranquilo. Com o nascimento do meu filho em 2015 o medo de receber a temida demissão tornou-se um pouco maior. Apesar de minhas avaliações positivas com meus gestores, por tratar-se de uma empresa privada demissões poderiam ocorrer por “n” motivos. Com o cenário político-econômico que se desenhava bem definido já naquele não tão distante 2015, cortes de pessoal para contenção de custos era uma realidade cada vez mais plausível.

A segunda coisa da qual eu me convencia cada vez mais era a vontade de retornar a lecionar. Trabalhando e praticamente vivendo a maior parte do dia num ambiente acadêmico, lidando com professores e alunos de uma área tão ligada a minha formação de licenciatura em Geografia, a saudade das salas de aulas, mesmo com todos seus desafios (ou justamente por causa deles, quem sabe), só fazia aumentar.

Pensando em tudo isso e após muitas conversas com minha esposa, comecei a visar o estudo para concursos públicos. Uma vez que não existia perspectiva de abertura de concursos para licenciatura por essa época, fui me inscrevendo nos que apareciam. Meu intuito com isso não era somente ir treinando para quando surgissem os de licenciatura, mas também pensando que se passasse em alguns deles poderia pelo menos me beneficiar da estabilidade mais garantida se comparada a do meu emprego até então, além dos salários via de regra superiores aos que eu vinha recebendo. Assim participei de provas para Polícia Civil do Estado de Sergipe, Polícia Federal e Rodoviária Federal, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Banco do Brasil e outros, com resultados bem variados, mas que iam me mostrando onde e como melhorar.

E assim cheguei ao decisivo ano de 2017. Eu não sabia ainda, mas aquele seria um ano que mudaria minhas perspectivas de passar num concurso público. Tudo corria mais ou menos como nos anos anteriores. Isso até o mês de julho. Aproveitando o período de férias acadêmicas, a coordenação do curso de Arquitetura decidiu aproveitar a calma típica dessa época para fazer o transporte de duas maquetes imensas e pesadas. Tais maquetes tinham sido doadas por uma grande construtora local ao curso e fui incumbido de cuidar da logística do seu transporte até o campus. Tudo corria bem até que, num momento de total descuido meu, acabei fraturando a ponta da 3ª falange (ou falange distal) do dedo anelar da mão esquerda, literalmente prensado entre a pesada base da maquete e o soalho do caminhão que realizava o transporte.

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Esquema bem didático dos ossos da mão

Apesar de aparentemente ser uma fratura de menor gravidade, precisei ficar afastado do trabalho por 45 dias. Foi graças a esse período de afastamento que pude me dedicar de modo ainda mais intenso aos estudos. E não poderia ser em época melhor, pois apenas três meses depois de findo o afastamento, foi anunciado a abertura do concurso público para professor no estado da Bahia, bem como para o de Alagoas, pouco mais de mês e meio depois. Graças ao infortúnio da fratura no dedo e o consequente afastamento do trabalho eu estava realmente preparado para o concurso que realmente desejava realizar.

Em fevereiro de 2018 realizei a prova da Bahia e em abril a de Alagoas. Em julho do mesmo ano os resultados foram publicados. Para minha alegria e satisfação fui aprovado em ambos, com o bônus surpresa e totalmente inesperado para mim de uma excelente 3ª colocação no certame baiano e um excepcional primeiro lugar no alagoano em minhas respectivas área e núcleo de educação escolhidos.

Finalmente, no dia 16 de janeiro de 2019 fui oficialmente convocado a assumir o cargo de Professor de Geografia na rede estadual de ensino da Bahia, pouco mais de um mês depois de ter sido desligado da UNIT. Uma vez que minha esposa é baiana, optamos por morar em sua cidade natal, o município de Jeremoabo no nordeste baiano, próximo a cidade de Paulo Afonso. Essa decisão foi tomada não apenas pela proximidade de sua família, mas também pela vontade de fugir dos problemas urbanos cada vez mais comuns em Aracaju, cidade que nos últimos anos passou por um crescimento significativo, tornando-se assim um pouco mais violenta e cara. Optando por morar em Jeremoabo unimos assim o desejo de estarmos mais próximos da família ao de viver numa localidade mais tranquila e com menor custo de vida.

Praça Cel. Antônio Lourenço de Carvalho Jeremoabo

Praça Cel. Antônio Lourenço de Carvalho em Jeremoabo-BA, a popular Praça do Frescão

Desde o dia 14 de fevereiro, quando tomei posse no Colégio Estadual José Lourenço de Carvalho, eu, minha esposa e meu filho nos mudamos em definitivo para a cidade, onde estamos residindo desde então. Esse, aliás, é um dos motivos da publicação de textos aqui no blog ter praticamente parado nos últimos meses. Além de minhas obrigações como professor, houve toda a questão referente a mudança e acomodação numa nova cidade. Hoje, já com as coisas mais tranquilas, pretendo retomar a regularidade das postagens. Especialmente agora acredito que terei muitos e variados motivos para escrever. Especialmente nesse momento tenebroso de nosso país em que nós, professores e professoras, fomos alçados a condição de inimigo público da nação.

