RESENHA: DEIXE AS ESTRELAS FALAREM

Rosa não vê a hora de voltar para sua nave, o cargueiro independente Amaterasu. Reúne sua tripulação, mas se vê em uma situação desesperadora quando se percebe sem dinheiro, com a nave ancorada em um espaço-porto. Eis que um contrabando misterioso surge e uma oportunidade rara de fazer muito dinheiro em pouco tempo. Mas o trabalho não virá sem consequências para Rosa e sua tripulação.

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No geral, todo fã de ficção científica tem em mente uma ideia mais ou menos clara de como são (ou deveriam/deverão ser) as viagens espaciais nas obras que leem ou assistem: um homem intrépido e audaz na cadeira de comando de uma poderosa nave de combate e/ou pesquisa a serviço de uma gigantesca frota ou organização política viajando pelo espaço enfrentando inimigos perigosos. Ou seja, o padrão estabelecido com a Série Clássica de Jornada nas Estrelas lá no final dos anos 60 e seguido não apenas por seus spin-offs, mas também por inúmeras outras.

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Um dos vários exemplos de intrépido e audaz capitão

Logo no começo de Deixe as Estrelas Falarem – publicado pela Editora Dame Blanche – sua autora, Lady Sybylla do Momentum Saga, mostra algo totalmente diferente desse perfil: no comando do velho cargueiro independente com problemas para conseguir novos serviços, temos uma mulher de 90 anos, mãe e também avó. Através da narrativa em primeira pessoa descobrimos que Rosa Okonedo, apesar de adorar o trabalho, sente um pouco de remorso de ter sido uma mãe ausente, passando mais tempo no espaço do que em casa na Terra.

Esse é um dos pontos fortes da obra. Sybylla não teve receio em fugir dos padrões estabelecidos em outras obras de ficção. Fazendo isso ela cria personagens muito verossímeis, com os quais fica fácil a identificação, começando pela própria capitã – mas não se limitando a ela, como mostra nossa rápida identificação e simpatia com os personagens secundários. Independente, dando duro toda a vida e tendo que lidar não apenas com o trabalho, mas também as dificuldades de se manter uma família, estando as vezes, literalmente, a meia galáxia de distância, Rosa é facilmente reconhecível em qualquer mulher em nossa sociedade, dando duro em jornadas duplas de trabalho. E o detalhe que mais me chamou a atenção: ainda ativa mesmo aos 90 anos.

Especialmente nas várias séries da franquia Jornada nas Estrelas (Star Trek) fica bem claro que a expectativa de vida dos seres humanos deu um salto, com seres humanos vivendo até os 125 anos em média. A explicação para essa incrível longevidade é muito similar à da nossa realidade: em grande parte graças aos avanços médicos que permitiram controlar e até mesmo eliminar doenças até então letais, além das melhorias e disseminação de melhores condições de higiene e saneamento básico. Assim saltamos de uma expectativa de vida entre 30 e 40 anos no início do século XX para os atuais 60 a 70 anos em média (com alguns países mais privilegiados chegando a 80 e 90 anos em média). Esse aumento na expectativa de vida, acompanhada da melhoria na qualidade de vida obviamente, levou a uma redefinição do que é ser idoso. Hoje é comum vermos senhoras e senhores com mais de setenta anos levando uma vida extremamente ativa, trabalhando, praticando esportes etc. Algo bem diferente do conceito de idoso que tínhamos há algum tempo.

Infelizmente a série pouco utilizou esse aspecto nos mais de 700 episódios que compõem a franquia. Raríssimas são as vezes que vemos pessoas com mais de 90 anos aparecerem de maneira ativa em tela. Uma das poucas lembranças que tenho de uma personagem nesse perfil é a Drª Katherine “Kate” Pulaski, a oficiala médica chefe da U.S.S. Enterprise D. Infelizmente a boa doutora durou apenas uma temporada cedendo o lugar para o retorno da Drª Beverly Crusher. Era de se esperar que com uma sociedade com tão alta expectativa de vida, mais e mais indivíduos fossem mais atuantes, trabalhando e exercendo outras atividades mesmo depois dos 90 anos.

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Doutora Katherine “Kate” Pulaski em imagem do Memory Alpha

Outro ponto interessante é o aspecto econômico das viagens espaciais. Sabemos que enviar veículos, mesmo os não tripulados, ao espaço demanda um custo enorme, vide os orçamentos bilionários das diversas agências espaciais existentes (NASA, ESA, JAXA, Roscomos). Obviamente, no futuro altamente tecnológico imaginado, não apenas em Deixe as Estrelas Falarem, mas em praticamente todas as obras da ficção científica, esses gastos foram consideravelmente reduzidos. Tal redução permitiu a construção e manutenção de imensas frotas de naves e estações espaciais. No entanto, reduzir consideravelmente os gastos não significa necessariamente dizer que as atividades espaciais sejam necessariamente baratas. Como toda e qualquer atividade, essa também demanda recursos consideráveis para sua manutenção, bem como daqueles que a mantem em funcionamento.

