UM MULTIVERSO DE POSSIBILIDADES

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A ideia de um Multiverso foi uma das mais interessantes e legais que a DC poderia ter. Criada para abrigar e explicar cada uma das diferentes versões dos heróis da editora nas diferentes eras dos quadrinhos, o conceito é uma variação – na realidade uma extrapolação – da teoria de que possam existir infinitas Terras Paralelas, todas coexistindo no mesmo espaço e tempo, mas sem nunca interferir uma na outra. O multiverso seria assim o conjunto de infinitos universos (ou realidades) coexistindo, cada um abrigando sua versão própria da Terra e de cada um de nós.

Essa é, de longe, a ideia que mais me encanta na Ficção Científica. Não só pelo incrível número de possibilidades dramáticas possíveis, mas também pelo imenso leque de questões filosóficas e conjecturas inerentes ao conceito. Meus atos em outros universos foram os mesmos? Tomei a mesma atitude num determinado momento de minha vida ou outra totalmente diferente? Que tipo de pessoa eu sou em outra realidade? Sou uma pessoa melhor? Pior? A Ficção Científica explorou e explora ao máximo todas essas questões em séries de TV, livros, contos e filmes além das revistas em quadrinhos.

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“Crise nas Infinitas Terras”

Em histórias envolvendo viagens no tempo os temas acima listados também são muito trabalhados. No filme “Efeito Borboleta” – para ficar num único exemplo – o personagem de Ashton Kutcher precisa lidar com as várias transformações em seu “Eu” a cada vez que ele consegue voltar no tempo e mudar algo. Nesse caso, o personagem tinha toda sua realidade pessoal modificada pelas alterações em seu passado. Ele sentia isso na própria pele, na forma mais direta possível, como quando acordou de volta ao seu presente com os braços amputados ou, ainda, preso por assassinato.

Num multiverso não temos a obrigação de voltar no tempo para presenciarmos as consequências de atitudes de nosso passado influenciando o nosso presente. Podemos observar isso, por assim dizer, de camarote. Sem que nossa vida sofra nenhuma alteração, podemos ver como nossas atitudes e escolhas no passado influenciaram nosso presente observando nosso “Eu” em outra realidade. É a possibilidade de encarar as diferentes possibilidades dos diferentes destinos de sua vida no conforto de sua própria realidade.

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E assim evitamos que algo assim aconteça

Outra interessante questão é mostrada na animação “Crise em Duas Terras”. Na história o Lex Luthor de um universo paralelo vem ao universo regular dos heróis da DC. Ele precisa de ajuda para enfrentar o Sindicato do Crime, nada mais que a versão maligna da Liga da Justiça. Nessa realidade tudo é “invertido”, sendo os heróis os vilões e vice-versa.  Em certo ponto da trama, o Coruja – a versão maligna do Batman daquele universo – explica que o inteiro multiverso não é apenas uma infinidade de mundos e realidades coexistindo, mas também um complexo emaranhado de possibilidades tornadas reais a cada decisão tomada não apenas por mim, mas por cada ser vivo do universo. Cada escolha, cada decisão de ir ou ficar, de tomar esse ou aquele caminho, acaba gerando por si só um inteiro novo universo onde se desdobram as consequências dessa ou daquela escolha. Nessa visão o Multiverso é o inteiro conjunto de possibilidades levadas à existência.

Voltando brevemente ao tema das viagens no tempo: seguindo essa mesma lógica, cada viagem no tempo em que se alterasse algum fato no passado, também seria capaz de gerar, não um novo futuro, mas sim uma nova realidade alternativa originária a partir daquela alteração no passado. Nesse cenário, a cada eventual alteração feita pelo viajante do tempo no passado, seriam criados futuros alternativos que passariam a existir junto ao futuro original e não a alteração desse, que, por essa lógica seria impossível de ser alterado. Ele permaneceria coexistindo com a versão alterada ou alternativa.

Na segunda parte da trilogia “De Volta Para o Futuro” ocorre algo nesse sentido. Quando o velho Biff de 2015 rouba o DeLorean e volta ao passado em 1955, ele altera todo o futuro a partir daquele ponto. Ao voltarem àquilo que é (ou deveria ser) o seu presente, o ano de 1985, o Dr. Brown e Marty McFly o encontram totalmente alterado, uma outra realidade do que entendiam como sendo o presente no qual viviam até então. Ao sugerir retornar ao futuro para impedir o velho Biff antes que esse pudesse voltar no tempo, o Dr. Brown explica a McFly a impossibilidade de fazê-lo, pois eles estariam indo ao futuro alternativo criado pela mudança feita no passado e não para o futuro original, antes da mudança. Embora não se afirme isso no filme, podemos teorizar que as mudanças causadas por Biff gerou um inteiro universo ou realidade, que passou a coexistir com a realidade anterior. Esse novo universo era o futuro (e também o presente alterado) criado em virtude das mudanças feitas na vida do Biff de 1955.

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Dr. Emmet Brown e ilustração onde explica a criação da realidade alternativa de 1985

Assim como eu disse lá no começo do post, são várias as possibilidades dramáticas e mais ainda as questões filosóficas a respeito da teoria da existência de um Multiverso. Quase tantas quanto o próprio número de universos que talvez existam por aí. Longe de querer esgotar o tema, procurei apontar algumas das questões mais intrigantes do meu ponto de vista, mas que, de modo algum, chegam sequer a arranhar a superfície de possibilidades. Quero voltar ao tema outras vezes. Mas por hora, recomendo a leitura dos textos linkados abaixo. Além de extremamente interessantes são muito informativos também. Valem a leitura:

5 Motivos Pelos Quais Devemos Estar em um Multiverso

Além do Multiverso

Abismo do Tempo

Se você curtiu o post e tá gostando do Habeas Mentem, não deixe de curtir também nossa fanpage! Procuro sempre compartilhar por lá links que julgo interessante e que tenham a ver com os temas que abordo aqui no blog, além de postagens antigas e atuais.