Gostaria de finalizar esse texto agradecendo publicamente algumas pessoas que foram extremamente importantes em minha jornada no período em que trabalhei na Universidade Tiradentes. Inicialmente gostaria de agradecer aos Professores(as) Ricardo Mascarello, Pedrianne Barbosa, Dora Diniz que, em diferentes momentos atuaram como coordenadores do curso de Arquitetura e Urbanismo. Agradeço também aos professores(as) Simone Prado e Gabriel Mendonça que por sua vez atuaram na qualidade de coordenadores adjuntos. A eles agradeço não só por terem sido admiráveis gestores sempre respeitosos e acessíveis, mas também pela amizade nutrida e cultivada mesmo no corrido e nem sempre calmo ambiente de trabalho. Agradeço também pelos ensinamentos os mais variados, que nunca ficavam resumidos apenas as suas atribuições de gestores. Especialmente valiosas foram as lições sobre como a Geografia pode e deve dialogar com a Arquitetura e Urbanismo.

Nesse ínterim, não poderia deixar de agradecer aos demais professores do curso, bem como os coordenadores e coordenadores adjuntos dos cursos que funcionavam no mesmo bloco que o de Arquitetura e Urbanismo. Também a esses excelentes profissionais os quais me desculpo desde já por não os citar nominalmente já que, se o fazendo, corro o risco de ser injusto ao esquecer de algum nome, manifesto aqui minha gratidão.

Finalmente, agradeço aos colegas Assistentes Acadêmicos dos demais cursos com quem convivi e conjuntamente trabalhei. Colegas que se tornaram bons amigos a exemplo de Sérgio, Paulo Alexandre, Gustavo, Ana, Rebecca, Glória, Yuri, Antônio, Nadja, Aparecida, Amora.

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89 – HUNKY DORY

Hunky Dory

Cantor: David Bowie

Gravação: Abril de 1971

Lançamento: 17 de Dezembro de 1971

Duração: 39:04

Produção: Ken Scott (assistido pelo ator)

Sobre o disco:

Em 16 de junho de 1972 chegava as lojas um disco que logo arrebataria legiões de fãs e transformaria seu autor numa verdadeira lenda: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars tornou-se um daqueles discos que mudariam para sempre o cenário musical como um todo e não apenas do rock. Mas essa é uma história para ser contada bem lá na frente (mas põe um bem lá na frente mesmo) dessa lista. Seis meses antes da saga de Ziggy, seu intérprete, um certo David Bowie, já era um nome comentado por conta do lançamento de uma pequena obra prima chamada Hunky Dory.

Vindo de relativos fracassos comerciais com seus três primeiros trabalhos, Bowie procurava por algo que pudesse lhe mostrar um caminho a seguir sem seus próximos discos. Vivendo um momento peculiar de sua carreira, sem contrato com nenhuma gravadora e com a esposa a espera do primeiro filho do casal, Bowie também se via tentando entender o que ocorria no cenário roqueiro de sua época. A década de 1970 começara com a notícia do fim dos Beatles, banda símbolo de uma era, o que deixou uma geração de fãs do rock (e não apenas do quarteto) com um gosto amargo e repletos de incerteza com a década que se iniciava. Bowie identificou-se com essa vontade de se encontrar do público jovem e tornou-a em força motriz para as novas composições procurando estabelecer um diálogo com a vontade de se encontrar daquela geração.

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Bowie durante as gravações em foto da Rolling Stones

Aqui reside, em minha opinião, uma das facetas mais interessantes da grande genialidade de Bowie, quando ele pega suas dúvidas quanto a que caminho seguir e as transforma no próprio caminho a seguir. E percebemos isso já na faixa inicial, mais do que apropriadamente chamada “Changes”, uma belíssima canção que versa sobre a capacidade e importância da constante reinvenção, especialmente a artística. Nada mais que o primeiro indício concreto do que viria a ser a grande marca do artista.

Complementando a instigante letra, “Changes” possuía também um instrumental e arranjos igualmente fantásticos, trazendo o próprio Bowie no Saxofone – no que é inclusive encarado como um dos seus grandes momentos nesse instrumento –, além de Mick Ronson na condução dos arranjos dos instrumentos de cordas e ninguém menos que Rick Wakeman no piano. A união de letras inteligentes e belos arranjos é, aliás, a grande marca de Hunky Dory, mas ela atinge o seu ápice naquela que considero a mais bela canção já gravada pelo artista e uma das mais belas canções de toda a história do rock: “Life on Mars?”

