LIVROS 2017/2018

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Mais um ano se passou e aqui estou mantendo a tradição de fazer um levantamento das leituras que fiz no ano de 2017 e também o que venho planejando para o ano de 2018.

E, se 2016 foi um ano muito bom, 2017 foi realmente excepcional para as minhas leituras. Não só consegui atingir boa parte de minhas metas, mas também tive o prazer de ler obras incríveis e dos mais variados gêneros, exatamente um dos desafios que me impus. Li um pouquinho de quase tudo: de livros de geociências à estudos historiográficos; de biografias que remetem à ficção de tão fantásticas à romances questionadores da realidade.  E foram tantos livros bons que cheguei mesmo a ter dificuldades enormes, não só para escolher os melhores, como também para listar as decepções.

Alguns exemplos de boas leituras do ano que passou

Infelizmente, minhas leituras de quadrinhos continuam a decepcionar. Esse ano consegui a proeza de ler ainda menos quadrinhos do que no ano anterior. Como expliquei na postagem do ano passado, eu praticamente não compro mais quadrinhos, preferindo fazer o download e ler no computador em casa, deixando a leitura dos livros para o kindle ou nos volumes emprestados da biblioteca na universidade onde trabalho. Por isso boa parte das minhas leituras de novos quadrinhos são feitas em casa. E foi aí onde o problema começou, pois em 2017 meu tempo em casa pode ser resumido em: dar atenção ao meu filho, ajudando a cuidar do pequenino, além de estudar para concursos públicos. Mas se foram poucos os quadrinhos lidos, a qualidade do material lido compensou a quantidade.

Tomando por base o ano o que foi lido em 2017 estabeleci uma meta bem ambiciosa para esse ano. E nisso contei com uma ajuda perfeita da querida Capitã Sybylla do Momentum Saga, indicado nada menos que 52 obras, as quais somei algumas das leituras que não consegui completar antes do fim do ano passado.

Para quem tiver interesse em acompanhar meu progresso de leituras, fique à vontade para me seguir lá no Skoob.

2017

  1. Um livro e um quadrinho que te surpreenderam em 2017?

“Só Garotos” e “Quarto de Despejo”

Escolher uma única obra para esse item foi extremamente complicado. E mais complicado ainda foi tentar escolher apenas um dentre essas duas obras lindas. De um lado a cativante história de amor da garota magrela do interior dos EUA, tanto por seu fotógrafo de cabelos cacheados, como pela arte em suas infinitas possibilidades. Do outro a crueza e toda dor na história de uma catadora de lixo na maior cidade brasileira, que, ao sentir fome preferia escrever ao invés de xingar. São duas obras que, cada uma a seu jeito, cativam, prendem, encantam e emocionam.

Em “Só Garotos” Patti Smith, poeta, cantora, compositora e fotografa conta a história de maneira bem sóbria, poética até, fugindo do lugar-comum das biografias em geral. Partindo de sua infância, quando se percebe artista, até sua ida para Nova Iorque dos anos 60 e 70 livre – cidade apresentada pela autora de uma maneira equilibrada, livre dos deslumbramentos e depreciamentos típicos de quem escreve sobre a época –, cada lembrança contada tem um objetivo certo: alicerçar o caminho para o inusitado triângulo amoroso entre Patti, seu querido fotografo, Robert, e as artes. Uma história que emociona nos pequenos detalhes e nas suas pequenas descobertas como artistas, amantes, amigos.

Já em “Quarto de Despejo” encontramos toda a dor da vida de Maria Carolina de Jesus, catadora de papel, vivendo na São Paulo da metade do século passado as mesmas dificuldades de muitos brasileiros de hoje. Com seu jeito simples e humilde, refletido em seu texto coloquial de quem teve pouco acesso aos estudos, temos uma vontade imensa e irresistível de escrever sobre tudo aquilo que, mas do que visto, é sofrido. Nas palavras de Maria Carolina encontrei ecos de uma realidade teimosa em persistir ainda hoje. Ecos da realidade vivida por minha avó, igualmente uma mulher negra, pobre sem acesso a educação e de quem lembrava a cada virada de página.

Maus

“Maus”

Não é de hoje que quero ler “Maus”. Finalmente esse ano consegui realizar o desejo ao encontrar o volume único com um precinho excelente no Estante Virtual. Eu já comecei a leitura sabendo da importância e da qualidade da obra. Mesmo assim, não teve como não ficar profundamente impressionado com a história de Vladek Spielgman, contada por seu filho Art Spielgman com rara objetividade, embora, sem nunca perder a sensibilidade. Apesar de ter sua história contada pelo próprio filho, o Vladek que encontramos nas páginas não é, nem de longe, um herói maior que vida, sobrevivente de um dos momentos mais sombrios da história da humanidade, personificação esperada de uma história contada pelo seu próprio filho. Mas não aqui. Ao invés do herói o que vemos é um homem mesquinho, teimoso, preconceituoso e oportunista, do tipo que aparenta nunca dar ponto sem nó. Mas também é um homem carente, solitário, e ressentido da ausência do filho. Ou seja, um ser humano como qualquer outro. E é justamente aí onde reside, em minha opinião, o grande mérito de “Maus”: essa não é mais uma história uma sobre heróis e vilões, tragédias e milagres dentre tantas já ouvidas e vividas nos anos de Holocausto. É a história de uma humanidade capaz de ser tão terrivelmente mesquinha e, ao mesmo tempo, guardar dentro de si um potencial para o bem quase infindável vista pelos olhos de um pessoa comum, que, em momento algum se apercebe desse fato. É uma história que nos ajuda a entender um pouco mais sobre nós mesmos, ao mesmo tempo em que incomoda com mais e mais perguntas sobre nosso papel na história.

  1. Um livro e um quadrinho que te decepcionaram em 2017?

De Roswell à Varginha

“De Roswell à Varginha”

Se tem um tema o qual eu gosto de ler é sobre os supostamente verdadeiros casos ufológicos. No entanto, longe de ser uma versão brazuca do Giorgio Tsoukalos (nem cabelo pra isso tenho), eu procuro ser bastante cético quanto a esses relatos, sempre mantendo os pés no chão, evitando ao máximo me deixar levar pelo sensacionalismo que, invariavelmente, os acompanham. Ainda assim o tema me fascina. Especialmente o assim chamado Caso Varginha. Por ter alcançado grande repercussão até mesmo internacionalmente justamente na época de minha adolescência (mais precisamente em janeiro de 1996), esse foi um caso que até hoje chama muito a minha atenção. Por isso, que, quando encontrei esse livrinho, de autoria do ufólogo Renato Azevedo, fiquei bem empolgado e ansioso por sua leitura. Especialmente ao descobrir que a obra não tinha a pretensão de ser um relatório “verídico” dos fatos supostamente ocorridos, mas sim uma história de ficção baseadas nesses acontecimentos fazendo uma ponte entre o famoso caso brasileiro e seu equivalente americano, ocorrido meio século antes em Roswell.

Infelizmente, apesar disso, já bem no começo o livro não se decide se é texto de ficção ou obra de pesquisa, isso sem falar nos vários personagens clichês. O texto foi claudicando nessa levada até o seu término, e, apesar de tudo o que foi relatado e de alguns buracos na trama, até que terminou bem. O título também não ajuda em nada, pois fala-se bem mais de Varginha (e do caso Itaipu, outro caso ocorrido no Brasil) do que o de Roswell. Uma pena porque a ideia de se abordar o ocorrido em Varginha é muito interessante. Mas o livro poderia ser bem melhor.