Até mais!

CAPITÃES DA FROTA ESTELAR: JEAN-LUC PICARD

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Criados para serem o exemplo supremo da moral, seriedade e comprometimento, os Capitães da Frota Estelar em Jornada nas Estrelas demonstraram todas essas qualidades de inúmeras maneiras nas cinco séries exibidas na TV. Seja nos momentos épicos, salvando a Galáxia ou naqueles mais íntimos quando, não raro, se descobrem tão somente humanos.

E é justamente quando todo o poder e autoridade são tirados de suas mãos, que eles são capazes de demonstrar a verdadeira força que possuem. Força que passa longe de ter a seu comando homens e mulheres dispostos a segui-los ou armas poderosas como phasers e torpedos fotônicos. Uma força que vem de um caráter forjado, não nas terríveis batalhas espaciais, mas sim no íntimo das pequenas derrotas nas tramas da vida que ensinam o poder de sua luz interior. E, no processo, o humano toma o lugar do herói imbatível.

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Jean-Luc Picard

Primeiro e único cadete a vencer a Maratona da Academia da Frota Estelar. Criador de uma manobra ousada, em face de da morte certa quando no comando em batalha da condenada U.S.S. Stargazer. Comandante das U.S.S. Enterprise D e E em inúmeras crises e missões. Glórias que tornaram famoso o Capitão Jean-Luc Picard, alçando-o a condição de lenda, de alguém maior que a própria vida. No entanto, assim como seu colega, James T. Kirk, foram momentos bem diferentes os gravados nas mentes e corações dos fãs.

Naquele que é considerado o mais belo e tocante episódio da Nova Geração, “Luz Interior”, temos um desses momentos que nos falam ao coração. Obrigado a encarar uma face íntima sua nunca antes revelada (talvez nem pra si mesmo), Picard é levado a viver toda uma vida comum num pequeno vilarejo de um planeta esquecido, ao lado de esposa e filhos. Longe dos perigos e das glórias das aventuras estelares, Picard descobre a vida que optou por não ter para se dedicar exclusivamente ao seu maior sonho: servir na Frota Estelar. Mas aqui o capitão não mais existe. Nada de grandes combates, manobras mirabolantes ou inimigos hostis. Há apenas um chefe de família comum. Com preocupações comuns. Apenas o pai e marido lidando e sofrendo com as dificuldades diárias de se ter e gerir uma família.

Mas, por fim, aquela vida acaba e Picard volta à ponte da Enterprise. Mas ele já não é mais o mesmo homem. O lendário Capitão sentiu o agridoce gostinho da vida comum. Uma vida que, mesmo não tendo sido de fato sua, percebe-se, sentirá falta.

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Belo Cartaz da artista Rose Sullivan para o episódio “Luz Interior”

É no filme “Generations”, onde se percebe a falta que essa outra vida faz a Picard. Melhor: onde se entende a falta dessa vida não vivida de fato, mas desfrutada intensamente em sonho. Ao saber da morte de seu irmão Robert e de seu jovem sobrinho René num trágico incêndio, seu único resquício de família é perdido irremediavelmente. Embora nunca o tivesse revelado para ninguém, Picard revela a Conselheira Troi que manteve por anos certa medida de paz com a importância que ele sentia para com a responsabilidade por ele sentida, de manter e dar continuidade a rica e orgulhosa linhagem de sua tradicional família. Ele sabia que essa responsabilidade estava bem cuidada nas mãos de seu obstinado irmão e do jovem filho dele. Sem essa culpa a persegui-lo, pode correr atrás de seu sonho infantil. Pode cavalgar pelas estrelas despreocupado. A família continuaria.

Mas agora não há mais Robert e também não há mais René. A família não continuará. Ao dar-se conta que há mais dias que se foram dos que os ainda por vir, Picard se vê como o último de sua linhagem. Na morte da única família que realmente teve, nesse caso, a do irmão, confronta-se com sua própria mortalidade e, com ela, sua humanidade. E apesar de amar o que conquistou, volta a sentir o desejo pela vida que não teve.

jean-luc-picard-2Arrepender-se de decisões tomadas no passado. Decisões que acreditamos terem feito toda a diferença em nossa vida. Picard sempre se arrependeu de sua juventude indisciplinada e arrogante, que fatalmente o levou a uma briga onde perderia seu coração natural, sendo obrigado a usar um órgão artificial. Quando precisa substituí-lo, Picard é forçado a encarar novamente essa pequena ponta solta de sua vida. Uma ponta que há muito o incomoda mas sobre a qual jamais falou. Jamais encarou. Mas agora, que é obrigado a realizar o procedimento de substituição da peça, Picard sente a necessidade de expor esse arrependimento. Sem opção, tendo apenas como companhia o jovem Wesley Crusher, desabafa sobre o arrependimento de ter sido tão indisciplinado e arrogante. E quis o destino que seu interlocutor fosse o jovem Crusher. O filho da amiga que amou (e talvez ainda ame). O filho do amigo a quem enviou numa missão fatal. O filho que não teve. Mais uma vida não vivida.

