OS 5 CLIPS DO PALAVRA CANTADA PREDILETOS DE HEITOR

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Alguém disse Palavra Cantada?

Palavra Cantada é o projeto musical formado em 1994 por Sandra Perez e Paulo Tatit. Com a proposta de criar novas canções para as crianças brasileiras, o projeto vem agradando o público e também a crítica com um trabalho de muita qualidade, apresentando músicas e clips com muito respeito à inteligência e sensibilidade da criança.

Aqui em casa, desde o nascimento de nosso filho Heitor, minha esposa fez questão de apresenta-lo aos seus clips através do canal oficial do projeto no Youtube. E ele não só gostou como já tem os seus clipes preferidos, aqueles que, quando começam, ele dá uma gostosa gargalhada banguela. Bom, nem tão banguela hoje me dia, com o nascimento dos primeiros dentinhos.

E pra comemorar seu primeiro aniversário, listo aqui os cinco clipes preferidos do pequeno Heitor. Como eu sei que são esses os seus preferidos? Só posso dizer que, depois de quase um ano assistindo todos os vídeos com ele, o papai e a mamãe acabam sabendo quais são os preferidos do filhão e aqueles que ele assiste porque tá lá mesmo.

Confira a lista e, se você for pai ou mãe de um bebezinho, olha, recomendo muito o canal e os produtos da dupla!

5-O VIRA

Clássico dos Secos & Molhados (que não coincidentemente falei sobre nesse texto de hoje também), Heitor fica quietinho assistindo esse clip. Aliás uns dos meus preferidos também e um belo começo pra quem nasceu no dia do Rock.

4-MENINA MOLECA

Temos na família a pequena Lorena, prima de Heitor e um anos mais velha que ele. E ela parece ser a própria Menina Moleca desse vídeo.

3-LEÃOZINHO

Outro clássico saído direto da MPB, a animação que mostra a amizade de um garoto e seu leãozinho deixa Heitor encantado com os olhos fixos na tv todo o tempo.

2-SOPA

Essa é um clássico do palavra Cantada e Heitor adora! É botar pra tocar que ele para o que estiver fazendo pra assistir.

1-EU SOU UM BEBEZINHO

Simplesmente o vídeo preferido de Heitor. Sempre que o assiste, acaba o choro, acaba a dor, acaba o dengo, acaba tudo. Sei lá, acho que rola uma identificação com o bebezinho da animação. De qualquer modo, agradeço muito por esse vídeo existir. Já nos tirou, a mãe e eu, de muitos apertos chorosos com nosso bebezinho!

*  *  *

Logicamente que Heitor não assiste apenas ao Palavra Cantada, embora inegavelmente seja o preferido dele. Aos pouquinhos vamos descobrindo por essa internet sem fronteiras outros vídeos e músicas que agradam o gostinho (bem exigente por sinal) do pequenino. Curioso é o seu gosto por músicas da MPB como vimos nessa lista onde aparecem Secos & Molhados e Caetano Veloso. Além desses ele gosta muito de um vídeo que apesar de ser chamado de Chico & Vinicius para Crianças, tem Toquinho, Nara Leão e outros. Vale a pena conferir também.

E, claro, como um bom nascido no dia do Rock, sempre que rola um Iron Maiden e Black Sabbath, ele curte a sonzeira com o papai!

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“Hojé é dia de Rock, Bebê!!!”

 

 

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Secos & Molhados

Banda: Secos & Molhados

Integrantes: João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão)

Gravação: 23 de maio a 7 de junho de 1973 no Estúdio Prova, em São Paulo

Lançamento: Agosto de 1973

Duração: 30min 54s

Produção: Moracy do Val

Sobre o disco:

Início da década de 70. Em plena Ditadura Militar, com a censura e repressão correndo solta, surge um grupo abusando da maquiagem, figurinos exóticos, letras marcantes (algumas provocativas e sugestivas) e um rebolativo cantor de voz afinadíssima. Esses são os Secos & Molhados, único representante brasileiro a constar nessa lista.

Mesclando canções do folclore português com tradições brasileiras e poemas de Vinicius de Morais e Manuel Bandeira, o disco é constante do início ao fim, não apresentando queda de qualidade em nenhuma faixa. Mesmo as mais complexas ou de difícil entendimento conseguem encantar graças a bem dosada harmonia entre letra e música.

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O disco foi um sucesso imediato de vendas, que surpreendeu a todos. A gravadora Continental tinha produzido apenas 1.500 cópias, mas graças a uma aparição do grupo na estreia do Fantástico, gerou uma expectativa no público. Resultado: as 1.500 cópias rapidamente se esgotaram levando a gravadora, segundo conta Ney Matogrosso, a derreter os discos que não vendiam para produzir mais cópias de Secos & Molhados.

Tendo como influências os Beatles e o florescente tropicalismo, de onde o grupo tirou muito de suas, para a época, ousadas performances ao vivo, o disco está recheados de hits, que ainda hoje fazem sucesso, sendo “Rosa de Hiroshima” e “O Vira” os maiores sucessos. A maior virtude do ábum, no entanto, é sua capacidade de agradar um grande espectro de públicos, segundo Antonio Carlos Morari, no livro Secos & Molhados da editora Nórdica: “Primavera nos Dentes” e “Mulher Barriguda” para os engajados, “Rosa de Hiroshima” tornou-se hino dos pacifistas, “Prece Cósmica” para hippies e místicos, “Rondó do Capitão” embalava o público infantil, “O Vira” fazia a alegria do público massivo das rádios e, por fim, os poemas musicados davam o tom erudito (sem parecer pomposo) para ouvintes mais letrados.

Existe certa controvérsia se esse disco é ou não um disco de rock. Os próprios integrantes da banda já afirmaram terem se surpreendido com críticas que classificavam o trabalho como rock. Ao tomar conhecimento da lista estranhei é bem verdade que estranhei sua presença. O disco em si possui elementos que fazem parte da origem do próprio rock, a exemplo do folk, além da psicodelia e do glam rock que fizeram muito sucesso nos anos 1960 e 70. Também são vários os críticos que consideram esse primeiro trabalho dos Secos & Molhados um disco de glam rock, com todas as características que fizeram esse sub-gênero tão marcante tanto na caracterização como na sonoridade. Assim, considero esse debate se o disco é rock não meio desnecessário, uma vez que são vários os elementos que confirmam a veia roqueira desse disco.

Na realidade, vejo nesse suposto debate uma forma de preconceito velado em relação a banda, por parte de uma parcela de ditos roqueiros. Pesquisando sobre o álbum para esse texto, encontrei muitas críticas a sua presença nessa lista. Críticas vazias onde se nota um intenso machismo para com o disco. Para alguns dos autores dessas críticas, o rock parece se resumir aos subgêneros mais pesados, tais como o punk e o heavy metal, não permitindo ou aceitando versões – que em suas mentes preconceituosas – são menos másculas.