A BBC Radio 2 chamou essa canção de “mistura de um musical da Broadway com uma pintura de Salvador Dalí”. Não sem razão, pois a canção é repleta de frases e imagens surreais, que, segundo o autor trata-se de “Uma sensitiva reação de uma jovem garota diante da mídia” que, complementa, “se encontra decepcionada com a realidade … que, apesar de ela viver no marasmo da realidade, dizem a ela que há uma vida muito melhor em algum lugar, e ela está desapontada com o fato de não ter acesso a esse lugar.” Tudo isso embalado numa das mais belas melodias não apenas desse álbum, mas de toda a riquíssima carreira de Bowie.

O álbum ainda trazia outras composições brilhantes, a exemplo da dobradinha “Oh! You Pretty Things” e “Eight Line Poem” ou ainda da deliciosa “Kooks”, dona de um ritmo tão contagioso, que, quando demos por nós, já estamos cantarolando a canção com um sorrisinho nos lábios. Exemplo perfeito de canção chiclete que não enjoa, ao contrário, quanto mais ouvimos mais queremos ouvir. Do lado mais “hard rock” por assim dizer do disco temos “Quicksand” e “Queen Bitch”.

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Bowie em sua persona Ziggy Stardust com a banda Spiders From Mars

Chamada pela Melody Maker de “o pedaço mais inventivo de composições a ter aparecido num disco num período considerável de tempo”, o disco só pode ser lançado depois que a  RCA Records em Nova Iorque teve acesso a algumas demos já gravadas. Impressionada com a qualidade do material foi proposto um acordo para a produção de três álbuns, sendo Hunky Dory o primeiro deles. Embora tenha recebido críticas favoráveis e contado com uma boa vendagem em seu lançamento, ele não foi um sucesso imediato. Somente após o lançamento do álbum posterior, onde Bowie assumia a persona de Ziggy Stardust na obra-prima The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars que o sucesso comercial desse disco não só promoveu o personagem do alien andrógino, como ajudou a catapultar as vendas de Hunky Dory.

Inegavelmente um dos grandes clássicos de David Bowie, esse é o álbum considerado o mais importante de sua carreira. Não apenas pela qualidade rara, mas também por ser o pontapé inicial na carreira repleta de sucessos e marcada pela constante reinvenção de um dos artistas mais irrequietos. Nas palavras do próprio Bowie em entrevista no ano de 1997: “Hunky Dory me deu um engrandecimento fabuloso. Acho que me proveu, pela primeira vez na vida, um verdadeiro público – quero dizer, pessoas realmente vindo até mim e dizendo, ‘Bom álbum, boas músicas’. Isso não tinha acontecido comigo antes. Era assim, ‘Ah, estou captando, estou entendendo, estou começando a comunicar o que quero fazer. Agora: o que é que quero fazer?’ Havia sempre um azar duplo lá.”

Finalizando, não há como falar de Hunky Dory sem citar sua bela capa. Inspirada em um livro de fotos da estrela Marlene Dietrich, levada pelo artista para a sessão de fotos, e investe pesadamente na androginia que seria uma de suas marcas registradas mais marcantes por bastante tempo.

Com sua riqueza melodiosa de estilos e temas Hunky Dory é uma belíssima e encantadora mostra da capacidade de Bowie se reinventar, num trabalho que, se ainda não é gênio inovador de futuros trabalhos, já demonstra com vigor o que estava por vir nessa sua primeira de muitas aparições nessa lista.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage!

Até mais!

RESENHA: DEIXE AS ESTRELAS FALAREM

Rosa não vê a hora de voltar para sua nave, o cargueiro independente Amaterasu. Reúne sua tripulação, mas se vê em uma situação desesperadora quando se percebe sem dinheiro, com a nave ancorada em um espaço-porto. Eis que um contrabando misterioso surge e uma oportunidade rara de fazer muito dinheiro em pouco tempo. Mas o trabalho não virá sem consequências para Rosa e sua tripulação.

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No geral, todo fã de ficção científica tem em mente uma ideia mais ou menos clara de como são (ou deveriam/deverão ser) as viagens espaciais nas obras que leem ou assistem: um homem intrépido e audaz na cadeira de comando de uma poderosa nave de combate e/ou pesquisa a serviço de uma gigantesca frota ou organização política viajando pelo espaço enfrentando inimigos perigosos. Ou seja, o padrão estabelecido com a Série Clássica de Jornada nas Estrelas lá no final dos anos 60 e seguido não apenas por seus spin-offs, mas também por inúmeras outras.

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Um dos vários exemplos de intrépido e audaz capitão

Logo no começo de Deixe as Estrelas Falarem – publicado pela Editora Dame Blanche – sua autora, Lady Sybylla do Momentum Saga, mostra algo totalmente diferente desse perfil: no comando do velho cargueiro independente com problemas para conseguir novos serviços, temos uma mulher de 90 anos, mãe e também avó. Através da narrativa em primeira pessoa descobrimos que Rosa Okonedo, apesar de adorar o trabalho, sente um pouco de remorso de ter sido uma mãe ausente, passando mais tempo no espaço do que em casa na Terra.