Levado a reviver os momentos que antecederam essa briga no excelente episódio “Trama”, Picard aproveita a chance para poder consertar aquela pequena ponta solta na tapeçaria de sua vida. Mas ao fazê-lo toda a trama de sua vida se desfaz. Some o intrépido e audacioso Capitão, cedendo lugar a um apagado tenente júnior da astrofísica da nave. Alguém menos arrogante e indisciplinado. Alguém que não lutou com três nausicanos e por consequência não perdeu seu coração natural. Alguém que não enfrentou a morte, jamais entendeu o quão precioso é cada momento, como é importante cada decisão, certa ou errada e o que se aprende com elas.

E, ao menos aqui, Picard entende bem a importância de cada ato praticado e cada decisão tomada na formação da pessoa que somos. Percebe que, nem sempre, a vida que não vivemos seria melhor ou mais perfeita que aquela de fato vivida.

Finalmente, é curioso notar que, enquanto a humanidade de Kirk se manifesta nas perdas que foi levado a suportar, Picard tem a sua revelada em tudo aquilo que, de uma maneira ou de outra, sequer pode desfrutar. Ou, de fato, optando por isso. E o bom capitão parece estar bem ciente disso.

Devo um agradecimento especial à Samantha do Meteorópole por me lembrar do episódio “Samaritan Snare”, o que ajudou muito na elaboração do texto.

OS 5 CLIPS DO PALAVRA CANTADA PREDILETOS DE HEITOR

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Alguém disse Palavra Cantada?

Palavra Cantada é o projeto musical formado em 1994 por Sandra Perez e Paulo Tatit. Com a proposta de criar novas canções para as crianças brasileiras, o projeto vem agradando o público e também a crítica com um trabalho de muita qualidade, apresentando músicas e clips com muito respeito à inteligência e sensibilidade da criança.

Aqui em casa, desde o nascimento de nosso filho Heitor, minha esposa fez questão de apresenta-lo aos seus clips através do canal oficial do projeto no Youtube. E ele não só gostou como já tem os seus clipes preferidos, aqueles que, quando começam, ele dá uma gostosa gargalhada banguela. Bom, nem tão banguela hoje me dia, com o nascimento dos primeiros dentinhos.

E pra comemorar seu primeiro aniversário, listo aqui os cinco clipes preferidos do pequeno Heitor. Como eu sei que são esses os seus preferidos? Só posso dizer que, depois de quase um ano assistindo todos os vídeos com ele, o papai e a mamãe acabam sabendo quais são os preferidos do filhão e aqueles que ele assiste porque tá lá mesmo.

Confira a lista e, se você for pai ou mãe de um bebezinho, olha, recomendo muito o canal e os produtos da dupla!

5-O VIRA

Clássico dos Secos & Molhados (que não coincidentemente falei sobre nesse texto de hoje também), Heitor fica quietinho assistindo esse clip. Aliás uns dos meus preferidos também e um belo começo pra quem nasceu no dia do Rock.

4-MENINA MOLECA

Temos na família a pequena Lorena, prima de Heitor e um anos mais velha que ele. E ela parece ser a própria Menina Moleca desse vídeo.

3-LEÃOZINHO

Outro clássico saído direto da MPB, a animação que mostra a amizade de um garoto e seu leãozinho deixa Heitor encantado com os olhos fixos na tv todo o tempo.

2-SOPA

Essa é um clássico do palavra Cantada e Heitor adora! É botar pra tocar que ele para o que estiver fazendo pra assistir.

1-EU SOU UM BEBEZINHO

Simplesmente o vídeo preferido de Heitor. Sempre que o assiste, acaba o choro, acaba a dor, acaba o dengo, acaba tudo. Sei lá, acho que rola uma identificação com o bebezinho da animação. De qualquer modo, agradeço muito por esse vídeo existir. Já nos tirou, a mãe e eu, de muitos apertos chorosos com nosso bebezinho!

*  *  *

Logicamente que Heitor não assiste apenas ao Palavra Cantada, embora inegavelmente seja o preferido dele. Aos pouquinhos vamos descobrindo por essa internet sem fronteiras outros vídeos e músicas que agradam o gostinho (bem exigente por sinal) do pequenino. Curioso é o seu gosto por músicas da MPB como vimos nessa lista onde aparecem Secos & Molhados e Caetano Veloso. Além desses ele gosta muito de um vídeo que apesar de ser chamado de Chico & Vinicius para Crianças, tem Toquinho, Nara Leão e outros. Vale a pena conferir também.

E, claro, como um bom nascido no dia do Rock, sempre que rola um Iron Maiden e Black Sabbath, ele curte a sonzeira com o papai!

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“Hojé é dia de Rock, Bebê!!!”

 

 

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Secos & Molhados

Banda: Secos & Molhados

Integrantes: João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão)

Gravação: 23 de maio a 7 de junho de 1973 no Estúdio Prova, em São Paulo

Lançamento: Agosto de 1973

Duração: 30min 54s

Produção: Moracy do Val

Sobre o disco:

Início da década de 70. Em plena Ditadura Militar, com a censura e repressão correndo solta, surge um grupo abusando da maquiagem, figurinos exóticos, letras marcantes (algumas provocativas e sugestivas) e um rebolativo cantor de voz afinadíssima. Esses são os Secos & Molhados, único representante brasileiro a constar nessa lista.

Mesclando canções do folclore português com tradições brasileiras e poemas de Vinicius de Morais e Manuel Bandeira, o disco é constante do início ao fim, não apresentando queda de qualidade em nenhuma faixa. Mesmo as mais complexas ou de difícil entendimento conseguem encantar graças a bem dosada harmonia entre letra e música.

