O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Atentados de 11 de setembro

Os gigantes em chamas em imagem de Gulnara Samoilova da Associated Press

Era assim que as coisas aconteciam,

Era assim que eu via tudo acontecer

Nenhum de Nós

O dia começou como qualquer outro. Nada nele parecia indicar nada de diferente ou especial. Talvez um pouco mais quente que o normal. Mas isso poderia muito bem ser impressão minha. Na verdade, de estranho mesmo, só a hora em que acordei. Não era nem oito horas da manhã e eu já estava de pé. Evento raro em minha adolescência, aquela noite dormi pesadamente, sem a insônia comum de quase todas as noites desde a sexta série.

Terminava o café da manhã, quando uma voz conhecida me chamou do portão. Reconheci imediatamente como sendo de minha amiga de escola, Dani. Estava com outra amiga, Lúcia, me chamando para irmos ao instituto onde ela conseguira se matricular em um curso profissionalizante. Apressava-me para sair com elas para providenciar fotocópias de minha documentação. Apesar de me contar tudo meio atropeladamente, logo entendi que ela conseguira mais duas vagas, uma para Lúcia, a outra para mim.

Sendo alunos de escola pública, tínhamos poucas perspectivas de conseguir trabalho quando terminássemos o ensino médio dali a poucos meses. Essa era, portanto, uma oportunidade realmente excelente de qualificação profissional. Não podíamos perder a oportunidade.

Rapidamente me troquei, catei todos os documentos necessários para a matrícula e corri para uma fotocopiadora ali perto. Enquanto isso Lúcia ia até sua casa com Dani para fazer o mesmo. Na fotocopiadora enquanto aguardava pus a atenção por acaso numa pequena TV no canto da parede. Na imagem chuviscada consegui vislumbrar um edifício enorme com uma grossa coluna de fumaça ganhando o céu. Na hora pensei: que canal de televisão passa um filme de ação a essa hora da manhã?

Em chamas

E assim se iniciou o longo dia de 11 de Setembro de 2001

Voltei para casa onde esperaria Dani e Lúcia. Para minha surpresa, minha mãe tinha parado os afazeres domésticos e estava concentrada vendo a TV. Na hora soube que algo importante acontecera ou estava acontecendo. Pouco afeita à TV, ainda mais pela manhã, minha mãe parava pra dar atenção ao aparelho somente no caso de alguma notícia muito séria. Nem tive tempo de perguntar se era o caso. Olhos na tela, ela me perguntou se eu tinha visto o que acabara de acontecer: um avião, provavelmente um pequeno jato, teria se chocado com uma das torres do World Trade Center em Nova York.

Um avião? Na mesma hora aquilo me pareceu um absurdo. Sendo um garoto aficionado por aviação, eu tinha uma vaga noção de que aviões não podiam voar tão baixo assim naquela área. Mas lá estava o prédio parcialmente em chamas com as noticias confirmando o acontecido. Eu estava com o pensamento nisso quando o impensável aconteceu bem diante dos nossos olhos: um enorme Boeing cruzou a tela rapidamente atingindo uma das torres.

Houve um daqueles instantes de silêncio que parecem congelar o tempo. Os vinte ou trinta segundos logo após o choque pareceu se dilatar em um infinito, como se alguém tivesse pegado aquela fatia de tempo e a esticado indefinidamente. Nem sons, nem imagens, nem ações. Apenas aquela sensação estranha de ter parado no tempo ao mesmo tempo em que ele fluía fora do seu ritmo. Finalmente minha mãe apontou o dedo firmemente para a televisão, os olhos assustados e perguntou: “Você viu isso?!”

Só então tudo voltou ao ritmo normal. A pergunta ficou no ar sem resposta. Meu cérebro estava tentando processar tudo aquilo. Alguém filmara o choque do avião e a televisão estava mostrando o momento? Essa era a única explicação possível. Mas então, por que o avião atingiu uma torre QUANDO JÁ HAVIA MUITA FUMAÇA SAÍNDO DA OUTRA?

Globo-11 de setembro

O exato momento do segundo ataque ao vivo

A confusão não era só minha. O jornalista que noticiava o fato também chegou a alegar que aquela era uma repetição do momento exato do choque. Então a imagem foi exibida novamente. E já não existia mais dúvida: por mais louco que pudesse parecer no momento o fato era que um segundo avião atingira a outra torre do World Trade Center! Perceptivelmente tão surpreso quanto qualquer pessoa no mundo vendo aquela cena, o jornalista entendeu o que se passava ao ser um dos primeiros a falar a palavra que, ainda não sabíamos, seríamos obrigados a nos acostumar: Terrorismo!

O resto da manhã transcorreu como se estivéssemos numa outra realidade. Aquela sensação de alongamento do tempo cedeu espaço a uma febril percepção das coisas. Quando Dani e Lúcia voltaram, a televisão já reprisara o momento do impacto pela enésima vez. Elas já sabiam do acontecido. Dani estava tão assustada quanto eu ou minha mãe, mas Lúcia não parava de dar risadinhas nervosas, mesmo quando a TV mostrava cenas das pessoas se jogando do topo dos prédios em chamas. Somente anos depois fui entender plenamente que, de todos nós, Lúcia era a mais nervosa e assustada. Na realidade ela estava apavorada e aquela era a sua maneira de expressar esse sentimento.

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The Falling Man em imagem de Richard Drew

Saímos rapidamente para resolver as questões referentes ao curso e depois voltamos cada qual para sua casa. Ainda precisávamos nos arrumar para ir a escola. A tensão nas ruas já era perceptível. Todos estavam com ar sobrecarregado, como se uma nuvem tivesse encoberto o semblante de cada um, apesar do dia ensolarado. Onde houvesse uma televisão, que naquela altura dos acontecimentos já transmitia o ataque em todos os canais, duas ou três pessoas estavam reunidas assistindo. Braços cruzados sob o peito, vez ou outra apontando algo na direção da tela. Se apreensão fosse algo tangível, ela com certeza estaria esmagando a todos naquele momento.

Em casa minha mãe tinha novas notícias. Outro avião atingira o Pentágono, destruindo parte do edifício, enquanto outro aparentemente caíra em algum lugar ermo na Pensilvânia e ainda havia a suspeita de que um terceiro estava, naquele momento, se dirigindo para atingir a Casa Branca. Apesar de todo tipo de boato e especulação fatalista ter começado a ser veiculada em todo lugar – de ataques com carros bombas até a possibilidade de um ataque nuclear –, apenas os relatos envolvendo os aviões estavam confirmados. O que começara com a suspeita de um terrível e lamentável acidente, tornara-se um ataque de proporções megalomaníacas à maior potência econômica e militar do planeta. Comecei a pensar nas repercussões daquele ataque e no que ainda estava por vir.