O Grande Duque

“O Grande Duque”

“O Grande Duque” conta a história de Wulf o melhor piloto da Luftwaffe e de Lilya, pertencente ao esquadrão de pilotas russas que fazem missões noturnas, “As Bruxas da Noite”, durante a Segunda Guerra Mundial. Para falar a verdade, essa não é uma HQ ruim. Belamente ilustrada e com um roteiro até que interessante, ela está aqui porque me incomodou bastante o modo como a história de Lilya e das Bruxas da Noite foi retratada. Ao final da história sabemos muito mais das intenções e da história do piloto alemão do que de sua colega russa, a qual, de modo geral, quando não estava voando, era mostrada como apenas como uma mulher bonita que precisava usar de sexo para conseguir o que queria ou sair de problemas. De fato, somente numa única ocasião ela não usou esse “artifício”, mas que não foi mostrada explicitamente, ficando apenas subentendida. Aliás, todas as mulheres na história são mostradas como conseguindo o que querem quase sempre fazendo uso do sexo. Apesar de entender todas as dificuldades enfrentadas pelas mulheres naquele período, penso que não custa nada se esforçar um pouquinho em mostrar isso como um convite à reflexão e questionamento. Assim, fica aqui a decepção com a HQ quanto a esse detalhe bem importante.

  1. A melhor adaptação que você viu em 2017?

Estrelas Além do Tempo

“Estrelas Além do Tempo”

Eu li o livro de Margot Lee Shetterly poucos dias antes de assistir o filme estrelado por Katharine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. E, apesar de livro e filme serem bem diferentes um do outro, é impressionante como ambos conseguem ser lindamente inspiradores cada um ao seu modo. O livro: um belo e excepcional exemplo de pesquisa historiográfica do trabalho das computadoras das mulheres, em especial as negras, nos primórdios da NACA (mais tarde, NASA). O filme: uma inspiradora e necessária obra sobre as dificuldades de ser uma mulher negra procurando seu espaço num ambiente de trabalho dominado por homens brancos nos anos 60. O filme acerta ao se concentrar na história de Katharine Johnson (que fez os cálculos de reentrada da cápsula espacial levando o astronauta John Glenn), Dorothy Vaughan (uma das únicas supervisoras negras da agência) e Mary Jackson (a primeira engenheira negra da Nasa), deixando a obra original mais acessível ao público não acostumado com a leitura de obras mais acadêmicas. Mesmo exagerando em alguns detalhes e criando algumas cenas que nunca existiram de fato, o enredo é perfeito em demonstrar a segregação existente para com as mulheres negras, mas principalmente em tirar do ocultamento a história de mulheres tão importantes naquele que é considerado um dos momentos mais marcantes da história da humanidade: a conquista do espaço. E nisso, meus amigos, contou com a ajuda primorosa, elogiada e, importante destacar, premiada do trio de atrizes principais.

Mulher Maravilha

“Mulher Maravilha”

Aprendi a gostar da Mulher Maravilha lendo alguns formatinhos da personagem na fase Géorge Perez, tida por muitos como sua melhor fase até hoje. Um encanto que cresceu com a qualidade da série animada Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites. Por isso e por entender que já estava mais do que na hora de vermos um filme decente com uma heroína no protagonismo, eu estava tão ansioso pela estreia de “Mulher Maravilha” estrelado por Gal Gadot. Expectativa que cresceu uns mil por cento depois de Batman vs. Superman. Mesmo não gostando desse filme, o aparecimento triunfal da filha de Hipólita e a incrível comoção que ela causou, foi algo incrível de se sentir. E o filme não decepcionou em nada! Um enredo enxuto, tranquilo, tocando em temas pertinentes sobre representatividade não apenas feminina, com boas atuações e, ponto alto em minha opinião, sem aquela overdose de batalhas megalomaníacas, cuja única função na trama é fazer valer o uso da tecnologia 3D. O ritmo da história é calmo, tratando de contar a história sem pressa e sem atropelos, permitindo que tenhamos contato com as personagens e soframos de verdade quando algo acontece com eles. Em resumo: uma adaptação impecável e nada menos que merecida para a primeira super-heroína dos quadrinhos.

  1. Um livro e um quadrinho que não conseguiu terminar em 2017?

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

“A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”

De todos os livros que não consegui ler em 2017 o que mais senti foi essa obra que trata das memórias das veteranas russas da Segunda Guerra Mundial. Justamente por não se concentrar naquilo que já conhecemos pelos livros, filmes e miríades de obras que já abordaram o conflito, tais como grandes batalhas, estratégias e coisas afim, mas na perspectiva dessas veteranas, revelando o ser humano escondido pelo conflito, que quero muito ler esse livro.

Placas Tectônicas

“Placas Tectônicas”

Quando marquei essa HQ de Margaux Motin no texto do ano passado para minha meta de leitura, eu dei como justificativa o fato de tanta gente boa falar bem dela. E de lá para cá a vontade só cresceu ao ter tido contato com mais alguns detalhes do enredo, de sua linda arte e de várias outras resenhas elogiosas ao trabalho. Agora é só conseguir comprar a HQ para poder conferir em primeira mão.

  1. Quantos livros e quadrinhos você conseguiu ler em 2017?

Para 2017 eu estipulei inicialmente uma meta de 50 obras, sendo 30 livros e 20 quadrinhos. E, apesar da leitura dos quadrinhos ter caminhado meio devagar, a leitura dos livros correu a jato. Já na metade do ano eu tinha lido 28 livros. Com isso me empolguei e coloquei mais 30 livros para o restante do ano. Ou seja, no total foram 60 livros estabelecidos como meta de leitura. E já que a leitura dos quadrinhos não evoluiu, mantive a meta de 20 quadrinhos. Mas mesmo com um começo a jato, no segundo semestre fui obrigado a diminuir o ritmo para me dedicar aos estudos para concurso. Por causa disso acabei lendo um total de 46 obras: 42 livros e 4 quadrinhos. No total li 22 livros a mais e cinco quadrinhos a menos quando comparado com a meta do ano anterior de 2016. E foram também mais páginas lidas em 2017, num total de 15.087, enquanto em 2017, li apenas 8.155 páginas.

Nas imagens, outras três excelentes leituras que recomendo bastante.

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2018

  1. Um livro e um quadrinho que está ansioso pela leitura em 2018?

Deixe as Estrelas Falarem

“Deixe as Estrelas Falarem”

Livro da Capitã Sybylla. Motivo mais do que suficiente para eu estar ansioso por sua leitura. Sou fã de tudo o que Sybylla escreve, não apenas de seus textos no Momentum Saga, mas também de seus contos e livros, os quais recomendo bastante.

Uma Bolota Molenga e Feliz

“Uma Bolota Molenga e Feliz”

Conheço as tirinhas de Sarah Andersen pelas postagens de amigos e conhecidos nas redes sociais. Sua bem dosada mistura de humor e reflexão me cativaram de imediato, trazendo junto a vontade de ler essa coletânea.

  1. Um (ou mais) desafio que se dispôs a participar em 2018?

Antes mesmo da Sybylla recomendar esses 52 livros escritos por mulheres para ler nesse ano de 2018 eu já andava com a ideia pela cabeça: não apenas ler livros escritos por mulheres mas também livros sobre mulheres, ou ambos de preferência. E assim ficou estabelecido o meu desafio para o ano. Isso e tentar de algum jeito aumentar o número de HQs lidas. Na realidade, esse é meu segundo desafio: ler todas as 20 HQs listadas em minha meta de leitura.

  1. A adaptação mais aguardada por você em 2018?

Pantera Negra

“Pantera Negra”

Se ano passado a minha adaptação mais aguardada era a merecida primeira adaptação de um quadrinho protagonizado por uma mulher, imaginem a minha expectativa para assistir a adaptação do primeiro herói negro dos quadrinhos, repleto de personagens negros, tanto homens e mulheres! Que venha o “Pantera Negra”.