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O disco foi um sucesso imediato de vendas, que surpreendeu a todos. A gravadora Continental tinha produzido apenas 1.500 cópias, mas graças a uma aparição do grupo na estreia do Fantástico, gerou uma expectativa no público. Resultado: as 1.500 cópias rapidamente se esgotaram levando a gravadora, segundo conta Ney Matogrosso, a derreter os discos que não vendiam para produzir mais cópias de Secos & Molhados.

Tendo como influências os Beatles e o florescente tropicalismo, de onde o grupo tirou muito de suas, para a época, ousadas performances ao vivo, o disco está recheados de hits, que ainda hoje fazem sucesso, sendo “Rosa de Hiroshima” e “O Vira” os maiores sucessos. A maior virtude do ábum, no entanto, é sua capacidade de agradar um grande espectro de públicos, segundo Antonio Carlos Morari, no livro Secos & Molhados da editora Nórdica: “Primavera nos Dentes” e “Mulher Barriguda” para os engajados, “Rosa de Hiroshima” tornou-se hino dos pacifistas, “Prece Cósmica” para hippies e místicos, “Rondó do Capitão” embalava o público infantil, “O Vira” fazia a alegria do público massivo das rádios e, por fim, os poemas musicados davam o tom erudito (sem parecer pomposo) para ouvintes mais letrados.

Existe certa controvérsia se esse disco é ou não um disco de rock. Os próprios integrantes da banda já afirmaram terem se surpreendido com críticas que classificavam o trabalho como rock. Ao tomar conhecimento da lista estranhei é bem verdade que estranhei sua presença. O disco em si possui elementos que fazem parte da origem do próprio rock, a exemplo do folk, além da psicodelia e do glam rock que fizeram muito sucesso nos anos 1960 e 70. Também são vários os críticos que consideram esse primeiro trabalho dos Secos & Molhados um disco de glam rock, com todas as características que fizeram esse sub-gênero tão marcante tanto na caracterização como na sonoridade. Assim, considero esse debate se o disco é rock não meio desnecessário, uma vez que são vários os elementos que confirmam a veia roqueira desse disco.

Na realidade, vejo nesse suposto debate uma forma de preconceito velado em relação a banda, por parte de uma parcela de ditos roqueiros. Pesquisando sobre o álbum para esse texto, encontrei muitas críticas a sua presença nessa lista. Críticas vazias onde se nota um intenso machismo para com o disco. Para alguns dos autores dessas críticas, o rock parece se resumir aos subgêneros mais pesados, tais como o punk e o heavy metal, não permitindo ou aceitando versões – que em suas mentes preconceituosas – são menos másculas.

Num desses sites, aliás, o autor se propôs a comentar todos os discos, cinco por post (ideia interessante), onde destilou muito ódio a roqueiras mulheres (chamando inclusive The Go-Go’s de periguetes, muito provavelmente porque elas ousavam fazer tudo aquilo que roqueiros homens faziam desde sempre, ou seja, sexo casual e uso de drogas) e bandas mais populares a exemplo do U2. O autor ainda menosprezou as bandas que procuravam inovar saindo do lugar comum do gênero, desqualificando os excelentes trabalhos do New Order, Foo Fighters e Supertramp (banda a qual ele sequer comentou de fato), questionando se tais trabalhos eram mesmo rock, apenas porque não se enquadram aos seus padrões, os quais ele jamais explica quais são, diga-se de passagem. Nos posts seguintes (ele parou na 79ª posição da lista), ele se divide em elogiar o que gosta – David Bowie, Kiss, AC/DC etc. – e continuara a malhar o que não gosta. Chega ao cúmulo de dizer que prefere ver Scheila Carvalho rebolando no É o Tchan a escutar Garbage. Por aí já se tira o nível do rapaz.

E, ao tratar dos Secos & Molhados, ele simplesmente vocifera: “Preciso comentar algo?! EU PRECISO REALMENTE COMENTAR ALGO SOBRE ISSO?!” Precisa sim, amigão, precisa e muito.

Não gostar de determinado ritmo, gênero, subgênero ou tendência é algo normal. Anormal é tentar usar nosso gosto pessoal pra tentar desmerecer ou não determinada banda, disco, música, qualquer coisa, aliás. Quando me propus a falar um pouco sobre cada um dos cem discos da lista da Playboy, não foi porque a considero A LISTA. Na realidade eu poderia ter usado qualquer uma das zilhões de listas existentes mundo a fora, algumas (opinião minha) melhores outras piores. Por que essa então? Por ter sido com ela a primeira vez que eu tomava conhecimento pra valer de nomes que admiro e escuto bastante. David Bowie, The Who, Iggy Pop e sim, The Go-Go’s e Alanis (que podem não ter feito nada de bom depois, mas Beauty and Beat e Jagged Little Pill são sim excelentes trabalhos). Como eu disse no primeiro post, não considero nenhuma lista como sendo perfeita, mas são boas oportunidades para se aprender mais. E, ao escrever sobre cada um dos discos dessa lista, tenho tentado a muito custo deixar de lado minha opinião, e analisar cada um deles com o máximo de isenção possível.

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Secos & Molhados é rock sim, mas também é MPB, poesia, crítica social, engajamento político e muito mais. Tenho um carinho especial por esse disco, pois em minha casa existia uma cópia em vinil do ano de seu lançamento. Cresci ouvindo os sucessos do grupo e considero esse um dos mais belos discos já gravados em nosso país.