Sybylla não só detalha essa questão econômica, inclusive com um certo detalhamento, como o utiliza muito bem na trama usando-o como mote para a Capitã Okonedo aceitar o transporte de um misterioso contrabando, algo que vai totalmente contra seus princípios. Mas entre pegar a carga ilegal – recebendo uma quantia substancialmente alta no processo – e arriscar ficar um tempo sem trabalho e, consequentemente, sem dinheiro, a preocupação com seus tripulantes fala mais alto.

No final das contas Deixe as Estrelas Falarem é uma história atraente, com personagens cativantes, uma trama interessante e que não teme abordar temas até bem poucos usados na Ficção Científica de modo geral. E o modo como isso é feito, integrando organicamente à trama é um dos pontos fortes da trama. E, embora eu não costume achar que um livro curto seja necessariamente um ponto negativo, nesse caso acredito que um mais algumas páginas para um melhor desenvolvimento dos personagens secundários não seria de todo mal. E não falo isso porque eles não tenham tido um desenvolvimento adequado. Ao contrário, cada um dos personagens tem seu momento e seu espaço na trama, mas justamente por serem tão interessantes ficamos com vontade de aprender e saber mais sobre eles. Quem sabe numa bem-vinda continuação?

Se você ainda não leu, recomendo fortemente Deixe as Estrelas Falarem. Pode compra-lo através desse link.

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TAG: MINHA UNIVERSIDADE – GEOGRAFIA LICENCIATURA

Há bastante tempo atrás respondi essa TAG muito interessante e curiosa sobre como eu era em meu tempo de escola, originalmente ideia do blog Just Lia. Ao revisitar a postagem notei que essa era uma ideia derivada de outra similar, sendo que essa se referia aos tempos de universidade. Nem preciso dizer que curti bastante a iniciativa de se falar um pouco mais tanto sobre meus anos de universidade, como também sobre o curso em si.

São 15 perguntas e se você quiser responder também é só lembrar de citar o post original no Just Lia.

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  1. Qual seu curso de graduação?

Eu cursei Geografia Licenciatura na Universidade Federal de Sergipe.

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Brasão da Universidade Federal de Sergipe remodelado para comemorar seus 50 anos de existência

  1. Quantos períodos ele tem? E em qual você está?

Na época o curso de Geografia possuía oito períodos, durando, portanto, 4 anos. Me formei em 2011 depois de sete anos e meio de muita luta, conforme eu já contei nesse Guestpost no Meteorópole.

  1. Porque você escolheu esse curso?

No Guestpost e também nesse post aqui, eu conto como e porque escolhi a Geografia com um pouco mais de detalhes. Mas em resumo eu sempre sonhei fazer jornalismo, mas ao reprovar no primeiro vestibular decidi fazer Geografia um tanto por incentivo de minha mãe.

  1. Antes de escolher esse curso você pesquisou sobre o mercado de trabalho e o piso salarial?

Por ter escolhido o curso tão em cima da hora, não tive tempo de fazer esse tipo de pesquisa. Mas, sendo sincero, nunca fui muito de ligar para a questão salarial especificamente. Quanto ao mercado de trabalho, sendo um curso de licenciatura, não havia muitas dúvidas quanto à situação.

  1. Como foi seu primeiro dia de aula? Tem dicas para os calouros?

Meu primeiro dia de aula começou dando a tônica de como seriam minhas chegadas nas aulas iniciais da manhã: atrasado. Era aula de Organização do Espaço Mundial com o Prof. Edvaldo e, ao chegar atrasado vestido como um típico punk, atraí um olhar dos mais curiosos do velho mestre.

Minha dica primeira é esquecer tudo o que viveu antes nos ensinos médio e fundamental. Nem pior e nem melhor, a realidade no ensino superior é apenas diferente e exige que os alunos sejam mais proativos na hora do estudo. Sabe aquela coisa do seu Professor de história mastigar todo o conteúdo pra você? Pois é, esqueça. Outra boa dica é ser curioso. Procure conversar com os colegas, tanto os calouros como você, como também com os veteranos. Se informe sobre as disciplinas, os professores, processos administrativos e acadêmicos, onde ficam os diversos setores da universidade. Ou seja, procure o máximo de informação possível. Mais cedo ou mais tarde elas vão ser muito úteis.

  1. Sobre seu TCC, já começou a fazer? Qual tema pretende abordar?

 Na época o currículo do curso não previa a necessidade de se fazer um TCC, o famoso (e temido), Trabalho de Conclusão de Curso. O mais próximo disso era um relatório de atividade de Estágio, em geral feito em duplas. Eu e minha dupla estagiamos numa turma do ensino noturno do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva (atualmente Colégio Estadual Professor João Costa). No relatório traçamos um perfil do aluno do turno da noite e analisamos as dificuldades enfrentadas por esse aluno, via de regra trabalhador durante o dia, em conciliar estudo e trabalho.

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Colégio Estadual Presidente Costa e Silva (atualmente Colégio Estadual Professor João Costa)

  1. Você se considera uma boa aluna(o)?

Apesar de ter sido um excelente aluno no ensino fundamental menor (da 1ª à 4ª série), bom no fundamental maior (da 5ª à 8ª série) e regular no ensino médio, considero que na universidade fui um aluno um tanto medíocre. Parte por precisar trabalhar e estudar, outro tanto pois por essa época já ter me decepcionado de vez com todo o sistema educacional em nosso país. No entanto, isso não me impediu de procurar correr atrás por conta própria de mais leitura e conteúdo.