Esse é um dos pontos fortes da obra. Sybylla não teve receio em fugir dos padrões estabelecidos em outras obras de ficção. Fazendo isso ela cria personagens muito verossímeis, com os quais fica fácil a identificação, começando pela própria capitã – mas não se limitando a ela, como mostra nossa rápida identificação e simpatia com os personagens secundários. Independente, dando duro toda a vida e tendo que lidar não apenas com o trabalho, mas também as dificuldades de se manter uma família, estando as vezes, literalmente, a meia galáxia de distância, Rosa é facilmente reconhecível em qualquer mulher em nossa sociedade, dando duro em jornadas duplas de trabalho. E o detalhe que mais me chamou a atenção: ainda ativa mesmo aos 90 anos.

Especialmente nas várias séries da franquia Jornada nas Estrelas (Star Trek) fica bem claro que a expectativa de vida dos seres humanos deu um salto, com seres humanos vivendo até os 125 anos em média. A explicação para essa incrível longevidade é muito similar à da nossa realidade: em grande parte graças aos avanços médicos que permitiram controlar e até mesmo eliminar doenças até então letais, além das melhorias e disseminação de melhores condições de higiene e saneamento básico. Assim saltamos de uma expectativa de vida entre 30 e 40 anos no início do século XX para os atuais 60 a 70 anos em média (com alguns países mais privilegiados chegando a 80 e 90 anos em média). Esse aumento na expectativa de vida, acompanhada da melhoria na qualidade de vida obviamente, levou a uma redefinição do que é ser idoso. Hoje é comum vermos senhoras e senhores com mais de setenta anos levando uma vida extremamente ativa, trabalhando, praticando esportes etc. Algo bem diferente do conceito de idoso que tínhamos há algum tempo.

Infelizmente a série pouco utilizou esse aspecto nos mais de 700 episódios que compõem a franquia. Raríssimas são as vezes que vemos pessoas com mais de 90 anos aparecerem de maneira ativa em tela. Uma das poucas lembranças que tenho de uma personagem nesse perfil é a Drª Katherine “Kate” Pulaski, a oficiala médica chefe da U.S.S. Enterprise D. Infelizmente a boa doutora durou apenas uma temporada cedendo o lugar para o retorno da Drª Beverly Crusher. Era de se esperar que com uma sociedade com tão alta expectativa de vida, mais e mais indivíduos fossem mais atuantes, trabalhando e exercendo outras atividades mesmo depois dos 90 anos.

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Doutora Katherine “Kate” Pulaski em imagem do Memory Alpha

Outro ponto interessante é o aspecto econômico das viagens espaciais. Sabemos que enviar veículos, mesmo os não tripulados, ao espaço demanda um custo enorme, vide os orçamentos bilionários das diversas agências espaciais existentes (NASA, ESA, JAXA, Roscomos). Obviamente, no futuro altamente tecnológico imaginado, não apenas em Deixe as Estrelas Falarem, mas em praticamente todas as obras da ficção científica, esses gastos foram consideravelmente reduzidos. Tal redução permitiu a construção e manutenção de imensas frotas de naves e estações espaciais. No entanto, reduzir consideravelmente os gastos não significa necessariamente dizer que as atividades espaciais sejam necessariamente baratas. Como toda e qualquer atividade, essa também demanda recursos consideráveis para sua manutenção, bem como daqueles que a mantem em funcionamento.

Sybylla não só detalha essa questão econômica, inclusive com um certo detalhamento, como o utiliza muito bem na trama usando-o como mote para a Capitã Okonedo aceitar o transporte de um misterioso contrabando, algo que vai totalmente contra seus princípios. Mas entre pegar a carga ilegal – recebendo uma quantia substancialmente alta no processo – e arriscar ficar um tempo sem trabalho e, consequentemente, sem dinheiro, a preocupação com seus tripulantes fala mais alto.

No final das contas Deixe as Estrelas Falarem é uma história atraente, com personagens cativantes, uma trama interessante e que não teme abordar temas até bem poucos usados na Ficção Científica de modo geral. E o modo como isso é feito, integrando organicamente à trama é um dos pontos fortes da trama. E, embora eu não costume achar que um livro curto seja necessariamente um ponto negativo, nesse caso acredito que um mais algumas páginas para um melhor desenvolvimento dos personagens secundários não seria de todo mal. E não falo isso porque eles não tenham tido um desenvolvimento adequado. Ao contrário, cada um dos personagens tem seu momento e seu espaço na trama, mas justamente por serem tão interessantes ficamos com vontade de aprender e saber mais sobre eles. Quem sabe numa bem-vinda continuação?