  1. Uma leitura que pretende retomar em 2018?

Os Sonâmbulos – Como Eclodiu a Primeira Guerra Mundial

“Os Sonâmbulos – Como Eclodiu a Primeira Guerra Mundial”

Esse foi o livro que eu estava lendo quando terminou o ano de 2017, bem na época que comecei a pegar pesado nos estudos. É um livro bem interessante sobre os motivos que levaram ao início do conflito, ampliando algumas informações, esclarecendo outras e trazendo à tona outro tanto. Como não abandonei sua leitura, não necessariamente pretendo retoma-lo, mas sim finaliza-lo.

Homem-Aranha A Última Caçada de Kraven-Vol. 2

“Homem Aranha: A Última Caçada de Kraven, vol. 2”.

Li o primeiro volume e posterguei o segundo. Tá na hora de retomar essa clássica leitura.

  1. Três livros e três quadrinhos da sua meta para 2018?

1-O Que É Lugar de Fala? de Djamila Ribeiro. Traz questionamentos sobre um tema pertinente e necessário, escrito por uma autora extremamente coerente e capacitada.

2-Star Wars: Legado de Sangue de Claudia Gray. Um dos livros mais comentados e bem resenhados do universo expandido, tendo como protagonista ninguém menos que a Senadora Leia. Para mim são motivos suficientes para tê-lo na minha meta.

3-Os Despossuídos de Ursula K. Le Guin. A leitura dessa autora é obrigatória e imprescindível para qualquer fã de ficção científica.

1-“Angela Della Morte” de Salvador Sanz. Uma agente especial que engana o próprio corpo simulando sua morte para liberar sua alma e, assim, ocupar outras pessoas para realizar suas missões. Ficção científica com traços de terror e lindas imagens.

2-“Bordados” de Marjane Satrapi. Penso ser obrigação de todo fã de quadrinhos conhecer a obra completa de Marjani Satrapi.

3-“Retalhos” de Craig Thompson. Um extenuante trabalho de pesquisa de sete anos para criar uma obra sensível num show de gravuras inspiradas na caligrafia árabe. Se isso não for motivo suficiente para querer ler essa obra, não sei mais o que é.

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DE MAURÍCIO A MOORE (E TAMBÉM A MORRISSON, MÖEBIUS, GAIMAN…) – UMA HISTÓRIA DE AMOR PELOS QUADRINHOS

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O início de uma paixão que começou numa página similar a essa

É bem comum encontrar pessoas no Brasil que aprenderam a ler com as Revistinhas da Turma da Mônica. Comigo não foi diferente. Eu tinha sete anos quando li algo sem a obrigação dos textos escolares ou o titubeante soletramento de cada letra e sílaba. Era uma revistinha do Cascão. Li o texto do primeiro balão tão naturalmente que demorei um pouco para, surpreso, me dar conta que sabia ler! Depois da alegria de partilhar a novidade com meus pais li toda a revista numa avidez que impressionou até mesmo a mim! Rápido, mas não o suficiente para me satisfazer. Eu queria mais.

Embora esse tenha sido o início do meu amor pela leitura, não foi de modo algum meu primeiro contato com as histórias em quadrinhos. Na realidade uma de minhas primeiras lembranças é de uma reunião de família na casa de meus avós paternos, quando ganhei de uma tia uma revistinha do Chico Bento (olha a turminha aqui de novo). Apesar de na época ter entre três e quatro anos, essa lembrança é muito vívida em minha mente, quase como se tivesse ocorrido ontem. Lembro muito bem de voltar pra casa agarrado no presente e de assim ter ficado por muito tempo.

A cada nova HQ que eu encontrava ia aumentando dentro de mim o encanto pelas histórias que, até então, eu só podia imaginar como seriam, nisso sendo auxiliado pelas gravuras. Dessa época, entre meu primeiro contato com o Chico Bento e a primeira leitura das palavras do Cascão, fui apresentado ao cowboy Tex – numa coleção esquecida na estante de minha avó materna –, e ao herói cimério Conan, numa edição gigante a qual, na época, supus ser uma adaptação do filme com o ator Arnold Schwarzenegger. Lembro-me muito bem de me encantar com uma luxuosa revista contando a história do Conde Drácula na casa de uma amiga de minha irmã. Fiquei encantado com as lindíssimas ilustrações em preto e branco. Eu não sabia disso ainda, mas ali se iniciava o meu encanto pelas fumettis italianas e seus belos jogos de luz e sombra. Tão absorto fiquei na revista que essa amiga se impressionou que eu, tão novo, já soubesse ler! Ah quem me dera se assim fosse.

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Imagens como essa me encantavam

Quando, por fim, aprendi a ler, devorei todo tipo de quadrinho que encontrei pela frente, a maioria absoluta títulos infantis. Além da Turma da Mônica, li muito Luluzinha, Ursinhos Carinhosos, Trapalhões, Disney (adorava essa última) e demais variantes. E de vez em quando topava com algum título da Marvel ou da DC, em geral, formatinhos do Superman ou Homem-Aranha. Nada que me marcasse. Lógico que tudo isso mudou quando um amigo me presenteou com a edição número 100 da revista Heróis da TV, conforme contei nesse texto. De cara fui apresentado às origens do Doutor Estranho, Homem de Ferro, Vingadores e à equipe que se tronaria a minha preferida dentre todas: os Fabulosos X-Men!

Fiquei encantado com a premissa dos mutantes não serem heróis no sentido tradicional, desses que celebram (e são celebrados por) seus poderes. Ver Ciclope se amaldiçoando por conta de suas rajadas óticas ou a equipe sendo perseguida por grupos de humanos “normais”, os mesmos que foram salvos por eles pouco antes, foi algo marcante nesse início de adolescência. Ter contato com heróis que não eram populares e sim perseguidos e ridicularizados por conta de seus talentos fez com que – pela primeira vez na minha vida – me identificasse com personagens de alguma obra que eu curtia.

Fui atrás de mais material dos Filhos do Átomo. E acabei dando uma sorte tremenda. Outro amigo tinha nada mais nada menos que Superaventuras Marvel n.16, a versão brazuca de Giant Sized X-Men 1, onde era apresentada a origem da nova equipe dos X-Men. Além disso, ele tinha outras revistas, a exemplo daquelas que são consideradas por muitos (eu incluso) como a melhor fase dos X-Men nos Quadrinhos: as revistas da era Chris Claremont. Com a mensagem simples (e mais atual do que nunca) de combate a intolerância e ao preconceito, Claremont conquistou aquele pré-adolescente tímido.

A partir daí os quadrinhos de super-heróis passaram a ter uma nova vida para mim. Percebi que eram muito mais do que aparentavam. Entender que heróis podem ser tão falhos e imperfeitos como qualquer um de nós me levou, não só a mudar minha percepção do que eram os quadrinhos de heróis, como minha própria percepção de mundo. E esse novo olhar me levou a conhecer um mundo inteiro de histórias maravilhosas que ia garimpando aqui e ali.

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Ao entrar na sexta série, a escola solicitou como parte do material didático uma gramática de Carlos Emilio Faraco e Francisco Marto de Moura. Como recurso didático essa gramática usava e abusava de imagens publicitárias, pôsteres de filmes, capas e ilustrações internas de livros e muitos, mas muitos quadrinhos! Foi nessa gramática que tive conhecimento de verdadeiros tesouros: A Piada Mortal, 300 de Esparta, Batman – O Cavaleiro das Trevas, Corto Maltese, Tin Tin e outros. Óbvio que fui a loucura querendo ler todas aquelas histórias. Só anos mais tarde conseguiria, já que na Aracaju dos anos 90 esse material dificilmente chegava. Claro que eu não esperei sentado essa época chegar. Corri para as bibliotecas onde, embora nem sempre, eu conseguia garimpar muita coisa interessante. E nas casas de amigos e conhecidos que também curtiam HQs.