  1. Você está 100% satisfeita com o curso que escolheu?

Durante o curso tive sérias dúvidas se era aquilo mesmo o que queria. Mas todas elas se foram quando comecei a lecionar. Apesar das dificuldades que enfrentei nos primeiros anos como professor, lecionar me ajudou a ter uma visão mais pé no chão da profissão e me ajudou a perceber o quanto ela era capaz de fornecer em prazer e satisfação ao exercê-la.

  1. O seu curso tem algum material especifico que não tem em outros cursos? (ex: estetoscópio e calculadora cientifica.)

Até onde eu saiba não existe nenhum material que seja específico do curso. Utilizamos bastante mapas e cartas e, em certos casos, aparelhos como o GPS. No entanto tanto as cartas e o GPS são muito utilizados por diversas outras áreas do conhecimento além da Geografia, embora sejam, quase sempre, ligadas a ela, especialmente pelo senso comum das pessoas.

  1. Na sua faculdade teve trote? Se sim como foi?

Não houve trote. Na realidade a UFS e outras universidades no Nordeste não possuem um histórico de trotes (ao menos não aqueles violentos ou humilhantes). Não é muito raro, no entanto, os veteranos promoverem trotes solidários, com arrecadação de roupas ou materiais de limpeza para instituições de caridade ou de acolhimento. Um desses trotes que ficou em minha memória foi o que foi feito tempos depois, quando eu já era veterano. Com a desculpa de que iríamos fazer uma dinâmica de grupo pedimos um dos calçados de cada calouro colocando-o num saco. Enquanto passávamos informações sobre o curso, discretamente demos sumiço nesse saco. A partir daí fizemos os calouros iniciar uma peregrinação pelo campus a procura do calçado desaparecido. E, a cada ponto onde insinuávamos ser o local onde estaria o saco sumido (reitoria, biblioteca, restaurante universitário etc.), um veterano estrategicamente ali postado explicava o que era e para que servia cada um daqueles prédios para, então, indicar o próximo passo. Ao final dessa gincana – terminando exatamente onde começou –, os calouros tinham adquirido uma gama considerável de informações, não apenas sobre seu curso, mas também sobre toda a universidade. E de quebra recuperaram os calçados.

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Trote o curso não teve, mas visitas técnicas e viagens de estudo foram várias. Na foto, uma das visitas técnicas ao Município de Laranjeiras (Alguém já me achou aí?)

  1. Seu curso tem muita matemática?

Não muita. Somente no segundo período precisamos usar bastante a matemática ao cursarmos a disciplina Cartografia Temática, onde aprendemos a fazer gráficos e tabelas os mais variados, e não apenas analisando os dados nelas contidos. Mas caso fosse do seu interesse, havia a possibilidade de se pegar a disciplina Introdução à Estatística, e aí sim, a matemática come solta. E como a matemática e eu vivemos uma relação de amor não correspondido, tratei de ficar bem longe dessa disciplina.

  1. Geralmente nas faculdades existem o “ciclo natural de desistência” a turma começa com 70 alunos e permanecem só 20. Isso aconteceu na sua faculdade?

De modo geral o curso de Geografia não possui um histórico de grandes desistências. Muitos alunos se atrasam, mas as desistências são poucas relativamente falando. Aliás, o terceiro período era famoso como o semestre que separava os calouros, pois era quando pegávamos a disciplina Geomorfologia Estrutural com o temido Professor Hélio Mário e Geografia Agrária da exigente Professora Núbia Dias. A coisa mais comum era metade da turma não conseguir passar em uma ou outra, não raro, em ambas. E, curiosamente, apesar de ter perdido várias matérias, fui aprovado nessas duas logo na primeira vez em que as cursei.

  1. Quais dicas você daria para quem está querendo começar a fazer o mesmo curso que você?

Esse é um conselho que eu daria a qualquer pessoa independentemente do curso escolhido: pesquise bastante sobre o seu curso. Procure saber o máximo possível sobre ele. Assim as chances de escolher uma área e acabar se arrependendo depois serão bem menores. E se isso ocorrer não hesite em mudar de área, mas não faça isso sem refletir bastante antes.

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Na foto o garboso grupo de alunos (olha eu ali escondido) que ajudou a organizar um dos vários eventos o curso, nesse caso o I Simpósio Sergipano de Geografia Contemporânea

  1. Já ficou em DP? Possui algum método diferente de estudo?

Sendo bem sincero, perdi várias disciplinas. Boa parte devido a dupla jornada trabalho/estudo. Mas uma ou duas por outros motivos. Para ficar somente num caso bem específico houve a vez em que logo no primeiro dia de aula de Geografia Urbana I, após uma explanação do professor, um aluno fez um comentário muito pertinente e embasado. Para nossa surpresa, ao invés de elogiar o comentário o professor displicentemente comentou: “Já sei qual é o seu problema: você lê demais!” diante de uma turma atônita, que não sabia se aquilo era algum tipo de piada (garanto que não era pois já conhecia o professor do semestre anterior com quem cursei a disciplina Geografia da População), dei uma gostosa gargalhada, peguei meus livros e saí daquela sala para nunca mais voltar. Tempos depois tive que explicar ao colega que minha gargalhada não era para ele, mas sim para a situação ridícula de ver um professor universitário tripudiar assim e um aluno que fizera um comentário tão pertinente e enriquecedor para a aula.