Num desses sites, aliás, o autor se propôs a comentar todos os discos, cinco por post (ideia interessante), onde destilou muito ódio a roqueiras mulheres (chamando inclusive The Go-Go’s de periguetes, muito provavelmente porque elas ousavam fazer tudo aquilo que roqueiros homens faziam desde sempre, ou seja, sexo casual e uso de drogas) e bandas mais populares a exemplo do U2. O autor ainda menosprezou as bandas que procuravam inovar saindo do lugar comum do gênero, desqualificando os excelentes trabalhos do New Order, Foo Fighters e Supertramp (banda a qual ele sequer comentou de fato), questionando se tais trabalhos eram mesmo rock, apenas porque não se enquadram aos seus padrões, os quais ele jamais explica quais são, diga-se de passagem. Nos posts seguintes (ele parou na 79ª posição da lista), ele se divide em elogiar o que gosta – David Bowie, Kiss, AC/DC etc. – e continuara a malhar o que não gosta. Chega ao cúmulo de dizer que prefere ver Scheila Carvalho rebolando no É o Tchan a escutar Garbage. Por aí já se tira o nível do rapaz.

E, ao tratar dos Secos & Molhados, ele simplesmente vocifera: “Preciso comentar algo?! EU PRECISO REALMENTE COMENTAR ALGO SOBRE ISSO?!” Precisa sim, amigão, precisa e muito.

Não gostar de determinado ritmo, gênero, subgênero ou tendência é algo normal. Anormal é tentar usar nosso gosto pessoal pra tentar desmerecer ou não determinada banda, disco, música, qualquer coisa, aliás. Quando me propus a falar um pouco sobre cada um dos cem discos da lista da Playboy, não foi porque a considero A LISTA. Na realidade eu poderia ter usado qualquer uma das zilhões de listas existentes mundo a fora, algumas (opinião minha) melhores outras piores. Por que essa então? Por ter sido com ela a primeira vez que eu tomava conhecimento pra valer de nomes que admiro e escuto bastante. David Bowie, The Who, Iggy Pop e sim, The Go-Go’s e Alanis (que podem não ter feito nada de bom depois, mas Beauty and Beat e Jagged Little Pill são sim excelentes trabalhos). Como eu disse no primeiro post, não considero nenhuma lista como sendo perfeita, mas são boas oportunidades para se aprender mais. E, ao escrever sobre cada um dos discos dessa lista, tenho tentado a muito custo deixar de lado minha opinião, e analisar cada um deles com o máximo de isenção possível.

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Secos & Molhados é rock sim, mas também é MPB, poesia, crítica social, engajamento político e muito mais. Tenho um carinho especial por esse disco, pois em minha casa existia uma cópia em vinil do ano de seu lançamento. Cresci ouvindo os sucessos do grupo e considero esse um dos mais belos discos já gravados em nosso país.

Para finalizar, duas curiosidades: o grupo ficou tão famoso no Brasil na época do lançamento desse disco que acabou dando origem ao mito de que os integrantes do Kiss teriam se inspirado nos brasileiros para compor suas maquiagens. E a curiosa capa do disco é considerada uma das mais icônicas da história da música brasileira e tem uma história bem bacana que vale a pena conferir aqui nesse link.

Abaixo vocês conferem a belíssima interpretação de Ney Matogrosso para Rosa de Hiroshima ao vivo no Maracanazinho

Para conferir os outros textos é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock

A CONQUISTA DE SERGIPE DEL REY

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Bandeira de Sergipe – Imagem do Portal de Sergipe

Oito de Julho é a data em que se comemora a Emancipação Política de Sergipe. Em teoria é a data cívica mais importante do calendário estadual. Infelizmente, conforme relatei nesse texto de exatamente um ano atrás, o caráter comemorativo da data foi se perdendo com o tempo, num misto de desinteresse das instituições (governamentais ou não) de se valorizar e dar a conhecer os aspectos históricos e culturais de nosso estado, bem como um certo sentimento de desapego do próprio sergipano para com esses aspectos.

No contínuo esforço de se conhecer e, principalmente, dar a conhecer esses e outros aspectos de Sergipe, iniciei uma pesquisa com o intuito de resgatar a história do “descobrimento”, conquista e consequente colonização de seu território (sem obviamente esquecer o massacre das tribos de nativos), até sua emancipação da Bahia em 1820, assim como seus inúmeros personagens. Contrariando minhas expectativas, encontrei em sites e livros um rico material (ainda que com algumas lacunas sobre determinados fatos e eventos) que, uma vez organizado, levou a um texto enorme, além de ter consumido um longo período de dedicação e escrita que fatalmente impediria sua publicação a tempo de ser postado no dia 08 de Julho, conforme minha intenção. Assim, optei por dividir o material em três textos menores (mas nem tanto), os quais irei postando a medida que forem sendo concluídos.

Nesse primeiro texto veremos como se deu o início da formação do estado de Sergipe com a chegada dos portugueses às nossas praias em 1501, as primeiras tentativas de colonização culminando numa guerra que levou ao extermínio de boa parte dos seus habitantes originários, os indígenas, em 1590. O segundo texto contará sobre a colonização propriamente dita, a invasão holandesa e anexação à Capitania da Bahia abrangendo o período de tempo entre 1590 à 1763.  Finalmente no terceiro e último texto saberemos como se deu a emancipação política, a luta pela sua confirmação e uma visão breve dos governos nos primeiros anos de autonomia política até a mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju em 1855.

Essa foi a maneira que encontrei para não apenas celebrar os 196 anos de nossa Emancipação Política, mas especialmente nossa Sergipanidade: lembrando da história hoje virtualmente esquecida pelos sergipanos.

O primeiro relato histórico referente ao território do futuro Estado de Sergipe é encontrado em carta do piloto florentino Américo Vespúcio, onde são narrados os principais fatos ocorridos na primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pela Coroa Portuguesa, sob o comando de Gaspar de Lemos em 1501. Informa-se nessa carta, que as três naus que compunham a expedição tiveram dificuldades em desembarcar na altura do estuário do rio São Francisco, encontrando mais ao sul praias que permitiam a frota ancorar, favorecendo também o desembarque. Com base nesse relato, os historiadores atuais concluem que esse desembarque ocorreu no litoral próximo à foz do rio Vaza-Barris.

A Expedição permaneceu cinco dias naquele local. Do contato com os nativos, Vespúcio escreveu: “…assentamos de trazer deste lugar um par de homens para aprender a língua e vieram três deles por sua vontade para o Portugal.” Conforme conclui a historiadora Maria Thetis Nunes no livro “Sergipe Colonial I” – de onde esse relato foi extraído –, foram estes os primeiros sergipanos a emigrar. No local onde aportaram predominavam as tribos Tupinambás e Caetés, mas no território viviam também os Aramurus e Kiriris nas margens dos rios São Francisco e Jacaré, os Aramaris, Abacatiaras e Ramaris no interior, além dos Boimés, Karapatós e os Natus.

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Vista aérea da foz do Rio Vaza-Barris atualmente

Com a divisão do Brasil pela Coroa em 15 Capitanias Hereditárias, em 1534, os Sertões do Rio Real (como a região era conhecida entre os portugueses até então) foram integrados a Capitania da Bahia de Todos os Santos, a qual foi doada a Francisco Pereira Coutinho, português que fizera fortuna nas Índias. Em 1536 chegava o donatário à Bahia, dando inicio à colonização fundando, onde hoje se encontra o Farol da Barra em Salvador, o Arraial do Pereira, mais tarde chamada de Vila Velha do Pereira. Sua presença não teve nenhum efeito sobre Sergipe, que, esquecido, favoreceu a ação de piratas franceses que contrabandeavam com a colaboração dos Tupinambás os produtos da região, dentre eles o Pau-Brasil.