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Sobreviventes coberto de cinza do desabamento das torres em imagem da Associated Press

A resposta à segunda questão não tardou a vir. Em meio ao pânico generalizado nos EUA instaurado pelos ataques havia espaço para mais: as dez horas gritei para minha mãe: “Caiu! Corre aqui! A torre caiu!” Da cozinha minha mãe veio para sala perguntando o que acontecera. Atropeladamente expliquei que, enquanto mostravam o incêndio do Pentágono, a imagem cortou para as torres com uma imensa nuvem de fumaça lentamente se formando ao mesmo tempo em que a correspondente confirmava o desabamento da segunda torre a ser atingida. Meia hora depois era a vez da primeira torre atingida desabar, a TV mostrou um close do topo coberto por fumaça negra, quando ela começou a desabar diante dos nossos olhos. Em pouco menos de duas horas as mais inacreditáveis cenas jamais imaginadas tornaram-se reais de modo assombroso.

Não se falou em outra coisa durante todo o dia. A caminho do colégio, no ônibus anormalmente vazio, pude presenciar as pessoas se acumulando na frente das TVs que continuavam as intermináveis reprises dos impactos, dos desabamentos e das pessoas cobertas pelo pó cinza e espesso que cobrira a todos. Quem assistia não falava, nem parecia reagir às imagens. À noite minha mãe contaria que, no hipermercado onde ela trabalhava na sessão de confecções, as pessoas também acompanhavam as notícias em frente aos televisores e mesmo dos aparelhos de rádio. Ela concordou comigo que as pessoas pareciam letárgicas.

Vancouver Sun-11 de setembro na tv

O mundo acompanha assustado o ataque em imagem do Vancouver Sun

Não houve aulas nesse dia. A professora Adalgisa de Biologia nos encaminhou para a sala de vídeo onde diretoria e outros professores junto a vários alunos acompanhavam o noticiário ininterrupto. Um casal de amigos, Tiago e Dalva, me chamaram para sentar do lado deles. Passamos a tarde debatendo o acontecido e tentando imaginar o que poderíamos esperar dali por diante. Taciturno, Tiago resumiu seu pensamento em única e tranquila palavra: “Guerra!”

Eu estava no meu terceiro ano de estudo naquela escola e aqueles tinham sido, até então, o mais especiais de minha vida. Um medo terrível de que tudo aquilo acabasse em meio a um conflito cuja extensão e alcance eu desconhecia me atingiu como um soco. Pensei em tudo o que poderia perder. Eu me sentia de repente como um jovem nos meses finais de 1939 temendo ante as notícias daquilo que viria a se tornar a Segunda Guerra Mundial.

Tati, uma amiga de quem eu particularmente gostava muito e era muito próximo, olhou diretamente para mim: “Minha gente que exagero! Vai ficar tudo na mesma!” Ainda hoje não entendo se foi uma tentativa de me confortar, ao perceber meu desconforto, ou se ela estava tentando convencer a si mesmo. Mas conhecendo Tati, o mais provável é que ela não estivesse inteiramente ciente da magnitude da realidade que assistíamos.

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A estátua da Liberdade parece observar uma Nova York coberta pela poeira da queda das torres gêmeas em imagem de Dan Loh da Associated Press

A noite eu tinha cursinho pré-vestibular. Também ali as aulas ficaram meio em suspenso. Naquele momento, embora ainda cobertos de muitas conjecturas, já tínhamos algumas notícias concretas. Já sabiamos que a Al’Qaeda, sob o comando de Osama Bin Laden, fora a organização terrorista responsável pelo ataque e que eles se escondia no distante Afeganistão onde eram protegidos do Talibã, grupo religioso radical que comandava o país. Na entrada do cursinho conversava com os colegas sobre os acontecidos num misto de comentários carregados de preocupação com piadinhas e brincadeiras. Uma tentativa meio falha de relaxar. Calamos quando o professor de História, chegou trazendo as últimas notícias num tom alarmista: “Está confirmado: Os Estados Unidos atacaram o Afeganistão! E eles já avisaram que vão retaliar!”

Gelamos no ato. Hoje, justamente por conta dos atentados, conhecemos bem a realidade do Afeganistão, mas naquela época não sabíamos de fato nada sobre o Afeganistão, portanto não sabíamos o que esperar daquela ameaça de retaliação. Voltei para casa extremamente abatido.

Felizmente as informações do professor de História eram notícias equivocadas. Mesmo assim não foi o suficiente para tirar aquela sensação ruim. Uma sensação de que aquele dia, o dia em que a Terra parou para ver um gigante se dobrar nos próprios joelhos diante dos duros golpes recebidos, esse dia não terminaria tão cedo.

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Os escombros do que um dia foram as imponentes torres gêmeas do World Trade Center em imagem de Alex Fuchs da Agence France-Presse

*   *   *

Essa é uma postagem especial não apenas pela data de aniversário do Ataque do 11 de Setembro, mas porque é a primeira de uma série sobre minhas lembranças no período do meu ensino médio, em especial em 2001. Com o texto procurei relembrar aquele fatídico dia e minhas impressões e sentimentos, pautando-o principalmente nas minhas lembranças. E não: Dragon Ball Z não foi interrompido pelo Plantão da Globo!

E você? Onde estava naquele 11 de setembro de 16 anos atrás? Comenta aí e também curta e compartilhe. E não deixe de curtir também nossa fanpage!

Até mais!

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OS 40 ANOS DO PROGRAMA VOYAGER

Em 20 de agosto e 5 de setembro de 1977 eram lançadas ao espaço pela NASA uma das mais importantes e longevas missões espaciais da história: o Programa Voyager.

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Sua origem remonta aos anteriores programas de exploração do Sistema Solar desenvolvidas pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) através de sondas não tripuladas. O primeiro foi o Programa Pioneer contando com inúmeras missões entre 1958 e 1978, sendo as mais bem sucedidas as Pioneer 10 e Pioneer 11. Depois veio o Programa Mariner entre os anos de 1962 a 1973, sendo esse o primeiro programa espacial com o objetivo específico de explorar os planetas do Sistema Solar (inicialmente o objetivo das Pioneer era a Lua e somente depois se estendeu aos planetas externos). Contando com cinco missões e a utilização de dez sondas, o Programa Mariner conseguiu êxito em alcançar Vênus em 1962 com a Mariner 2, Marte dois anos depois com a Mariner 4 e finalmente Mercúrio em 1973 com a Mariner 10.