Por esse exemplo podemos dizer que meu método diferenciado de estudo podia muito bem ser evitar aprender esses maus exemplos dados por alguns profissionais. Felizmente não por todos.

  1. Faça um resumo básico do seu curso para quem estiver interesse em fazê-lo.

Em seus quatro anos o curso de Geografia Licenciatura procura dar ao aluno as competências para poder entender como o ser humano em suas diferentes sociedades é e foi capaz de alterar a superfície terrestre criando um espaço próprio, procurando entender as relações existentes entre o homem (como sociedade) e esse espaço, seja ele natural ou antrópico. Ainda trabalha as competências necessárias para ser capaz de transmitir esse conhecimento de modo didático e crítico levando o aluno a refletir sobre essa intricada relação entre ser humano e espaço.

É um curso bastante rico e abrangente que procura estudar a sociedade humana através de seus mais variados aspectos, utilizando para isso conhecimentos igualmente diversos, tais como da biologia, climatologia, geologia, economia, história, filosofia etc. Se, assim como eu, você estudou uma geografia decoreba e extremamente chata na escola, esqueça tudo isso. Geografia é uma ciência extremamente crítica, interessante e capaz de nos dar um entendimento e compreensão muito abrangente do mundo em que vivemos.

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Finalmente depois de muito esforço e luta, colando grau ao lado de meus orgulhosos pais

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FICÇÃO CIENTÍFICA, MISTÉRIOS E DISCOS VOADORES

Tempos atrás estava na biblioteca da universidade onde trabalho procurando livros para adicionar a minha meta de leitura do ano de 2017. Meio sem querer, descobri entre as seções de Metodologia Científica e de Filosofia uma seção destinada aos livros catalogados como sendo Realismo Fantástico. Entre obras de J. J. Benítez e Charles Berlitz topei com três títulos que chamaram minha atenção. Eram eles o curioso “Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas” de Rubens Teixeira Scavone, seguido do interessante “Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta”, de Pablo Villarrubia Mauso, finalizando com o instigante título “Porque Não Há Discos Voadores – A Lógica” de Max Sussol.

Justamente por apresentarem títulos curiosos, interessantes e instigantes fiquei extremamente interessado. E também porque, ao seu modo, cada um desses temas é do meu interesse. Desde os dez anos de idade, quando encontrei uma ­– já na época –, velha edição de “O Triângulo das Bermudas” de Charles Berlitz, os ditos mistérios de nosso mundo é um tema do meu agrado. Por isso, aproveitando o período de férias, catei as três obras na biblioteca e avidamente mergulhei em sua leitura.

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Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas de Rubens Teixeira Scavone

Comecei logo por “Templários, Frankenstein, Buracos Negros e Outros Temas” não apenas por ser o título que mais me chamou a atenção (afinal, o que temas aparentemente tão distintos como antigos cavaleiros medievais, o monstro de Mary Shelley e singularidades cósmicas tinham em comum para batizar a obra?), mas também por ser de autoria de um velho conhecido meu: Rubens Teixeira Scavone. Esse autor paulistano, apaixonado por ficção científica já me encantara no início da adolescência com o seu livro “O Projeto Dragão”, um livrinho curto e fascinante sobre as desventuras de um importante estudioso que acredita estar recebendo sinais de comunicação extraterrestre. Para anunciar a importante descoberta, convoca inúmeros colegas das mais variadas áreas da ciência ao complexo onde se encontra o imenso radiotelescópio que vem recebendo os sinais.

Esse livrinho de pouco mais de 90 páginas até hoje me fascina pelo modo sóbrio com que tratou de ciência e ficção científica. “Templários…” conseguiu o mesmo feito mais de 15 anos depois. Coletânea de textos do autor, a obra trata com muita propriedade tanto sobre ciência como sobre ficção científica, não raro mostrando as interessantes e curiosas imbricações entre elas. Apesar de ter achado o primeiro texto um pouco hermético demais, o restante do livro foi um verdadeiro deleite.

Cada capítulo é um convite para a reflexão com base no rico acervo de informações e curiosidades sobre temas ainda mais variados que aqueles sugeridos pelo título. De onde viriam os Discos Voadores? De que sistema planetário, de qual galáxia? Tripulados por que espécie de criaturas; que pretenderiam da Terra? O que é ficção científica? Legítimo gênero literário ou formulação inconsequente de cérebros privilegiados? Os terrestres já enviaram mensagens para os extraterrestres, quando e como virão as respostas? Ou visitas? Esses são apenas alguns dos temas abordados aqui, de modo fascinante, honesto e erudito. Um livro altamente recomendado a todos que se interessam pelo assunto.