Para finalizar, duas curiosidades: o grupo ficou tão famoso no Brasil na época do lançamento desse disco que acabou dando origem ao mito de que os integrantes do Kiss teriam se inspirado nos brasileiros para compor suas maquiagens. E a curiosa capa do disco é considerada uma das mais icônicas da história da música brasileira e tem uma história bem bacana que vale a pena conferir aqui nesse link.

Abaixo vocês conferem a belíssima interpretação de Ney Matogrosso para Rosa de Hiroshima ao vivo no Maracanazinho

Para conferir os outros textos é só clicar no link a seguir: 100 Melhores Álbuns de Rock

A CONQUISTA DE SERGIPE DEL REY

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Bandeira de Sergipe – Imagem do Portal de Sergipe

Oito de Julho é a data em que se comemora a Emancipação Política de Sergipe. Em teoria é a data cívica mais importante do calendário estadual. Infelizmente, conforme relatei nesse texto de exatamente um ano atrás, o caráter comemorativo da data foi se perdendo com o tempo, num misto de desinteresse das instituições (governamentais ou não) de se valorizar e dar a conhecer os aspectos históricos e culturais de nosso estado, bem como um certo sentimento de desapego do próprio sergipano para com esses aspectos.

No contínuo esforço de se conhecer e, principalmente, dar a conhecer esses e outros aspectos de Sergipe, iniciei uma pesquisa com o intuito de resgatar a história do “descobrimento”, conquista e consequente colonização de seu território (sem obviamente esquecer o massacre das tribos de nativos), até sua emancipação da Bahia em 1820, assim como seus inúmeros personagens. Contrariando minhas expectativas, encontrei em sites e livros um rico material (ainda que com algumas lacunas sobre determinados fatos e eventos) que, uma vez organizado, levou a um texto enorme, além de ter consumido um longo período de dedicação e escrita que fatalmente impediria sua publicação a tempo de ser postado no dia 08 de Julho, conforme minha intenção. Assim, optei por dividir o material em três textos menores (mas nem tanto), os quais irei postando a medida que forem sendo concluídos.

Nesse primeiro texto veremos como se deu o início da formação do estado de Sergipe com a chegada dos portugueses às nossas praias em 1501, as primeiras tentativas de colonização culminando numa guerra que levou ao extermínio de boa parte dos seus habitantes originários, os indígenas, em 1590. O segundo texto contará sobre a colonização propriamente dita, a invasão holandesa e anexação à Capitania da Bahia abrangendo o período de tempo entre 1590 à 1763.  Finalmente no terceiro e último texto saberemos como se deu a emancipação política, a luta pela sua confirmação e uma visão breve dos governos nos primeiros anos de autonomia política até a mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju em 1855.

Essa foi a maneira que encontrei para não apenas celebrar os 196 anos de nossa Emancipação Política, mas especialmente nossa Sergipanidade: lembrando da história hoje virtualmente esquecida pelos sergipanos.

O primeiro relato histórico referente ao território do futuro Estado de Sergipe é encontrado em carta do piloto florentino Américo Vespúcio, onde são narrados os principais fatos ocorridos na primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pela Coroa Portuguesa, sob o comando de Gaspar de Lemos em 1501. Informa-se nessa carta, que as três naus que compunham a expedição tiveram dificuldades em desembarcar na altura do estuário do rio São Francisco, encontrando mais ao sul praias que permitiam a frota ancorar, favorecendo também o desembarque. Com base nesse relato, os historiadores atuais concluem que esse desembarque ocorreu no litoral próximo à foz do rio Vaza-Barris.

A Expedição permaneceu cinco dias naquele local. Do contato com os nativos, Vespúcio escreveu: “…assentamos de trazer deste lugar um par de homens para aprender a língua e vieram três deles por sua vontade para o Portugal.” Conforme conclui a historiadora Maria Thetis Nunes no livro “Sergipe Colonial I” – de onde esse relato foi extraído –, foram estes os primeiros sergipanos a emigrar. No local onde aportaram predominavam as tribos Tupinambás e Caetés, mas no território viviam também os Aramurus e Kiriris nas margens dos rios São Francisco e Jacaré, os Aramaris, Abacatiaras e Ramaris no interior, além dos Boimés, Karapatós e os Natus.

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Vista aérea da foz do Rio Vaza-Barris atualmente

Com a divisão do Brasil pela Coroa em 15 Capitanias Hereditárias, em 1534, os Sertões do Rio Real (como a região era conhecida entre os portugueses até então) foram integrados a Capitania da Bahia de Todos os Santos, a qual foi doada a Francisco Pereira Coutinho, português que fizera fortuna nas Índias. Em 1536 chegava o donatário à Bahia, dando inicio à colonização fundando, onde hoje se encontra o Farol da Barra em Salvador, o Arraial do Pereira, mais tarde chamada de Vila Velha do Pereira. Sua presença não teve nenhum efeito sobre Sergipe, que, esquecido, favoreceu a ação de piratas franceses que contrabandeavam com a colaboração dos Tupinambás os produtos da região, dentre eles o Pau-Brasil.

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Tomé de Souza durante a construção de Salvador

Em 1547, após se retirar para a vizinha Capitania de Porto Seguro devido a divergências com alguns colonos, Francisco Pereira Coutinho retornava para Salvador quando naufragou próximo à Ilha de Itaparica, sendo aprisionado e morto pelos índios tupinambás. Com sua morte a Coroa compra a Capitania dos herdeiros e a torna sede do Governo-Geral, novo sistema implantado em virtude do fracasso do sistema anterior de Capitanias Hereditárias. Tomé de Souza foi nomeado Governador Geral sendo uma de suas atribuições a exploração das terras até o rio São Francisco.