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Tomé de Souza durante a construção de Salvador

Em 1547, após se retirar para a vizinha Capitania de Porto Seguro devido a divergências com alguns colonos, Francisco Pereira Coutinho retornava para Salvador quando naufragou próximo à Ilha de Itaparica, sendo aprisionado e morto pelos índios tupinambás. Com sua morte a Coroa compra a Capitania dos herdeiros e a torna sede do Governo-Geral, novo sistema implantado em virtude do fracasso do sistema anterior de Capitanias Hereditárias. Tomé de Souza foi nomeado Governador Geral sendo uma de suas atribuições a exploração das terras até o rio São Francisco.

Por essa época os Sertões do Rio Real já eram conhecidos pelo nome do principal rio da região, chamado pelos indígenas de Siriípe, que significa Rio dos Siris. No falar e principalmente no escrever dos colonizadores Siriípe foi se transformando e assumindo as pronúncias e grafias de Cirizipe, Cirigype, Serigype, até assumir sua forma atual: Sergipe. Por encontrar-se em Capitania pertencente à Coroa Portuguesa, e também para diferencia-la de uma localidade baiana chamada Sergipe do Conde, as terras passaram a ser conhecidas como Sergipe Del Rey depois de sua conquista.

Apesar das ordens reais, nem Tomé de Souza e nem seus sucessores Duarte da Costa e Mem de Sá tiveram êxito em explorar as terras sergipanas. Mas onde os colonizadores falhavam, tinham sucesso os jesuítas através de suas expedições missionárias, que adentravam os sertões inexplorados pelos portugueses com o objetivo de catequizar os selvagens indígenas.

No entanto, no governo de Mem de Sá, foi realizada uma grande perseguição aos índios, com o pretexto de puni-los por terem devorado Dom Pero Fernandes Sardinha, o Primeiro Bispo do Brasil, em 1556, durante o governo de seu antecessor, Duarte da Costa. A violência foi tamanha que, com a denúncia dos jesuítas dos crimes à corte, essa decidiu que a guerra era injusta, ordenando que os índios capturados fossem postos em liberdade. Devido a essa perseguição os indígenas do território sergipano passaram a odiar e temer os portugueses, intensificando sua aliança com os franceses.

Essa perseguição não impediu que, em 1575, o Padre Gaspar Lourenço e o Padre João Salônio, em expedição missionária da qual faziam parte alguns colonos e um grupo de soldados da Bahia, atravessem o Rio Real e ergam uma capela jesuítica nas proximidades do rio Piauí e uma escola, chamada de São Sebastião, tendo o Padre João Salônio o seu professor. Ali acabou sendo fundado pouco depois o povoado de São Tomé por Garcia D’Ávila a quem o Governador de Salvador Luís de Brito delegara o início da colonização de Sergipe e que muito provavelmente comandava a expedição. Mais tarde a vila seria rebatizada de Vila de Santa Luzia do Piaguy (como era grafado o nome do rio Piauí) e posteriormente Vila de Santa Luzia de Itanhy, a qual deu origem a cidade atual com mesmo nome. Os padres ainda construiriam mais adiante na margem direita do rio Vaza-Barris a igreja de Santo Inácio, próximo da atual cidade de Itaporanga D’Ajuda, e a igreja de São Paulo no litoral em alguma localidade próximo de onde séculos mais tarde se ergueria a atual capital, Aracaju. A empreitada dos padres contou com a colaboração e apoio de três líderes locais, que entrariam para a história de Sergipe: os Caciques Aperipê (líder as terras do rio Real até próximo ao rio Vaza-Barris), Surubi (líder da região do rio Vaza-Barris) e aquele que viria a ser seu principal líder, o Cacique Serigy (no litoral).

Igreja de Santa Luzia do Itanhi-Prefeitura municipal

Atual Igreja de Santa Luzia do Itanhy

Infelizmente a colaboração com os jesuítas terminaria de forma trágica. Insatisfeito com a atuação dos padres, o Governador Luís de Brito não aprovou a fundação do povoado de São Tomé, e, sob determinação do governo português, ainda em 1575, atravessou o rio Real com um exército de soldados e moradores da Bahia. Os padres mandaram avisos de que os índios não desejavam confrontos e estavam dispostos a tornarem-se cristãos, mas o governador não lhes deu ouvidos. Na realidade, o interesse do governo luso não era o de catequizar os índios, mas sim que fossem pacificados pelos padres, facilitando assim sua captura e a conquista de suas terras.

Receando o avanço das tropas os índios fugiram das Missões, levando Luis de Brito a usar essa fuga como pretexto para caçar os fugitivos alegando “uma quebra da paz” dando inicio a um ataque violento e mortal sobre as aldeias. Na luta que se travou os indígenas, pegos de surpresa, tiveram suas aldeias destruídas, morrendo Surubi com um tiro de mosquete ao defender o Povoado de Santo Inácio, o qual também foi destruído. Foi seguido por homens do governador por cerca de cinquenta léguas, mas conseguiu escapar. Os índios sobreviventes escaparam da captura fugindo para o interior juntamente com Aperipê. Durante os combates foram capturados mais de mil e duzentos índios. Esses foram transportados para Salvador onde, em pouco mais de um ano de cativeiro a varíola e o sarampo matou metade deles.

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Cidade de Itaporanga D’Ajuda: Foi nessa região que Surubi foi morto ao tentar defender seu povo do ataque ao Povoado de Santo Inácio

Para vingar a morte de Surubi, Serigy se uniu aos seus irmãos Siriri e Pacatuba (líderes das terras dos atuais rios Sergipe ao Siriri e entre os rios Poxim do Norte e São Francisco, respectivamente). Aos irmãos se uniriam ainda os Caciques Japaratuba e também Aperipê. Juntos formulam um plano de vingança. Solicitam o envio de nova missão jesuítica sob uma suposta alegação de paz. Apesar dos reforços enviados com os jesuítas, foram todos mortos, dando início à, assim chamada pela Coroa Portuguesa, “guerra justa” contra os indígenas.

Com o apoio dos quatro chefes indígenas, Serigy estruturou uma forte milícia dentre os jovens guerreiros de sua tribo, reforçada pelos guerreiros das demais aldeias. Acredita-se que em torno de 20.000 índios fizessem parte dessa formação, com 1.800 deles mobilizados e prontos para o combate defendendo as terras sergipanas do invasor português, com um segundo agrupamento em constante treinamento de aproximadamente 1.000 guerreiros, cuja função era substituir prontamente os mortos na linha de frente. O próprio Serigy, auxiliado por seus comandados, escolhia os mais fortes e ágeis no manejo das flechas, zarabatanas e armas de fogo. Essas últimas eram conseguidas através de relações de troca com os franceses.