Misterios do Brasil

Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta, de Pablo Villarrubia Mauso

O encantamento, no entanto, durou só o tempo e terminar a leitura e partir para a próxima obra. Foi começar a leitura de “Mistérios do Brasil: 20.000 Quilômetros Através de uma Geografia Oculta” e percebi logo de cara a diferença no tratamento do assunto. Se no primeiro livro a tônica dada pelo autor era o de seriedade cética ao tratar cada tema (mesmos os mais controversos como nos casos dos discos-voadores), o mesmo não pode se dizer de Pablo Villarrubia Mauso. Desde o início sua obra se pauta pela intensa credulidade para com qualquer dos supostos mistérios que o autor vai encontrando por suas viagens pelo Brasil. Espécie de diário de viagens por mais de trinta e uma cidades brasileiras, onde o autor brasileiro – mas radicado na Espanha – relata suas pesquisas sobre lendas e monstros de nosso folclore nos estados do Maranhão, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e outros o livro nos leva por uma aventura pelo interior desses estados enquanto nos apresenta a todos aqueles mitos e crenças já velhos conhecidos nossos: lobisomens, mapinguaris, curupiras, uma velha casa abandonada e supostamente assombrada por fantasmas, dentre outros similares. Tudo isso temperado com as próprias crenças do autor, que bebe diretamente na fonte do teórico, escritor, arqueólogo e picareta de carteirinha Erich Von Däniken. Não há explicação lógica para os fenômenos observados? Simples: atuação de alienígenas! Estranhas aparições relatadas pelos habitantes locais? Com certeza são seres de outro mundo! E obra vai seguindo nesse tom.

Essa foi a parte que mais me incomodou na escrita de Villarrubia: a facilidade para creditar ao fantástico a causa dos mistérios investigados, não raro atacando sutilmente as pesquisas sérias realizadas sobre os mesmos temas. Infelizmente esse é o tipo de livro que acaba cultivando o interesse das pessoas com pouco ou nenhum conhecimento científico, criando um círculo vicioso que leva a ainda menos interesse pelo conhecimento científico de fato fazendo que consumam cada vez mais o tipo e pseudociência crédula (e não raro criminosa, embora não seja o caso aqui).

Contudo, apesar da insistente credulidade do autor, “Mistérios do Brasil” não deixa de ser um livro interessante e curioso, especialmente por mostrar um Brasil ainda bem pouco conhecido por nós mesmo brasileiros. Não chega nem perto da qualidade da obra anterior, de Rubens Teixeira Scavone, mas nem por isso deixa de ser uma obra interessante, desde que não se leve em conta os ataques as pesquisas sérias feitas por Vilarrubia. E sua relativa qualidade ficaria ainda mais evidente no avançar a leitura do próximo livro.

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Porque Não Há Discos Voadores – A Lógica” de Max Sussol

Como comentei na TAG: Copa do Mundo, “Porque Não Há Discos Voadores: A Lógica” engana passando a ideia de ser uma obra fruto de uma vasta pesquisa muito bem documentada. A bem da verdade, pesquisa e documentos não faltam no livro. Mas é só. Todo o livro se resume a nada mais que um gigantesco recorte de notícias sobre os avanços (e supostos avanços também) das potências americana e soviética na época da Guerra Fria. Tais tecnologias, segundo o autor (nas pouquíssimas vezes em que tentou analisar algo), sendo observadas por pessoas leigas durante seus testes seriam facilmente confundidas com discos voadores ou máquinas de outros mundos. E é isso. Eis toda a lógica prometida no título do livro após entediantes 400 páginas.

Essa suposta lógica (de que nem tudo de desconhecido que vemos nos céus seja necessariamente um disco voador) é tão boba que qualquer pessoa toma conhecimento de sua existência nos primeiros momentos de estudos de qualquer ciência ligada aos fenômenos atmosféricos, mesmo quando o intuito passa longe dos estudos ufológicos. Só para ficar num exemplo, quando estava na universidade, ao estudar a disciplina Climatologia Aplicada aprendemos sobre as nuvens lenticulares, que, devido ao seu formato peculiar são comumente confundidas com naves espaciais. É algo tão batido que mesmo muitos sites e portais de ufologia possuem postagens sobre esse tema e outros similares. Ou seja, nada de novo na lógica do Sr. Max Sussol.

Nuvens lenticulares

Dois exemplos típicos de nuvens lenticulares

A leitura dessas três obras de temas relativamente próximo, ainda que com abordagens tão distintas por parte de seus autores, serviu para me lembrar como o nosso mundo é cheio de coisas maravilhosas, algumas tão misteriosas quanto fascinantes, sendo que muitas delas exigem de nós uma mente aberta e receptiva no esforço contínuo de tentar entendê-las. Mas, principalmente, lembrou-me que não podemos nos deixar levar pela credulidade excessiva, aceitando explicações fantasiosas apenas porque se adequam às nossas teorias, mesmo sem nenhuma evidência. Ou ainda, que amontoar um monte de supostas evidências sem racionaliza-las e nem relaciona-las entre si e as teorias que se quer provar (ou refutar) também não adianta de nada.