Por essa época os Sertões do Rio Real já eram conhecidos pelo nome do principal rio da região, chamado pelos indígenas de Siriípe, que significa Rio dos Siris. No falar e principalmente no escrever dos colonizadores Siriípe foi se transformando e assumindo as pronúncias e grafias de Cirizipe, Cirigype, Serigype, até assumir sua forma atual: Sergipe. Por encontrar-se em Capitania pertencente à Coroa Portuguesa, e também para diferencia-la de uma localidade baiana chamada Sergipe do Conde, as terras passaram a ser conhecidas como Sergipe Del Rey depois de sua conquista.

Apesar das ordens reais, nem Tomé de Souza e nem seus sucessores Duarte da Costa e Mem de Sá tiveram êxito em explorar as terras sergipanas. Mas onde os colonizadores falhavam, tinham sucesso os jesuítas através de suas expedições missionárias, que adentravam os sertões inexplorados pelos portugueses com o objetivo de catequizar os selvagens indígenas.

No entanto, no governo de Mem de Sá, foi realizada uma grande perseguição aos índios, com o pretexto de puni-los por terem devorado Dom Pero Fernandes Sardinha, o Primeiro Bispo do Brasil, em 1556, durante o governo de seu antecessor, Duarte da Costa. A violência foi tamanha que, com a denúncia dos jesuítas dos crimes à corte, essa decidiu que a guerra era injusta, ordenando que os índios capturados fossem postos em liberdade. Devido a essa perseguição os indígenas do território sergipano passaram a odiar e temer os portugueses, intensificando sua aliança com os franceses.

Essa perseguição não impediu que, em 1575, o Padre Gaspar Lourenço e o Padre João Salônio, em expedição missionária da qual faziam parte alguns colonos e um grupo de soldados da Bahia, atravessem o Rio Real e ergam uma capela jesuítica nas proximidades do rio Piauí e uma escola, chamada de São Sebastião, tendo o Padre João Salônio o seu professor. Ali acabou sendo fundado pouco depois o povoado de São Tomé por Garcia D’Ávila a quem o Governador de Salvador Luís de Brito delegara o início da colonização de Sergipe e que muito provavelmente comandava a expedição. Mais tarde a vila seria rebatizada de Vila de Santa Luzia do Piaguy (como era grafado o nome do rio Piauí) e posteriormente Vila de Santa Luzia de Itanhy, a qual deu origem a cidade atual com mesmo nome. Os padres ainda construiriam mais adiante na margem direita do rio Vaza-Barris a igreja de Santo Inácio, próximo da atual cidade de Itaporanga D’Ajuda, e a igreja de São Paulo no litoral em alguma localidade próximo de onde séculos mais tarde se ergueria a atual capital, Aracaju. A empreitada dos padres contou com a colaboração e apoio de três líderes locais, que entrariam para a história de Sergipe: os Caciques Aperipê (líder as terras do rio Real até próximo ao rio Vaza-Barris), Surubi (líder da região do rio Vaza-Barris) e aquele que viria a ser seu principal líder, o Cacique Serigy (no litoral).

Igreja de Santa Luzia do Itanhi-Prefeitura municipal

Atual Igreja de Santa Luzia do Itanhy

Infelizmente a colaboração com os jesuítas terminaria de forma trágica. Insatisfeito com a atuação dos padres, o Governador Luís de Brito não aprovou a fundação do povoado de São Tomé, e, sob determinação do governo português, ainda em 1575, atravessou o rio Real com um exército de soldados e moradores da Bahia. Os padres mandaram avisos de que os índios não desejavam confrontos e estavam dispostos a tornarem-se cristãos, mas o governador não lhes deu ouvidos. Na realidade, o interesse do governo luso não era o de catequizar os índios, mas sim que fossem pacificados pelos padres, facilitando assim sua captura e a conquista de suas terras.

Receando o avanço das tropas os índios fugiram das Missões, levando Luis de Brito a usar essa fuga como pretexto para caçar os fugitivos alegando “uma quebra da paz” dando inicio a um ataque violento e mortal sobre as aldeias. Na luta que se travou os indígenas, pegos de surpresa, tiveram suas aldeias destruídas, morrendo Surubi com um tiro de mosquete ao defender o Povoado de Santo Inácio, o qual também foi destruído. Aperipê foi seguido por homens do governador por cerca de cinquenta léguas, mas conseguiu escapar. Os índios sobreviventes escaparam da captura fugindo para o interior juntamente com Aperipê. Durante os combates foram capturados mais de mil e duzentos índios. Esses foram transportados para Salvador onde, em pouco mais de um ano de cativeiro a varíola e o sarampo matou metade deles.

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Cidade de Itaporanga D’Ajuda: Foi nessa região que Surubi foi morto ao tentar defender seu povo do ataque ao Povoado de Santo Inácio

Para vingar a morte de Surubi, Serigy se uniu aos seus irmãos Siriri e Pacatuba (líderes das terras dos atuais rios Sergipe ao Siriri e entre os rios Poxim do Norte e São Francisco, respectivamente). Aos irmãos se uniriam ainda os Caciques Japaratuba e também Aperipê. Juntos formulam um plano de vingança. Solicitam o envio de nova missão jesuítica sob uma suposta alegação de paz. Apesar dos reforços enviados com os jesuítas, foram todos mortos, dando início à, assim chamada pela Coroa Portuguesa, “guerra justa” contra os indígenas.