Foi pensando em dar continuidade ao Programa Mariner que a NASA traçou o objetivo de mais duas missões visando alcançar os planetas além do cinturão de asteroides entre as órbitas de Marte e Júpiter. Por ser um objetivo diferente da missão original, decidiu-se iniciar um programa totalmente novo, o qual acabou sendo designado Voyager.

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Concepção artística de uma das sondas Voyager tendo ao fundo o Senhor dos Anéis: Saturno. Imagem do wallup.net

O Programa contou com duas missões distintas. Aproveitando um raro alinhamento entre os planetas exteriores que facilitaria o estudo de cada um deles com o uso da mesma nave, ao contrário dos programas anteriores, onde cada sonda era direcionada a um astro específico. Assim em 20 de agosto de 1977 foi lançada a Voyager 2, sendo sua missão principal visitar os gigantes gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, enquanto a Voyager 1, lançada em 5 de setembro, visitaria apenas Júpiter e Saturno, mergulhando logo após num longo voo até Plutão, sendo que objetivo final mudou no decorrer da missão. A diferença entre as missões foi proposital, fazendo com que percorressem trajetórias distintas, permitindo assim a uma das sondas atingir o distante Plutão, na época ainda considerado um planeta.

A diferença entre as trajetórias fez com que a Voyager 1, mesmo lançada depois, chegasse primeiro ao seu objetivo inicial, após uma jornada de quase dois anos. A 05 de março de 1979 a sonda alcançava seu ponto mais próximo do gigantesco Júpiter, podendo ser vista no vídeo logo abaixo. Tendo realizado uma série de fascinantes descobertas sobre o planeta e seus satélites, rumou na direção de Saturno, onde chegou em novembro de 1980 e, também aí, realizando descobertas impressionantes.

Embora houvesse muita curiosidade sobre as eventuais novidades sobre os anéis de Saturno (nisso não houve decepções), o mais impressionante foi identificar uma densa atmosfera ao redor de seu satélite natural Titã. Tão impressionante foi essa descoberta, que os cientistas da NASA optaram por mudar a trajetória da nave, levando-a a sobrevoar Titã. Devido a essa mudança de trajetória o próximo passo da missão (ir até Plutão) precisou ser abandonado. Somente em julho de 2015, com a sonda New Horizons o distante mundo congelado foi finalmente alcançado.

Seguindo os passos da irmã, a Voyager 2 chegou em Júpiter e em Saturno em 09 de julho de 1979 e 25 de janeiro de 1986. Em ambos foi capaz de fazer novas descobertas não registradas pela Voyager 1. Repetiu os feitos em sua passagem por Urano em janeiro de 1986 e Netuno em agosto de 1989, encerrando assim a missão programada.

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Concepção artística da Voyager fazendo seu sobrevoo sobre o gelado e distante planeta Netuno. Imagem do celestiaproject.net

Tendo boa parte de seus equipamentos ainda totalmente operacionais e capazes de enviar dados, o Programa Voyager iniciou uma longa viagem rumo aos confins do Sistema Solar. Sabendo que seu destino era se perder além dos limites de nosso próprio sistema, uma equipe da NASA liderada pelo brilhante e saudoso Carl Sagan teve a ideia de criar uma mensagem a ser acoplada às naves. Essa mensagem deveria falar um pouco sobre seus criadores e sobre o mundo de onde vinham. O destinatário? Uma possível civilização alienígena ou mesmo os próprios seres humanos, num futuro quando o segredo para se viajar pelas imensas distâncias do cosmo já tenha sido revelado.

O Golden Record foi criado com esse objetivo. Composto de um disco de cobre banhado a ouro, tem gravado nele os mais variados imagens e sons terrestres, incluindo saudações em 55 idiomas e uma coletânea musical de diferentes épocas e culturas, incluindo obras de Beethoven e Chuck Berry.

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O Golden Record em imagem do Galeria do Meteorito

Sendo uma criança muito curiosa sobre o espaço, astronomia e crescendo em meados dos anos 80 e começo dos 90, as Voyager sempre exerceram um grande fascínio em minha vida. Perceber como os livros escolares de ciência e geografia eram atualizados de um ano para o outro por conta das novas descobertas era algo incrível. Foi quando pela primeira vez na vida eu percebi que estava vendo a história acontecendo. Lembro especialmente de comparar meus livros escolares com uma enciclopédia lançada poucos anos antes e perceber a diferença gritante no conteúdo. Informações como a existência de anéis em todos os gigantes gasosos por exemplo, eram inexistentes na enciclopédia, mas bem detalhadas no livro escolar.

Foi também graças a essa constante atualizações de informações que pude entender plenamente que a ciência não é algo estanque, imutável. É um crescendo de conhecer que nunca se esgota, sempre se renovando, se corrigindo e evoluindo. Entender isso ajudou na minha própria formação. Me ajudou a desenvolver um certo ceticismo, ao mesmo tempo que desenvolvia minha curiosidade em querer sempre aprender mais e mais.

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A Voyager 1 em infográfico retirado do Blog Mega Arquivo

O Programa Voyager foi fundamental na evolução do nosso conhecimento sobre nosso próprio sistema estelar e do universo que habitamos. Não apenas por nos trazer lindas imagens nunca antes vistas de nossa vizinhança planetária, mas, especialmente, por nos mostrar o quão surpreendente o universo lá fora pode ser, lembrando a todos nós, a toda sociedade humana que a maior e melhor aventura de todas é o constante aprendizado.

A seguir copio alguns links legais e curiosidades para se aprender mais sobre o Programa Voyager e seus 40 anos de missão:

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Até mais!

5 CANAIS DO YOUTUBE QUE SIGO E RECOMENDO

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No inicio do ano fiz uma postagem sobre cinco blogs que acompanho e recomendo. Já naquele post avisava sobre minha vontade de escrever, pelo menos, mais dois textos similares. Hoje, finalmente começo a pagar essa dívida.

Desde que descobri o Youtube, ele serviu principalmente como o lugar onde eu procurava videoclipes antigos, matava a saudade de algum desenho animado ou catava algum vídeo interessante para dar aquela animada nas minhas aulas de Geografia ou ainda nos temidos seminários na universidade. Até porque o próprio site ainda estava muito no começo e nem tinha tanto material assim, fosse ele interessante ou não.

Obviamente tudo isso mudaria com a compra do site pela gigante Skynet, digo, Google. Ganhando mais diversidade, o site cresceu não só na quantidade de vídeos postados, mas também em variedade, se tornando de fato uma versão em áudio e vídeo da internet tradicional. A especialização de determinados canais foi fundamental nesse quesito, ainda trazendo muito material bobinho e entretenimento passageiro e casual, mas com cada vez mais conteúdo interessante e instrutivo. Começava-se a descobrir o potencial do Youtube para os criadores de conteúdo.