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DA LUZ QUE SE APAGA

Existe mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos”

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury (p. 245)

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Desde o início o Habeas Mentem é para mim uma ferramenta de conhecimento. Não apenas compartilhando, mas principalmente adquirindo. Nenhum texto nesse blog é publicado sem antes uma pesquisa, se não exaustiva no mínimo dedicada, de cada tema ou assunto. Aprendo e compartilho um pouco de tanto aprendizado.

Não à toa, desde a reformulação da identidade visual do blog, uma lâmpada acesa iluminando um solo árido é a imagem de destaque e símbolo do Habeas Mentem. Um símbolo que julguei apropriado para o que entendo ser esse pequeno espaço virtual: um local onde o conhecimento é capaz de iluminar a aridez da ignorância.

Ontem eu senti essa luz apagando…

Com um nó na garganta acompanhei um patrimônio incalculável e irrecuperável virar cinzas. Vi, não apenas duzentos anos de história, mas, literalmente, milhares e milhões de anos de conhecimento (tanto descobertos como ainda por descobrir) serem consumidos pelo descaso e desleixo de um Estado incapaz de zelar pela sociedade sob sua responsabilidade.

O Museu Nacional queimou e, atônito, eu não sabia se ficava puto de ódio pelo imenso desprezo das autoridades ditas responsáveis por nosso extremamente rico acervo cultural ou se ficava profundamente triste com tudo o que se perdeu… De certo somente o meu profundo desânimo com nosso país…

Folha de São Paulo

História tornando-se cinzas e fuligem em fotografia da Folha de São paulo

Alguém nas redes sociais disse que ver o Museu Nacional queimando era como ver a própria casa queimando. Fico imaginando a dor e tristeza de todos os pesquisadores que viram anos e anos de seu trabalho tornarem-se pouco mais que cinza e fuligem.

É triste nos vermos num país onde aproximadamente 75% da população é, ou analfabeto funcional ou plenamente analfabeto. Situação lamentável essa que impede uma grande parte das pessoas que aqui vivem entender em sua plenitude o tamanho, não apenas dessa perda, mas principalmente do descaso para com a educação, o conhecimento e o saber no Brasil. E, incapazes desse pleno entendimento, tornam-se incapazes de zelar e se fazer zelar por tudo o que se perdeu e vem se perdendo nessas áreas.

É ainda mais triste entender que essa situação lamentável de nossa população é fruto de um meticuloso e deliberado processo de sucateamento de todo o sistema educacional implementado por uma elite política mesquinha e nojenta que, no intuito de se perpetuarem donas do jogo do poder, não medem esforços em deixar ignorância e desconhecimento como seu legado há gerações. A mesma elite que fez pouco caso da importância do Museu Nacional, assim como faz pouco caso de outros tantos museus, centro de cultura, arte etc. espalhados pelo Brasil afora, e agora, cinicamente, emitem notas de pesar…

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Esse desabafo de minha amiga Sybylla reflete bem o que sinto (Metade dos fósseis do seu mestrado estavam no Museu Nacional)

Especialmente toda a conjuntura nacional, não apenas no âmbito educacional, tem me deixado profundamente desanimado. Ver um acervo de mais de vinte milhões de itens queimando num fogo ainda pior que as chamas literais foi particularmente doloroso. Perceber e entender que pior que o incêndio em si é todo o conjunto de sucateamento, descaso e desinteresse pela cultura e conhecimento em nosso país, foi o mesmo que sentir uma luz se apagando.

Ainda quero acreditar que toda essa situação mudará um dia. Talvez eu não esteja vivo para ver, mas quero acreditar que meu filho poderá ver essa realidade. Por enquanto a sensação é justamente essa que ilustra o cabeçalho, não apenas dessa postagem, mas também da página principal do Habeas Mentem: ao ver se apagar o imenso farol do Museu Nacional me sinto igual a uma lâmpada quebrada que não consegue mais iluminar.

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Vou continuar pesquisando, aprendendo, escrevendo, postando e compartilhando na esperança de que essa luz possa voltar a iluminar.

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TAG: COPA DO MUNDO

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Imagem copiada na cara dura do Momentum Saga

Tem tempo que não respondo uma TAG por aqui. Por isso, assim que vi essa no Momentum Saga, corri para responde-la. Especialmente agora, nessa fase de mata – quando o espírito de Mick Jagger baixou em mim e fez com que todo time que ganhava minha torcida acabava por ganhar de brinde uma passagem de despedida da Copa (precisei torcer pra Inglaterra pra ver se dava Croácia) –, nada como responder uma TAG sobre livros para relaxar.

Se você se animou (ou também está sem sorte nas torcidas), fique a vontade para participar. É só copiar as perguntas e mencionar o Blog Sem Serifa, criador da TAG.

Pênalti: um livro que te encheu de esperança

A Menina Quebrada

A Menina Quebrada” de Eliane Brum

Descobri Eliane Brum vagando pela biblioteca da universidade onde trabalho, onde encontrei esse livro, uma coletânea com 64 crônicas e artigos publicados pela autora no site da revista Época. Botei na lista de minhas leituras para esse ano sem muito interesse nele. E logo nas primeiras páginas a autora me surpreendeu com seu olhar, se não único, com certeza especial sobre as pessoas, relações, sentimentos, sociedade. Enfim, sobre a vida. Me encheu de esperança saber que ainda existem pessoas, não apenas capazes desse olhar especial, mas, principalmente, de serem capazes de escrever sobre elas.