Com o apoio dos quatro chefes indígenas Serigy estruturou uma forte milícia dentre os jovens guerreiros de sua tribo, reforçada pelos guerreiros das demais aldeias. Acredita-se que em torno de 20.000 índios fizessem parte dessa formação, com 1.800 deles mobilizados e prontos para o combate defendendo as terras sergipanas do invasor português, com um segundo agrupamento em constante treinamento de aproximadamente 1.000 guerreiros, cuja função era substituir prontamente os mortos na linha de frente. O próprio Serigy, auxiliado por seus comandados, escolhia os mais fortes e ágeis no manejo das flechas, zarabatanas e armas de fogo. Essas últimas eram conseguidas através de relações de troca com os franceses.

Serigy-Blog Minha Terra é Sergipe-Armando Maynard

Estátua representando o Cacique Serigy, localizada no Palácio Serigy no Centro histórico de Aracaju

Sob o comando de Serigy, os índios sergipanos resistiram aos ataques portugueses até o ano de 1590. Devido a sua localização privilegiada entre a capital da Colônia e a próspera Capitania de Pernambuco, os portugueses precisavam criar caminhos seguros através do território sergipano. Mas todas essas tentativas foram rechaçadas pelos homens dos cinco caciques defensores das terras sergipanas.

O destino dos guerreiros de Serigy viria a mudar quando, cansado das constantes derrotas, o governo colonial deu ao então governador de Salvador, o Capitão-Mor Cristóvão de Barros, o comando de uma esquadra de guerra e a chefia de uma milícia a soldo ao quais se juntaram aventureiros e colonos baianos. Nas palavras de Luis Antônio Barreto, destacado historiador e jornalista sergipano, Cristóvão de Barros era um “veterano em dizimar índios”, tendo atuado junto a Mem de Sá em 1566, quando socorreram os moradores do Rio de Janeiro expulsando e massacrando os índios tamoios que ali viviam.

Nos últimos meses de 1589 a esquadra chega ao litoral sergipano na região controlada por Serigy. Travam-se intensas batalhas e, segundo alguns relatos não confirmados, o próprio Cristóvão de Barros teria tentado negociar um acordo com Serigy para fundar uma cidade nas margens do rio Sergipe, pois desejava evitar mais confrontos sangrentos. O líder indígena, no entanto rejeitou o acordo, pois sabia que essa seria o início da colonização e do extermínio de seu povo.

Seguiu-se uma intensa batalha e, após quase um mês de lutas, “na noite de ano novo de 1590, quando os arcos e flechas dos guerreiros de Baepeba (como também era conhecido Serigy) e seus aliados sucumbem aos arcabuzes das tropas portuguesas, o que se declara é que já não é possível deter o avanço dos conquistadores,” conforme relatado por Beatriz Góis Dantas, professora de Antropologia da UFS. As fontes históricas sobre o que aconteceu após a batalha falam pouco sobre o destino dos cinco caciques que resistiram até o fim. Acredita-se que, uma vez que não foi relatada a captura de nenhum deles, tenham morrido na batalha Aperipê, Siriri, Pacatuba e Japaratuba. Serigy teria sido o único capturado e enviado à prisão na Bahia onde morreu devido a uma greve de fome contra a escravidão que lhe fora imposta. Seria esse o último ato de rebeldia do guerreiro, ao qual se somou uma maldição lançada com seus últimos suspiros sobre as terras conquistadas: “Nada que se fizer por aqueles prados dará certo!” Infelizmente o colonizador não tinha interesse em documentar com detalhes nada que dissesse respeito aos nativos, por isso esses fatos não podem ser confirmados, embora seu caráter lendário ajude a enriquecer o contexto cultural sergipano.

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Mural de Jenner Augusto, representando os povos indígenas de Sergipe

Com a conquista, Cristóvão de Barros funda a cidade de São Cristóvão – próximo às praias onde 265 anos depois seria construída a cidade de Aracaju -, a quarta mais antiga do Brasil, e a torna sede do governo da Capitania a qual oficializou o nome de Sergipe Del Rey. Em 1763 Sergipe seria incorporada, juntamente com as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro à Capitania da Bahia a qual só terminaria em 08 de julho de 1820, quando da Emancipação Política promulgada por Dom João VI.

O saldo da “guerra justa” contou com mais de 4.000 índios escravizados e cerca de 2.400 mortos. No entanto, o etnocídio e o genocídio das tribos indígenas de Sergipe não parou aí, estendendo-se por todo o século XVII e XVIII com o avanço para o interior e às margens do São Francisco onde se refugiaram os poucos sobreviventes da Guerra de Conquista de Sergipe. Resistindo ao desaparecimento, sobrou apenas a comunidade indígena Xokó, na antiga Missão de São Pedro em Porto da Folha, município do sertão sergipano às margens do rio São Francisco.

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Brasão da capitania de Sergipe Del Rey

Fontes utilizadas nesse texto (e para se aprender mais):

Agência Sergipe de Notícias

Blog Ser Tão/Sertão

Ache Tudo e Região

Povos Indígenas de Sergipe

Livros:

“Apontamentos para a História da Companhia de Jesus”, de Antônio Henrique Leal;

“Investigações Histórico-Geográficas de Sergipe”, de Felte Bezerra;

“Sergipe Colonial I” de Maria Thétis Nunes;

“Textos para a História de Sergipe”, de Diana Maria de Faro Leal Diniz (Organizadora).

AUTORAS/ES QUE ME INFLUENCIARAM

A querida Sybylla, capitã do Momentum Saga, me marcou em sua página do Facebook para responder esse desafio. As regras são bem simples: devo listar 20 autoras e autores que me influenciaram e que sempre ficarão comigo; devo listar os primeiros vinte nomes que me vierem a mente em mais ou menos 15 minutos e depois marcar mais 15 amigos (incluindo aí o amigo que me marcou para que possa ver minha lista).