De tutoriais sobre como consertar coisas e fazer maquiagens às dicas de moda, chegando aos canais de humor, cultura nerd e games, o Youtube hoje segue o exemplo de sua empresa mãe ao apresentar conteúdo sobre virtualmente qualquer coisa ou qualquer assunto. E assim como no caso dos blogs, tem muita coisa ruim e potencialmente perigosa, mas também tem muita coisa boa. Assim, procurei listar alguns desses canais que prezam por ser instrutivos e acessíveis, falando de ciências, história, música, audiovisual com uma qualidade técnica e um incrível conhecimento de causa.

Boa leitura!

1-Nerdologia

Nerdologia

“Sejam bem vindos ao Nerdologia”. Inicialmente um quadro do NerdOffice, no Jovem Nerd, é apresentado pelo Átila Iamarino, biólogo, pesquisador e trata de assuntos e temas científicos variados, sempre fazendo links com elementos da cultura nerd, com novos vídeos todas as quintas. A partir de 2016 o canal passou a contar com o segmento Nerdologia História, indo ao ar todas as terças, apresentado pelo Felipe Figueiredo, formado em História, colunista, podcaster, youtuber e professor, seguindo a mesma linha do programa original, mas com temas voltados para a história, além de um segmento voltado para tecnologia, o Nerdologia Tech, toda última quarta-feira de cada mês. É o canal mais conhecido da lista e um dos maiores do Brasil em se tratando de conteúdo científico e educativo com mais de um milhão de inscritos. Já o acompanho há muito tempo – sendo um dos primeiros canais no qual me inscreve no Youtube –, mantendo sempre a qualidade na maneira como trata dos assuntos, não raro melhorando até, como quando passou a inserir no final de cada vídeo um momento para responder comentários de vídeos anteriores ou corrigir alguma informação veiculada de maneira equivocada. Com quase 300 vídeos postados, é o canal que mais fortemente recomendo para você assinar e assistir.

2-Poligonautas

Poligonautas

“SCALOBALOBA!” Iniciando com o seu famoso bordão (retirado do que se acreditava ser o refrão da canção Boombastic, sucesso dos anos 90), o Schwarza apresenta o canal Poligonautas, que, no seu início, em parceria com o OOataHeLL, falava mais sobre o universo gamer. Atualmente, no entanto, se dedica a falar sobre ciência e filosofia com destaque especial aos temas relacionados à astronomia, tendo agora apenas o Schwarza a frente, com vídeos de segunda a sexta. Além de se dedicar na divulgação científica, o grande mérito do canal é o de desmitificar lendas e teorias conspiratórias populares na internet, através de explicações cientificas cheias de bom humor e muita clareza no segmento “Lenda ou Fato”. Você acredita em Nibiru, que a Terra é plana ou em aliens vivendo dentro do Sol? Então é melhor dá uma olhada no canal para entender porque tudo isso é conto da carochinha. Igualmente interessantes são os vídeos do segmento “5 Vídeos Sobre Ciência” que, como o próprio nome entrega, traz cinco breves vídeos atuais ou curiosos sobre ciência, sempre encerrando com uma análise mais filosófica, em geral com base em alguma imagem do espaço profundo capturada pelo telescópio espacial Hubble. É o canal que mais assisto, não só por ser praticamente diário, mas também pelo formato curto dos vídeos, quase nunca com mais de cinco minutos.

3-Ponto em Comum

Ponto em Comum

“Olá, criaturas da internet!” Apresentado pelo simpático Davi Calasans, o Ponto em Comum se destaca por tratar dos mais variados assuntos científicos com uma leveza e simplicidade sensacionais, contando sempre com a ajuda dos Hugobertos (talvez sejam parentes meus distantes) e dos comentários sempre pertinentes (sqn) de Miguel, o Tiranossauro. O canal tem uma pegada bem ao estilo do programa O Mundo de Beakman, tanto pelo visual como na maneira lúdica e descontraída de apresentar e explicar os temas de cada terça-feira. O próprio Miguel seria o equivalente ao rato Lester com suas observações baseadas no senso comum. Com toda essa leveza o canal é excelente para ser assistido por pessoas de qualquer faixa etária, sendo perfeito para uso em escolas.

4-República do KazaGastão – KZG

KazaGastão

Com o fim da MTV Brasil muitos de seus apresentadores e programas migram para o Youtube a exemplo do João Gordo e do grupo Hermes e Renato. Famoso por manter a pegada Rock’n’Roll na emissora com os programas Gás Total e Fúria Metal, o apresentador Gastão Moreira seguiu o mesmo caminho com a República do KazaGastão (apesar de ter saído da MTV em 1998 para apresentar o Musikaos na TV Cultura), apresentando vídeos com antigas entrevistas e reportagens não apenas da época de MTV, como atuais também, além do segmento que considero a melhor coisa do canal: o “Heavy Lero” contando com a presença de Clemente Nascimento, baixista da banda paulista de punk Inocentes. Nesse segmento, a dupla apresenta breves resumos de bandas, artistas e cenas musicais de maneira descontraída, mas com bastante propriedade e cheia de informações interessantes. O imenso conhecimento musical do Gastão ajuda a tornar o canal um dos melhores e mais informativos sobre música do Youtube. “Sensacional, Clemente!”

5-Entre Planos

Entre Planos

Sou fã de cinema desde muito pequeno. Mas depois de adolescente, comecei a me interessar pelos aspectos técnicos da sétima arte, a partir do meu interesse por fotografia. Desde então, sempre que tenho oportunidade, faço questão de consumir tudo sobre o tema. E foi assim que descobri o canal do Max Valarezo, um jovem estudante de Comunicação Social com um conhecimento invejável tanto sobre os aspectos técnicos como sobre a história do cinema. Aliás, conhecimentos esses muito bem utilizados nos vídeos postados. Apesar de todos os vídeos aqui listados serem impecáveis do ponto de vista técnico, considero o EntrePlanos, junto com o Nerdologia, o mais profissional de todos. E mesmo conhecendo o canal há pouco menos de dois meses já é um dos meus preferidos muito devido a essa qualidade. “Então é isso”: graças ao canal pude aprender de maneira muito didática vários conceitos, aspectos e técnicas cinematográficas, algumas delas eu até já conhecia, mas em artigos extremamente técnicos e complicados de se entender.

*  *  *

Assim como no caso dos blogs esses são apenas alguns dos canais que eu curto. No caso os que acompanho verdadeiramente. Existem outros ainda que são tão bons quanto mais que, por um motivo ou outro não tenho como acompanhar tão de perto. Esses deixarei para uma próxima postagem.