 Prorrogação: um livro que merece continuação

O Boi Aruá

O Boi Aruá” de Luís Jardim

Apesar do título, esse livro conta três histórias diferentes, todas narradas por Sá Dondom, uma velha contadora de histórias, narrados aos meninos Pedro, Joãozinho e Juca. Somente o primeiro trata do boi do título, sendo os outros “História das Maracanãs” e “História do Bacurau”. Esse livro é uma delícia de ser ler especialmente para nós nordestinos, onde encontramos os mais variados aspectos do rico acervo mitológico do sertanejo condensadas nas histórias contadas por Sá Dondom. Uma pequena obra-prima do pernambucano Luís Jardim, que muito merece uma continuação. Uma pena o autor, falecido em 1987, não estar mais entre nós para poder nos agraciar com esse presente.

Impedimento: um livro que alguém precisou explicar para você

Porque Não Há Discos Voadores

Por Que Não Há Discos Voadores – A Lógica” de Max Sussol

Tudo nesse livro parecia indicar uma pesquisa fortemente embasada, cujo intuito seria apresentar evidências lógicas e cientificas mostrando os inúmeros avistamentos de objetos voadores não identificados serem, através de explicações bem menos extraordinárias que naves extraterrestres. Nada disso! O livro é uma imensa colagem (420 páginas!) de notícias e fatos históricos recentes – isso até o ano de 1986 – sem muita correlação entre si. O autor não manifestou nenhuma preocupação em explicar como essas informações comprovam a certeza manifesta no título. Somente nas últimas 20 páginas o “autor” finalmente aparece para afirmar que, conforme tudo o que foi exposto (!), é óbvio constatar que Discos Voadores não existem (!!). E aí de modo bem preguiçoso expõe algumas possibilidades. Sinceramente, para mim, esse livro é como aqueles trabalhos de alunos preguiçosos: um recorte de inúmeros textos diversos e no final o aluno quer nos convencer que pesquisou e fez o trabalho. Até hoje não entendo qual foi a tal lógica usada por seu “autor”. E, não sei o que é pior: se o fato de ainda não ter encontrado quem me explicasse a obra ou descobrir que esse é apenas a primeira parte de uma trilogia que ainda conta com os títulos: “Os Falsos Discos Voadores – Secreto” e “Não Existem Discos Voadores – Comprovado”!

Goleiro: um autor ou livro que segurou a barra, mesmo com várias críticas

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Preconceito Linguístico” de Marcos Bagno

Dos livros que já li, esse é sem dúvida o mais criticado. Eu o comprei e li por indicação da Samantha em uma resenha sua no Meteorópole. Por ter gostado tanto do livro fiquei profundamente impressionado com o número de críticas negativas do livro, tanto no Skoob (quem quiser me seguir é só clicar nesse link) como na internet como um todo. Nem tão surpreendente foi perceber o quanto essas críticas só ajudavam a confirmar todo o preconceito linguístico existente em nosso país. Aliás mais um tipo de preconceito no qual nos destacamos, infelizmente.

7×1: um livro que te deixou derrotada(o)

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher” de Svetlana Aleksiévitch

Já li e já assisti muita coisa sobre as guerras mundiais. Mas nada do que eu já tinha visto antes poderia me preparar para esse livro. Ler os relatos das mulheres russas que lutaram na Grande Guerra Patriótica (como a Segunda Guerra Mundial é conhecida na Rússia) foi uma experiência destruidora acima de qualquer outra coisa. Esse é daqueles livros que, apesar da crueza e violência (ou mesmo por causa disso tudo) a leitura é essencial para entendermos melhor a participação feminina no pior conflito armado pelo qual a humanidade já passou até hoje.

Canarinho pistola: um livro que você leu usando a força do ódio

Diário da Corte

Diário da Corte” de Paulo Francis

Misógino, racista, esnobe. Diário da Corte é um livro que, através dos textos publicados pelo autor na Folha de São Paulo, nos mostra todas essas facetas do, assim considerado, “monstro sagrado” do jornalismo brasileiro Paulo Francis. Como lembrou um resenhista da obra no Skoob, ele “em um artigo sobre a sociedade Nova Iorquina dos anos 70, chama Bianca Jagger de prostituta, imagine o que não escreveria sobre Luciana Gimenez…” Para piorar o livro ainda apresenta passadas de pano inacreditáveis sobre esses preconceitos em sua orelha, prefácio e posfácio. Um livro que nem mesmo a alta erudição do Sr. Francis impediu de me dar engulhos a cada página lida.