E assim, aos poucos, fui tendo contato com os grandes nomes da 9ª arte, John Romita Sr. e John Romita Jr., Jack Kirby, John Byrne. E também com outros nem tão gênios assim, mas que pensam que são (estou falando de você mesmo Rob Liefeld). Foi também – como não poderia deixar de ser – quando conheci a vertente erótica dos quadrinhos através de nomes como Milo Manara, Guido Crepax, Paolo Eleuterio Serpieri e Carlos Zéfiro e seus “catecismos”. Enquanto a molecada preferia os vídeos pornôs, eu precisava me desdobrar para esconder de meus pais as revistinhas pornôs que a muito custo conseguia obter.

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Exemplo de uma HQ de Manara em parceria com Hugo Pratt onde, ao menos aqui, sexo e mulheres nuas não eram o único foco da história

No fim da adolescência, já trabalhando e conseguindo algum dinheiro meu de fato, pude comprar minhas primeiras HQs. E, feliz coincidência, nessa mesma época a Panini iniciava sua atuação no Brasil. Acompanhei por um bom tempo as revistas X-Men, X-Men Extra e Ultimate Marvel. Foi também por aí que, paixão já consolidada, tive acesso as primeiras obras que tratavam sobre o tema. De maneira geral eram revistas que traziam algum texto ou reportagem sobre o assunto e, muito de vez em quando, algum livro também.

Ao entrar na universidade fui obrigado a dar um tempo na paixão. As leituras ditas sérias deram lugar às leituras ditas menos importantes. Mesmo encontrando ecos de muitas HQs que marcaram minha infância nas aulas de Geografia Política, Introdução à Filosofia, Introdução à Psicologia da Aprendizagem, dentre outras, minhas leituras diminuíram bastante (não só de HQs, mas também de livros que não fossem os acadêmicos), deixando, inclusive, de acompanhar as revistas que já vinha comprando.

Mas finalmente terminei a universidade ao mesmo tempo em que descobria na internet um rico tesouro. Blogs e páginas as mais diversas onde eu podia ler online ou baixar os mais variados títulos. Fossem histórias clássicas, fosse aquele formatinho lido na adolescência o qual eu nem lembrava mais a existência. E, especialmente, sites que, não satisfeitos em digitalizar e disponibilizar para download revistas clássicas do mercado mainstream, dedicam tempo e talento para traduzir revistas que não chegam ao nosso mercado nacional. Além é claro dos blogs que analisam, dissecam, esmiúçam todo esse material em textos extremamente bem escritos. Destaco como exemplo esse post escrito pelo Sidekick dos Quadrinheiros Quadrinhos: o Filho Bastardo das Musas, um dos mais belos que já tive o gosto de ler.

Atualmente minha paixão por quadrinhos não diminuiu em nada se comparado ao tempo em que descobria aqui e ali uma nova história interessante, um novo herói ou grupos de heróis complexos ou ainda algum artista ou roteirista genial. Se na infância Maurício de Sousa foi o responsável por minha iniciação e na adolescência Chris Claremont, Will Eisner e Jack Kirby ajudaram a sedimentar o amor, depois de tornar-me adulto descobri em Alan Moore, Grant MorrissonMoebius, Neil Gaiman, Alejandro Jodorowsky mestres em me desvendar inúmeras novas possibilidades para as histórias em quadrinhos, novas maneiras de encarar velhas histórias, personagens e temas, aumentando ainda mais meu amor pela assim chamada 9ª Arte.

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TAG: LIVROS 2017

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Uma das máximas mais antigas de nosso país (se não a mais antiga) é aquela que diz: “No Brasil o ano só começa depois do carnaval.” Sendo assim, agora que a tradicional festa da carne já se foi, que tal saudar o ano novo que de fato se inicia com uma breve vista d’olhos nas minhas leituras no ano de 2016 e também nas minhas metas e desafios para o ano de 2017? E como já tá virando tradição, faço isso respondendo a essa TAG na qual fui marcado lá no já distante ano de 2015, pelo sábio Mestre Ben Hazrael do Cabaré das Ideias. Inclusive, se você quiser conferir minhas respostas anteriores, é só clicar aqui e aqui.

O ano que passou foi muito proveitoso no quesito por minhas leituras em dia. Há muito tempo eu não lia tanto por puro prazer. Muito disso graças ao estímulo trazido ao ganhar meu falecido e-reader. Mesmo depois do coitado ter quebrado, continuei catando todo tipo de leitura. E nisso tenho muita sorte, pois trabalho numa universidade com uma vasta biblioteca. E como, no momento, não estou em condições financeiras para sair comprando todos os livros que desejo, é justamente essa biblioteca que tem me salvado. Infelizmente nem todos os livros desejados acabo encontrando por lá, mas os que encontro já dá pro gasto.

Por outro lado, a quantidade de leituras de quadrinhos foi bem menor do que eu pretendia. Dos 18 quadrinhos que estabeleci como meta de leitura, consegui ler apenas 9. Muito de não conseguir chegar nem perto de atingir a meta foi devido a quase  não mais comprar quadrinhos em mídia física. Principalmente pela questão do custo, mas também pela disponibilidade de títulos ser muito maior em mídia digital. Títulos estrangeiros que dificilmente seriam publicados por aqui, são facilmente encontrados em páginas que se dispõem a traduzir essas obras e disponibiliza-las na rede. Infelizmente, a leitura desse material na tela do computador não é das mais adequadas, cansando logo a vista. E esse foi o principal motivo de não ter lido tantas HQs em 2016.

Para esse ano de 2017 estabeleci como meta a leitura de 30 livros além de 20 HQs. Falo um pouco sobre essas obras a seguir, mas se quiser saber quais são todas elas, fique a vontade para visitar minha página no Skoob ou me seguir lá, se quiser. O link é esse aqui.

E uma boa leitura!

2016

  1. Um livro e um quadrinho que te surpreenderam em 2016?

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Esse ano eu consegui ler livros bem variados com temáticas e gêneros um tanto diferentes entre si. Muitos desses surpreenderam por serem totalmente diferentes do que eu esperava, a exemplo de “O Nome da Rosa” do meu quase xará, Umberto Eco. Esse era um livro que eu supunha ter uma leitura mais complicada do que realmente tem, me surpreendendo pela fluidez de sua leitura, apesar das muitas e muitas partes (e mesmo alguns diálogos) em latim. Outros como “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago e “A Cor Púrpura” de Alice Walker mesmo com minha expectativa lá em cima, conseguiram ser ainda melhores do que eu tinha imaginado. E  cada um desses poderia figurar nesse quesito tranquilamente como grande surpresa, mas optei mesmo por ficar com “Meu Casaco de General” de Luiz Eduardo Soares. O livro narra os quinhentos dias em que o autor fez parte da Secretária de Segurança Pública do Rio de Janeiro durante o governo de Anthony Garotinho. Achei o livro por acaso enquanto acompanhava um colega na biblioteca da universidade onde trabalho e sua capa e temática me chamaram a atenção. Dei uma chance e tive uma mais do que grata surpresa com os relatos de puro descaso e omissão com a segurança naquele estado. Descaso esse que, com certeza não é exclusividade do Rio de Janeiro e nem ficou naquele passado nem tão distante assim do final dos anos 90 e início dos anos 2000. As já inúmeras rebeliões em presídios em todo o país somente nesse comecinho de 2017 e o caos que se instaurou no Espírito Santo com a greve dos policiais que o digam. Se tem um livro que recomendo bastante esse ano, com certeza é “Meu Casaco de General”.