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Até mais!

92-JOURNEY TO THE CENTRE OF THE EARTH

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Journey To The Centre Of The Earth – Rick Wakeman

Artista: Rick Wakeman

Músicos Integrantes: Rick Wakeman (sintetizadores e teclados); Gary Pickford-Hopkins e Ashley Holt (vocais); David Hemmings (narrador); Mike Egan (guitarras); Roger Newell (baixo); Barney James (bateria); The London Symphony Orchestra; The English Chamber Choir; David Measham (maestro e condutor); Wil Malone e Danny Beckerman (arranjos para orquestra e coro)

Gravação: Royal Festival Hall, Londres, Inglaterra, 18 de janeiro de 1974

Lançamento: 18 de maio de 1974

Duração: 40m09s

Arranjos: Danny Beckerman e Wil Malone

Produção: David Hemmings

Sobre o disco:

Noite de 18 de janeiro de 1974. Na plateia do Royal Festival Hall de Londres o público ruidoso observava com certa curiosidade a Orquestra Sinfônica de Londres e o Coral de Câmara Inglês lado a lado com uma moderna banda com guitarras, baixos elétricos e bateria. No centro do palco, ao lado do maestro, um impressionante conjunto de teclados e sintetizadores parecia também aguardar. Havia uma certa expectativa dúbia no ar sobre o que sairia daquela mistura inusitada entre música clássica, rock progressivo e literatura.

De repente o burburinho muda de tom, parece ceder um pouco. É que entrou no palco a nada discreta figura de Rick Wakeman, os seus longos cabelos loiros caídos por cima da capa prateada que chega aos pés. Após agradecer com um breve galanteio os aplausos costumeiros, Wakeman assume seu lugar ao centro dos teclados. Seguindo a programação impressa num bem acabado livro entregue a todos na plateia, são executadas as peças “Sinfonia Nº 1 in D Minor – Opus 13”, de Rachmaninov, seguido pelas peças de autoria do próprio Wakeman (de seu disco solo anterior The Six Wives of Henry VIII) “Catherine Parr”, “Catherine Howard”, “Anne Boleyn” e dois improvisos, tem início a peça principal: The Journey To The Centre Of The Earth!

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Rick Wakeman e seu nada discreto modo de se vestir. Imagem do Daily Mail

Conhecido pela megalomania e por ser um dos egos mais inflados do rock (ou mesmo da música), Wakeman começou a idealizar o que viria a se tornar The Journey, após o Yes, banda na qual entrara em 1971 e ajudara na evolução de sua sonoridade, lançar em 1973 a obra Tales From Topographic Oceans. Praticamente uma obra exclusiva das mentes criativas de Steve Howe e Jon Anderson (respectivamente guitarrista e vocalista do Yes), a crítica se derretia em elogios aos dois, enquanto Wakeman se sentia preterido na banda. Mas, tendo uma boa recepção de seu trabalho solo, lançado também em 1973, The Six Wives of Henry VII, o talentoso tecladista de formação clássica começou a rascunhar um material ambicioso. Seu objetivo: mostrar que os elogios recebidos no trabalho solo não eram a toa e provar todo seu talento, muito maior que todo o Yes. Traduzindo: Wakeman queria uma mega massagem no seu já enorme ego ao mesmo tempo em que dava uma resposta aos seus colegas músicos!

A ideia original apresentada à gravadora era a de um disco duplo com uma única canção contando a história do clássico do autor francês Júlio Verne. A obra contaria com a participação de um coral e orquestra e o disco ainda traria um luxuoso livreto contendo gravuras e a letra da canção. No entanto a ideia foi vetada de cara, pois seu custo seria exorbitante. Depois de algumas idas e vindas, o projeto foi aprovado desde que fosse reduzido a um disco simples e com a gravação ocorrendo ao vivo, com a venda de ingressos para ajudar a pagar os custos, além de diminuir as horas de estúdio.

A apresentação foi um grande sucesso e Wakeman voltou às exigências: agora, além de novamente pedir novamente o livro de ilustrações, ele queria o disco lançado na forma quadrifônica. Como se não fosse o bastante passou a cogitar a hipóteses de excursionar levando todo o complexo conjunto de músicos envolvidos no projeto, algo extremamente caro e, obviamente vetado pela gravadora. Por essa época, Wakeman já tinha ganho um bom dinheiro com a turnê bem sucedida do disco Tales From Topographic Oceans ainda com o Yes. Encerrada a turnê, ele sai da banda e concentra todos os seus esforços no disco. Depois de apelar para o braço norte-americano da gravadora, Journey To The Centre Of The Earth foi lançado em maio de 1974 contendo apenas duas faixas no lado A (“Journey” e “Recolletion”) e duas no lado B (“The Battle” e “The Forrest”). Para alegria de Wakeman o disco acabou saindo em duas versões: uma de gravação normal e a outra na desejada forma quadrifônica, sendo essa última extremamente rara hoje em dia.

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Rick Wakeman em seu ambiente: cercado de teclados e sintetizadores

O sucesso da obra foi imediato alcançado o topo das paradas britânicas e norte-americanas vendendo ao todo até hoje mais de 14 milhões de cópias. Todo esse sucesso só serviu para alimentar a já bem nutrida megalomania de Wakeman, que passou a investir pesado na Journey Tour, iniciando pela América do Norte e passando pela Europa Ásia e Japão. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa turnê, em 1975 Journey foi apresentado em uma série de shows no Brasil, como parte do Projeto Aquarius promovido pelo O Globo. Para esse shows foram trazidos ao país cerca de 18 toneladas de equipamentos para os diversos e, até então, extraordinários efeitos sonoros e visuais, além de contar com uma equipe de 70 pessoas nos bastidores! Só a mesa de som utilizada trabalhava com 285 canais. O Maracanãzinho no Rio de Janeiro, o Ginásio da Portuguesa em São Paulo e o Gigantinho em Porto Alegre receberam cada qual mais de 50 mil expectadores.

Perfeccionista, Wakeman fazia questão de que seu público, independente de língua, pudesse ter uma apreciação plena da execução da obra. Assim sempre era contratado um narrador na língua local para as partes textuais. Orquestras locais também eram contratadas, pois ficaria ainda mais oneroso bancar os gastos de transporte, hospedagem de uma orquestra completa, mais os músicos da banda. No Brasil, os shows de São Paulo e Rio de Janeiro contaram com Orquestra Sinfônica Brasileira, enquanto no Rio Grande do Sul a Sinfônica de Porto Alegre foi a contratada, tendo sempre na regência o consagrado maestro Isaac Karabtchevsky, completados pelo Coral da Universidade Gama Filho.