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Estátua representando o Cacique Serigy, localizada no Palácio Serigy no Centro histórico de Aracaju

Sob o comando de Serigy, os índios sergipanos resistiram aos ataques portugueses até o ano de 1590. Devido a sua localização privilegiada entre a capital da Colônia e a próspera Capitania de Pernambuco, os portugueses precisavam criar caminhos seguros através do território sergipano. Mas todas essas tentativas foram rechaçadas pelos homens dos cinco caciques defensores das terras sergipanas.

O destino dos guerreiros de Serigy viria a mudar quando, cansado das constantes derrotas, o governo colonial deu ao então governador de Salvador, o Capitão-Mor Cristóvão de Barros, o comando de uma esquadra de guerra e a chefia de uma milícia a soldo ao quais se juntaram aventureiros e colonos baianos. Nas palavras de Luis Antônio Barreto, destacado historiador e jornalista sergipano, Cristóvão de Barros era um “veterano em dizimar índios”, tendo atuado junto a Mem de Sá em 1566, quando socorreram os moradores do Rio de Janeiro expulsando e massacrando os índios tamoios que ali viviam.

Nos últimos meses de 1589 a esquadra chega ao litoral sergipano na região controlada por Serigy. Travam-se intensas batalhas e, segundo alguns relatos não confirmados, o próprio Cristóvão de Barros teria tentado negociar um acordo com Serigy para fundar uma cidade nas margens do rio Sergipe, pois desejava evitar mais confrontos sangrentos. O líder indígena, no entanto rejeitou o acordo, pois sabia que essa seria o início da colonização e do extermínio de seu povo.

Seguiu-se uma intensa batalha e, após quase um mês de lutas, “na noite de ano novo de 1590, quando os arcos e flechas dos guerreiros de Baepeba (como também era conhecido Serigy) e seus aliados sucumbem aos arcabuzes das tropas portuguesas, o que se declara é que já não é possível deter o avanço dos conquistadores,” conforme relatado por Beatriz Góis Dantas, professora de Antropologia da UFS. As fontes históricas sobre o que aconteceu após a batalha falam pouco sobre o destino dos cinco caciques que resistiram até o fim. Acredita-se que, uma vez que não foi relatada a captura de nenhum deles, tenham morrido na batalha Aperipê, Siriri, Pacatuba e Japaratuba. Serigy teria sido o único capturado e enviado à prisão na Bahia onde morreu devido a uma greve de fome contra a escravidão que lhe fora imposta. Seria esse o último ato de rebeldia do guerreiro ao qual se somou uma maldição lançada com seus últimos suspiros sobre as terras conquistadas: “Nada que se fizesse por aqueles prados dará certo!” Infelizmente o colonizador não tinha interesse em documentar com detalhes nada que dissesse respeito aos nativos, por isso esses fatos não podem ser confirmados, embora seu caráter lendário ajude a enriquecer o contexto cultural sergipano.

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Mural de Jenner Augusto, representando os povos indígenas de Sergipe

Com a conquista, Cristóvão de Barros – próximo às praias onde 265 anos depois seria construída a cidade de Aracaju -, funda a cidade de São Cristóvão, a quarta mais antiga do Brasil, e a torna sede do governo da Capitania a qual oficializou o nome de Sergipe Del Rey. Em 1763 Sergipe seria incorporada, juntamente com as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro à Capitania da Bahia a qual só terminaria em 08 de julho de 1820, quando da Emancipação Política promulgada por Dom João VI.

O saldo da “guerra justa” contou com mais de 4.000 índios escravizados e cerca de 2.400 mortos. No entanto, o etnocídio e o genocídio das tribos indígenas de Sergipe não parou aí, estendendo-se por todo o século XVII e XVIII com o avanço para o interior e às margens do São Francisco onde se refugiaram os poucos sobreviventes da Guerra de Conquista de Sergipe. Resistindo ao desaparecimento, sobrou apenas a comunidade indígena Xokó, na antiga Missão de São Pedro em Porto da Folha, município do sertão sergipano às margens do rio São Francisco.

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Brasão da capitania de Sergipe Del Rey

Fontes utilizadas nesse texto (e para se aprender mais):

Agência Sergipe de Notícias

Blog Ser Tão/Sertão

Ache Tudo e Região

Povos Indígenas de Sergipe

Livros:

“Apontamentos para a História da Companhia de Jesus”, de Antônio Henrique Leal;

“Investigações Histórico-Geográficas de Sergipe”, de Felte Bezerra;

“Sergipe Colonial I” de Maria Thétis Nunes;

“Textos para a História de Sergipe”, de Diana Maria de Faro Leal Diniz (Organizadora).

AUTORAS/ES QUE ME INFLUENCIARAM

A querida Sybylla, capitã do Momentum Saga, me marcou em sua página do Facebook para responder esse desafio. As regras são bem simples: devo listar 20 autoras e autores que me influenciaram e que sempre ficarão comigo; devo listar os primeiros vinte nomes que me vierem a mente em mais ou menos 15 minutos e depois marcar mais 15 amigos (incluindo aí o amigo que me marcou para que possa ver minha lista).

Bom, por aí já deu pra ver que esse era pra ser um desafio a ser respondido lá mesmo nos domínios do titio Lex Luthor, digo, Mark Zuckerberg. Mas, aproveitando o período intenso de trabalho aqui na universidade a dificultar minha dedicação aos textos ainda a serem postados no Habeas, resolvi pegar a ideia e trazê-la para cá. Mantendo o espírito da primeira regra, listei os 20 primeiros nomes que vieram na minha mente. Procurei apenas tomar o cuidado de verificar se não fui lembrando apenas de nomes lidos recentemente e, portanto, ainda frescos na minha memória, mas sim nomes que, de fato, me influenciaram e que, acredito piamente, continuarão comigo.

Embora não fosse uma regra, procurei falar brevemente sobre cada um dos nomes citados. Sendo a lista um pouco extensa (20 nomes!), procurei ser o mais breve e direto possível nos comentários sobre cada.

E quanto a regra de marcar 15 amigos, prefiro marcar os leitores dessa postagem que façam suas listas e respondam aqui nos comentários ou em seus blogs, fanpages etc. E se der, coloquem os links nos comentários também para que possamos conhecer suas influências literárias.

1-Monteiro Lobato

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Foi com esse autor que iniciei o meu gosto pela leitura conforme já contei nesse post.

2-Silvia Cintra Franco

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Primeira autora da lista da série Vaga-Lume. Seus livros com protagonistas femininas fortes e interessantes sempre me encantaram. Foi no seu livro “A Barreira do Inferno” que fui apresentado ao termo “feminista” e a Simone Beauvoir.

3-Maria José Dupré

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Autora de um dos livros mais doídos que já li. “Éramos Seis” conta a sofrida história de Dona Lola. Também escreveu as deliciosas aventuras do Cachorrinho Samba e “A Ilha Perdida”, outro clássico da Vaga-Lume.

4-Agatha Christie

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Sou viciado nas histórias da Rainha do Crime, pelo modo como ela conduz as histórias, com tramas muito bem amarradas e instigantes.

5-Cecília Meireles

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Me encanta desde que li “Ou Isto Ou Aquilo”, numa longínqua 1ª série.

6-José Maviael Monteiro

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O sergipano da lista que me orgulha e encanta com seus livros na série Vaga-Lume “Os Barcos de Papel”, “O Outro Lado da Ilha” e “O Ninho dos Gaviões”.