Se você ainda não leu, recomendo fortemente Deixe as Estrelas Falarem. Pode compra-lo através desse link.

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Até mais!

TAG: MINHA UNIVERSIDADE – GEOGRAFIA LICENCIATURA

Há bastante tempo atrás respondi essa TAG muito interessante e curiosa sobre como eu era em meu tempo de escola, originalmente ideia do blog Just Lia. Ao revisitar a postagem notei que essa era uma ideia derivada de outra similar, sendo que essa se referia aos tempos de universidade. Nem preciso dizer que curti bastante a iniciativa de se falar um pouco mais tanto sobre meus anos de universidade, como também sobre o curso em si.

São 15 perguntas e se você quiser responder também é só lembrar de citar o post original no Just Lia.

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  1. Qual seu curso de graduação?

Eu cursei Geografia Licenciatura na Universidade Federal de Sergipe.

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Brasão da Universidade Federal de Sergipe remodelado para comemorar seus 50 anos de existência

  1. Quantos períodos ele tem? E em qual você está?

Na época o curso de Geografia possuía oito períodos, durando, portanto, 4 anos. Me formei em 2011 depois de sete anos e meio de muita luta, conforme eu já contei nesse Guestpost no Meteorópole.

  1. Porque você escolheu esse curso?

No Guestpost e também nesse post aqui, eu conto como e porque escolhi a Geografia com um pouco mais de detalhes. Mas em resumo eu sempre sonhei fazer jornalismo, mas ao reprovar no primeiro vestibular decidi fazer Geografia um tanto por incentivo de minha mãe.

  1. Antes de escolher esse curso você pesquisou sobre o mercado de trabalho e o piso salarial?

Por ter escolhido o curso tão em cima da hora, não tive tempo de fazer esse tipo de pesquisa. Mas, sendo sincero, nunca fui muito de ligar para a questão salarial especificamente. Quanto ao mercado de trabalho, sendo um curso de licenciatura, não havia muitas dúvidas quanto à situação.

  1. Como foi seu primeiro dia de aula? Tem dicas para os calouros?

Meu primeiro dia de aula começou dando a tônica de como seriam minhas chegadas nas aulas iniciais da manhã: atrasado. Era aula de Organização do Espaço Mundial com o Prof. Edvaldo e, ao chegar atrasado vestido como um típico punk, atraí um olhar dos mais curiosos do velho mestre.

Minha dica primeira é esquecer tudo o que viveu antes nos ensinos médio e fundamental. Nem pior e nem melhor, a realidade no ensino superior é apenas diferente e exige que os alunos sejam mais proativos na hora do estudo. Sabe aquela coisa do seu Professor de história mastigar todo o conteúdo pra você? Pois é, esqueça. Outra boa dica é ser curioso. Procure conversar com os colegas, tanto os calouros como você, como também com os veteranos. Se informe sobre as disciplinas, os professores, processos administrativos e acadêmicos, onde ficam os diversos setores da universidade. Ou seja, procure o máximo de informação possível. Mais cedo ou mais tarde elas vão ser muito úteis.

  1. Sobre seu TCC, já começou a fazer? Qual tema pretende abordar?

 Na época o currículo do curso não previa a necessidade de se fazer um TCC, o famoso (e temido), Trabalho de Conclusão de Curso. O mais próximo disso era um relatório de atividade de Estágio, em geral feito em duplas. Eu e minha dupla estagiamos numa turma do ensino noturno do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva (atualmente Colégio Estadual Professor João Costa). No relatório traçamos um perfil do aluno do turno da noite e analisamos as dificuldades enfrentadas por esse aluno, via de regra trabalhador durante o dia, em conciliar estudo e trabalho.

Colégio Estadual Prof. João Costa

Colégio Estadual Presidente Costa e Silva (atualmente Colégio Estadual Professor João Costa)

  1. Você se considera uma boa aluna(o)?

Apesar de ter sido um excelente aluno no ensino fundamental menor (da 1ª à 4ª série), bom no fundamental maior (da 5ª à 8ª série) e regular no ensino médio, considero que na universidade fui um aluno um tanto medíocre. Parte por precisar trabalhar e estudar, outro tanto pois por essa época já ter me decepcionado de vez com todo o sistema educacional em nosso país. No entanto, isso não me impediu de procurar correr atrás por conta própria de mais leitura e conteúdo.

  1. Você está 100% satisfeita com o curso que escolheu?

Durante o curso tive sérias dúvidas se era aquilo mesmo o que queria. Mas todas elas se foram quando comecei a lecionar. Apesar das dificuldades que enfrentei nos primeiros anos como professor, lecionar me ajudou a ter uma visão mais pé no chão da profissão e me ajudou a perceber o quanto ela era capaz de fornecer em prazer e satisfação ao exercê-la.