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Infelizmente, como eu comentei na introdução, eu não li tantos quadrinhos como eu queria. No entanto, se a quantidade foi pouca ao menos a qualidade se manteve. Eu já sou fã da série Os Mundos de Aldebaran tendo gostado muito do primeiro ciclo onde conhecemos os descendentes da tentativa humana de colonizar um planeta no sistema de Aldebaran, e do segundo ciclo onde as tentativas de colonização passam a ser no sistema de Betelgeuse. Em ambos os personagens precisam lidar com a misteriosa Mantrise e seus segredos, em tramas bem escritas, com reviravoltas e personagens interessantes com grande destaque para as personagens femininas. Outro destaque são os belos desenhos de Luis Eduardo Oliveira, ou LEO, ao apresentar mundo inteiros além de flora e fauna bem diversificada e exótica. Mesmo tendo todos esses elementos o primeiro capítulo de “Antares”, que faz parte do terceiro ciclo, conseguiu me surpreender, não apenas por manter a qualidade dos ciclos anteriores, mas também por entregar uma história nova com foco diferente em relação as demais, apresentando novos personagens e também um enigma novinho a ser desvendado pela verdadeira heroína das tramas anteriores, a jovem Kim Keller.

  1. Um livro e um quadrinho que te decepcionaram em 2016?

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O livro “Prato Sujo” de Marcia Kedouk chegou lá em casa emprestado por um casal de amigos. Logo a temática chamou minha atenção, pois ele se propunha a contar como a indústria dos alimentos viciou e ainda vicia nosso cérebro com substâncias prazerosas, pouco nutritivas porém muito lucrativas. O começo foi bem ao contar essa história. Mas do meio pro final o livro começou a cansar e ele acabou não sendo tudo aquilo que eu imaginava. É uma leitura leve, bem instrutivo, mas eu esperava um pouco mais dele. Talvez a expectativa é que tenha estragado a leitura.

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Eu comecei a ler a série de três HQs Megalex não apenas por ser um quadrinho de ficção científica, mas também por ter a frente o nome do autor chileno Alejandro Jodorowsky, parceiro de Moebius no clássico “O Incal”. A série foi muito bem em seu primeiro livro “A Anomalia”, apresentando o mundo de Megalex num futuro automatizado, em que tudo, até mesmo o nascimento de cada pessoa, é convertido num processo mecânico, onde não existe espaço para nenhum falha. A história tem início com a fuga de um soldado que, por ter crescido demais, é considerado uma anomalia mas consegue escapar do controle de qualidade (a execução sumária) e acaba sendo resgatado por uma misteriosa moça careca. O segundo volume, “O Anjo Corcunda”, mantém a qualidade do primeiro volume, muito embora não sem algumas críticas. A principal, ao meu ver, é a desnecessária erotização da Princesa Kavatah e da misteriosa rebelde careca (tanto uma como a outra são desenhadas com seios enormes), além do uso de uma ou duas piadas envolvendo os seios dessa última. A terceira parte “O Coração de Kavatah” não só manteve a pegada e a qualidade como também a erotização das personagens. Mas também apresentou algumas reviravoltas instigantes e revelações bem boladas. No entanto, quando a história parecia que ia engrenar pra valer, ela termina de repente num desfecho bem meia boca e decepcionante, deixando um gostinho bem amargo pra uma HQ que prometeu muito mais do que cumpriu.

  1. A melhor adaptação que você viu em 2016?

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Eu estou bem devagar no quesito filmes. Nos cinemas esse ano assisti somente Batman vs. Superman, mas embora tenha até gostado do filme, sei que ele não é nem de longe a melhor adaptação do ano. Na TV também não tenho assistido muitos filmes. Mas fiquei positivamente surpreso com o filme do Homem Formiga. Então fica sendo ele mesmo.

  1. Um livro e um quadrinho que não conseguiu terminar em 2016?

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Eu não consegui ler vários livros de minha meta, alguns porque não consegui compra-los outros porque são bem difíceis de encontrar mesmo nas bibliotecas. O melhor exemplo nesse último caso foi o do livro “Sergipe Colonial II” da historiadora e geógrafa sergipana Maria Thétis Nunes. Quero muito ler esse livro não apenas pelo desejo de aprender mais sobre meu estado, mas também por ser fundamental nas minhas pesquisas para a última parte no apanhado histórico que estou publicando aqui no blog. Sem falar de sua importância para um outro projeto que venho desenvolvendo e sobre o qual falarei mais em breve. No entanto, para essa questão particular, vou citar aqui a “Síntese da Coleção da História Geral da África Vol. 2” como sendo o livro não lido em 2016. Por seu tamanho, tendo quase 1000 páginas que requerem uma leitura atenta, demorei a terminar a leitura do volume 1 e, apesar de tê-la iniciado ainda em 2016, só consegui terminar esse volume 2 em 2017.

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Robert Crumb, um dos fundadores do movimento underground, é famoso por abordar temas como drogas e sexo em suas obras. Ao decidir adaptar o primeiro livro da Bíblia deixou todo mundo curioso sobre o que ele tinha em mente. E o resultado é “Gênesis”, HQ fruto de um trabalho de pesquisa minucioso e muito sério, com uma qualidade irretocável. Infelizmente por conta do tamanho da obra não deu pra terminar sua leitura. Mas se você quer saber mais sobre essa belíssima obra recomendo assistir esse vídeo produzido pelos Quadrinheiros onde a obra é dissecada.

  1. Quantos livros e quadrinhos você conseguiu ler em 2016?

Eu tinha estipulado uma meta de 41 obras, entre livros e quadrinhos, para ler em 2016. Eram 23 livros e 18 quadrinhos, sendo que desses li um total de 29 obras: 20 livros e 9 Quadrinhos. Foram dois livros e quatro quadrinhos a mais se comparado com a meta do ano anterior. E, para minha total surpresa, foram menos páginas lidas em 2016, num total de 8.155, enquanto em 2015, li 9.267 páginas.

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  1. Um livro e um quadrinho que está ansioso pela leitura em 2017?

Nas duas postagens anteriores eu expliquei que não costumo acompanhar os lançamentos de novas obras. Então para não dar as mesmas desculpas dos anos anteriores, resolvi alterar levemente a pergunta desse quesito. Assim, ao invés de responder por quais lançamentos estou ansioso, prefiro dizer por quais leituras estou ansioso para iniciar nesse ano.

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Dos livros, estou muito ansioso por iniciar a leitura de “Estrelas Além do Tempo”. Desde que tomei conhecimento da história por ele contada desejo ler esse livro. E graças a querida amiga Sybylla, vou poder matar essa vontade.

Nos quadrinhos estou muito ansioso para ler o segundo volume de “Rainhas de Sangue: Isabel-A Loba da França”. Gostei bastante do primeiro volume, especialmente pelos belos desenhos do artista Jaime Calderón.

  1. Um (ou mais) desafio que se dispôs a participar em 2017?

Eu passei todo o ano de 2016 planejando ler os livros de Milton Santos. E tinha como meta comprar alguns para começar a compor minha biblioteca geográfica e, aqueles que não encontra-se para compra, pega-los emprestado na biblioteca da universidade. Mas como minhas condições financeiras esse ano talvez não me permitam o pequeno luxo de comprar livros e, sendo poucos os títulos do geógrafo baiano disponíveis na biblioteca,  fui obrigado a adiar o plano. Assim, me propus três desafios particulares: o primeiro, ler a maior quantidade de livros cuja temática seja voltada para a ciência geográfica. O segundo é ler o maior número possível de obras de autores sergipanos ou cuja temática seja Sergipe. Já o terceiro é retomar a leitura abandonada de três livros: “O Dia do Curinga” e “O Mundo de Sofia” ambos do autor norueguês Jostein Gaarder e “O Espírito das Leis” de Montesquieu.