Hexa: um livro que você não perde a esperança de que vai ler

Vovó Nagô e Papai Branco

Vovó Nagô e Papai Branco – usos e abusos da África no Brasil” de Beatriz Góis Dantas

Esse é considerado um “livro desmistificador, polêmico e iconoclasta, [onde] a autora mostra que a configuração das religiões afro-brasileiras se dá no confronto das posições ideológicas dos vários atores sociais: senhores, escravos, políticos, policiais, poderosos homens de negócio, padres, pais e mães-de-santo, psiquiatras etc.” Só por essa sinopse há muito tempo tenho vontade de ler esse livro, que é tido como um dos grandes trabalhos da antropóloga sergipana Beatriz Góis Dantas (sobre quem eu falei um pouquinho nesse post: Oito Mulheres Sergipanas Para Se Conhecer Nesse 8 de Março). Uma obra que, a despeito de seu status de polêmico, tenho certeza será muito enriquecedor.

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Automatic

Banda: The Jesus and Mary Chain

Integrantes: Jim Reid (vocais, guitarra, sintetizador, programação de baterias) e William Reid (vocais, guitarra, sintetizador, programação de baterias).

Gravação: 1989

Lançamento: 9 de outubro de 1989

Duração: 43m26s

Produção: Alan Moulder

Sobre o disco:

The Jesus and Mary Chain é uma das bandas mais interessantes a surgirem nos anos 80. Misturando as influências que iam de Velvet Underground a Beach Boys, passando por The Stooges e uma inconfundível atitude punk rock, os irmãos William e Jim Reid assombraram o mundo da música a partir de 1984 com o lançamento de inúmeros singles de sucesso como “Upside Down”, culminando com o lançamento do clássico inegável Psychocandy um ano depois.

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Os irmãos Reid

A recepção positiva desse disco por parte do público foi acompanhada pela crítica que logo tratou de marcar que os irmãos Reid tinham “reinventado o punk rock”. O impacto desse primeiro álbum é sentido até hoje com inúmeras bandas repetindo sua fórmula, nem sempre com os mesmos resultados, infelizmente. Com o sucesso banda começou então a excursionar pela Europa e também pelos Estados Unidos. Seus shows ficaram famosos por terem no máximo 35 minutos de duração onde reinava o caos, com os músicos vestidos totalmente de preto tocando de costas para o público na maior parte do tempo. Com os irmãos Reid subindo nos palcos invariavelmente bêbados e drogados era comum os shows terminarem com brigas entre eles. Músicos entravam e saíam constantemente e assim o grupo continuou até 1989 quando lançam seu terceiro trabalho, Automatic.

Apesar de seus últimos álbuns serem considerados por muitos como alguns dos melhores discos de estreia de uma banda de rock, o que pode ser visto nas relativamente boas vendas, Automatic não teve uma recepção positiva nem dos críticos e menos ainda dos público. Com uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores, mais eletrônico (um tanto devido ao uso de baterias eletrônicas e outro muito por conta do novo produtor, Alan Moulder, que reduziu significativamente as distorções características da banda), o disco revelou um The Jesus and Mary Chain bem menos inspirado. Com altos e baixos Automatic, apesar das boas faixas “Head On” e “Blues From a Gun”, era apenas uma sombra do que os Reid eram capazes de fazer.

Sendo assim, é muito natural nos perguntarmos: “Se Automatic não é essa maravilha toda, que diabos então esse disco está fazendo nessa lista?” Bem, a resposta mais sincera de minha parte é um enfático “não faço a menor ideia!”

Quando analisamos a lista completa de discos nessa lista fica fácil perceber os critérios utilizados por seus autores para escolher cada um. São álbuns que, de um modo ou de outro, mudaram a face do rock e, em alguns casos, da música como um todo (a exemplo de Nevermind ou Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, respectivamente). Trabalhos que, não apenas foram, mas ainda hoje são capazes de influenciar novos trabalhos e novos artistas (qualquer um dos discos de David Bowie). Obras que, ainda que tivessem sido um fracasso total quando lançados, acabaram tempos depois sendo reconhecidos como verdadeiras obras primas (melhor exemplo que vem à mente é Funhouse do The Stooges). E Automatic não é nada disso.

Sendo bem pragmático, mesmo quando analisado sem ter em mente o potencial das mesmas mentes criadoras de Psychocandy – esse sim um clássico incontestável – e Darklands (o segundo e muito bom álbum da dupla), esse é um disco apenas regular. The Jesus and Mary Chain é uma da grandes bandas a surgirem, mas definitivamente considero bastante equivocada a presença de Automatic nessa lista. Nada contra o álbum em si, que é até bem legalzinho, porém um tanto irregular, além de pouco inspirado e com certas incongruências. Primeiro: ele não me parece honrar o som feito pelo Jesus and Mary; segundo: as limitações de se usar uma bateria eletrônica e até mesmo algumas linhas do baixo feitas com o sintetizador; terceiro: tanto a crítica quanto o público não receberam bem esse álbum, sendo ainda hoje considerado um trabalho menor do grupo. Se os autores da lista queriam tanto colocar um outro trabalho dos caras aqui – além de Psychocandy –, que ao menos fosse em 100º, fechando a fila. Ou, melhor ainda, que pusessem em seu lugar Darklands, um álbum, se não emblemático, ao menos com uma melhor recepção tanto de crítica quanto de público.

Para conferir os outros textos da série é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock. E se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, comente, curta, compartilhe! E não deixe de curtir também nossa fanpage!

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