  1. O seu curso tem algum material especifico que não tem em outros cursos? (ex: estetoscópio e calculadora cientifica.)

Até onde eu saiba não existe nenhum material que seja específico do curso. Utilizamos bastante mapas e cartas e, em certos casos, aparelhos como o GPS. No entanto tanto as cartas e o GPS são muito utilizados por diversas outras áreas do conhecimento além da Geografia, embora sejam, quase sempre, ligadas a ela, especialmente pelo senso comum das pessoas.

  1. Na sua faculdade teve trote? Se sim como foi?

Não houve trote. Na realidade a UFS e outras universidades no Nordeste não possuem um histórico de trotes (ao menos não aqueles violentos ou humilhantes). Não é muito raro, no entanto, os veteranos promoverem trotes solidários, com arrecadação de roupas ou materiais de limpeza para instituições de caridade ou de acolhimento. Um desses trotes que ficou em minha memória foi o que foi feito tempos depois, quando eu já era veterano. Com a desculpa de que iríamos fazer uma dinâmica de grupo pedimos um dos calçados de cada calouro colocando-o num saco. Enquanto passávamos informações sobre o curso, discretamente demos sumiço nesse saco. A partir daí fizemos os calouros iniciar uma peregrinação pelo campus a procura do calçado desaparecido. E, a cada ponto onde insinuávamos ser o local onde estaria o saco sumido (reitoria, biblioteca, restaurante universitário etc.), um veterano estrategicamente ali postado explicava o que era e para que servia cada um daqueles prédios para, então, indicar o próximo passo. Ao final dessa gincana – terminando exatamente onde começou –, os calouros tinham adquirido uma gama considerável de informações, não apenas sobre seu curso, mas também sobre toda a universidade. E de quebra recuperaram os calçados.

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Trote o curso não teve, mas visitas técnicas e viagens de estudo foram várias. Na foto, uma das visitas técnicas ao Município de Laranjeiras (Alguém já me achou aí?)

  1. Seu curso tem muita matemática?

Não muita. Somente no segundo período precisamos usar bastante a matemática ao cursarmos a disciplina Cartografia Temática, onde aprendemos a fazer gráficos e tabelas os mais variados, e não apenas analisando os dados nelas contidos. Mas caso fosse do seu interesse, havia a possibilidade de se pegar a disciplina Introdução à Estatística, e aí sim, a matemática come solta. E como a matemática e eu vivemos uma relação de amor não correspondido, tratei de ficar bem longe dessa disciplina.

  1. Geralmente nas faculdades existem o “ciclo natural de desistência” a turma começa com 70 alunos e permanecem só 20. Isso aconteceu na sua faculdade?

De modo geral o curso de Geografia não possui um histórico de grandes desistências. Muitos alunos se atrasam, mas as desistências são poucas relativamente falando. Aliás, o terceiro período era famoso como o semestre que separava os calouros, pois era quando pegávamos a disciplina Geomorfologia Estrutural com o temido Professor Hélio Mário e Geografia Agrária da exigente Professora Núbia Dias. A coisa mais comum era metade da turma não conseguir passar em uma ou outra, não raro, em ambas. E, curiosamente, apesar de ter perdido várias matérias, fui aprovado nessas duas logo na primeira vez em que as cursei.

  1. Quais dicas você daria para quem está querendo começar a fazer o mesmo curso que você?

Esse é um conselho que eu daria a qualquer pessoa independentemente do curso escolhido: pesquise bastante sobre o seu curso. Procure saber o máximo possível sobre ele. Assim as chances de escolher uma área e acabar se arrependendo depois serão bem menores. E se isso ocorrer não hesite em mudar de área, mas não faça isso sem refletir bastante antes.

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Na foto o garboso grupo de alunos (olha eu ali escondido) que ajudou a organizar um dos vários eventos o curso, nesse caso o I Simpósio Sergipano de Geografia Contemporânea

  1. Já ficou em DP? Possui algum método diferente de estudo?

Sendo bem sincero, perdi várias disciplinas. Boa parte devido a dupla jornada trabalho/estudo. Mas uma ou duas por outros motivos. Para ficar somente num caso bem específico houve a vez em que logo no primeiro dia de aula de Geografia Urbana I, após uma explanação do professor, um aluno fez um comentário muito pertinente e embasado. Para nossa surpresa, ao invés de elogiar o comentário o professor displicentemente comentou: “Já sei qual é o seu problema: você lê demais!” diante de uma turma atônita, que não sabia se aquilo era algum tipo de piada (garanto que não era pois já conhecia o professor do semestre anterior com quem cursei a disciplina Geografia da População), dei uma gostosa gargalhada, peguei meus livros e saí daquela sala para nunca mais voltar. Tempos depois tive que explicar ao colega que minha gargalhada não era para ele, mas sim para a situação ridícula de ver um professor universitário tripudiar assim e um aluno que fizera um comentário tão pertinente e enriquecedor para a aula.