7-Marcos Rey

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Outro autor bacana demais da Vaga-Lume e o que mais publicou para o pequeno Luminoso – nome do vaga-lume cheio de estilo e mascote da série.

8-Pedro Bandeira

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“A Marca de Uma Lágrima”, versão adolescente do clássico “Cyrano de Bergerac”, é, ainda hoje, o meu livro preferido do autor. Pedro Bandeira é daqueles autores com jeito pra escrever para adolescentes.

9-J. J. Benítez

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Existem autores que nos mostram o que fazer e aqueles que nos ensinam o que devemos evitar. J. J. Benítez se encaixa na segunda opção.

10-J. K. Rowling

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Só fui ler sua obra mais famosa muito recentemente. Só uma coisa a dizer: Perfeita!

11-J. R. R. Tolkien

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A cativante história de uma jornada cheia de perigos e de detalhes, com personagens interessantes e um enredo maravilhoso. E depois de “O Hobbit” ele elevaria isso a enésima potência com “O Senhor dos Anéis”.

12-Maurício de Sousa

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Se há um responsável por eu adorar história em quadrinhos, esse é certamente Maurício de Souza e suas histórias da turminha do Limoeiro.

13-Chris Claremont

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E se há um responsável por eu ser fanático pelos X-Men, esse certamente é Chris Claremont e sua fase dourada a frente dos Filhos do Átomo.

14-Ziraldo

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Só por ter escrito “Flicts”, que eu li quando tinha nove anos na biblioteca da escola, Ziraldo já merece estar nessa lista.

15-Will Eisner

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Gênio que me ensinou que quadrinhos também é arte e literatura das boas!

16-Gabriel Garcia Marquez

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Por encantar um adolescente com um curioso e instigante conto lido numa edição qualquer de uma Playboy qualquer. Um brinde da revista pelo lançamento de seu mais novo livro: “Doze Contos Peregrinos”.

17-Máximo Gorki

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Novamente um conto instigante lido por um adolescente ávido por novas leituras num velho calhamaço intitulado Titãs do Amor. O começo de um amor platônico com a literatura russa.

18-Clarice Lispector

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Antes de virar celebridade de textos que nunca escreveu no Facebook, li (e me apaixonei por) seu conto “O Banho”. Encanto com seus textos densos que sempre exigem uma releitura, um novo olhar.

19-Alan Moore

Alan Moore

Maurício de Souza iniciou a paixão, Chris Claremont e Will Eisner consolidaram, mas quem mostrou mesmo o quão maravilhoso, fascinante, denso e cheio de possibilidades é o mundo das HQs, este, certamente, foi o britânico mago barbudo.

20-George Orwell

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O autor de “A Revolução dos Bichos” e “1984”. Livros que já conheci adulto, mas mesmo assim me influenciaram como poucos.

*  *  *

Finalmente, enquanto ainda no processo de criação da lista, acabei sendo marcado novamente, desta vez pela amiga Izabela, uma das madrinhas do Habeas Mentem. Taí, Iza! Desafio respondido!

10 MELHORES ATORES E ATRIZES RECORRENTES DE JORNADA NAS ESTRELAS

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Finalmente finalizo a série de listas dos melhores a trabalharem em Jornada nas Estrelas. Depois de listar os 10 Melhores Atores e Atrizes Convidados de Jornada Nas Estrelas e os 10 Melhores Atores e Atrizes de Jornada Nas Estrelas, hoje listo os 10 melhores atores e atrizes recorrentes, ou seja, aqueles que, apesar de não serem do elenco regular, volta e meia davam as caras na série.

E essa é uma listinha bem peculiar. Se nas demais havia um equilíbrio com astros de todas as franquias aparecendo com um número praticamente similar, aqui temos a compreensível ausência de nomes da Série Clássica. Por ter sido a mais fortemente episódica, a Série Clássica praticamente não teve atores recorrentes interpretando os mesmos personagens. Ao menos nas duas outras listas ela conseguiu garantir o topo do pódio.

Outra característica bem peculiar dessa lista é a forte presença de vilões e antagonistas. Dos dez nomes que cito abaixo, apenas um deles é claramente um mocinho (no caso mocinha) e três deles são aquilo que podemos chamar, na melhor das hipóteses de aliados de ocasião. Personagens que ou começaram vilões ou no decorrer da série se tornaram vilões, tendo ainda aqueles que acabaram por revelar sua verdadeira identidade vilanesca ou simplesmente abraçaram o lado sombrio do antagonismo. Destaque para Deep Sapce Nine que nos brinda com cinco nomes da lista (além de outros três nomes que deram as caras por lá), supremacia que não existiu em nenhuma das outras listas.

E nunca é demais lembrar: gostou? Não gostou? Concorda? Discorda? Fique a vontade para comentar, sempre respeitando nossa política de comentários. E boa leitura!

10-Michelle Forbes (Ro Laren em A Nova Geração)

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Michelle Forbes interpretou a teimosa e durona Alferes Ro Laren em 8 episódios da Nova Geração. Mas ela garante mesmo sua presença nessa lista por sua excelente atuação no igualmente excelente episódio “Alferes Ro” da 5ª temporada, onde já chega dizendo a que veio logo em sua primeira aparição. Sua caracterização foi tão boa que serviu de base para criação da personagem da Major Kira Nerys em Deep Space Nine. Tanto que o penteado da personagem no episódio piloto “Emissário” é idêntico ao de Ro, além da atitude voluntariosa. Performance essa que ela repetiria em seu último episódio na série “Sem Provocações” da 7ª temporada. Uma pena que, apesar de ter aparecido em 8 episódios, apenas nesses dois o talento de Forbes foi muito bem aproveitado, pois nos demais invariavelmente ela era não muito mais que a oficial do leme coadjuvante do dia. Mesmo assim, não é qualquer uma que consegue lugar no coração dos fãs trekkers com tão poucos episódios e, de quebra, servir de base para uma das personagens mais legais e interessantes de toda a franquia. Merecido décimo lugar para Michelle Forbes.

09-Martha Hackett (Seska em Voyager)

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Martha Hackett já tinha aparecido em Jornada no papel da Romulana T’Rul no episódio duplo “A Busca”, que abre a terceira temporada de Deep Space Nine. Mas foi interpretando Seska em Voyager, que Hackett nos entregou uma excelente interpretação da espiã cardassiana disfarçada de bajoriana e que se alia aos Kazons, os vilões recorrentes da série nas duas primeiras temporadas da série. Em 13 episódios, onde desfilou cinismo e um indiscutível talento para a manipulação, Seska se tornaria numa das personagens recorrentes mais queridas de Voyager.

08-Kenneth Marshall (Tenente-Comandante Michael Eddington em Deep Space Nine)

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Se tem um personagem que eu achava sem graça e pouco interessante enquanto ele era apenas o responsável pela segurança na Estação quanto aos assuntos da Frota Estelar (sempre em oposição ao Comissário Odo, o responsável original pela segurança), esse com certeza era o Comandante Eddignton. Mas a coisa muda de figura quando o certinho Eddington se revela um traidor Maqui no excelente “For the Cause” da 4ª temporada. É incrível a mudança que o ator canadense Kenneth Marshall consegue imprimir no personagem, dando um tom totalmente novo e mais interessante, envolvendo-o de um heroísmo que chega a nos fazer não só entender, mas também, de certo modo, torcer por sua causa. Aliás, como todo bom vilão. Nisso tudo o mais legal é que, ao rever os episódios anteriores à traição, passamos até a gostar mais do personagem. Ou, nesse caso, odiá-lo ainda mais por tanto cinismo. O Capitão Sisko que o diga!