Bom, por aí já deu pra ver que esse era pra ser um desafio a ser respondido lá mesmo nos domínios do titio Lex Luthor, digo, Mark Zuckerberg. Mas, aproveitando o período intenso de trabalho aqui na universidade a dificultar minha dedicação aos textos ainda a serem postados no Habeas, resolvi pegar a ideia e trazê-la para cá. Mantendo o espírito da primeira regra, listei os 20 primeiros nomes que vieram na minha mente. Procurei apenas tomar o cuidado de verificar se não fui lembrando apenas de nomes lidos recentemente e, portanto, ainda frescos na minha memória, mas sim nomes que, de fato, me influenciaram e que, acredito piamente, continuarão comigo.

Embora não fosse uma regra, procurei falar brevemente sobre cada um dos nomes citados. Sendo a lista um pouco extensa (20 nomes!), procurei ser o mais breve e direto possível nos comentários sobre cada.

E quanto a regra de marcar 15 amigos, prefiro marcar os leitores dessa postagem que façam suas listas e respondam aqui nos comentários ou em seus blogs, fanpages etc. E se der, coloquem os links nos comentários também para que possamos conhecer suas influências literárias.

1-Monteiro Lobato

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Foi com esse autor que iniciei o meu gosto pela leitura conforme já contei nesse post.

2-Silvia Cintra Franco

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Primeira autora da lista da série Vaga-Lume. Seus livros com protagonistas femininas fortes e interessantes sempre me encantaram. Foi no seu livro “A Barreira do Inferno” que fui apresentado ao termo “feminista” e a Simone Beauvoir.

3-Maria José Dupré

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Autora de um dos livros mais doídos que já li. “Éramos Seis” conta a sofrida história de Dona Lola. Também escreveu as deliciosas aventuras do Cachorrinho Samba e “A Ilha Perdida”, outro clássico da Vaga-Lume.

4-Agatha Christie

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Sou viciado nas histórias da Rainha do Crime, pelo modo como ela conduz as histórias, com tramas muito bem amarradas e instigantes.

5-Cecília Meireles

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Me encanta desde que li “Ou Isto Ou Aquilo”, numa longínqua 1ª série.

6-José Maviael Monteiro

José Maviael Monteiro

O sergipano da lista que me orgulha e encanta com seus livros na série Vaga-Lume “Os Barcos de Papel”, “O Outro Lado da Ilha” e “O Ninho dos Gaviões”.

7-Marcos Rey

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Outro autor bacana demais da Vaga-Lume e o que mais publicou para o pequeno Luminoso – nome do vaga-lume cheio de estilo e mascote da série.

8-Pedro Bandeira

Pedro Bandeira

“A Marca de Uma Lágrima”, versão adolescente do clássico “Cyrano de Bergerac”, é, ainda hoje, o meu livro preferido do autor. Pedro Bandeira é daqueles autores com jeito pra escrever para adolescentes.

9-J. J. Benítez

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Existem autores que nos mostram o que fazer e aqueles que nos ensinam o que devemos evitar. J. J. Benítez se encaixa na segunda opção.

10-J. K. Rowling

JK Rowling

Só fui ler sua obra mais famosa muito recentemente. Só uma coisa a dizer: Perfeita!

11-J. R. R. Tolkien

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A cativante história de uma jornada cheia de perigos e de detalhes, com personagens interessantes e um enredo maravilhoso. E depois de “O Hobbit” ele elevaria isso a enésima potência com “O Senhor dos Anéis”.

12-Maurício de Sousa

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Se há um responsável por eu adorar história em quadrinhos, esse é certamente Maurício de Souza e suas histórias da turminha do Limoeiro.

13-Chris Claremont

Chris Claremont

E se há um responsável por eu ser fanático pelos X-Men, esse certamente é Chris Claremont e sua fase dourada a frente dos Filhos do Átomo.

14-Ziraldo

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Só por ter escrito “Flicts”, que eu li quando tinha nove anos na biblioteca da escola, Ziraldo já merece estar nessa lista.

15-Will Eisner

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Gênio que me ensinou que quadrinhos também é arte e literatura das boas!

16-Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marques

Por encantar um adolescente com um curioso e instigante conto lido numa edição qualquer de uma Playboy qualquer. Um brinde da revista pelo lançamento de seu mais novo livro: “Doze Contos Peregrinos”.

17-Máximo Gorki

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Novamente um conto instigante lido por um adolescente ávido por novas leituras num velho calhamaço intitulado Titãs do Amor. O começo de um amor platônico com a literatura russa.

18-Clarice Lispector

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Antes de virar celebridade de textos que nunca escreveu no Facebook, li (e me apaixonei por) seu conto “O Banho”. Encanto com seus textos densos que sempre exigem uma releitura, um novo olhar.

19-Alan Moore

Alan Moore

Maurício de Souza iniciou a paixão, Chris Claremont e Will Eisner consolidaram, mas quem mostrou mesmo o quão maravilhoso, fascinante, denso e cheio de possibilidades é o mundo das HQs, este, certamente, foi o britânico mago barbudo.

20-George Orwell

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O autor de “A Revolução dos Bichos” e “1984”. Livros que já conheci adulto, mas mesmo assim me influenciaram como poucos.

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Finalmente, enquanto ainda no processo de criação da lista, acabei sendo marcado novamente, desta vez pela amiga Izabela, uma das madrinhas do Habeas Mentem. Taí, Iza! Desafio respondido!