Por esse exemplo podemos dizer que meu método diferenciado de estudo podia muito bem ser evitar aprender esses maus exemplos dados por alguns profissionais. Felizmente não por todos.

  1. Faça um resumo básico do seu curso para quem estiver interesse em fazê-lo.

Em seus quatro anos o curso de Geografia Licenciatura procura dar ao aluno as competências para poder entender como o ser humano em suas diferentes sociedades é e foi capaz de alterar a superfície terrestre criando um espaço próprio, procurando entender as relações existentes entre o homem (como sociedade) e esse espaço, seja ele natural ou antrópico. Ainda trabalha as competências necessárias para ser capaz de transmitir esse conhecimento de modo didático e crítico levando o aluno a refletir sobre essa intricada relação entre ser humano e espaço.

É um curso bastante rico e abrangente que procura estudar a sociedade humana através de seus mais variados aspectos, utilizando para isso conhecimentos igualmente diversos, tais como da biologia, climatologia, geologia, economia, história, filosofia etc. Se, assim como eu, você estudou uma geografia decoreba e extremamente chata na escola, esqueça tudo isso. Geografia é uma ciência extremamente crítica, interessante e capaz de nos dar um entendimento e compreensão muito abrangente do mundo em que vivemos.

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Finalmente depois de muito esforço e luta, colando grau ao lado de meus orgulhosos pais

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FICÇÃO CIENTÍFICA, MISTÉRIOS E DISCOS VOADORES

Tempos atrás estava na biblioteca da universidade onde trabalho procurando livros para adicionar a minha meta de leitura do ano de 2017. Meio sem querer, descobri entre as seções de Metodologia Científica e de Filosofia uma seção destinada aos livros catalogados como sendo Realismo Fantástico. Entre obras de J. J. Benítez e Charles Berlitz topei com três títulos que chamaram minha atenção. Eram eles o curioso “Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas” de Rubens Teixeira Scavone, seguido do interessante “Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta”, de Pablo Villarrubia Mauso, finalizando com o instigante título “Porque Não Há Discos Voadores – A Lógica” de Max Sussol.

Justamente por apresentarem títulos curiosos, interessantes e instigantes fiquei extremamente interessado. E também porque, ao seu modo, cada um desses temas é do meu interesse. Desde os dez anos de idade, quando encontrei uma ­– já na época –, velha edição de “O Triângulo das Bermudas” de Charles Berlitz, os ditos mistérios de nosso mundo é um tema do meu agrado. Por isso, aproveitando o período de férias, catei as três obras na biblioteca e avidamente mergulhei em sua leitura.

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Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas de Rubens Teixeira Scavone

Comecei logo por “Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas” não apenas por ser o título que mais me chamou a atenção (afinal, o que temas aparentemente tão distintos como antigos cavaleiros medievais, o monstro de Mary Shelley e singularidades cósmicas tinham em comum para batizar a obra?), mas também por ser de autoria de um velho conhecido meu: Rubens Teixeira Scavone. Esse autor paulistano, apaixonado por ficção científica já me encantara no início da adolescência com o seu livro “O Projeto Dragão”, um livrinho curto e fascinante sobre as desventuras de um importante estudioso que acredita estar recebendo sinais de comunicação extraterrestre. Para anunciar a importante descoberta, convoca inúmeros colegas das mais variadas áreas da ciência ao complexo onde se encontra o imenso radiotelescópio que vem recebendo os sinais.

Esse livrinho de pouco mais de 90 páginas até hoje me fascina pelo modo sóbrio com que tratou de ciência e ficção científica. “Templários…” conseguiu o mesmo feito mais de 15 anos depois. Coletânea de textos do autor, a obra trata com muita propriedade tanto sobre ciência como sobre ficção científica, não raro mostrando as interessantes e curiosas imbricações entre elas. Apesar de ter achado o primeiro texto um pouco hermético demais, o restante do livro foi um verdadeiro deleite.

Cada capítulo é um convite para a reflexão com base no rico acervo de informações e curiosidades sobre temas ainda mais variados que aqueles sugeridos pelo título. De onde viriam os Discos Voadores? De que sistema planetário, de qual galáxia? Tripulados por que espécie de criaturas; que pretenderiam da Terra? O que é ficção científica? Legítimo gênero literário ou formulação inconsequente de cérebros privilegiados? Os terrestres já enviaram mensagens para os extraterrestres, quando e como virão as respostas? Ou visitas? Esses são apenas alguns dos temas abordados aqui, de modo fascinante, honesto e erudito. Um livro altamente recomendado a todos que se interessam pelo assunto.