07-John de Lancie (Q em A Nova Geração)

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Só pela deliciosa dinâmica com Patrick Stewart, John de Lancie já merecia estar nessa lista (dinâmica repetida com igual qualidade, mas infelizmente com menos tempo em tela, com Kate Mulgrew). Vivendo o impagável Q, o ser onipotente que, aparentemente, vive apenas para atormentar a vida de Picard por praticamente todas as sete temporadas de A Nova Geração (com exceção da 5ª). Desde sua primeira aparição no episódio piloto, até o episódio final, de Lancie sempre entrega excelentes e sólidas interpretações, mesmo quando os episódios em si não são lá essas coisas, como aconteceu no mediano “Hide and Q” (me recuso a usar o bobo nome desse episódio em português) da primeira temporada. Em compensação não decepcionava em episódios que acabaram se tornando clássicos, a exemplo de “Trama” da 6ª temporada e no duplo episódio final “Tudo o Que é Bom…”. Excelente ator a integrar a franquia e que estaria com certeza bem mais a frente na lista, não fosse as atuações destruidoras dos próximos listados.

 

06-Whoopi Goldberg (Guinan em A Nova Geração)

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Atriz consagrada do cinema, vencedora do Oscar por sua atuação impecável da charlatã Oda Mae Brown em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, indicada a melhor atriz vivendo Celie em “A Rosa Púrpura”, Caryn Elaine Johnson – verdadeiro nome da Whoopi Goldberg –, praticamente pediu pra fazer parte do elenco de A Nova Geração. E, olha, que bom que aceitaram! Vivendo a el auriana Guinan, barthender da nave, o Ten Forward, Whoopi (que também é dançarina, cantora, apresentadora, comediante e mais um monte de coisas) parece ter inspirado os roteiristas da série, que escreveram apenas falas perfeitas para sua personagem. Pode verificar: embora não apareça muito, sempre que Guinan dá as caras é com relevância para o andamento da história ou para a motivação personagens, com diálogos perfeitos, interpretados a maestria com aquele jeitão calmo e meio zombeteiro de quem tem mais de 500 anos de idade, da personagem. Ao lado do Q de John de Lancie, a Guinan de Whoopi Goldberg é aquela personagem sem a qual A Nova Geração até existiria, mas sem uma boa dose de charme, inteligência e qualidade. Só não vale fazer outro “Meu Parceiro é um Dinossauro”, né Whoopi?

05-Salome Jens (Transmorfa em Deep Space Nine)

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Atriz experiente do cinema americano, Salome Jens já tinha aparecido no episódio “A Busca” da 6ª Temporada da Nova Geração, interpretando uma personagem muito parecida, esteticamente falando, com a personagem que renderia sua fama entre os trekkers: a Transmorfa líder do Dominion. Tendo agradado no papel da humanoide no episódio da Nova Geração, Jens deu um show como a Fundadora principal, sempre entregando boas atuações apesar da maquiagem, de modo muito idêntico ao colega Rene Auberjonois (que também já deu as caras nessa série de listas vivendo o igualmente transmorfo Odo), com quem teve momentos perfeitos de atuação. Fugindo do estereótipo da vilã que quer dominar o mundo (no caso o Quadrante Alfa), Jens interpretou uma vilã com múltiplas camadas, daquelas que nos levam a entender seus motivos e de vez em quando torcer por eles. Mas só de vez em quando.

04-Louise Fletcher (Vedek Winn em Deep Space Nine)

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Estelle Louise Fletcher é outra atriz oscarizada a integrar o elenco de Jornada nas estrelas, tendo ganhado sua estatueta (além do Bafta e do Globo de Ouro) ao dar vida a Enfermeira Ratched no clássico “Um Estranho no Ninho”, onde contracenou com Jack Nicholson. Mas, se esse foi seu papel mais famoso na telona seu papel, para os trekkers ela é conhecida mesmo como a cínica, dissimulada e maquiavélica vilã Vedek Win, que tanto infernizou o pessoal da Estação Nove. Com atuações emblemáticas, Fletcher entregou umas das maiores vilãs da franquia, daquelas que nos contorcemos de ódio, loucos para estrangular a infeliz, principalmente nas temporadas finais da série, onde se tornaram mais comuns as dobradinhas com o próximo nome da lista.

Antes de passar adiante, uma curiosidade bacana: ao receber seu Oscar, Louise Fletcher fez seu discurso em língua de sinais para homenagear seus pais que são surdos.

 

03-Marc Alaimo (Gul Dukat em Deep Space Nine)

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Apesar de ter atuado em várias séries de TV e na primeira versão de “O Vingador do Futuro”, Marc Alaimo é  mais conhecido mesmo como Gul Dukat, um dos, se não, o mais odiado vilão de toda a franquia. Praticamente um ator regular da série, Alaimo esteve presente em todos as temporadas de Deep Space, nos deliciando com suas vilanias, ora aporrinhando a pobre da Major Kira, ora tramando (e enrolando) sua comparsa Vedek Win, entregando um verdadeiro caminhão de momentos antológicos. É outro ator com muita bagagem de Jornada, tendo vivido um capitão romulano em “A Zona Neutra”, último episódio da 1ª temporada da Nova Geração, além de dar vida ao primeiro cardassiano a aparecer em tela, Gul Macet, no excelente episódio “Feridas” da 4ª temporada também de A Nova Geração, além de outras aparições menores. Merecida medalha de bronze para o intérprete do maquiavélico cardassiano.

02-Andrew Robinson (Elim Garak em Deep Space Nine)

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Aqui temos um ator cujo trabalho admiro demais. Tendo vivido no cinema o serial killer Scorpio no filme “Dirty Harry” e Larry Cotton em “Hellraiser”, Robinson é um especialista em personagem problemáticos, como o sempre dissimulado Elim Garak, o cardassiano exilado na Estação 9, cujo passado enigmático sabemos apenas algumas suspeitas, muitos rumores e quase nada de concreto. Situação essa sempre administrada à perfeição por seu intérprete, que, no decorrer da série parece ter desenvolvido um gosto sádico em enrolar, não apenas o pobre doutor Bashir, mas todos nós em sua teia de meias-verdades, verdades e possíveis mentiras. Capaz de entregar uma gama incrível de nuances debaixo da pesada maquiagem cardassiana (e da falsa cara simpática – ou não – e sonsa), Robinson leva uma mais que merecida medalha de prata.