  1. A adaptação mais aguardada por você em 2017?

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Eu sou tão por fora disso de datas de lançamento, que ao responder a TAG ano passado eu afirmei estar ansioso pelo lançamento do filme da Mulher Maravilha. Nenhum problema nisso a não ser pelo fato do filme estrear mesmo só em 2 de junho de 2017, e isso lá nos EUA. Pelo visto ansiedade pouca é bobagem.

  1. Uma leitura que pretende retomar em 2017?

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Já que adiantei os livros que pretendo retomar ao responder o item 7, aqui falarei sobre os quadrinhos. Ano passado pretendia retomar a leitura da obra “Os Passageiros do Vento”. Faltavam três volumes, mas só consegui ler um deles e por isso pretendo retomar a leitura finalizando os dois últimos volumes. Além desses quero muito poder terminar “O Incal”, obra icônica de Moebius e Jodorowsky. Nem que seja para poder tira o gostinho amargo que ficou com o final de Megalex.

  1. Três livros e três quadrinhos da sua meta para 2017?

1-Só Garotos de Patti Smith. Apesar de gostar de livros que contem a história de grandes astros da música ou de bandas famosas, nem sempre consigo encontra-los com facilidade. Aproveitei que a biblioteca aqui tinha essa autobiografia da Patti Smith para inclui-la em minha meta de leituras para esse ano.

2-Quarto de Despejo de Carolina Maria de Jesus. Julgo ser esse um livro essencial. E, sendo assim, já passou, e muito, da hora de ler.

3-A Independência do Solo que Habitamos: Poder, Autonomia e Cultura Política na Construção do Império Brasileiro – Sergipe (1750-1831) de Edna Maria Matos Antonio. Tese de doutorado, transformada em livro através do Programa de Publicações Digitais da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Para conhecer um pouco mais a fundo sobre como se deu o processo de emancipação política de Sergipe.

1-“Maus” de Art Spiegelman. Clássico quadrinho vencedor do Pulitzer. Uma visão diferenciada dos horrores da Segunda Guerra, objeto de estudo em várias especialidades. Decidi que esse ano tenho de ler essa obra-prima, mesmo que para isso precise compra-la.

2-“Placas Tectônicas” de Margaux Motin. Tenho visto tanta gente boa falando bem dessa HQ que resolvi arriscar. Pelo que já li sobre ela é coisa fina e promete.

3-“Campos de Batalha” de Garth Ennis (texto) e Russ Braun e Peter Snejbjerg (desenhos). Desde que tomei conhecimento da existência de um esquadrão de pilotas russas enviadas em missões noturnas contra os nazistas na Segunda Guerra me interessei em saber mais sobre elas.

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5 BLOGS QUE SIGO E RECOMENDO

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Um amigo costuma dizer que, se você não encontrar algo na internet é porque esse algo não existe. De fato, hoje em dia, não existe virtualmente nada que não seja possível encontrarmos na grande rede. Eu mesmo encontrei na internet um literal universo de coisas que antes eu apenas sonhava um dia poder ser rico o suficiente para poder ter acesso. Coisas como ter a discografia completa do David Bowie ou poder assistir de novo aquele filme bacana que passou uma vez no InterCine e depois nunca mais outra vez. Ou ainda: poder ler todas as revistas dos X-Men (e da Mulher-Maravilha também) e aqueles gibis europeus que jamais seriam lançadas no Brasil.

Com a internet tudo isso se tornou possível graças a sua capacidade de tornar acessíveis os mais diversos e diferentes tipos de conteúdo. Já se tornou um clichê a afirmação de que nunca antes o conhecimento se tornou tão acessível quanto atualmente. Mas isso não a torna menos verdadeira. Infelizmente, o fato de toda essa informação e conteúdo estar disponível não significa necessariamente que só temos material interessante e de qualidade a disposição. Páginas, blogs, canais no Youtube e perfis em redes sociais destilando ódio, machismo, misoginia, preconceito, racismo e todo tipo de coisa similar, sob a falsa imagem da brincadeira e humor ou da hipócrita máscara da liberdade de opinião é o que não falta. E gente acessando esse tipo de lixo também não.

Pensando nisso, decidi compartilhar com vocês um pouco daquilo que costumo ler e acompanhar pela internet. São espaços onde todo esse ódio e raiva não prevalecem. Ao contrário, invés de ódio irracional e desinformação variada, procuram difundir conhecimento e informações relevantes, além de promover boas iniciativas, sempre abertas a debaterem temas importantes de maneira racional. Em suma, conteúdo edificante e instrutivo de maneira a mais acessível, simples e ampla possível.

Pretendo publicar dois ou três posts nessa linha. Hoje apresento cinco blogs os quais sempre estou lendo, visitando e onde ­– posso afirmar sem medo nenhum –, aprendo muito mais do que em anos de escola e de universidade (embora com isso eu não esteja dizendo que você deva deixar a escola de lado ou desistir de fazer uma graduação). Quem curte a página do Habeas Mentem no Facebook, vai perceber que, volta e meia, estou compartilhando material desses blogs. Aqui, além de apresenta-los brevemente, e aos seus respectivos donos e donas, explico porque gosto tanto deles.

Boa leitura!

1-Momentum Saga

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Eu não faço a mínima ideia de como conheci o Momentum Saga. Tudo o que lembro é que, assim de repente, era esse o blog que eu estava sempre acessando e lendo. Por tratar de um monte de coisas que me interessam, a exemplo de Ficção Científica, literatura, ciência, Jornada nas Estrelas e Geografia, além das resenhas de livros e filmes, não é difícil entender o motivo de gostar tanto do Saga, capitaneado pela Lady Sybylla (Geógrafa, Professora, escritora e Mestra em Paleontologia). Isso e o fato da escrita da Sybylla ser excelente, sempre muito bem embasada, além de sua coragem em encarar e se posicionar firmemente sobre temas tidos como controversos ou polêmicos. Foi no Saga onde aprendi sobre feminismo, questões de gênero e um monte de temas relevantes. De longe é um dos melhores blogs brasileiros e, com certeza, o melhor sobre Ficção Científica e aquilo que se conveniou chamar de cultura nerd. Hoje, além de leitura obrigatória, tenho o orgulho de dizer que sou amigo da Sybylla por quem tenho um carinho e admiração imensos.

2-Meteorópole

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E foi por intermédio do Momentum Saga, do qual é parceiro, que conheci o Meteorópole. Comandado pela incrível Samantha Martins (Bacharel em Meteorologia e Mestra na área de modelagem da atmosfera), fala principalmente sobre meteorologia, explicando conceitos, tirando dúvidas, mas trata também de um monte de outros temas bacanas e interessantes. Aliás, essa é uma das grandes qualidades do blog: a diversidade de temas e assuntos tratados, sempre com muita qualidade e clareza. A Sam, que também se tornou uma querida amiga, tem uma escrita super agradável aliada a uma capacidade quase infinita de transformar qualquer assunto, por mais complicado que seja, em textos extremamente simples e de fácil entendimento. E, assim como a Sybylla, não tem medo de se posicionar e também já escreveu vários textos muito pertinentes (e informativos, como não poderia deixar de ser) sobre feminismo.