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Durante o show no Maracanãzinho lotado em 1975. Imagem do O Globo

O Mago dos Teclados, como Wakeman é conhecido, lançou muita coisa boa depois de Journey, intercalando sua carreira em retornos ao Yes (lançando o excelente Going for the One em 1977) e trabalhos solos (com The Myths and Legends of KinG Arthur and the Knights of the Round Table de 1975, nos mesmos estilo de Journey, cuja turnê, ainda mais grandiosa, quase levou a gravadora a falência). Ainda assim, nenhum desses discos alcançou o sucesso alcançado aqui.

Journey To The Centre Of The Earth é dos discos que mais me surpreenderam positivamente nessa lista, sendo também um dos que mais escuto. Particularmente considero sua introdução uma das coisas mais bonitas que já ouvi na música. A ousadia do Mestre dos Teclados foi compensada com a excelência com que a obra é executada pelos competentes músicos, tanto os da The London Symphony Orchestra (como era de se esperar) como os de sua banda a English Rock Ensemble, refletida na excelente gravação ao vivo. O resultado é um dos discos mais interessantes, originais e bonitos da história do Rock, merecendo com honras sua nonagésima segunda posição.

Infelizmente não encontrei nenhum registro da apresentação original ocorrida em janeiro de 1974. Também achei muito difícil achar um bom vídeo mostrando Wakeman, banda, orquestra e narrador para ilustrar como deve ter sido aquela apresentação no Royal Festival Hall. No entanto acabei topando com esse vídeo abaixo de “The Battle”, que, apesar de estar sem data de quando ocorreu, claramente é bem próximo da data da execução original.

E quando já finalmente estava finalizando esse texto para sua publicação, acabei topando com essa gravação da parte inicial “Journey” em apresentação de 30 de março de 2014 no Royal Albert Hall. Embora seja amadora, a qualidade de som e imagem é excelente.

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Até mais!

MAIS 10 DOS MEUS CLIPES MUSICAIS PREFERIDOS

Video clipe

Quando criei a primeira lista com meus clipes musicais preferidos, eu já estava a mais de um mês sem postar nada no blog. Preso na imensa papelada de documentos que o final de ano me traz de presente, estava também sem nenhuma perspectiva de conseguir finalizar algum texto a tempo de publicar até a virada do ano. Para não ficar tanto tempo sem postar nada, saquei uma ideia antiga da mente e listei dez dos meus clipes musicais preferidos.

Pensando em dar continuidade à lista – até porque me lembrei de vários outros clipes igualmente legais – fui anotando meus preferidos para essa continuação. Novamente destaco que essa lista não tem a pretensão de listar os melhores videoclipes da música. Apenas vou citando aqueles que mais me agradam por uma série de razões, entre elas, a capacidade de dialogar em algum grau comigo ou por questões puramente técnicas e estéticas.

No primeiro texto, aliás, boa parte dos clipes listados me encanta principalmente por seu apelo visual ou esmero técnico. O belo uso do plano fechado nos vídeos de “Survivor” de Clarice Falcão e, especialmente, em “Nothing Compares 2U” de Sinéad O’Connor, a edição simples, porém eficiente de “Single Ladies” de Beyoncé ou ainda a beleza estilizada de “Busca Vida” do Paralamas do Sucesso são exemplos perfeitos disso. Ainda assim sobrou espaço para o encantador (e totalmente datado) “Lost in Love” do Air Supply, e todo seu visual de gosto meio duvidoso (ou por causa dele mesmo). Na atual lista, apesar de termos belíssimos exemplos do uso das técnicas de edição, filmagem, fotografia etc., acabei citando muito mais exemplos de clipes de puro encantamento visual. Apesar de também serem tecnicamente impecáveis, foi pensando mais no impacto emocional causado por eles que procurei pautar as escolhas.

O resultado você confere abaixo:

Perfeição – Legião Urbana

A Legião Urbana gravou poucos clipes e, para falar a verdade, a maioria deles são bem ruinzinhos. Foi somente no último que a banda conseguiu acertar, entregando um vídeo muito bonito e com uma produção caprichada. Sendo esse o clipe da segunda melhor música do disco só contou a favor.

Losing My Religion – R.E.M.

Eu estava na seção das televisões de uma loja qualquer de eletrodomésticos, quando, começou a passar esse clipe quando o assisti pela primeira. Apesar de não poder ouvir a música fiquei encantado com a bela fotografia do vídeo e com a sua forte simbologia (e isso numa época em que eu sequer sabia o que era simbologia). Somente anos depois, quando já escutava o R.E.M. fui descobrir que uma das minhas canções preferidas do grupo tinha esse vídeo como clipe musical.

Don’t Go Away ­– Oasis

Foi justamente com “Don’t Go Away” que conheci o Oasis, isso quando eles já se achavam a última coca-cola gelada do deserto ao meio dia. O irmão beatlemaníaco de um amigo me emprestou uma fita VHS com o filme “Yellow Submarine” e uma miríade de videoclipes diversos, dentre eles o dessa canção, que, ao lado de “Stand by Me” é a única coisa que presta do disco Be Here Now. No entanto, as belas imagens evocando as obras de Rene Magritte (pintor que eu já começava a conhecer) me pegaram de jeito na madrugada chuvosa em que o assisti pela primeira vez. O clipe de “Wonderwall” com suas imagens em preto e branco é até mais bonito, mas “Don’t Go Away” ainda hoje é o meu preferido filmado pelos malas sem alça dos irmãos Gallagher.

Bad – Michael Jackson

No post anterior comentei sobre aquela época em que ficávamos aguardando o mais novo clip da rainha ou do rei do pop no fim do Fantástico. Falei do meu clipe preferido da Madonna, mas esqueci de falar daquele que deve ser o dono dos clipes mais legais da história da música: Michael Jackson. Apesar de “Thriller” ser o mais famoso, meu preferido sempre foi “Bad”, pois foi o primeiro que assisti, justamente no final do jornalístico dominical da Globo. Lembro até hoje da reação espontânea (e espantada) de minha mãe ao assistir o vídeo: “Oxi! Michael Jackson é branco agora?!”

Minha Alma (A Paz Que Não Quero) – O Rappa

Um grupo de crianças reunindo-se na periferia de alguma grande cidade marcam uma saída para se divertir. Logo em seguida ouve-se os primeiros versos: “A minha alma está armada/ e apontada para a cara do sossego.” Pronto! Bastou isso para me impressionar com esse que é um dos mais belos e contundentes clipes já filmados no Brasil. E isso logo na sua estreia na MTV. Poucas vezes crítica e reflexão social foram tão bem casadas entre texto e imagem.