01-Jeffrey Combs (vários, mas especialmente Shran em Enterprise)

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De longe o melhor recorrente que Jornada nas Estrelas já teve. Não apenas por ser um excelente ator, mas por ter dado vida a vários personagens recorrentes, e, principalmente, por ter interpretado um dos melhores personagens da Série Enterprise: o desconfiado e belicoso Comandante andoriano Shran. Além dele, Combs ainda interpretou o vorta Weyon e o ferengi Brunt em Deep Space Nine, além de Tiron na bomba chamada “Meridian” da 3ª temporada também de Deep Space Nine, Penk, em “Tsunkatse” da 6ª Temporada de Voyager e Krem, outro ferengi, desta vez em Enterprise no episódio da 1ª Temporada “Acquisition”. Sua principal qualidade é justamente ter vivido tantos e tão diferentes personagens, imprimindo em cada um deles personalidades completamente distintas. Tendo sobrevivido ao sofrível episódio de estreia em Jornada (o já citado “Meridian”), Combs teve a chance de retornar para cativar os fãs com suas interpretações de Weyon e Shran, sendo esse último, na minha opinião, sua melhor e mais consistente interpretação na franquia. Aqui ele pôs a prova sua capacidade de criar personas diversas, fazendo do andoriano uma referência para os demais que interpretassem a raça de pele azul. E não sei até onde isso é qualidade do ator ou do operador mecatrônico das antenas do personagem, mas sempre achei muito interessante a maneira como ele atua interagindo com os movimentos da antena. Pegue qualquer episódio em que Shran apareça e você vai ver que há uma íntima relação entre suas expressões faciais e a movimentação das antenas que lhe dão ainda mais personalidade. Enfim, medalha de ouro com louvor para o múltiplas faces Jeffrey Combs.

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TAG: COMO VOCÊ ERA NOS TEMPOS DE ESCOLA

Vi essa TAG no Momentum Saga, que, por sua vez, viu no Just Lia. Como já faz um tempinho que não respondo uma TAG assim novinha em folha, cá estou eu respondendo sobre como eu era nos meus saudosos tempos de escola.

Durante minha infância e adolescência eu estudei em várias escolas diferentes, alternando períodos em escolas públicas e outros em particulares. Para essa TAG vou privilegiar o período entre 1990 a 2001, correspondente a todo o ensino fundamental e médio. Nesse período estudei em três diferentes escolas, uma particular o Santa Fé (SF) e duas públicas, a Escola Estadual Professora Ofenísia Soares Freire (OSF) e a Escola de 1º e 2º Graus Governador João Alves Filho (JAF). Para facilitar a leitura, utilizei no texto as siglas que acompanham os nomes das escolas.

Em cada uma dessas três escolas eu vivi bons e maus momentos que me marcaram profundamente. Ao responder as perguntas da TAG irei identificando onde e quando ocorreu cada evento. Em algumas respostas relatei momentos ocorridos nas três, já em outras apenas uma ou duas delas.

  1. Quem era você na escola, como você era? E como era sua escola?

No OSF eu cursei da 1ª à 5ª série do fundamental. Nessa época eu era extremamente tímido e também extremamente dedicado aos estudos e por isso eu procurava sentar na frente. Essa também era uma tática para fugir dos colegas bagunceiros, que volta e meia me escolhiam como alvo de suas brincadeiras de mau gosto.

Já na época de SF, onde fiz a 6ª e 7ª série e do JAF, onde fiz todo o ensino médio, eu já estava mais desinibido e a vontade e por isso mesmo fui migrando aos poucos para as carteiras que ficavam no fundo da sala. Foi também nesse período onde comecei a refletir sobre o sistema de ensino e a desgostar daquele sistema que privilegiava a decoreba em detrimento ao raciocínio. Um pouco por causa disso e muito por causa da própria adolescência, passei a desinteressar um pouco dos estudos e a me tornar mais rebelde.

  1. Qual era sua tribo?

Nunca fui muito de integrar esse ou aquele rótulo. Tirando o período de OSF, eu era conhecido por conversar e ter amizades com todo mundo. E, sendo bem sincero, depois de anos onde a timidez me impedia de me aproximar e fazer amizades, eu realmente gostava de ser alguém capaz de fazer amizades com os mais diferentes tipos de colegas.

Foi somente na época de JAF que passei a ser identificado mais como roqueiro, pois passei a frequentar as aulas usando calças rasgadas e riscadas, um tênis super detonado, com grampos remendando os calcanhares rasgados (e que logo ganharia o apelido de Brutus), e nas aulas de reposição aos sábados ou aulas extra-classe – quando estávamos liberados da camisa do uniforme –, camisas de minhas bandas preferidas. Mas nem por isso deixei de ter amizade ou conversar com o pessoal que curtia pagode ou forró. Aliás a minha melhor amiga nessa época era uma forrozeira incorrigível.

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Eu e minha amiga irmã Dani no intervalo (pelo menos eu acho que era o intervalo)

  1. No recreio, onde era mais fácil te encontrar?

Quando no OSF brincando com dois amigos que também eram vizinhos e estudavam na mesma sala. Já no SF eu passava boa parte do tempo conversando com as meninas da sala ou de outras turmas. Por essa época eu não tinha muita paciência para as brincadeiras da moda nas escolas, em geral muito violentas. Ou então estava na cantina tentando descolar um rango grátis. A dona da cantina fazia supletivo à noite e em troca de lanche grátis eu a ajudava com as atividades e trabalhos de casa.

Finalmente quando estudei no JAF eu poderia ser facilmente encontrado pelos corredores em animados bate-papos com colegas e amigos que curtiam as mesmas coisas que eu. Pela primeira vez na vida eu encontrava pessoas que eram tão ou mais viciadas em leitura, curtiam o mesmo tipo de som e também adoravam escrever. Dalvinha, Aline, Tiago e eu formávamos uma espécie de grupo intelectual onde debatíamos de tudo, de Nietsche a livros de auto-ajuda, de Nirvana a Paulo Coelho. Debatíamos, trocávamos dicas de leituras, líamos os textos uns dos outros, combinávamos de ir ao cinema ou saraus de poesias. Pra falar a verdade, as vezes nem precisávamos estar no intervalo para ficar pelos corredores de papo.

  1. Já namorou ou ficou com alguém da escola? Foi dentro ou fora da escola?

Namorar, namorar alguém da escola propriamente falando, nunca namorei. Mas ao cursar o terceiro ano do ensino médio passei por um período de popularidade no JAF, que o garotinho tímido do OSF jamais sonharia ter, nem mesmo em seus devaneios mais loucos. Nessa época fiquei com uma garota que conheci nas escadarias da escola. Aliás, hoje faz exatamente 15 anos que ficamos pela primeira vez. Lembro, pois era o dia do meu aniversário e acabamos flagrados aos beijos e abraços pela Professora de Química e vários amigos de turma que me zuaram muito depois.

Pouco tempo depois durante a gincana do colégio fiquei com uma menina extremamente bonita, que me gerou muitas críticas e advertências por parte de alguns colegas e amigos, pois ela tinha fama de ser “rodada”. Não dei ouvidos e continuei ficando com ela de vez em quando.

Finalmente, já no finalzinho do ano acabei ficando com a mesma Aline do grupinho citado no tópico acima. Embora tenhamos nos entendido super bem desde o dia em que nos conhecemos, uma série de encontros e desencontros dignos de uma novela mexicana, impediu que ficássemos antes. Isso gerou muitas coisas boas, mas também muitas ruins, que, quem sabe um dia eu conto por aqui.