3-Cabaré das Ideias

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Outro blog fantástico que conheci através do Saga. Comandado pelo sábio Mestre Ben Hazrael (Licenciado e Bacharel em História, Mestre e Doutor em Ciência Política – e também um Mestre Jedi), o Cabaré das Ideias fala de muitos dos mesmos temas do Saga e do Meteorópole com idêntica qualidade e propriedade. Mas o que me encanta mesmo aqui – não apenas por serem muito lúcidas e coerentes, mas também por tratarem de material pouco conhecido, em geral fora do mercado mainstream americano ­– são as resenhas das HQs feitas pelo Ben, uma paixão que dividimos (e assunto sobre o qual quase não falei ainda aqui no blog, mas que prometo mudar). Excelentes também são suas resenhas sobre filmes, séries e livros, invariavelmente apresentando salutares e bem vindas novidades nessas áreas. O blog andou um tempo meio parado devido a outras responsabilidades do Mestre Ben, mas aos poucos ele tá retomando o ritmo com postagens regulares. Nem preciso dizer que esse é outro blogueiro o qual tenho uma relação muito boa, além de ter o prazer de, volta e meia me bater com ele pelos corredores da Universidade onde trabalho, na qual, por feliz coincidência, ele ministra aulas na Pós-Graduação. Se você gosta de textos sobre produções inteligentes da cultura pop seu lugar é no Cabaré das Ideias.

4-Quadrinheiros

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E, já que o assunto é quadrinhos, não posso deixar esse pessoal fora da lista.  Sob o comando do Nerdbully (Bruno Andreotti, Historiador e Mestre em Ciências Sociais), Picareta Psíquico (Mauricio Zanolini, graduado em Design e pós-graduado em Pedagogia), Sidekick (Iberê Moreno, graduado em Relações Internacionais e Mestre em Comunicação Social e História), Quotista (Filipe Makoto Yamakami, Historiador e Professor) e do Velho Quadrinheiro (Adriano Marangoni, Historiador e Mestre em Ciências Sociais), além da participação de blogueiros convidados – os RedShirts – cada postagem no blog vale por um verdadeiro minicurso de história, antropologia, sociologia, design e outros. Recentemente juntaram-se ao time Goes Murdock e John Holland que escrevem principalmente sobre a linha Vertigo e a Mochi que lança um olhar sobre o mundo dos Mangás e Animes. Sob o lema Diversão e Rigor, já criaram um canal no Youtube, realizaram cursos e mais recentemente publicaram um livro, onde analisam a construção narrativa do épico Guerra Civil da Marvel, além do seu enredo, contexto editorial e histórico, seus criadores, as narrativas paralelas e as consequências para todo o Universo Marvel. Um dos mais, se não o mais completo blog sobre quadrinhos no Brasil.

5-HQRock

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Ainda falando em quadrinhos, outro blog bastante completo sobre o tema é o HQRock, que, como o próprio nome entrega também fala (e com muita propriedade) de Rock, quadrinhos, além dos filmes que tratem dessas duas temáticas, além de notícias relacionadas e resenhas. Comandado pelo enciclopédico Irapuan Peixoto (Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador), o HQRock tem como principal qualidade justamente esse caráter enciclopédico de seu autor. O Irapuan sabe muita, mas muita coisa mesmo sobre quadrinhos e rock e costuma postar dossiês riquíssimos sobre bandas, discografias, super-heróis e cronologias. Quer saber tudo sobre o Led Zeppelin? Lá tem! Quer entender a complicada cronologia dos X-Men? O Irapuan explica! Conheci o blog quando pesquisava justamente sobre a cronologia dos heróis mutantes e me encantei com um dossiê muito mais do que completo dos heróis. E logo virou minha referência, principalmente quando preciso de alguma informação ao escrever sobre o tema quadrinhos e rock aqui no blog.

*  *  *

Existem muitos outros blogs que eu leio, curto bastante e acompanho. Procurei aqui citar os meus preferidos e que estão atuantes, com postagens regulares. Numa outra ocasião postarei mais alguns blogs, além de canais do Youtube que também valem uma conferida.

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UM MULTIVERSO DE POSSIBILIDADES

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A ideia de um Multiverso foi uma das mais interessantes e legais que a DC poderia ter. Criada para abrigar e explicar cada uma das diferentes versões dos heróis da editora nas diferentes eras dos quadrinhos, o conceito é uma variação – na realidade uma extrapolação – da teoria de que possam existir infinitas Terras Paralelas, todas coexistindo no mesmo espaço e tempo, mas sem nunca interferir uma na outra. O multiverso seria assim o conjunto de infinitos universos (ou realidades) coexistindo, cada um abrigando sua versão própria da Terra e de cada um de nós.

Essa é, de longe, a ideia que mais me encanta na Ficção Científica. Não só pelo incrível número de possibilidades dramáticas possíveis, mas também pelo imenso leque de questões filosóficas e conjecturas inerentes ao conceito. Meus atos em outros universos foram os mesmos? Tomei a mesma atitude num determinado momento de minha vida ou outra totalmente diferente? Que tipo de pessoa eu sou em outra realidade? Sou uma pessoa melhor? Pior? A Ficção Científica explorou e explora ao máximo todas essas questões em séries de TV, livros, contos e filmes além das revistas em quadrinhos.

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“Crise nas Infinitas Terras”

Em histórias envolvendo viagens no tempo os temas acima listados também são muito trabalhados. No filme “Efeito Borboleta” – para ficar num único exemplo – o personagem de Ashton Kutcher precisa lidar com as várias transformações em seu “Eu” a cada vez que ele consegue voltar no tempo e mudar algo. Nesse caso, o personagem tinha toda sua realidade pessoal modificada pelas alterações em seu passado. Ele sentia isso na própria pele, na forma mais direta possível, como quando acordou de volta ao seu presente com os braços amputados ou, ainda, preso por assassinato.

Num multiverso não temos a obrigação de voltar no tempo para presenciarmos as consequências de atitudes de nosso passado influenciando o nosso presente. Podemos observar isso, por assim dizer, de camarote. Sem que nossa vida sofra nenhuma alteração, podemos ver como nossas atitudes e escolhas no passado influenciaram nosso presente observando nosso “Eu” em outra realidade. É a possibilidade de encarar as diferentes possibilidades dos diferentes destinos de sua vida no conforto de sua própria realidade.

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E assim evitamos que algo assim aconteça

Outra interessante questão é mostrada na animação “Crise em Duas Terras”. Na história o Lex Luthor de um universo paralelo vem ao universo regular dos heróis da DC. Ele precisa de ajuda para enfrentar o Sindicato do Crime, nada mais que a versão maligna da Liga da Justiça. Nessa realidade tudo é “invertido”, sendo os heróis os vilões e vice-versa.  Em certo ponto da trama, o Coruja – a versão maligna do Batman daquele universo – explica que o inteiro multiverso não é apenas uma infinidade de mundos e realidades coexistindo, mas também um complexo emaranhado de possibilidades tornadas reais a cada decisão tomada não apenas por mim, mas por cada ser vivo do universo. Cada escolha, cada decisão de ir ou ficar, de tomar esse ou aquele caminho, acaba gerando por si só um inteiro novo universo onde se desdobram as consequências dessa ou daquela escolha. Nessa visão o Multiverso é o inteiro conjunto de possibilidades levadas à existência.

Voltando brevemente ao tema das viagens no tempo: seguindo essa mesma lógica, cada viagem no tempo em que se alterasse algum fato no passado, também seria capaz de gerar, não um novo futuro, mas sim uma nova realidade alternativa originária a partir daquela alteração no passado. Nesse cenário, a cada eventual alteração feita pelo viajante do tempo no passado, seriam criados futuros alternativos que passariam a existir junto ao futuro original e não a alteração desse, que, por essa lógica seria impossível de ser alterado. Ele permaneceria coexistindo com a versão alterada ou alternativa.