Bitter Sweet Symphony – The Verve

A canção por si só já é meio hipnótica com aquela melodia se repetindo do começo ao fim. Junte a isso um vídeo onde o vocalista da banda se põe a cantar enquanto caminha por uma rua qualquer de Londres sem se preocupar em desviar das pessoas, chegando a derrubar algumas inclusive, tudo isso gravado em apenas dois planos contínuos e quase sem cortes. O resultado: um dos clipes mais hipnóticos e clássicos da música. Agora, se as pessoas com quem o cantor esbarra na rua são atores de fato ou não, isso eu já não faço a menor ideia.

One of Us – Joan Osborne

A primeira vez que escutei essa baladinha nada romântica foi na coletânea Rock Ballads lá no já distante ano de 1998. Logo de cara a melodia e a voz de Joan Osborne me encantaram. Aí fui traduzir a letra e encontrei uma série de reflexões sobre Deus e a humanidade que me deram muito sobre o que pensar. Somente muito depois fui conhecer o clipe que, com seu desfile de figuras tão exoticamente normais – além dos planos fechados no rosto de Joan, falando pelo lado técnico que mais me atrai nos clipes –, serviu para selar em definitivo meu encanto pela canção.

Hey Brother – Avicii

Para não dizer que só gosto de clipes antigos, me encantei com esse belo vídeo sobre os laços de amizade e fraternidade que surgem no contexto da vida de veteranos de guerra. No vídeo vemos a relação de companheirismo de dois amigos que, à medida que o vídeo se desenrola percebemos serem filhos de dois combatentes. A história não deixa muito claro, mas aparentemente esses soldados foram mortos em batalha (ou ao menos um deles) e as famílias se aproximaram em virtude dessa tragédia. Apesar de ser uma estratégia manjada apelar para o sentimento patriótico em relação aos veteranos e suas famílias (isso nos EUA), o resultado final ficou realmente muito bonito.

A Estrada – Cidade Negra

Apesar de gostar muito desse clipe, na minha opinião ele teria ficado muito melhor se tivesse apenas as cenas em animação do astronauta (ou alien?) na Lua intercaladas com as cenas das crianças brincando. Ter colocado as imagens dos integrantes da banda ficou meio desnecessário para não dizer que, as cenas deles jogando bola num cenário que se propõem a imitar a baixa gravidade lunar, ficaram bem bobas. Mesmo assim gosto bastante desse clipe pela combinação bem sacada entre a solidão do ambiente lunar com a temática da solidão ao se percorrer uma estrada particularmente longa e difícil.

Stop In the Name of Love – The Hollies

Assisti esse clipe pela primeira vez lá naquela mesma fita VHS de “Don’t Go Away”. Infelizmente o vídeo não trazia as informações técnicas da canção (naquele padrão que ficou famoso com a MTV). Assim, fiquei anos sem saber quem cantava ou mesmo o nome daquela canção que, ajudado pelas imagens do clip, parecia ser repúdio a intolerância belicista de uma iminente hecatombe nuclear. Já perdia minhas esperanças de descobrir mais informações sobre o vídeo, quando, para minha surpresa, escuto a mesma canção, porém numa versão diferente, no filme X-Men Dias de um Futuro Esquecido! O resto foi moleza: uma googleada na trilha sonora do filme bastou para descobrir o nome da canção. Outra googleada e descobri que a versão do filme era a original gravada pela banda The Supremes em 1965, enquanto a do clipe que me intrigou era uma regravação feita em 1983 pela banda The Hollies que, como já comentado pesou a mão na mensagem pacifista do vídeo, isso numa canção cuja letra era só mais a falar de amor e abandono. Embora o vídeo de 83 seja exagerado, piegas e até meio cafona e bobo, fica aqui sua menção por ter permanecido um mistério para mim por quase vinte anos.

*  *  *

E vocês? Também curtem um bom vídeo clipe? Fiquem a vontade para comentar! Pode ser clipes carregado de simbolismo, filosóficos, políticos ou mesmo um mistério piegas e cafona de mais de 20 anos.

DE MAURÍCIO A MOORE (E TAMBÉM A MORRISSON, MÖEBIUS, GAIMAN…) – UMA HISTÓRIA DE AMOR PELOS QUADRINHOS

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O início de uma paixão que começou numa página similar a essa

É bem comum encontrar pessoas no Brasil que aprenderam a ler com as Revistinhas da Turma da Mônica. Comigo não foi diferente. Eu tinha sete anos quando li algo sem a obrigação dos textos escolares ou o titubeante soletramento de cada letra e sílaba. Era uma revistinha do Cascão. Li o texto do primeiro balão tão naturalmente que demorei um pouco para, surpreso, me dar conta que sabia ler! Depois da alegria de partilhar a novidade com meus pais li toda a revista numa avidez que impressionou até mesmo a mim! Rápido, mas não o suficiente para me satisfazer. Eu queria mais.

Embora esse tenha sido o início do meu amor pela leitura, não foi de modo algum meu primeiro contato com as histórias em quadrinhos. Na realidade uma de minhas primeiras lembranças é de uma reunião de família na casa de meus avós paternos, quando ganhei de uma tia uma revistinha do Chico Bento (olha a turminha aqui de novo). Apesar de na época ter entre três e quatro anos, essa lembrança é muito vívida em minha mente, quase como se tivesse ocorrido ontem. Lembro muito bem de voltar pra casa agarrado no presente e de assim ter ficado por muito tempo.

A cada nova HQ que eu encontrava ia aumentando dentro de mim o encanto pelas histórias que, até então, eu só podia imaginar como seriam, nisso sendo auxiliado pelas gravuras. Dessa época, entre meu primeiro contato com o Chico Bento e a primeira leitura das palavras do Cascão, fui apresentado ao cowboy Tex – numa coleção esquecida na estante de minha avó materna –, e ao herói cimério Conan, numa edição gigante a qual, na época, supus ser uma adaptação do filme com o ator Arnold Schwarzenegger. Lembro-me muito bem de me encantar com uma luxuosa revista contando a história do Conde Drácula na casa de uma amiga de minha irmã. Fiquei encantado com as lindíssimas ilustrações em preto e branco. Eu não sabia disso ainda, mas ali se iniciava o meu encanto pelas fumettis italianas e seus belos jogos de luz e sombra. Tão absorto fiquei na revista que essa amiga se impressionou que eu, tão novo, já soubesse ler! Ah quem me dera se assim fosse.