  1. Já fez alguma coisa escondida ou contra as regras? Já cabulou aula?

Até entrar no JAF eu era muito certinho e não gostava de cabular (ou gazear aula, como dizemos aqui). Tudo isso mudou obviamente ao passar a estudar no JAF, na época reconhecidamente um dos colégios, senão o mais, violento do estado. Gazear aula era uma prática comum entre os alunos. Várias vezes passei pelo vão aberto por nós mesmos na grade dos fundos da escola, para atividades triviais como assistir cinema no shopping próximo, ou outras bem menos ortodoxas, como ir até o Calçadão da 13 de Julho para beber vinho barato, que comprávamos através de uma cotinha entre os gazeadores, ao som de muito rock.

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Visão atual da Escola João Alves Filho e da grade pela qual fugíamos para gazear as aulas

  1. Se lembra modinha que você seguiu?

Nunca gostei de modinhas e não lembro de ter participado de nenhuma. Na verdade sempre tive pavor de moda ou qualquer coisa similar. Mas lembro que fui eu e alguns amigos que costumavam assistir televisão lá em casa, que viciamos a galera da escola em vários programas que passavam na TV Cultura. Doug, O Mundo de Beakman são alguns exemplos. Isso na época do SF.

  1. Qual foi o melhor e o pior dia?

O melhor dia foi no segundo ano do ensino médio quando ganhamos a gincana escolar. Era o ano 2000 e todas as atividades da gincana deveriam ser cumpridas utilizando temas brasileiros. Por puro desleixo minha turma simplesmente deixou o barco andar e quando demos por nós, já era véspera da gincana e não tínhamos nada pronto. No desespero fizemos uma reunião de emergência onde minha amiga-irmã Dani nos estimulou a correr atrás do prejuízo usando o argumento de que não poderíamos passar a vergonha de não apresentar nada. Do nada nos mobilizamos e, sem pensar em vitória, cumprimos cada uma das tarefas preocupando-nos apenas em nos divertir e não passar a dita vergonha. O resultado final foi tão leve, espontâneo e brasileiro (éramos uma turma muito ufanista, muito ligada as coisas do Brasil e do próprio estado de Sergipe), que acabamos por ganhar a gincana com uma gigantesca vantagem em relação a segunda colocada. Nem a gente acreditou!

Tive vários momentos ruins em toda minha vida escolar. Mas aquele que mais me marcou foi quando reprovei a 6ª Série no SF e precisei contar para minha mãe. Sua expressão de decepção ficou permanentemente gravada em minha mente e coração.

  1. Se envolveu em algum tipo de briga ou movimento/protesto?

Foi no JAF onde aprendi a importância da militância política e onde desenvolvi uma postura que eu poderia chamar de esquerdo-anárquica. Não muito fã de cumprir normas que eu julgava autoritárias, incoerentes ou simplesmente imbecis, tendo lido livros como 1984 e fã de punk rock, eu costumava ter alguns embates homéricos com a diretora da escola, por conta de determinadas regras que visavam moralizar a escola. Estando bem popular na época do terceiro ano, cheguei a ser convidado a participar do Grêmio Estudantil, mas recusei, explicando que poderiam contar comigo para ajudar no que fosse preciso, mas não queria me ver preso a nenhum grupo, para poder continuar tendo a liberdade de criticar o que quer que estivesse errado, fosse de onde fosse.

Quanto as brigas literais, de murro e pontapés nunca briguei na escola. Quando mais novo por medo da surra dupla que levaria em casa (de minha mãe e do meu pai), e mais velho por consciência de que minha mãe já se desgastava demais num emprego cansativo para ainda ter que ir na escola pra ouvir reclamação do filho brigão.

  1. Sua escola tinha alguma lenda, tipo loira do banheiro? Você tinha algum medo na escola?

Quando estudei no OSF muitos garotos costumavam subir até a enorme caixa d’água da escola para nadar lá dentro. Outros costumavam jogar as carteiras quebradas lá dentro, por sabe-se lá qual motivo. Isso acabou gerando a lenda de que um garoto teria morrido lá dentro ao se cortar nas ferragens das carteiras velhas que lentamente enferrujavam dentro da caixa d’água.

A história do garoto era lenda, mas um garoto realmente quase morreu afogado certa vez e água que saía dos bebedouros tinha um forte gosto de ferrugem.

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A entrada do Ofenísia Soares Freire atualmente fechada para reformas

  1. Sofreu ou causou Bullying em alguém?

Principalmente na época de OSF eu sofri uma certa quantidade bullying, principalmente dos garotos mais velhos. Muito calado, muito estudioso e com gostos e costumes meio estranhos, os valentões adoravam me zuar. Particularmente não guardo mágoa, pois tudo isso me ajudou a me defender e a ter uma atitude mais positiva sobre mim mesmo.

Até onde lembre, jamais causei bullying. Mas como é mais fácil lembrar de nossa própria dor e não da causada por nós…

  1. Como era a sua performance em apresentações da escola? Curtia?

Eu só fui participar de apresentações já na época do JAF, quando já dominava quase totalmente minha timidez. E eu adorava participar de apresentações de seminários, gincanas e feiras literárias. É por causa da apresentação de uma versão moderna do Auto da Barca do Inferno do autor português Gil Vicente (que entraria pra história do JAF), onde interpretei um pastor que roubava os fiéis, que alguns amigos dessa época ainda hoje me chamam de pastor!

  1. Do que você mais lembra desse tempo? Quais as coisas que mais te trazem lembranças?

Lembro de muitas, mas muitas coisas mesmo da época de OSF, SF e JAF. Mesmo com os problemas e momentos ruins foram os momentos mais felizes da minha vida. Especialmente o último ano de OSF, o último do SF e o último no JAF (particularmente esse último) foram anos marcantes para mim, que me deixaram uma gama enorme de boas lembranças.

  1. Teve algum professor(a) ou funcionário(a) que te marcou?

A Professora Malvina de Geografia na 5ª Série no OSF. Durona, ninguém andava fora da linha em sua aula. Mas era também extremamente competente. A Professora Adalgisa de Biologia e Leila de Química do ensino médio no JAF também me marcaram pelo comprometimento. Enquanto muitos professores fingiam que davam aula e nos fingíamos que estudávamos, elas jamais deixaram de passar um conteúdo sequer de sua matéria e nem de tentar enfiar em nossas cabeças teimosas a importância do estudo.

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Turma (ou parte dela) do 3º Ano D. Essa foto é especial pois foi tirada poucos dias depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001

  1. Se você pudesse voltar no tempo, o que você diria pra você mesmo naquela época?

Esse é um ponto sobre o qual já refleti muito na minha vida. E nos últimos tempos, tenho chegado a conclusão de que não diria nada. Deixar-me-ia seguir o curso que segui, pois, mesmos que alguns tenham sido muito dolorosos, me deixaram como legado ensinamentos profundos e importantes em minha vida atual.

Pensando bem, diria algo sim. Um breve, porém caloroso: “Viva intensamente essa vida! Você não vai se arrepender!”

E tenho certeza de que seria atendido.

Gostou das respostas? Pois então fique a vontade para responder também. Pode ser aqui nos comentários ou no seu blog. Só não esqueça de mandar o link.