Misterios do Brasil

Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta, de Pablo Villarrubia Mauso

O encantamento, no entanto, durou só o tempo e terminar a leitura e partir para a próxima obra. Foi começar a leitura de “Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta” e percebi logo de cara a diferença no tratamento do assunto. Se no primeiro livro a tônica dada pelo autor era o de seriedade cética ao tratar cada tema (mesmos os mais controversos como nos casos dos discos-voadores), o mesmo não pode se dizer de Pablo Villarrubia Mauso. Desde o início sua obra se pauta pela intensa credulidade para com qualquer dos supostos mistérios que o autor vai encontrando por suas viagens pelo Brasil. Espécie de diário de viagens por mais de trinta e uma cidades brasileiras, onde o autor brasileiro – mas radicado na Espanha – relata suas pesquisas sobre lendas e monstros de nosso folclore nos estados do Maranhão, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e outros o livro nos leva por uma aventura pelo interior desses estados enquanto nos apresenta a todos aqueles mitos e crenças já velhos conhecidos nossos: lobisomens, mapinguaris, curupiras, uma velha casa abandonada e supostamente assombrada por fantasmas, dentre outros similares. Tudo isso temperado com as próprias crenças do autor, que bebe diretamente na fonte do teórico, escritor, arqueólogo e picareta de carteirinha Erich Von Däniken. Não há explicação lógica para os fenômenos observados? Simples: atuação de alienígenas! Estranhas aparições relatadas pelos habitantes locais? Com certeza são seres de outro mundo! E obra vai seguindo nesse tom.

Essa foi a parte que mais me incomodou na escrita de Villarrubia: a facilidade para creditar ao fantástico a causa dos mistérios investigados, não raro atacando sutilmente as pesquisas sérias realizadas sobre os mesmos temas. Infelizmente esse é o tipo de livro que acaba cultivando o interesse das pessoas com pouco ou nenhum conhecimento científico, criando um círculo vicioso que leva a ainda menos interesse pelo conhecimento científico de fato fazendo que consumam cada vez mais o tipo e pseudociência crédula (e não raro criminosa, embora não seja o caso aqui).

Contudo, apesar da insistente credulidade do autor, “Mistérios do Brasil” não deixa de ser um livro interessante e curioso, especialmente por mostrar um Brasil ainda bem pouco conhecido por nós mesmo brasileiros. Não chega nem perto da qualidade da obra anterior, de Rubens Teixeira Scavone, mas nem por isso deixa de ser uma obra interessante, desde que não se leve em conta os ataques as pesquisas sérias feitas por Vilarrubia. E sua relativa qualidade ficaria ainda mais evidente no avançar a leitura do próximo livro.

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Porque Não Há Discos Voadores – A Lógica” de Max Sussol

Como comentei na TAG: Copa do Mundo, “Porque Não Há Discos Voadores: A Lógica” engana passando a ideia de ser uma obra fruto de uma vasta pesquisa muito bem documentada. A bem da verdade, pesquisa e documentos não faltam no livro. Mas é só. Todo o livro se resume a nada mais que um gigantesco recorte de notícias sobre os avanços (e supostos avanços também) das potências americana e soviética na época da Guerra Fria. Tais tecnologias, segundo o autor (nas pouquíssimas vezes em que tentou analisar algo), sendo observadas por pessoas leigas durante seus testes seriam facilmente confundidas com discos voadores ou máquinas de outros mundos. E é isso. Eis toda a lógica prometida no título do livro após entediantes 400 páginas.

Essa suposta lógica (de que nem tudo de desconhecido que vemos nos céus seja necessariamente um disco voador) é tão boba que qualquer pessoa toma conhecimento de sua existência nos primeiros momentos de estudos de qualquer ciência ligada aos fenômenos atmosféricos, mesmo quando o intuito passa longe dos estudos ufológicos. Só para ficar num exemplo, quando estava na universidade, ao estudar a disciplina Climatologia Aplicada aprendemos sobre as nuvens lenticulares, que, devido ao seu formato peculiar são comumente confundidas com naves espaciais. É algo tão batido que mesmo muitos sites e portais de ufologia possuem postagens sobre esse tema e outros similares. Ou seja, nada de novo na lógica do Sr. Max Sussol.

Nuvens lenticulares

Dois exemplos típicos de nuvens lenticulares

A leitura dessas três obras de temas relativamente próximo, ainda que com abordagens tão distintas por parte de seus autores, serviu para me lembrar como o nosso mundo é cheio de coisas maravilhosas, algumas tão misteriosas quanto fascinantes, sendo que muitas delas exigem de nós uma mente aberta e receptiva no esforço contínuo de tentar entendê-las. Mas, principalmente, lembrou-me que não podemos nos deixar levar pela credulidade excessiva, aceitando explicações fantasiosas apenas porque se adequam às nossas teorias, mesmo sem nenhuma evidência. Ou ainda, que amontoar um monte de supostas evidências sem racionaliza-las e nem relaciona-las entre si e as teorias que se quer provar (ou refutar) também não adianta de nada.

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