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Imagens como essa me encantavam

Quando, por fim, aprendi a ler, devorei todo tipo de quadrinho que encontrei pela frente, a maioria absoluta títulos infantis. Além da Turma da Mônica, li muito Luluzinha, Ursinhos Carinhosos, Trapalhões, Disney (adorava essa última) e demais variantes. E de vez em quando topava com algum título da Marvel ou da DC, em geral, formatinhos do Superman ou Homem-Aranha. Nada que me marcasse. Lógico que tudo isso mudou quando um amigo me presenteou com a edição número 100 da revista Heróis da TV, conforme contei nesse texto. De cara fui apresentado às origens do Doutor Estranho, Homem de Ferro, Vingadores e à equipe que se tronaria a minha preferida dentre todas: os Fabulosos X-Men!

Fiquei encantado com a premissa dos mutantes não serem heróis no sentido tradicional, desses que celebram (e são celebrados por) seus poderes. Ver Ciclope se amaldiçoando por conta de suas rajadas óticas ou a equipe sendo perseguida por grupos de humanos “normais”, os mesmos que foram salvos por eles pouco antes, foi algo marcante nesse início de adolescência. Ter contato com heróis que não eram populares e sim perseguidos e ridicularizados por conta de seus talentos fez com que – pela primeira vez na minha vida – me identificasse com personagens de alguma obra que eu curtia.

Fui atrás de mais material dos Filhos do Átomo. E acabei dando uma sorte tremenda. Outro amigo tinha nada mais nada menos que Superaventuras Marvel n.16, a versão brazuca de Giant Sized X-Men 1, onde era apresentada a origem da nova equipe dos X-Men. Além disso, ele tinha outras revistas, a exemplo daquelas que são consideradas por muitos (eu incluso) como a melhor fase dos X-Men nos Quadrinhos: as revistas da era Chris Claremont. Com a mensagem simples (e mais atual do que nunca) de combate a intolerância e ao preconceito, Claremont conquistou aquele pré-adolescente tímido.

A partir daí os quadrinhos de super-heróis passaram a ter uma nova vida para mim. Percebi que eram muito mais do que aparentavam. Entender que heróis podem ser tão falhos e imperfeitos como qualquer um de nós me levou, não só a mudar minha percepção do que eram os quadrinhos de heróis, como minha própria percepção de mundo. E esse novo olhar me levou a conhecer um mundo inteiro de histórias maravilhosas que ia garimpando aqui e ali.

SAM-16

Ao entrar na sexta série, a escola solicitou como parte do material didático uma gramática de Carlos Emilio Faraco e Francisco Marto de Moura. Como recurso didático essa gramática usava e abusava de imagens publicitárias, pôsteres de filmes, capas e ilustrações internas de livros e muitos, mas muitos quadrinhos! Foi nessa gramática que tive conhecimento de verdadeiros tesouros: A Piada Mortal, 300 de Esparta, Batman – O Cavaleiro das Trevas, Corto Maltese, Tin Tin e outros. Óbvio que fui a loucura querendo ler todas aquelas histórias. Só anos mais tarde conseguiria, já que na Aracaju dos anos 90 esse material dificilmente chegava. Claro que eu não esperei sentado essa época chegar. Corri para as bibliotecas onde, embora nem sempre, eu conseguia garimpar muita coisa interessante. E nas casas de amigos e conhecidos que também curtiam HQs.

E assim, aos poucos, fui tendo contato com os grandes nomes da 9ª arte, John Romita Sr. e John Romita Jr., Jack Kirby, John Byrne. E também com outros nem tão gênios assim, mas que pensam que são (estou falando de você mesmo Rob Liefeld). Foi também – como não poderia deixar de ser – quando conheci a vertente erótica dos quadrinhos através de nomes como Milo Manara, Guido Crepax, Paolo Eleuterio Serpieri e Carlos Zéfiro e seus “catecismos”. Enquanto a molecada preferia os vídeos pornôs, eu precisava me desdobrar para esconder de meus pais as revistinhas pornôs que a muito custo conseguia obter.

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Exemplo de uma HQ de Manara em parceria com Hugo Pratt onde, ao menos aqui, sexo e mulheres nuas não eram o único foco da história

No fim da adolescência, já trabalhando e conseguindo algum dinheiro meu de fato, pude comprar minhas primeiras HQs. E, feliz coincidência, nessa mesma época a Panini iniciava sua atuação no Brasil. Acompanhei por um bom tempo as revistas X-Men, X-Men Extra e Ultimate Marvel. Foi também por aí que, paixão já consolidada, tive acesso as primeiras obras que tratavam sobre o tema. De maneira geral eram revistas que traziam algum texto ou reportagem sobre o assunto e, muito de vez em quando, algum livro também.

Ao entrar na universidade fui obrigado a dar um tempo na paixão. As leituras ditas sérias deram lugar às leituras ditas menos importantes. Mesmo encontrando ecos de muitas HQs que marcaram minha infância nas aulas de Geografia Política, Introdução à Filosofia, Introdução à Psicologia da Aprendizagem, dentre outras, minhas leituras diminuíram bastante (não só de HQs, mas também de livros que não fossem os acadêmicos), deixando, inclusive, de acompanhar as revistas que já vinha comprando.

Mas finalmente terminei a universidade ao mesmo tempo em que descobria na internet um rico tesouro. Blogs e páginas as mais diversas onde eu podia ler online ou baixar os mais variados títulos. Fossem histórias clássicas, fosse aquele formatinho lido na adolescência o qual eu nem lembrava mais a existência. E, especialmente, sites que, não satisfeitos em digitalizar e disponibilizar para download revistas clássicas do mercado mainstream, dedicam tempo e talento para traduzir revistas que não chegam ao nosso mercado nacional. Além é claro dos blogs que analisam, dissecam, esmiúçam todo esse material em textos extremamente bem escritos. Destaco como exemplo esse post escrito pelo Sidekick dos Quadrinheiros Quadrinhos: o Filho Bastardo das Musas, um dos mais belos que já tive o gosto de ler.

Atualmente minha paixão por quadrinhos não diminuiu em nada se comparado ao tempo em que descobria aqui e ali uma nova história interessante, um novo herói ou grupos de heróis complexos ou ainda algum artista ou roteirista genial. Se na infância Maurício de Sousa foi o responsável por minha iniciação e na adolescência Chris Claremont, Will Eisner e Jack Kirby ajudaram a sedimentar o amor, depois de tornar-me adulto descobri em Alan Moore, Grant MorrissonMoebius, Neil Gaiman, Alejandro Jodorowsky mestres em me desvendar inúmeras novas possibilidades para as histórias em quadrinhos, novas maneiras de encarar velhas histórias, personagens e temas, aumentando ainda mais meu amor pela assim chamada 9ª Arte.

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Até mais!