Na segunda parte da trilogia “De Volta Para o Futuro” ocorre algo nesse sentido. Quando o velho Biff de 2015 rouba o DeLorean e volta ao passado em 1955, ele altera todo o futuro a partir daquele ponto. Ao voltarem àquilo que é (ou deveria ser) o seu presente, o ano de 1985, o Dr. Brown e Marty McFly o encontram totalmente alterado, uma outra realidade do que entendiam como sendo o presente no qual viviam até então. Ao sugerir retornar ao futuro para impedir o velho Biff antes que esse pudesse voltar no tempo, o Dr. Brown explica a McFly a impossibilidade de fazê-lo, pois eles estariam indo ao futuro alternativo criado pela mudança feita no passado e não para o futuro original, antes da mudança. Embora não se afirme isso no filme, podemos teorizar que as mudanças causadas por Biff gerou um inteiro universo ou realidade, que passou a coexistir com a realidade anterior. Esse novo universo era o futuro (e também o presente alterado) criado em virtude das mudanças feitas na vida do Biff de 1955.

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Dr. Emmet Brown e ilustração onde explica a criação da realidade alternativa de 1985

Assim como eu disse lá no começo do post, são várias as possibilidades dramáticas e mais ainda as questões filosóficas a respeito da teoria da existência de um Multiverso. Quase tantas quanto o próprio número de universos que talvez existam por aí. Longe de querer esgotar o tema, procurei apontar algumas das questões mais intrigantes do meu ponto de vista, mas que, de modo algum, chegam sequer a arranhar a superfície de possibilidades. Quero voltar ao tema outras vezes. Mas por hora, recomendo a leitura dos textos linkados abaixo. Além de extremamente interessantes são muito informativos também. Valem a leitura:

5 Motivos Pelos Quais Devemos Estar em um Multiverso

Além do Multiverso

Abismo do Tempo

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Até mais!

AUTORAS/ES QUE ME INFLUENCIARAM

A querida Sybylla, capitã do Momentum Saga, me marcou em sua página do Facebook para responder esse desafio. As regras são bem simples: devo listar 20 autoras e autores que me influenciaram e que sempre ficarão comigo; devo listar os primeiros vinte nomes que me vierem a mente em mais ou menos 15 minutos e depois marcar mais 15 amigos (incluindo aí o amigo que me marcou para que possa ver minha lista).

Bom, por aí já deu pra ver que esse era pra ser um desafio a ser respondido lá mesmo nos domínios do titio Lex Luthor, digo, Mark Zuckerberg. Mas, aproveitando o período intenso de trabalho aqui na universidade a dificultar minha dedicação aos textos ainda a serem postados no Habeas, resolvi pegar a ideia e trazê-la para cá. Mantendo o espírito da primeira regra, listei os 20 primeiros nomes que vieram na minha mente. Procurei apenas tomar o cuidado de verificar se não fui lembrando apenas de nomes lidos recentemente e, portanto, ainda frescos na minha memória, mas sim nomes que, de fato, me influenciaram e que, acredito piamente, continuarão comigo.

Embora não fosse uma regra, procurei falar brevemente sobre cada um dos nomes citados. Sendo a lista um pouco extensa (20 nomes!), procurei ser o mais breve e direto possível nos comentários sobre cada.

E quanto a regra de marcar 15 amigos, prefiro marcar os leitores dessa postagem que façam suas listas e respondam aqui nos comentários ou em seus blogs, fanpages etc. E se der, coloquem os links nos comentários também para que possamos conhecer suas influências literárias.

1-Monteiro Lobato

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Foi com esse autor que iniciei o meu gosto pela leitura conforme já contei nesse post.

2-Silvia Cintra Franco

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Primeira autora da lista da série Vaga-Lume. Seus livros com protagonistas femininas fortes e interessantes sempre me encantaram. Foi no seu livro “A Barreira do Inferno” que fui apresentado ao termo “feminista” e a Simone Beauvoir.

3-Maria José Dupré

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Autora de um dos livros mais doídos que já li. “Éramos Seis” conta a sofrida história de Dona Lola. Também escreveu as deliciosas aventuras do Cachorrinho Samba e “A Ilha Perdida”, outro clássico da Vaga-Lume.

4-Agatha Christie

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Sou viciado nas histórias da Rainha do Crime, pelo modo como ela conduz as histórias, com tramas muito bem amarradas e instigantes.

5-Cecília Meireles

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Me encanta desde que li “Ou Isto Ou Aquilo”, numa longínqua 1ª série.

6-José Maviael Monteiro

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O sergipano da lista que me orgulha e encanta com seus livros na série Vaga-Lume “Os Barcos de Papel”, “O Outro Lado da Ilha” e “O Ninho dos Gaviões”.

7-Marcos Rey

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Outro autor bacana demais da Vaga-Lume e o que mais publicou para o pequeno Luminoso – nome do vaga-lume cheio de estilo e mascote da série.

8-Pedro Bandeira

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“A Marca de Uma Lágrima”, versão adolescente do clássico “Cyrano de Bergerac”, é, ainda hoje, o meu livro preferido do autor. Pedro Bandeira é daqueles autores com jeito pra escrever para adolescentes.

9-J. J. Benítez

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Existem autores que nos mostram o que fazer e aqueles que nos ensinam o que devemos evitar. J. J. Benítez se encaixa na segunda opção.

10-J. K. Rowling

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Só fui ler sua obra mais famosa muito recentemente. Só uma coisa a dizer: Perfeita!

11-J. R. R. Tolkien

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A cativante história de uma jornada cheia de perigos e de detalhes, com personagens interessantes e um enredo maravilhoso. E depois de “O Hobbit” ele elevaria isso a enésima potência com “O Senhor dos Anéis”.

12-Maurício de Sousa

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Se há um responsável por eu adorar história em quadrinhos, esse é certamente Maurício de Souza e suas histórias da turminha do Limoeiro.

13-Chris Claremont

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E se há um responsável por eu ser fanático pelos X-Men, esse certamente é Chris Claremont e sua fase dourada a frente dos Filhos do Átomo.

14-Ziraldo

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Só por ter escrito “Flicts”, que eu li quando tinha nove anos na biblioteca da escola, Ziraldo já merece estar nessa lista.

15-Will Eisner

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Gênio que me ensinou que quadrinhos também é arte e literatura das boas!

16-Gabriel Garcia Marquez

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Por encantar um adolescente com um curioso e instigante conto lido numa edição qualquer de uma Playboy qualquer. Um brinde da revista pelo lançamento de seu mais novo livro: “Doze Contos Peregrinos”.

17-Máximo Gorki

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Novamente um conto instigante lido por um adolescente ávido por novas leituras num velho calhamaço intitulado Titãs do Amor. O começo de um amor platônico com a literatura russa.

18-Clarice Lispector

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Antes de virar celebridade de textos que nunca escreveu no Facebook, li (e me apaixonei por) seu conto “O Banho”. Encanto com seus textos densos que sempre exigem uma releitura, um novo olhar.

19-Alan Moore

Alan Moore

Maurício de Souza iniciou a paixão, Chris Claremont e Will Eisner consolidaram, mas quem mostrou mesmo o quão maravilhoso, fascinante, denso e cheio de possibilidades é o mundo das HQs, este, certamente, foi o britânico mago barbudo.

20-George Orwell

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O autor de “A Revolução dos Bichos” e “1984”. Livros que já conheci adulto, mas mesmo assim me influenciaram como poucos.

*  *  *

Finalmente, enquanto ainda no processo de criação da lista, acabei sendo marcado novamente, desta vez pela amiga Izabela, uma das madrinhas do Habeas Mentem. Taí, Iza! Desafio respondido!